segunda-feira, 24 de junho de 2013


Continuaremos a seguir com a refutação do artigo de Siegfried J. Schwantes sobre a datação do livro de Daniel. Se desejar ler o artigo, acesse: Introdução ao Livro de Daniel 2
“Os critérios usados para atribuir uma data tardia ao hebraico de Daniel são bastante subjetivos. Falando da linguagem do V. T., D. Winton Thomas observa que, “Débora não fala de modo muito diferente de Qoheleth, embora mil anos os separem”13.”

R.: Isso vai de encontro a outros argumentos usados já por outros cristãos, o que prova a babel de entendimento bíblico pela própria igreja. O leitor que sugeriu uma refutação desses dois artigos de Schwantes comentou: “Uma questão é o hebraico do livro de Daniel do capítulo 8 ao 12. No livro é afirmado que o hebraico desses capítulos é mais antigo em comparação ao hebraico do livro Eclesiástico que é do século II a.C. Logo, com isso é afirmado que o livro de Daniel é mais antigo. E se ele for mais antigo, seria uma profecia.” Isso é completamente contradito no próprio artigo sugerido pelo leitor. Em outras palavras, não há meios seguros de se datar o livro de Daniel pela língua e escrita usadas. Schwantes diz que os resultados são “subjetivos”, porque ele sabe muito bem que muitos artigos e estudiosos escreveram falando de forma convincente de que, caso pudéssemos confiar cem por cento na língua para se datar o livro, isso favoreceria a datação do século II a.C. Irei abordar isso com mais detalhe em outro artigo.

“K.A. Kitchen, examinando o vocabulário, ortografia, fonética e morfologia geral e sintaxe do aramaico de Daniel, chegou a uma conclusão semelhante: “O aramaico de Daniel (e de Esdras) é simplesmente parte do aramaico imperial - do qual não se pode distinguir a data entre 600 e 330 A.C.”15”

R.: Perceba que no próprio texto de Schwantes o ano de 330 a.C é uma possibilidade linguisticamente falando.

“Depois de recapitular os mais recentes estudos sobre o aramaico de Daniel, J.C.Baldwin conclui: “Está se tornando um fato aceito que a data de Daniel não pode ser decidida por argumentos lingüísticos, e a evidência que se acumula não favorece uma origem ocidental no segundo século”.”

R.: Mais uma vez o próprio artigo vai de encontro com a pseudo prova de que o hebraico de Daniel é um argumento de que o mesmo foi escrito no século VI a.C.

“Embora o gênero apocalíptico de literatura tenha florescido a partir do segundo séc. antes de nossa era, não há razões que nos constrangem a considerar o livro de Daniel parte desta literatura. Como vários estudiosos têm observado, a apocalíptica é filha da profecia, e não se pode estabelecer uma distinção absoluta entre ambas.”

R.: Perceba que ele afirmou isso tudo sem fazer qualquer citação, como se sua palavra fosse o fim da questão. Ao dizer que “não há razões que nos constrangem a considerar o livro de Daniel parte desta literatura”, ele deveria ter dito as razões, mas o mesmo não o faz; é como se dissesse que “não há razões e pronto, fim do assunto.” O mesmo continua dizendo que “[...] vários estudiosos têm observado, a apocalíptica é filha da profecia, e não se pode estabelecer uma distinção absoluta entre ambas”, quem são esses “vários estudiosos”? Foi ele imparcial e citou pelo menos um estudioso secular? Ou, pelo contrário, do qual suspeito, todos esses “vários estudiosos” são evangélicos desejosos de converter o mundo para Cristo, valendo-se, assim, de seus títulos honoríficos, intentando tal objetivo? Leia o artigo: Teólogos Liberais ou Conservadores?

“Assim é que Paul D. Hanson nega uma influência persa sobre Daniel, concluindo que tanto a influência persa como a helenística foram tardias, “surgindo apenas depois que o caráter da apocalíptica estava plenamente desenvolvido, e assim se limitam a pontos secundários”22. Para E. C. Zaehner, “uma dependência judeu-cristã do zoroastrismo em seu pensamento puramente escatológico não é nada convincente. Não temos evidência alguma das idéias escatológicas mantidas pelos zoroastrianos nos últimos quatro séculos antes de Cristo” 23.

R.: Paul D. Hanson e E. C. Zaehner são dois eruditos evangélicos fundamentalistas. Não basta dizer que fulano “nega uma influência persa sobre Daniel”, ele teria que dizer o porquê dessa negação, mas não o faz. Paul D. Hanson pode ser uma autoridade para os evangélicos, mas com certeza não o é para os demais seres humanos na terra. Sobre a influência do Zoroastrismo na teologia de Daniel, nós temos a palavra de Assiriólogos. Estes são pessoas especialistas no mais pleno sentido da palavra sobre o assunto. Na busca da verdade, vejo que entre a opinião de Assiriólogos e a de Paul D. Hanson, um erudito evangélico fundamentalista cujo desejo é converter todos para o Cristianismo, prefiro ficar com os especialistas em Zoroastrismo.

