terça-feira, 16 de julho de 2013

Quem Escreveu o Livro de Gênesis?

por Eduardo Galvão

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Quem escreveu o livro de Gênesis? A autoria da Bíblia é algo bem mais complexo do que a grande maioria imagina ser. Para estes, basta apanharem um exemplar da Bíblia, abrir no livro desejado, e procurar na introdução, onde normalmente encontramos algo sobre autor, data, composição, etc. É obvio, no entanto, que essa não é a verdadeira forma de se saber quem escreveu determinado livro bíblico. Além disso, quando se trata do livro de Gênesis, muitos ouvem na igreja que Moisés foi o escritor. Será mesmo?

§1. Introdução


A autoria dos livros modernos é muito fácil de ser estabelecida, pois basta olharmos a capa de um livro, ou mesmo algumas folhas iniciais, para obtermos todas as informações do mesmo. No entanto, no que diz respeito aos livros da antiguidade, a coisa não é tão simples assim.

No passado, o objetivo de se escrever livros não era status intelectual ou financeiro, como é hoje, na grande maioria dos casos, é lógico. As pessoas começaram a escrever para registrar suas tradições e seus mitos, e isso com o objetivo de preservá-los para a posteridade. O que hoje chamamos de “livro” era, na verdade, uma coleção de pequenas porções que eram colocadas juntas. Dificilmente, embora não impossível, alguém escrevia um livro na concepção moderna, com início, meio e fim, porque estamos falando do início da evolução literária.

Tome, como exemplo, um dos livros mais antigos da humanidade, Enuma Elish. (KING, 1998) Esse texto babilônico nos fala sobre o mito da criação do mundo pelos deuses. Seu texto foi composto de forma cuneiforme – rabiscos feitos em material rígido – em 7 tabletes de argila, contendo mais de mil linhas. Todos sabem que a escrita desse livro não foi exatamente como um escritor escreve um livro hoje. Esse “livro”, chamado de Enuma Elish, é uma coletânea de vários textos sumerianos que foram redigidos e, de certa forma, unificados e conhecidos hoje por esse nome. A autoria de Enuma Elish é atribuída à vários sacerdotes cultos em Babilônia que reuniram esses textos, embora o nome Nabubalatsuiqbi seja encontrado assinado neles por algum escriba.

§2. O Livro de Gênesis


Com o livro de Gênesis não foi diferente. A ideia que temos de que Moisés escreveu o Pentateuco, o que inclui o livro de Gênesis, é sustentada apenas pela tradição judaico-cristã. (YATES, 1990) Para estabelecermos quem foi o responsável por compor o primeiro livro da Bíblia, nós precisamos olhar o texto em si.

Uma característica notável nos livros que compõem a Bíblia é que eles são anônimos. (BRUCE, 1983) Ou seja, a grande maioria dos livros que compõem a Bíblia sagrada não menciona quem lhes fora o escritor. Se abrir a Bíblia em Gênesis e ler todos os seus cinquenta capítulos, observará que em momento algum encontramos o nome do autor. Não podemos confiar na tradição religiosa, pois a mesma está impregnada de supernaturalismo supersticioso, cujo objetivo é sustentar dogmas religiosos.

No entanto, não precisamos disso, pois temos o texto bíblico em si, que nos dará uma visão geral da mão quem escreveu o livro de Gênesis. O uso de métodos literários críticos para estudar o AT começou com a obra de Jean Astruc, médico do rei Francês Luíz XV. Em 1753, Astruct desenvolveu uma metodologia própria que, segundo cria ele, conseguia separar as fontes do texto de Gênesis. Ele passou a usá-la, então, para defender a autoria mosaica do primeiro livro bíblico. No entanto, isso logo mudaria.

§3. Wellhausen e o Texto de Gênesis


Com o passar do tempo, métodos de análise crítica foram sendo aperfeiçoados e sendo empregados no estudos das Sagradas Escrituras. Com base nisso, eruditos de respeitadas capacidades conseguiram separar sistematicamente as fontes literárias que compunham o texto bíblico. Julius Wellhausen, estudioso alemão, que publicou sua principal obra em 1880, representa esse tipo de crítica da fonte.

