sexta-feira, 10 de maio de 2013


Cristianismo e os Mitos: Apenas Coincidência?

por Eduardo Galvão

MITO, CRISTIANISMO, SEMELHANÇAS, ESTUDO
Algumas pessoas sinceras, quando estudam sobre a autenticidade dos mitos em relação ao Cristianismo, Judaísmo e Islamismo, podem achar que toda essa semelhança pode ser muito bem apenas criatividade humana, baseada em escassos fragmentos de arte de antigas civilizações com subjetiva interpretação.

Talvez para estes, toda a teoria do Jesus mitológico, por exemplo, é apenas baseada em um jogo de criatividade humana, onde algumas pessoas, lendo mitos antigos, encontraram coisas parecidas com os relatos dos Evangelhos e daí, concluíram que o Cristianismo foi inteiramente construído em mitos antigos.

Nada poderia estar mais longe da verdade!

1§ Quem Decide?


Primeira coisa que devemos ter em mente é que muitos ramos científicos trabalham com os mitos, as sociedades, a religião e a literatura. Esses campos científicos são usados para cruzarmos as informações engendradas por décadas de estudos e pesquisas sérias. Temos a Antropologia, principalmente o ramo chamado Antropologia Dinâmica, também conhecida como Natural e/ou Social. Esse ramo das ciências humanas busca compreender o desenvolvimento sócio-cultural de outras civilizações, bem como a influência que uma possa ter sobre outra, o que inclui mitos e cultos.

Temos também a Ciência das Religiões, que busca compreender o movimento religioso diversificado, a própria Teologia, que tem compartilhado muitas pesquisas nesse campo religioso-mitológico, e por último, mas não menos importante, a ciência das Religiões Comparadas, que, de forma direta, analisa as inúmeras semelhanças entre os cultos religiosos ao redor do mundo.

Dessa forma, não é João, nem Maria, meros curiosos da religião e cheios de criatividade, que espalham por ai que existe uma grande relação entre os mitos antigos e a religião moderna. São pessoas sérias, cientistas de vários campos, que cruzam as informações para termos um panorama geral do movimento religioso.

No artigo Hórus Tinha 12 Discípulos? mencionei que alguns fundamentalistas religiosos negam as similaridades entre Jesus e outros deuses míticos, dizendo que nenhum estudioso sério concorda com essa teoria. No entanto, mostrei que isso é uma inveracidade por meio da citação de pelo menos 3 dos maiores especialistas em mitos e egiptologia, como o bem conhecido Joseph Campbell.

Para os relutantes, mas que não têm medo de analisar a própria fé, recomendo a leitura de pelo menos três livros por duas autoridades internacionais no assunto de mito e egiptologia, o Herói de Mil Faces de J. Campbell e Osiris and the Egyptian Resurrection, volumes 1 e 2 de Sir Ernest Alfred Wallis Budge. Para os fundamentalistas, uma nota de cautela: Esses dois homens não eram ateus, nem perseguidores de qualquer religião, eram apenas estudiosos das áreas já mencionadas. Portanto, não estou usando livro de eruditos recalcados e de ateus infelizes com a vida (na visão dos crentes), cujo único objetivo é desmentir as religiões, em especial o Cristianismo; esses homens foram eruditos imparciais, sem qualquer motivação religiosa.

Abrir mão dessas duas autoridades no assunto pelo que nosso vizinho pensa, principalmente baseado em crendices e conceitos religiosos puramente sociais, seria uma grande tolice.

§2. Ensinos Éticos


No que diz respeito aos ensinos éticos do Cristianismo e de outras religiões, há maiores chances de haver uma repetição conceitual sem influência cultural. Isso ocorre porque temos em nós uma ideia arquetípica do que é certo e do que é errado, independente da época, da nacionalidade. No Direito Civil chamamos isso de Direito Natural.

