quarta-feira, 3 de julho de 2013

Por Que o Cristianismo Continua se é Falso?

por Eduardo Galvão

CRISTIANISMOSe o Cristianismo é uma religião humana, se o Novo Testamento é um Midrash do Antigo Testamento e, além disso, um texto manipulado e contraditório, se aquilo que os primeiros discípulos de Cristo acharam ser Jesus ressurreto era apenas um evento natural, por que as pessoas continuam a acreditar em uma mentira durante 2 mil anos? Como pode uma simples mentira mudar o mundo, dividir o calendário e inspirar um número infinito de líderes, políticos, religiões, seitas e pessoas comuns ao redor do mundo por dois milênios?

Meia e volta, sempre ouço esse questionamento. Acho-o, de fato, bastante válido, pois eu mesmo o fiz por algum tempo durante minha luta para sustentar a fé.

A verdade, no entanto, é que a resposta é mais simples do que aparenta a pergunta. Queira assistir aos vídeos abaixo:


Agora esse outro:


Agora, faço-te a mesma pergunta: Uma vez que todo cristão afirma que o Islã é uma fé corrupta, uma fé baseada na mentira de que Maomé subiu aos céus, que era um profeta genuíno de Deus e que recebeu a incumbência de converter o mundo, etc, por que as pessoas continuam a crer mesmo depois de mais de um milênio? Mentira não tem perna curta?

Se, assim como os cristãos dizem, o Islã é baseado em mentira, qual a explicação para esse movimento religioso se espalhar pelo mundo de tal forma que se torna uma das principais ameaças ao Cristianismo?

A resposta é a mesma para ambas as perguntas: O poder da crença. Quando temos determinada convicção sobre algo, isso se evidencia em nosso comportamento. Quando vemos duas pessoas, de religiões diferentes, discutindo de forma fervorosa sobre suas crenças, cada qual querendo converter o outro, observamos que ambos tem algo em comum: sua mentes estão convictas de que sua religião é a única verdade que existe e, pela verdade, tudo vale a pena. Interessante que brigas verbais dessa natureza ocorre não apenas no que tange a religião, mas política, futebol e muitas outras coisas. O princípio é o mesmo: Estou interessado na verdade, o que acredito é verdade, então todos tem que concordar comigo.

O problema é que os religiosos vinculam suas crenças com a ideia de verdade absoluta, propagam isso e quando muitas pessoas creem em algo, cria-se uma consciência coletiva estabelecida em cima de axiomas que não foram investigados por muitos deles. Uma coisa que é repetida por muitas pessoas e por muito tempo termina ganhando a força da verdade. O que estou dizendo aqui não é que uma mentira que se repete muito vira verdade. Mas, reformulando essa ideia, quero dizer que uma mentira que é acreditada por muitas pessoas e por muito tempo passa a ter os aspectos da verdade, embora em sua natureza, ainda seja uma simples mentira.

A convicção é a pior inimiga da verdade.
— Friedrich Nietzsche.

Quando se trata de ser ateu ou agnóstico, o processo neural é mais complexo, em outras palavras, “crer” é mais natural, mais fácil. Quantas pessoas você conhece que são investigativas, críticas, que vão atrás para confirmar as coisas que aprende? O número é pífio. Já se tornou notícia em vários sites que os próprios evangélicos não leem a Bíblia, bem menos ainda a estudam. — Veja: A maioria dos fiéis não lê a Bíblia diariamente, afirma estudo

Veja o número de pessoas que são facilmente enganadas, que acreditam nas coisas apenas devido ao apelo emocional, ou por algum interesse inconsciente e até mesmo pela simples ignorância.

Gosto de ver grupos cristãos, católicos ou evangélicos, no facebook e vejo como a crendice é algo muito comum. A imagem abaixo dizia no título original: “Se você acredita, compartilhe!”. Infelizmente, minha tia que é ultra católica, apesar de bem informada, compartilhou.



Comentei aqui, no artigo Evêmero e a Análise do Mito Cristão que a fé dos antigos não era cem por cento cega. Hoje sabemos que boa parte dos mitos estão alicerçados em causas naturais e até históricas, que foram mal compreendidas pelas pessoas da Antiguidade, o que chamamos hoje de Evemerismo. Alguns historiadores até falam sobre a grande possibilidade de Osíris, Ísis, Hórus, Seth terem sido personagens importantes da história do Egito e que posteriormente passaram por uma apoteose (Confira: Historical roots of Osiris, Seth, Horus, King Scorpion) e, dessa forma, cultuados e, com o passar do tempo, “mitolizados”.