A década de 1880 fora uma década fundamental no desenvolvimento da abordagem histórico-crítica para o Pentateuco, porque esta década viu a publicação do monumental Prolegômeno de J.H. Wellhausen zur Geschichte Israels (publicado em 1883, e em Inglês, em 1885). O trabalho de Wellhausen teve uma influência maciça, porque, pela primeira vez, foi capaz de associar a história do desenvolvimento do Pentateuco com a história do desenvolvimento da religião israelita de uma maneira que convenceu a maioria dos principais estudiosos da Europa, Inglaterra, e América, enquanto empurrava seus críticos (nomeadamente Hengstenberg e Delitzsch) às margens da erudição. (LONGMAN, 2009)

Vale ressaltar, como dito acima, que Wellhausen não foi o protagonista nessa história da Hipótese Documentária:

Aquela que é conhecida como a Hipótese Documentária, embora popularmente associada principalmente com o nome de Julius Wellhausen, não é o produto de um único indivíduo, mas de muitos. As primeiras tentativas sérias para desenvolver uma teoria de fontes escritas contínuas foram feitas na primeira metade do século XVIII - em relação apenas ao livro de Gênesis - por HB Witter e Jean Astruc. (WHYBRAY, 1994, p. 20)

Wellhausen arguiu que no que diz respeito ao texto de Gênesis, podemos separá-lo em quatro fontes principais: Javista (J), Eloísta (E), Deuteromista (D) e Sacerdotal (P).

Argumentou que essas fontes foram produzidas por escolas de pensamentos diferentes, às vezes conflitantes, em diferentes épocas. De acordo com esse esquema, os livros do Pentateuco só foram completados bem mais tarde... a tendência da década passada tem sido afastar-se da abordagem clássica da crítica da fonte e mudar para uma apreciação renovada da integridade literária e a completitude do texto (mesmo em vista do uso óbvio de algumas fontes). (PACOMIO, 1993)

Hoje, nós contamos com três testemunhas principais do texto genesiano para esse estudo e um subjacente: O Texto Massorético (MT), o Pentateuco Samaritano (PS) e o texto grego da Septuaginta (LXX) e os subjacentes textos de Qumran, com fragmentos de Gênesis. (HENDEL, 1995) Neste, o texto que mais podemos confiar, em termos de exatidão literária original, é o MT. (TOV 1981; McCARTER 1986; DAVILA 1989).

§4. Gênesis e Seu Vários Autores


Temos inúmeras razões para crer que o livro de Gênesis foi escrito por múltiplos autores e, na verdade, essa é a visão de praticamente todos os eruditos modernos, teólogos liberais, literários e filólogos, com exceção dos fundamentalistas evangélicos, obviamente. O Comentário Bíblico NVI diz:

Essa teoria da composição do Pentateuco [o que está incluso o livro de Gênesis] talvez ainda seja considerada o consenso entre os eruditos do AT, mas muitas críticas sérias são levantadas contra ela... eruditos conservadores, entre eles autores protestantes, católicos e judeus, argumentam repetidamente que os critérios usados na escola na análise das diversas fontes do Pentateuco são altamente questionáveis. (CLINES 2009; colchetes explicativo meu)

Perceberam quem são os únicos eruditos que não concordam com a teoria das fontes, de que Gênesis teve vários textos de vários autores? Apenas os conservadores, que estão comprometidos com a fé e não com a verdade, como expliquei no artigo Teólogos Liberais ou Conservadores?

Mas, por que dizemos que o livro de Gênesis teve vários autores? Porque a composição do texto, em si, deixa isso muito claro.

§4.a Analogia dos Múltiplos Autores


Imagine que você é professor de história e pede para seus alunos escreverem uma redação sobre a colonização do Brasil. Essa redação, depois de reunida, se tornará em um livro de cinquenta capítulos. Você terá à sua disposição dez alunos, que irão compor, cada qual, cinco capítulos.

O primeiro escreveu os capítulos 1 ao 5, o segundo os capítulos 6 ao 10, o terceiro os capítulos 11-15 e assim por diante. Depois de concluída a escrita dos 50 capítulos, você reúne todas as folhas, faz uma encadernação francesa, põe um título na capa. Agora temos um livro rudimentar, composto por cinquenta capítulos e escrito por dez pessoas diferentes.