As várias correntes jusnaturalistas concordam em que há um Direito ideal, perfeito, expressão mesma do justo, além do Direito Positivo. É esse Direito supremo que deve servir de modelo ao legislador. (FIUZA, 2009, p. 19)

Diz-se ainda, que “o raciocínio que nos conduz à idéia de Direito Natural parte do pressuposto de que todo ser é dotado de uma natureza e de um fim.” Isso ocorre porque “a natureza humana é uma só”. (Ibidem) O filósofo cristão Paulo, ao perceber que mesmo as pessoas de outras culturas, que não eram judias, tinham uma conduta moral relativamente correta, parecida com a Lei Mosaica, como não matar, roubar, etc, diz na sua Epístola aos Romanos 2:14 e 15:

Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os.

Dessa forma, é possível que alguns ensinos éticos do Budismo, Judaísmo, Cristianismo, Zoroastrismo, Islamismo, tenham semelhanças, mesmo sem terem, literalmente, influenciado um ao outro. Isso ocorre porque todos nós, independente da época, da nacionalidade, ou da crença, compartilhamos a mesma natureza, a natureza humana. Portanto, salve exceções, temos uma ideia quase universal e atemporal sobre o que é justo e o que não é. Não obstante, podemos dizer também que muitos das leis de Hamurábi se refletiram na legislação judaica, depois no Cristianismo, e consequentemente no Alcorão do Islamismo. Ambas as coisas são possíveis, embora creia que na grande maioria, o desenvolvimento da legislação tenha sofrido influência.

§ 3. Semelhanças vs Coincidência


Já falei de várias similaridades entre os dogmas do Cristianismo e os mitos antigos aqui no blog e é bastante comum receber comentários ou e-mails de pessoas sinceras perguntando se tudo não poderia ser apenas coincidência. A coisa não é tão simples assim. Para ilustrar:

Aqui no meu bairro morra certo Paulo, que casou aos 25 anos com Vanessa e foi pai de duas filhas. Não seria de se admirar se eu descobrisse que em outra parte do Brasil existe, ou existiu, outro Paulo que também casou aos 25 anos, com certa Vanessa e foi pai de duas filhas.

Nosso país é bastante grande; muitas pessoas já nasceram, viveram e morreram nesse país, sem contar as que ainda vivem; quando o número é grande, as chances de repetência probabilísticas são maiores também.

Apesar disso, vamos agora ampliar essa ideia: Esse mesmo Paulo que casou aos 25 anos, etc, é filho de pais separados, a mãe, de origem portuguesa, o criou sozinho, sua esposa, em contra partida, foi criada em um lar amoroso, o nome de seus pais sendo Antônio e Iracema. Paulo, apesar das dores da infância semi-órfã, se formou aos 26 anos, no curso de Direito, sua esposa, Vanessa aos 25, no curso de Medicina. Eles se casaram no dia 7/7/1977, tiveram duas filhas, Amanda e Letícia, que, por sua vez, se formaram juntas, na idade de 23-24 anos no curso de Arquitetura.

Agora, pergunto: Qual a probabilidade de encontrarmos essa mesma história de Paulo em outro Paulo que vive em nosso país? A probabilidade é quase nula, pra não dizer cem por cento nula. Dessa forma, se encontrássemos uma história exatamente como essa, em todos os seus detalhes, poderíamos estar diante não de um caso de extraordinária semelhança, mas diante do mesmo caso em outras circunstâncias.

A verdade é que, quanto mais detalhes existirem, mais chances do caso ser único, e, no entanto, por ser único, ele só pode ser replicado, copiado, outros idênticos não podem espontânea e independentemente ser criados.

Para os cinéfilos aqui vai uma singela comparação. Gosto bastante do Jim Carey e entre seus filmes existe um intitulado Número 23. Aqui vai a sinopse:

“Walter Sparrow (Jim Carrey) é um simplório pai de família, que ganhou um livro de presente de sua esposa, Agatha (Virginia Madsen). Chamado "O Número 23", o livro narra a obsessão de um homem com este número e como isto começa a modificar sua vida. Ao lê-lo Walter reconhece várias de suas passagens, como sendo situações que ele próprio viveu. Aos poucos ele nota a presença do número 23 em seu passado e também no presente, tornando-se cada vez mais paranóico. Como o livro termina com uma morte brutal, Walter passa a temer que ele esteja se tornando um assassino.” (Adorocinema.com)