Há no livro de Atos dos Apóstolos um caso bem interessante. Quando Paulo começou a pregar em Éfeso sobre a tolice de se adorar imagens, ele estava atacando o politeísmo por completo, mas em especial Diana, a deusa patrona dos efésios. Uma multidão de pessoas protestavam contra a pregação de Paulo, e nesse meio, lemos as seguintes palavras:

Então, o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse: Varões efésios, qual é o homem que não sabe que a cidade dos efésios é a guardadora do templo da grande deusa Diana e da imagem que desceu do céu? Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos aplaqueis e nada façais temerariamente... (Atos 19:35-36)

Há muito que estudiosos do Novo Testamento postulam que essa imagem que havia caído do céu e que gerava tanta convicção entre os efésios teria sido um meteorito que provavelmente se assemelhava à uma figura feminina. Isso era algo tão confirmado, que o escrivão de Éfeso diz que isso não poderia ser contradito por ninguém. Seria um “fato histórico”, tal qual se afirma ser a Ressurreição de Jesus pelos cristãos.

Isso acontece ainda hoje. Existe grande evidência de que a Pedra Negra reverenciada pelos islâmicos, que teria sido enviada por Alá para Abraão por meio do anjo Gabriel, tenha sido um meteorito caído. Algumas outras crenças religiosas sobre meteoro e meteorito podem ser vistas no artigo Meteorite Legends.

Talvez para um cristão, ou religioso qualquer, seja muita tolice as pessoas da Antiguidade adorarem algo que hoje concebemos claramente como sendo mitológico. Deuses zoo e antropomorficamente cultuados, coisas que hoje são absurdas e, no entanto, durante milênios ninguém sequer ousou questionar a existência deles, até a chegada dos filósofos gregos.

Será que o fato de Hórus ter sido adorado durante quatro milênios prova que a religião egípcia é baseada em verdade? Todo mito tem prazo de validade, Hórus durou mais tempo que Buda, Maomé e Jesus juntos!

Não sou ateu. Uma vez que o conhecimento é uma coisa sempre crescente, ainda fico oscilando entre agnosticismo e deísmo. Mas quando se trata de assuntos como a genética, vemos, aparentemente, que temos uma tendência a buscar alguma forma de espiritualidade. (Veja: Genes Contribute to Religious Inclination) Sabemos hoje que a inteligência racional não é a única que existe e que a razão, na verdade, tem seus limites que são ultrapassados pela emoção. (Veja: Inteligência Emocional)

Não vou adentrar sobre ateísmo nesse artigo, assunto bem complexo, mas sempre achei o ateísmo em si uma dificuldade intransponível e insolúvel de filosofia de vida. Existem inúmeras formas de ateísmo, o ateísmo prático sendo, na minha opinião, o mais válido de todos, uma boa opção, de fato.

Quando minha vida orbitava ao redor do Cristianismo, sempre me perguntei se esse era o caminho certo, principalmente pelo fato da religião que eu pertencia cobrar muita coisa na minha vida. A verdade é que, o sentimento para se sustentar a fé sempre é a de que não há mais nada a se crer, não há outra filosofia melhor, não há onde irmos, nossa vida e futuro estaria apenas em Jesus. Esse sentimento de apego ecoa há dois milênios, desde quando Jesus perguntou:

Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. (João 6:67-68)

Em outras palavras, ou isso ou nada, como se essa fosse a melhor opção que encontramos em nossa vida atribulada. Nesse caso, pensam eles, é melhor uma doce mentira do que uma amarga verdade.

9 comentários:

  1. Olá Eduardo tudo bem ?

    Me diga caro Eduardo , tu acreditas que existiu um Messias Resgatador , ou que ele ainda virá ?

    Um Redentor , Filho unigenito de Javé na sua visão Deísta.

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    1. "[...] ainda fico oscilando entre agnosticismo e deísmo." Não acredito em qualquer doutrina judaica-cristã, islâmica, budista, ou qualquer que seja. As palavras "redentor", "messias", "resgatador", "filho unigênito", "Javé", são todas judaico-cristãs, que não fazem qualquer sentido para um budista ou hindu, por exemplo e, portanto, não são universais, mas culturais.