Entregue esse livro à um estudante de filologia, cujo objetivo, agora, é identificar quem escreveu e quantas pessoas estavam envolvidas na escrita do mesmo.

Para um olho atento, vários fatores iriam indicar que o livro não foi escrito por apenas uma pessoa. Primeiro, notar-se-ia que cada porção do livro – caps. 1-5, 6-10, etc – tem caligrafias diferentes. Depois, seria possível notar que cada porção tem uma precisão ortográfica diferente, uns mais bem escritos gramaticalmente do que outros. Seria, também, fácil notar que a forma de raciocinar difere de porção para porção, os caps. 11-15 tem um raciocínio muito diferente dos caps. 21-25. Outra coisa que seria notória era o vocabulário; alguns esbanjariam um maior repertório de palavras, enquanto outros seriam mais redundantes semanticamente.

Algo parecido ocorre com o livro de Gênesis. Eruditos desde o século XVIII têm observado inúmeras mudanças literárias dentro do primeiro livro da Bíblia. Tendo como base que os textos da antiguidade eram compilações de várias fontes, tendo em consideração as inúmeras diferenças literárias, esses estudiosos só poderiam chegar à uma única conclusão: O livro de Gênesis teve vários autores.

§5. Fontes do Livro de Gênesis


Existem inúmeras teorias muito bem elaboradas sobre as fontes usadas para se copilar o relato de Gênesis, teorias essas estabelecidas há séculos. Wellhausen, desde 1880, propôs como fontes para o livro de Gênesis, pelo menos quatro, como foi mencionado mais acima: Nós temos a fonte J (Javista), E (Eloísta) D (Deuteromista) e P (Sacerdotal) que, até hoje, tem sido a teoria mais plausível sobre a autoria do livro. (Ver também FRIEDMAN 1987; KNIGHT 1985). Alguns eruditos ainda acreditam que podemos acrescentar o Escritor das Promessas, que teria sido um escriba que acrescentava histórias sobre as inúmeras promessas divinas aos patriarcas, com o objetivo de sacralizar a história nacional de Israel. (SAND 2011; RENDTORFF 1977; BLUM 1984) Embora hoje haja várias teorias correlacionadas à de Wellhausen, todas, basicamente, giram em torno daquilo que mencionei no início do artigo: Os livros da antiguidade não eram fechados, sendo editados, revisados e acrescidos de conteúdo com o tempo. Lembre-se, naquele tempo não existiam direitos autorais!

Essas diferenças literárias que foram colocadas como J, E, D e P podem ser vistas em uma leitura atenta do texto hebraico original de Gênesis. No Caso da Javista, observamos que algumas porções isoladas de Gênesis chamam Deus apenas por YHWH, o nome pessoal de Deus. De uma hora para outra, Deus não mais é chamado de YHWH e sim por ELOHIM, como se fosse seu nome. Isso ocorre não porque em um belo dia Moisés decidiu parar de usar Yahweh e passou a usar Elohim, mas que durante o tempo em que os escribas colocaram todas as fontes em uma só, uniram vários autores, incluindo o que chamava a divindade de Yahweh e o que chamava sua divindade de Elohim.

Outro exemplo, em Gênesis 2:4 observamos uma expressão hebraica que é usada dez vezes no livro, תולדות (tôledôt), que significa “história”.

Nesta expressão, a palavra hebraica para “gerações” é tohledhóhth, melhor traduzida por “histórias” ou “origens”. Por exemplo, “gerações dos céus e da terra” dificilmente se enquadraria aqui, ao passo que “história dos céus e da terra” tem sentido. (Gên 2:4) Em harmonia com isso, a versão alemã Elberfelder, a francesa Crampon e a espanhola Bover-Cantera são versões que usam o termo “história”. Não há dúvida de que, assim como os homens estão hoje interessados num registro histórico exato, assim também estiveram desde o começo. (Biblioteca Bíblica)

A palavra traduzida como “gênesis” é toledoth no hebraico, que pode referir-se às fontes históricas de que Moisés dispunha. (SHEDD)