Esse filme é antigo, então creio que a grande maioria já assistiu e, para os que ainda não, espero que não se importem de que eu conte a essência do filme (paradoxalmente, eu odeio spoilers!). Como mostrado na sinopse, Walter Sparrow (Jim Carrey) além de ver o número 23 em tudo, no livro que ele lê paranoicamente está registrado coisas que remetem à sua própria vida, é como se alguém tivesse feito uma biografia sobre você, embora vocês nunca tivessem se conhecido, além disso, Walter Sparrow é uma pessoa comum, da qual ninguém se preocuparia de escrever uma biografia, muito menos conseguir detalhes tão acertados de sua vida. Ao passo que Sparrow lê, também observa que sua mente começa a se lembrar de coisas que ele fez, das quais ele mesmo não se lembrava, coisas ruins, crimes.

Como isso é possível? Embora na ficção tudo seja possível, nesse caso Hollywood não buscou meios sobrenaturais para explicar esse fenômeno, exceto pelo fato simples de que esse mesmo livro que ele estava lendo, na verdade, tinha sido escrito pelo próprio Walter Sparrow, que sofria de transtornos de identidade e, no passado, depois de cometer vários crimes, os escreveu em forma de romance e escondeu o livro, depois, ao assumir outra identidade, perdendo as lembranças da anterior, acha o livro e começa a lê-lo. Assim fica resolvido o porquê a obra, que era o manuscrito original, conta toda sua vida de forma tão detalhada.

Isso prova que, quando uma história bate muito com outra, estamos diante não de um milagre, mas do mesmo conto recontado, como disse acima, estamos “diante não de um caso de extraordinária semelhança, mas diante do mesmo caso em outras circunstâncias.” Dessa forma, as histórias bíblicas e os mitos de outras nações não são parecidos por coincidência, ou porque o demônio se adiantou no tempo criando mitos parecidos com os de Jesus, para, no final, desacreditar o Cristianismo, como muitos dizem. Todas essas histórias compartilham várias similaridades porque suas características são elementos comuns de um mito universal, por assim dizer, o que Joseph Campbell chamou de monomito.

§ 4. Influência Literária


Acho interessante quando se proclama que a Bíblia é inspirada, embora isso em si mesmo seja uma problemática, como mencionei no artigo Teorias da Inspiração Bíblica. No entanto, podemos, obviamente, considerar a Bíblia um livro inspirado, mas não na concepção sobrenatural que os religiosos dizem hoje, mas que os escritores da Bíblia – que foram muitos – se inspiraram em alguma coisa que já liam, já acreditavam, para formar seus novos compêndios devocionais.

Nenhum escritor escreve algo sem ser influenciado por alguma coisa, ou alguém. Ninguém é um vácuo existencial, cem por cento puro, para que possa escrever algo totalmente isento de influência. Os escritores costumam sempre dizer que algum texto, algum escritor ou pensador, lançou o alicerce para o desenvolvimento de seus próprios pensamentos. Isso, no entanto, não ocorre apenas em livros, mas em outras artes humanas, inclusive na religião.

Como gosto bastante de História Antiga e Mitologia, estava assistindo mais um vez um desenho bem famoso na minha época de adolescente, os Cavaleiros dos Zodíacos. Na temporada logo após as 12 Casas dos Zodíacos, temos a luta com os Guerreiros Deuses de Asgard. No episódio 74, somos introduzidos à personagem Hilda de Polaris, representante de Odin na terra. Embora ela fosse uma pessoa boa e pura, como Saori, no papel da deusa Atena, Poseidon a amaldiçoou com um anel, o Anel de Nibelungo.

Por curiosidade, fui pesquisa sobre o mesmo. Ao passo que li, vi que o Anel de Nibelungo, presente em um poema épico em alto alemão escrito durante o século XIII, era um anel amaldiçoado e que possuía um efeito malévolo nas pessoas que o usavam. Aquele que usasse o anel tinha sua ganância e desejo colocados acima de qualquer coisa, tornando a pessoa iníqua, maligna e capaz dos piores crimes para conseguir o que deseja, além disso, o anel também tinha o poder de deixar a pessoa invisível. — Cf. Educaterra.