“Lambert, por sua vez, inclina-se à ver nas profecias babilônicas um protótipo das profecias de Daniel, particularmente a do cap. 11. A. K. Grayson foi o primeiro a chamar a atenção a estas assim chamadas profecias babilônicas em seu livro, Babylo-nian Historical-Literary Texts, publicado em 1975. Grayson pensou poder ver uma relação íntima entre as profecias dinásticas escritas nos tempos helenísticos e as de Daniel 8:23-25 e 11:3-45. No estilo, forma e rationale há uma semelhança notável” 28.”

R.: Com base disso, veja o argumento do erudito evangélico:

“O máximo que se pode dizer é que este gênero de profecia não era desconhecido em Babilônia mesmo nos dias de Daniel.”

R.: Alguma citação para apoiar essa afirmação séria? Nenhuma. Portanto, temos um especialista e seu livro Babylonian Historical-Literary Texts, contra a opinião pura e seca de um erudito evangélico.

“Alguns membros da comunidade judaica podiam estar com ele familiarizados. Quão apropriado, então, que Daniel, sob inspiração divina, devesse combater a influência destas pseudo-profecias como uma delineação suficientemente detalhada do futuro de modo a inspirar fé em seus leitores quanto à soberania divina sobre o curso da História.”

R.: Usando o verbo “podiam”, o estudioso contra-argumenta o livro Babylonian Historical-Literary Texts, cheio de pesquisa séria e sólida, com uma hipótese, uma conjectura. Além disso, Schwantes recorre ao sobrenatural para respaldar seu argumento, dizendo: “Quão apropriado, então, que Daniel, sob inspiração divina, devesse combater a influência destas pseudo-profecias”, ou seja, ao invés de embasar seus argumentos em pesquisa, baseou-o na crença pré-estabelecida da inspiração bíblica.

“F. M. Cross bate na tecla certa quando afirma: "A origem da apocalíptica deve ser procurada no sexto século a.C. Na catástrofe do exílio a velha forma de fé e tradição entrou em crise, e as instituições de Israel sofreram colapso ou foram transformadas"30”

R.: F. M. Cross é elogiado pela sua afirmação, não por ser verdade, mas por ela estar em harmonia com os interesses pré-estabelecido do artigo, que é provar que Daniel é um livro autenticamente inspirado por Deus. “A origem da apocalíptica deve ser procurada no sexto século a.C.”; por que? Quais os motivos? Nenhum é mostrado, exceto a sua opinião contra inúmeros acadêmicos que concluíram algo diferente, mas cuja voz não é ouvida no artigo.

“F. M. Cross atribuiu a um dos fragmentos achados na caverna 4 uma data entre 100 a 50 a.C. A presença de um tal fragmento nas cavernas de Qumrã constitui argumento forte contra uma data na época dos macabeus para a composição do livro de Daniel. De acordo com R. K. Harrison uma tal data é “absolutamente excluída pela evidência encontrada em Qumrã... O tempo seria insuficiente para uma composição macabeana ser posta em circulação, venerada, e aceita como escritura canônica por uma seita macabea”.31”

R.: Os fragmentos em Qumrã são mostrados como prova de que o livro de Daniel não pode ser do século II a.C, pois no século I a.C o livro já era respeitado e canonizado. No entanto, qual é o padrão para se medir quanto tempo leva para um livro ser aceito como digno de devoção? Esse padrão não existe, exceto quando é hipoteticamente estipulado pelos religiosos com seus objetivos proselíticos. Hoje temos os blockbusters, livros que fazem sucesso de uma hora para outra, bem como livros que demoram uma eternidade para serem literariamente canonizados. É impossível afirmar que 100 anos não seriam o suficiente para um livro assumir status canônico.

“Apesar da incongruência entre o espírito dos seis primeiros capítulos e o clima religioso que prevalecia na judéia na época dos Macabeus, muitos estudiosos sustentam a unidade do livro, entre eles S .R. Driver. De sua parte R. H. Pfeiffer não via razão para impugnar a unidade do livro, mas pensava descobrir "em ambas suas partes o mesmo objetivo e o mesmo fundo histórico”32.”

R.: Nos é dito que “muitos estudiosos sustentam a unidade do livro, entre eles S .R. Driver”, “R. H. Pfeiffer não via razão para impugnar a unidade do livro...”. Se S .R. Driver e R. H. Pfeiffer diz uma coisa, já é o suficiente para parar o debate e dar o veredicto de que o livro de Daniel é profecia autêntica? Os “muitos estudiosos sustentam a unidade do livro” são eruditos evangélicos que em seus artigos só citam evangélicos e não fazem menção a nenhum dos outros eruditos que discordam de seus pensamentos, agindo como ditadura teo-ideológica. Se alguém lê esse artigo de Schwantes e já é o suficiente para crer, sinta-se à vontade, vivemos em um país democrático. Mas só de saber que o desejo de S .R. Driver e R. H. Pfeiffer é que todas as 8 bilhões de pessoas no mundo se convertam ao Cristianismo, incluindo aqueles que já se consideram cristãos, mas são de outras denominações, em si, já é o suficiente para rejeitá-los como não-científicos.



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