A expressão תולדות (tôledôt) indica que cada porção é parte de uma fonte literária distinta, que, posteriormente, foi colocada em conjunto com outras “histórias”, sendo editadas, formando o livro que hoje conhecemos por Gênesis. Um outro exemplo pode ser visto em Gênesis cap. 1. Neste, temos o relato bíblico do início da história, quando Yahweh criou o céu e a terra. Durante todo esse capítulo, observamos a sequência de eventos que descrevem a criação de Deus durante seis dias, sendo o sétimo Seu descanso. Não obstante, quando abrimos Gênesis cap. 2, notamos no versículo 4 em diante as palavras: “Esta é a história dos céus e da terra quando foram criados; quando Yahweh Deus o criou”, e dai em diante passa a repetir a história da criação, sendo que agora com uma ordem diferente e com detalhes diferentes. Isso aponta, sem dúvida alguma, para o fato de que Gênesis cap. 1 e cap. 2 se originam de duas fontes literárias distintas sobre a criação do universo. Esses relatos foram colocados juntos, editados por séculos e séculos, até chegar à nossas Bíblias modernas. Outra diferença é comentada por Russell Shedd (2007):

No Capítulo 2, o pensamento relativo à criação não é mais o que domina. No capítulo 1, o homem aparece como sendo a finalidade e a coroa da criação; no capítulo 2, ele aparece como dando início à história.

Ainda sobre as várias diferenças literárias de Gênesis, lemos o seguinte:

Os gêneros literários também são muitos, com a presença até mesmo de elementos literários mitológicos e lendários reinterpretados javisticamente: gêneros sapienciais, genealogias, oráculos de salvação, narrações históricas, pequenos poemas épicos, orações hínicas, bençãos, composições redacionais. (PACOMIO, 1993)

§6. Moisés Não Escreveu Gênesis


O fato de que a tradição judaico-cristã tenha atribuído à Moisés a escrita do livro de Gênesis nada prova em absoluto. Muitos sites e livros cristãos citam alguns versículos bíblicos do NT como prova de que os judeus sempre creram que Moisés fora seu escritor. Mas, será que a tradição judaica pode ser seguida cegamente? Interessante que, na versão mais nova da Enciclopédia Judaica, o verbete MOISÉS foi removido, pois hoje é quase consenso que essa figura bíblica nunca existiu (Ver notícia Moses Never Existed), pelo menos não como é descrito no Antigo Testamento.

Não vou esboçar aqui minha opinião sobre a existência de Moisés, até porque estou esperando ansiosamente o lançamento de um livro sobre a existência de Moisés apenas como mito, chamado Did Moses Exist? The Myth of the Israelite Lawgiver, de Acharya. Mas, adianto que, de forma simples e objetiva, acredito que algum personagem histórico da Mesopotâmia possa ter dado origem ao personagem que conhecemos como Moisés, mas decididamente não como se é apresentado na Bíblia.

Ora, a tradição judaica diz muitas coisas e não só por isso a aceitaremos como verdade única e absoluta. O fato de Moisés ser mencionado como o Legislador do Antigo Testamento, e seja citado no NT com a sua Lei Mosaica, não quer dizer que isso seja historicamente exato. Devemos deixar que o texto bíblico de Gênesis fale por si, afinal, essa é a própria lei exegética que seguem os fundamentalistas, embora nisso, estejam certos, de fato. Assim, além do livro de Gênesis em nada falar sobre Moisés ser seu escritor, ainda encontramos a grande possibilidade de sua inexistência, bem como as inúmeras diferenças literárias, o que mostra claramente que o texto contém a mente de várias fontes anteriores e não apenas de uma.

§7. Quem Realmente Escreveu Gênesis?


Dito de forma simples: Escribas durante o período do exílio em Babilônia (séc. VII a.C), quando começaram a escrever o Pentateuco, os primeiros cinco livros da Bíblia moderna. (BADEN, pp. 305–313) Esses escribas juntaram todas as fontes, de vários autores que foram passados de geração em geração, editaram e moldaram dentro de sua própria interpretação cosmogônica, criando o que hoje chamamos de livro de Gênesis. O fato de Gênesis possuir muitas semelhanças com Enuma Elish, demonstra não apenas a influência babilônica e sumeriana sobre a cosmovisão judaica, mas também sobre a composição de seus livros sagrados.



Artigos relacionados:

Cf. Quem Escreveu o Evangelho de Mateus?
Cf. Quem Escreveu o Evangelho de Marcos?
Cf. Quem Escreveu o Evangelho de João?