Soa similar essas descrições? Pois bem, à medida que eu lia, também percebi as semelhanças entre o Anel de Nibelungo e o filme do Senhor dos Anéis. Será que era apenas coincidência? Mas é óbvio que não, todos nós sabemos que os roteiristas, bem como escritores, buscam inspiração em outras obras. O grande escritor JRR Tolkien, criador da história, se inspirou não apenas em mitos nórdicos, mas, entre outros, como os poemas épicos, incluindo a maldição dos Nibelungos, centrada nesse anel.

Da mesma forma, quando se trata da produção literária do Novo Testamento, acima de tudo, os Evangelhos, canônicos ou não, percebemos que os elementos narrativos, as figuras de linguagem, a imagem de Cristo – uma vez que temos quatro figuras diferentes em cada evangelho – foram moldados pelos conceitos judaicos, sendo que estes, por sua fez, foram moldados em um mosaico de culturas pré e pós-exílicas.

Assim, tudo que se diz sobre Jesus no Novo Testamento pode ser rastreado em mitos, sejam as questões doutrinárias, sejam os eventos ali narrados. Em outras palavras, não há simplesmente nada que lemos no Novo Testamento que não possamos encontrar em inúmeros mitos ao redor do mundo, inclusive mitos africanos. Isso ocorre porque, como dizia o bom e sábio judeu:

O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época. (Eclesiastes 1:9-10)

§ 5. Crer ou Não Crer


Uma vez entrei numa livraria evangélica para comprar algumas obras para pesquisa. A vendedora me pergunta se eu era teólogo e assim iniciamos uma conversa longa. Com isso, seria impossível não perguntar se a mesma sabia que existiam mitos muito semelhantes aos relatos do Novo Testamento. Ela me ouviu atentamente sem dizer uma palavra, mas no final ela respondeu: “seja tudo, menos um herege!”

Depois, analisando isso, bem como outras tentativas, percebi que a crença na Bíblia se trata mais de uma coisa no coração do que na razão. Todas essas pessoas reconheciam que esses mitos são mesmo bem parecidos com os da Bíblia, mas, de alguma forma, a crença, o desejo de se crer era maior do que a evidência. Foi nesse tempo que parei de compartilhar isso com qualquer pessoa. Algumas pessoas são tão devotadas as suas religiões, que mesmo se o fundador se erguesse da tumba dizendo que era tudo mentira, as pessoas ainda assim continuariam a crer.

§ 6. Conclusão


Como visto em algumas postagens aqui no blog, bem como outras que ainda postarei, é inegável que a produção literária tanto judaica como cristã fez uso de conceitos e mitos prevalecentes em seus dias, principalmente os que eram mais consolidados, para se construir o que hoje chamamos de novos mitos. “Quando um romano queria dizer que estimava muito alguma coisa... ele dizia: para mim, isto é antigo”. (COULANGES, Apud COMPARATO, Ética, Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno, p. 54) Os gregos, por sua vez, usavam a expressão patrion estin emin. Assim sendo, os antigos escribas, tanto judeus, como cristãos, não criaram nada novo, apenas deram uma nova roupagem para algo antigo.

Os judeus passaram anos sob o poder de inúmeras nações, Egito, Babilônia, Assíria, Grécia, Roma e saíram teologicamente ilesos? Dificilmente! Os mitos são sempre os mesmos, é apenas a fé que sempre se renova.