      Todos esses conceitos são humanos que o Judaísmo criou. Acho que as únicas coisas que se aproveitam das religiões ainda são coisas relacionadas a ética, uma coisa aqui, outra ali, ainda dá pra salvar de bom.

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    2. Meu Irmão Eduardo Junior... Parabéns pelo texto ateu e puramente de sua conclusão humana e natural de quem estuda muito as coisas do nosso mundo. Vejo que já foi Cristão.Você só não falou o Principal de Jesus que é o PODER do ES em nós tanto na Palavra como no Louvor. Já fui Budista por 15 Anos não vi absolutamente um milagre ou Cura, nesta religião. Jesus veio desfazer as Obras do Diabo como vc Sabe. Portanto temos sim um deus neste mundo e ele chama-se SATANAS. E se voce continuar comendo o fruto da arvore do conhecimento do bem e do mal, o final é choro e ranger de dentes como vc bem sabe.
      Voce já assistiu aquele filme o homem invisível... Já pensou como ele podia enganar qualquer pessoa como ele fazia ? pense nisso. Arrependa-se e volte seus olhos a Cristo que morreu por mim e por ti. Fé é ATITUDE e não sentimento. Seu texto foi ótimo pois no filme Islamico consegui ver Satanas no topo do Templo deles... se quiser compartilho com voce o que vi... Ah só pra terminar... Maomé não fez se quer um milagresinho. Foi só conversa mesmo. Que poder de Engano ele tinha hein...Deus te abençoe e te guarde sempre...

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    3. Obrigado pela preocupação... mas dispenso por completo. Meu texto é completamente humano porque fui eu que escrevei... a Bíblia é a coleção de 66 livros escritos por mais de 40 homens que na grande maioria são anônimos e no final o texto é de Deus. Muito difícil de entender essa lógica de vocês.

      Enquanto existir religiões como essa, que se coloca no topo, superior às outras, viveremos nesse merda de mundo, cheio de preconceito, hipocrisia, mentira e intolerância.

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    4. sr Eduardo o ponto de sua frieza na fé con certeza foi decepcoes no campo religioso, conheco muitos que ficaram assim ; eu escapei simplesmente porque deixei de dar ouvidos a descrentes .

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    5. Quando li seu comentário a primeira coisa que veio à cabeça foi: "O que este indivíduo sabe sobre minhas experiências de vida pra dizer que meu problema foi decepção na religião"? Provavelmente você não tem domínio nem da sua própria vida, imagina dar conta da vida alheia... meus parabéns se você "escapou", seja feliz Mr. MacGyver.

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  2. Não adianta alertar irmão, quando vi o documentário do Dawkins "Fé a raiz de todo mal" pensei que fosse um exagero, mas ele tinha razão a fé, cega as pessoas mais do que pontas afiadas, elas esquecem da razão vivem num mundo paralelo, ai aparece um tiozinho desse ai de cima cristão dizendo que Maomé não fez milagre, os muçulmanos espancam até a morte e o ódio só se prolifera.

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  3. Eduardo , o nome disso é apostasia, a tua experiência é semelhante a do rei Saul, Judas Iscariotes, e de outros personagens que a bíblia nos dá como exemplo, o aposto Paulo nos adverte para que se estivermos de pé, tomemos cuidado para não cair, o principio da apostasia teve inicio no céu, com satanás, depois com Adão no paraíso, na civilização de antes do dilúvio, em Sodoma, se a fé não for tratada ela se deteriora, por fim, Jesus não é uma religião, Ele nos proporciona uma experiência pessoal que vai muito além de meras palavras de alguém que hoje pode se comportar de um jeito e amanhã de outro, pessoa inconstante , no reino de Jesus a lei maior é o amor, enquanto que as religiões são de fato tudo o que você afirma, onde se vê ódio, disputa, ganância e intolerância. Peça a Jesus que entre de fato e de verdade no seu coração, pois eu já estou fazendo essa oração a Deus por você.

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    1. Sinto muito pelas suas palavras. Tudo que você escreveu é uma simples repetição das coisas que você aprendeu na congregação, nada é seu, nada veio depois de uma conclusão pessoal, mas apenas com base naquilo que lhe é passado e aceito sem pensar duas vezes.

      Você deveria ter contra argumentado o que escrevi no blog, mas, ao invés disso, apenas me chamou de apóstata e pronto, isso não é argumento. Lhe sugiro ler esse artigo: As Testemunhas de Jeová e os Apóstatas

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