Sites Acessados:

Wikipédia: Jahwist, acessado em 16/07/2013.
Enuma Elish: Babylonian Creation Myth, acessado em 16/07/2013.
The Author of Enuma Elish, acessado em 16/07/2013.
Wikipédia: Enuma Elish, acessado em 16/07/2013.
Who Wrote the Book of Genesis?, acessado em 16/07/2013.

Bibliografia

CHANPLIM. R.Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo. Hagnos. 2005.
BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. São Paulo. 1° ed. Vida. 2009.
SAND, Shlomo. A Invenção do Povo Judeu. São Paulo. Benvirá. 2011.
PACOMIO, Luciano. MANCUSO, Vito. et al. Dicionário Teológico Enciclopédico. São Paulo. Edições Loyola. 1993
DILLARD. Raymond B. An introduction to the Old Testament. Nova Iorque. Zondervan. 1994.
LONGMAN, Tremper. DILLARD, Raymond B. An introduction to the Old Testament. EUA. 2 ed. Zondervan. 2006.
WHYBRAY. R.N. The Making of the Pentateuch: A Methodological Atudy. Inglaterra. Sheffield Academic. 1994.
DOCKERY, David S. Manual Bíblico Nova Vida. Ed. Vida Nova. 2010.
BLUM, E. Die Komposition der Vätergeschichte. WMANT 57. Neukirchener-Vluyn. 1984.
DAVILA, J. R. Unpublished Pentateuchal Manuscripts from Cave IV, Qumran. Ann Arbor, MI. 1989.
FREEDMAN. David Noel. The Anchor Bible Dictionary. Nova Iorque. Volume II. Doubleday. 1992.
FRIEDMAN, R. E. The Exile and Biblical Narrative. HSM 22. Chico, CA. 1981.
KNIGHT, D. A. Rediscovering the Traditions of Israel. SBLDS 9. Missoula, MT. 1975.
MCCARTER, P. K., Jr. Textual Criticism: Recovering the Text of the Hebrew Bible. Philadelphia. 1986.
HENDEL, R. S. The Epic of the Patriarch: The Jacob Cycle and the Narrative Traditions of Canaan and Israel. HSM 42. 1988.
Atlanta.
RENDTORFF, R. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. BZAW 147. Berlin. 1977
TOV, E. The Text-Critical Use of the Septuagint in Biblical Research. Jerusalem. 1981

23 comentários:

  1. Ótimo, Eduardo! Preciso ler o texto todo, mas pela rápida olhada está muito bom, e o link do enuma elish, que já tinha lido antes, me levou ao texto mais completo no sacred texts.

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  2. Eduardo,
    Alem do Genesis, tenho uma curiosidade sobre o Exodo, que a tradição atribui a autoria a Moisés.
    Em exodo 2 a mãe e irmã de Moises não possuem nomes. Mais para a frente, ficamos sabendo que Moisés é filho de Anrão e Joquebede (tia de Anrão e neta de Levi).
    A explicacao possivel seria a popular colcha de retalhos, cada capitulo viria de uma fonte diversa.
    Você já escreveu algo sobre isso?
    Abraços,
    Josué.

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    1. Olá, Josué...

      Hoje em dia as únicas pessoas que continuam com o pensamento de que o Pentateuco (o que inclui Êxodo) foi escrito direta e impecavelmente por Moisés são as pessoas que tem interesse no assunto, interesse religioso:

      "Essa teoria da composição do Pentateuco talvez ainda seja considerada o consenso entre os eruditos do AT, mas muitas críticas sérias são levantadas contra ela... eruditos conservadores, entre eles autores protestantes, católicos e judeus, argumentam repetidamente que os critérios usados na escola na análise das diversas fontes do Pentateuco são altamente questionáveis." (CLINES, 2009)

      Eu não escrevi nada específico sobre o caso trazido por você, pois existem ainda muitos e muitos outros motivos pelos quais Êxodo não é da tradição mosaica. Dessa forma, para responder a isso, prefiro falar diretamente sobre o Pentateuco, porque termino abordando de uma só vez 5 livros.

      Posteriormente, quando eu escrever o artigo sobre o Êxodo, poderei mencionar essa parte.