Bibliografia

FIUZA, Cesar. Curso Completo de Direito Civil, Del Rey, Belo Horizonte, 13ª edição, 2009.
CHRISTOPHER, Blackwell, (2002). Mythology for Dummies, Hungry Minds Inc. New York.
COMPARATO, Fábio Konder. Ética, Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno, Companhia das Letras, São Paulo, 2ª edição, 2006.
LESLIE, Bolton, (2002). The Everything Classical Mythology, Adams Media Corporation, Avon Massachusetts.
DIANA, Ferguson (2000). Greek Myths and Legends, Collins and Brown, New York, New York.
ROBERT, Graves (1996). The Greek Myths, Penguin Books, London.
KEVIN, Osborn, e DANA, Burgess (1998). The Complete Idiots Guide to Classical Mythology, Alpha Books, New York, New York.
JOHN, Pinsent (1982). Greek Mythology, Peter Bedrick Books, New York, New York.

15 comentários:

  1. Os pagãos e os textos das Escrituras

    Segundo Bart D. Ehrman, para reafirmar a divindade de Cristo e oferecer uma resposta bíblica aos pagãos, os copistas teriam modificado algumas passagens aparentemente contraditórias nos evangelhos (aquelas que, segundo, ele, eram usadas pelo pagão Celso para ridicularizar os cristãos e seu líder Jesus).

    a) O leproso rejeitado

    “Embora eu nada tenha dito na ocasião, já vimos um texto que parece ter sido modificado pelos copistas com preocupações apologéticas. Como vimos no capítulo cinco, Marcos 1.41 indicava originalmente que quando Jesus foi abordado por um leproso que queria ser curado, ele ficou com raiva (...) Os copistas acharam duro demais atribuir a Jesus a emoção de ira nesse contexto. Por isso modificaram o texto, fazendo-o dizer que Jesus sentiu ‘compaixão’ pelo homem. É provável que os copistas tenham sido influenciados a mudar o texto por algo mais que o simples desejo de torná-lo mais fácil de entender (...) Nessa época, era crença defendida entre os pagãos que os deuses não eram sujeitos a emoções e a caprichos de meros mortais”. [13]

    Como já dissemos em tratado anterior, não há nenhuma evidência (interna ou externa) que prove que Jesus sentiu “raiva” ao ser abordado pelo leproso, uma vez que todo o contexto de Marcos demonstra o amor e a compaixão de Jesus para com os enfermos e necessitados. Por que os copistas modificariam um texto aparentemente favorável ao amor de Jesus, e se esqueceriam de passagens como João 2.13-22, onde a indignação de Jesus se manifestou de maneira mais enfática? Por que eles não substituíram o “chicotinho” de Jesus por algo menos ofensivo, como luvas de pelica? Não seria uma resposta mais adequada aos pagãos? Se eles queriam fazer transparecer uma figura mais amorosa de Jesus, por que escolheriam justamente um relato de cura? Não pareceria irrazoável?

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    1. Amado, se possível, guarde essa argumentação para postar em artigos relacionados ao assunto, isso ajudará aos leitores, pois o artigo acima fala sobre mitologia.

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  2. Continuação:
    Os argumentos de Bart são baseados em suposições e não em fatos reais. Não há nenhum fundamento histórico, por exemplo, para a tese que os “deuses pagãos não eram sujeitos a emoções e paixões de meros mortais”. Primeiro, porque eles nem se quer existiram; segundo, porque a própria mitologia grega prova o contrário.

    “O céu (Urano) e a Terra (Gaia) surgiram do nada. De sua união, nasceram os titãs, os ciclopes e os gigantes. O Titã mais jovem, Cromos, destituiu o pai e, para que não fosse ele próprio destituído, passou a devorar os filhos, os deuses. Sua esposa, Ria, para salvar Zeus, substituiu-o por uma pedra e o escondeu numa caverna. Quando cresceu, Zeus obrigou o pai a devolver os filhos comidos. Com a ajuda deles, encarcerou Cromos no inferno. A seguir, guerreou contra os gigantes. Prometeu, filho de um titã, criou os homens e deu-lhe o fogo, que roubou de Zeus. Zeus o acorrentou no alto do Cáucaso, onde um abutre lhe devorava todos os dias o fígado, que renascia a noite. Hércules libertou-o do suplicio, matando o abutre. A primeira mulher, Pandora, não resistiu a curiosidade e abriu a caixa de todos os males. Para castigar os homens, Zeus mandou o dilúvio. Desse modo, deuses e homens eram, em essência, muito semelhantes”. [14]

    b) O Carpinteiro

    “E diziam, em sua perplexidade: Não é esse o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simeão, e suas irmãs não estão aqui conosco? Como, indignavam-se eles, alguém que cresceu como um de nós, cuja família nós conhecemos, é capaz de fazer essas coisas? Essa é a única passagem do Novo Testamento em que Jesus é chamado de carpinteiro (...) Como alguém com essa posição social poderia ser chamado Filho de Deus? Essa era uma questão que os adversários pagãos do cristianismo levavam muito a sério. De fato, eles entendiam a questão como retórica: óbvio que Jesus não podia ser um Filho de Deus se fosse um simples TEKTÔN. Particularmente o crítico Celso zombava muito dos cristãos nesse ponto...” [15]

    Para nós pouco importa saber se Jesus foi ou não um carpinteiro. A questão aqui é em que sentido semelhante condição social afetaria sua divindade. Novamente parecenos estranho que um copista alteraria o sentido de Mateus 13.55, e nada faria com relação ao texto de Marcos 6.3. Uma vez que a divindade de Cristo pareceria ser algo patente para eles, não se entende porque alguém modificaria um texto que poderia ser usado contra eles mesmos, quando o mais sensato seria preservar o texto original.

    Não é preciso fazer uma completa descrição da vida de Cristo para saber que a sua vinda ao mundo não se deu de acordo com os parâmetros humanos. Zacarias 9.9 revela justamente isso. Jesus não veio ao mundo como um “Messias político”, que libertaria Israel de seus inimigos e governaria a partir de Jerusalém, mas como um simples servo de Jeová, filho de carpinteiro e igual a nós. É o que Jesus tinha em mente quando disse:

    “O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino é daqui”. (Jo. 18.36).
    Referências:
    13. EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. 210,211.

    14. JOBSON, J.A. e PILETTI, N. Toda a História, Ática, pág. 50.

    15. EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. Ibidem, págs.212.

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    1. Obg pela contribuição e a pesquisa e peço o mesmo que o acima, comente em artigos relacionados. Se for possível, te indicarei alguns artigos e então você pode copiar e colar seu comentário, para manter o blog organizado.

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  3. Ótimo texto, Eduardo! Não chego a ser um "relutante", mas não tenho medo algum de analisar minhas próprias crenças transformá-las e evoluí-las conforme se expandem os horizontes do meu conhecimento. Suas ideias expressas no texto estimulam, naqueles que possuem uma mente aberta, uma linha de questionamentos inovadora e muito coerente.
    Belo trabalho, realmente...

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    1. Muito obg pela visita e muito obg tbm pelas palavras... ouvir isso me ajuda a ter ânimo para continuar a divulgar mais conhecimento e continuar pesquisando.

      Abç!

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  4. Amigo, parabens pelo texto,

    Li o livro que voce me indicou Sobrenatural do Graham hancock, é fantástico, você precisa ler e precisa também ter uma experiência psicodélica.

    O instante é sempre o mesmo, nossa consciência não morre,

    leia o ensaio
    http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/09/waking_life_pinball.html

    Abs

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    1. Que maravilha! Esse livro está na lista para ser lido, irei ler o ensaio.

      Abraço!