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    2. E esse artigo sobre o Êxodo será aqui, no livro ou no outro blog?
      Leandro

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    3. Bom, não mais por aqui. Provavelmente, se tudo der certo, será uma série de livros, em um deles farei uma abordagem de autoria da Bíblia, do antigo ao novo testamento. No novo blog, irei sempre escrever resumos sobre os livros para espalhar informação também pela internet, mas a quantidade de informação sempre será menor em relação aos livros.

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  3. Sefer Yetzirah - o livro da criação. Onde entra na história?

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  4. "Did Moses Exist?" de Acharya já está disponível na Amazon:

    Did Moses Exist? The Myth of the Israelite Lawgiver
    http://www.amazon.com/Moses-Exist-Myth-Israelite-Lawgiver/dp/0979963184/thruthbeknown

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  5. O “Caçador de erros bíblico” Lisandro Hubris já publicou na Internet 30 PDFs e mais de 300 textos que desmascaram as principais mitologias bíblicas, e TODOS eles podem ser baixados de graça, ou até mesmo comercializados, des que o nome do autor (Lisandro Hubris), seja citado...
    Leia grátis os 30 PDFs, e os mais de 300 textos do Lisandro em http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=31436
    Sendo que de 15 em 15 dias algum dos PDFs será melhorado, e isso acontecerá por todo o tempo de vida que ainda resta ao autor...
    http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=31436&categoria=M

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    1. Legal... pena que os textos não têm peso acadêmico. Olhei alguns deles e vi que são apenas textos, sem citações, sem bibliografia. Acho que esses textos buscam mais promovê-lo do que informar as pessoas. Há um texto onde ele fala do "Lisandroismo", como se fosse um movimento ideológico de alguma importância filosófica. [http://www.recantodasletras.com.br/artigos/4871324]

      De qualquer forma, obrigado pelo comentário.

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    2. “Perceberam quem são os únicos eruditos que não concordam com a teoria das fontes, de que Gênesis teve vários textos de vários autores? Apenas os conservadores, que estão comprometidos com a fé e não com a verdade"...
      "Apenas os conservadores, que estão comprometidos com a fé e não com a verdade"
      Em que consiste seu empenho intelectual, em anular a fé e considerar a verdade o acumulo de conhecimento acadêmico?

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  6. Bom dia Eduardo, tudo bem?

    Tenho acompanhado seu blog muito rescentemente, e tenho percebido que você é uma pessoa que vem buscando a verdade com muito afinco...

    Ja fui de várias denominaçoes, e pasme de até uma que não tinha placa de igreja...

    Também tenho sede da verdade, mas percebo que ela chega ser bastante amarga, apreciando de um ângulo academico e erudito...

    Eu admiro, os TJs pela postura e educação que possuem, e por serem pessoas bastante estudiosas, pena que de um lado muito tendencioso da denominação, não quero com isso inaltece-lo, por um dia você ter sido membro parte da mesma...

    Sinceramente gostei deste seu blog, muito informativo e de contéudos ricos.

    Continue com este trabalho exemplar e não se esmureça por estes ditos critãos evanjegues, me perdoe a expressão, tentando difama-lo e prejudicando de certa forma sua intenção de nos esclarecer a verdade escondida a séculos pelo meios religiosos que manipulam as massas...

    Meu email é av.gardinal@bol.com.br, se tiver um tempinho, gostaria de nos comunicar...

    Muito obrigado...

    ALGUSTO.

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  7. Durante o período em que a igreja católica esteve no poder, ela fez tudo o que pode para manter a Bíblia fora das mãos do povo comum. Era ilegal traduzir a Bíblia para a linguagem popular, ainda que a maioria das pessoas não pudesse ler a Bíblia oficial católica por ela estar em latim, a língua do novo povo escolhido, o romano, um idioma conhecido apenas pelos que possuíam a mais alta instrução. Era o típico "Bem aventurados os que crêem sem ver", o truque universal do charlatão.
    Se Jesus foi crucificado alegando ser inocente, o que se dizer dos que foram condenados a morte por ser encontrado com uma Bíblia? Cristo não previu nada disto sendo Deus?

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    1. "Se Jesus foi crucificado alegando ser inocente, o que se dizer dos que foram condenados a morte por ser encontrado com uma Bíblia? Cristo não previu nada disto sendo Deus?"