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  5. Se todas as religiões são cópias uma das outras, se são mitos igualmente criado pela criatividade da mente humana, também temos que pensar o por que então de tantas guerras religiosas ao longo da história humana. Pois, se uma religião reconhecesse a si mesmo nas outras, não haveria do porque uma subjugar a outra, então um judeu seria cristão, tal como um cristão seria budista, tal como um budista seria muçulmano, tal como um muçulmano seria um hindu, tal como um hindu seria um jainista e assim por diante. Mas, se elas não se reconhecem (ainda que reconheçam o valor da outra), é porque existem sim, diferenças cruciais em suas crenças que se repelem. Não haveria, por exemplo, motivos para um romano ter perseguido os cristãos na época de Nero, se ele reconhecesse a história de Hórus e Mitra na história de Jesus, eles entrariam em acordo, o cristão o chamaria de Cristo e o romano de Hórus e Mitra, já que suas práticas eram as mesmas. A história mostra que Constantino jamais deixou seu paganismo e sim apenas por questões politicas, liberou o culto cristão a população e cessou as perseguições, mas, ele continuou com sua adoração ao deus-sol e sempre manteve o título de sumo-sacerdote. Ora, se o Cristo era o mesmo que Hórus ou Mitra, por que é que Constantino continuou com sua devoção pagã e apenas fez do cristianismo um "algo a mais em sua crença", bastava ele ter dito que Cristo e Hórus eram os mesmos, ele era o imperador não haveria motivos para temer os tais cristãos (que eram na época, cerca de 5% da população). No entanto quem se aprofunda na biografia de Constantino sabe que ele nunca deixou o paganismo (uso esse termo para diferenciar uma coisa da outra apenas)ou seja, continuava com suas práticas diferenciadas do cristianismo primitivo da época e posteriormente em 325 d.C no Concílio de Niceia veio a instituir a igreja Católica que possui algumas referências pagãs e mais tarde no séc. XV e XVI com a Reforma Protestante essas referências foram apaziguadas em partes, porém, mantidas em outras. Mas, o que podemos observar disso tudo é que não haveria necessidade alguma da criação da Ig. Católica e depois da protestante, se Constantino desde o principio tivesse reconhecido suas práticas pagãs no cristianismo primitivo, não precisaria "melhorá-lo e nem adaptá-lo". Então podemos dividir a história do cristianismo assim: 1- igreja primitiva (nasceu com os apóstolos e deixou de existir com a morte dos apóstolos);2- suposta conversão de Constantino; 3- Concílio de Niceia; 4- origem da Igreja Católica;5- outros Concílios; 6- Reforma protestante; 7-igrejas atuais e todas as suas denominações.
    Isso não é uma apologética cristã, pois, não partilho dessa crença,é apenas analisar o todo não com olhos fechados nem pela crença e nem pela descrença. Isso pode facilmente ser analisado através de estudos panorâmicos do NT e da história de Constantino e das Igrejas Católicas e protestantes e suas origens.

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    1. Obg pelo comentário. Aqui vão algumas considerações:

      “Se todas as religiões são cópias uma das outras, se são mitos igualmente criado pela criatividade da mente humana, também temos que pensar o por que então de tantas guerras religiosas ao longo da história humana.”

      R.: Muito simples. A verdade é que 99,99% das pessoas que fazem parte de todas as religiões existentes hoje são pessoas totalmente leigas e que se quer imaginam as origens de suas respectivas religiões. Faça uma pesquisa você mesmo. Vá em uma igreja evangélica e pegue o melhor crente de lá; tenho certeza que ele não saberá alistar os nomes de todos os 12 apóstolos. Acho que se um dia houvesse uma consciência de que tudo, na verdade, converge para uma ideia arquetípica universal, acontecerá o mesmo que aconteceu com um grande amigo, meu fundamentalista e militante da causa cristã, nas suas palavras:

      “Não vejo mais motivo de impor o Cristianismo sobre meus semelhantes, uma vez que, no fundo, todas fazem parte de uma mesma árvore religiosa.”

      “Pois, se uma religião reconhecesse a si mesmo nas outras, não haveria do porque uma subjugar a outra, então um judeu seria cristão, tal como um cristão seria budista, tal como um budista seria muçulmano, tal como um muçulmano seria um hindu, tal como um hindu seria um jainista e assim por diante.”

      R.: Pensar assim é muito simplório. Como mencionei assim, essas pessoas religiosas desconhecem essas similaridades que sobrevivem na mente de alguns poucos eruditos e curiosos das áreas. Além disso, o corpo sócio-religioso de um povo assemelha-se a pisque humana individual. Dessa forma, a mentalidade do “o meu é melhor do que o seu” não se resume à coisas triviais da vida, mais inclui principalmente as religiões. Diga-se de passagem, o fato dessas religiões compartilharem a mesma ORIGEM, não quer dizer, necessariamente, que sejam iguais em tudo. Dessa forma, mesmo que o Islã fosse 99% parecido com o Cristianismo, uma pequena mudança de doutrina seria o suficiente para surgir as brigas.