      Mordaz,
      Alega-se que:
      Todo Cristão Será Perseguido: "Sereis odiados por todos, por causa do meu nome"(Lc 21,17).
      As pessoas "vos maltratarão e vos perseguirão"(Lc 21,12).
      "Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parente e vossos amigos, e matarão a muitos de vós" (Lc 21,16).
      "Pois, todos os que quiserem viver, piedosamente, em Jesus Cristo, terão de sofrer a perseguição" (Tm 3,12).

      Leandro Paz

      Excluir
  8. Eu vejo problemas na sua argumentação. Primeiro Lulas é um texto apócrifo. Segundo ele não fala nada em ser proibido ter as escrituras, como o anônimo escreve, para justificar qualquer tipo de perseguição. Este autor anônimo escreve depois da destruição do templo de Jerusalém e não prevê que em 1200 os cristãos seriam mortos pelos próprios cristãos por possuir a Bíblia.
    Eu diria que mais perseguições sofreram em todo o mundo os povos que não quiseram seguir a Bíblia. Ou que tiveram alguma visão divergente do poder central.

    “José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente. 20. Mas, no que lhe veio esse pensamento, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. 21. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados. — Mateus 1:18-21
    Aqui vemos outro caso de erro de profecia do Senhor ao prometer um Salvador que destruiu a Terra Santa e levou a perseguição sem quartel do povo escolhido até hoje. O Povo justamente de José e Maria.

    Você acredita que Timóteo tinha os 9 dons do Espírito Santo: palavra de Sabedoria, palavra de Conhecimento (ciência), Fé, dom da Cura, Operações de Milagres, Profecia, Discernimento de espíritos, Variedade de Línguas e Interpretação de línguas para lhe darmos crédito? Por exemplo, que ele foi discípulo de Paulo? Só se foi em outra encarnação pois Timóteo nasceu depois de Paulo morrer sem ver a realização das profecias que tanto acreditava.

    ResponderExcluir
  9. Timóteo tentou impedir uma procissão pagã que acontecia na cidade de Efeso onde os participantes pagãos tornaram-se furiosos o atacaram, arrastaram-no pelas ruas da cidade e o apedrejaram terminando com sua vida.Quem perseguia quem???

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    Respostas
    1. Olá, Mordaz.
      Na verdade, estas citações que coloquei no meu post não me interessam, não creio na "santidade" e nem em grande parte da historicidade da Bíblia, apenas escrevi que se alega que os cristãos serão perseguidos nestes trechos. No mais... Ok!

      Att,

      Leandro Paz

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  10. Eu também não acredito nesta invenção apócrifa.
    Nesta passagem da anunciação no terceiro evangelho sinótico, atribuído falsamente a Lucas: 30. O anjo, então, disse: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. 31. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32. Ele será grande; será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. 33. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
    Jesus e nenhum dos descendentes de Jacó (de Isaac ou pai de José?) sentaram no Trono de Davi. E o reino de Davi foi destruído pelos Romanos e os descendentes de Jacó perseguidos por dois mil anos pelos seguidores deste filho anunciado. O cativeiro no Egito e na Babilônia se transformou em paraíso perto do que os seguidores de Jesus fizeram com o povo de Abraão escolhido por Deus.
    Nenhum descendente de Davi sentou no trono no Vaticano.
    Este anjo não tinha o dom do Espírito Santo da profecia. Anunciou todo o que não aconteceu.
    OS
    Eu mencionei que Paulo e Timóteo eram de gerações diferentes. Na verdade o Paulo que escreve Timóteo 1 e 2 não é da mesma geração. São epistolas falsificadas de Paulo tentando conciliar a incompatibilidade de Pedro e Paulo. Assim como o anjo errou ao profetizar que Jesus sentaria no trono de Davi, que estava ocupado por Herodes, Jesus errou ao escolher apóstolos analfabetos que nada podiam relatar. O apóstata judaico Saulo de Tarso tomou a ideia para si e pregou outras coisas gerando o antijudaísmo radical.

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  11. Quem realmente escreveu o livro de genesis?

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Quem escreveu o Gênesis foi um monte de "gênetes".

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  12. muito interessante ,me foi de muita valia

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