      Pense no Cristianismo como todo. Hoje em dia existem mais de 33.800 seitas cristãs. Você negaria que todas elas têm o mesmo denominador comum? Jesus, Bíblia, Salvação, etc? E, no entanto, essas mesmas vivem se digladiando para se estabelecer como a certa. Dessa forma, seu pensamento de que “se for igual então não deveria ter brigas” não coaduna-se, de forma alguma, com a realidade tangível das religiões.

      “Mas, se elas não se reconhecem (ainda que reconheçam o valor da outra), é porque existem sim, diferenças cruciais em suas crenças que se repelem.”

      R.: E desde quando eu disse que são cem por cento iguais? Desde quando compartilhar origens significa que são idênticas?

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    2. “Não haveria, por exemplo, motivos para um romano ter perseguido os cristãos na época de Nero, se ele reconhecesse a história de Hórus e Mitra na história de Jesus, eles entrariam em acordo, o cristão o chamaria de Cristo e o romano de Hórus e Mitra, já que suas práticas eram as mesmas.”

      R.: A coisa não é tão simples assim. Vamos viajar para aquele tempo, e vou criar uma religião do nada. Juntei os mitos de Hórus-Osíris, Adonis, Tamuz, Mitra e criei um salvador novo. Os romanos poderiam até observar que essa nova religião tinha semelhanças com as religiões vigentes, de fato, os romanos viam inúmeras semelhanças entre o Cristianismo e os mitos greco-romanos, basta ler os primeiros pais apostólicos, Tertuliano ele mesmo compara a ressurreição de Jesus com o da Fênix mitológica. No entanto, imagine que apesar das inúmeras semelhanças, eu começo a pregar que nosso salvador cósmico diz que o imperador romano é uma entidade demoníaca e nos juntamos contra o império Romano, você acha mesmo que os romanos iriam ignorar isso só porque temos crenças religiosas parecidas? Você realmente acredita nisso?

      Jesus, mesmo sendo judeu, praticamente da religião judaica, foi perseguido pelos próprios judeus que professavam a mesmíssima religião. Ora, se fosse como você diz, isso não deveria ter acontecido, pois Jesus veio do mesmo berço judaico, e o cristianismo primitivo tinha muitas raízes com o Judaísmo, e mesmo assim eles foram perseguidos. Dessa forma, ser parecido, ter as mesmas origens, nada tem a ver, em absoluto, que uma religião vai ou não “se dar bem” com outra. Judeus e Palestinos tiveram a mesma origem biológica e no entanto, vemos hoje a realidade sangrenta em que vivem.

      Jesus foi perseguido INDEPENDENTEMENTE de qualquer semelhança pagã, foi perseguido e morto como um revolucionário que estava indo contra dois sistemas poderosos da época.

      “Mas, o que podemos observar disso tudo é que não haveria necessidade alguma da criação da Ig. Católica e depois da protestante, se Constantino desde o principio tivesse reconhecido suas práticas pagãs no cristianismo primitivo, não precisaria "melhorá-lo e nem adaptá-lo".”

      R.: Sinceramente e com todo respeito, não vejo a menor lógica nisso. Poderia explicar melhor? É conhecimento básico que Constantino nunca abandonou o paganismo e abraçou a Cristandade por motivos políticos. Mas não vejo como isso milita com o fato de não existir semelhanças entre Jesus e outros mitos. Na verdade, por que a aceitação de Jesus como deus oficial foi tão rapidamente estabelecia? Uma única resposta: Eles eram semelhantes em vários aspectos, da mesma forma quando os jesuítas vieram civilizar os índios no Brasil e adaptaram as histórias cristãs aos mitos indígenas e o mesmo pode ser visto na conversão dos povos, no livro The Sun God and the Savior, The Christianization of the Nahua and Totanac in the Sierra Norte de Puebla, Mexico.

      “Isso não é uma apologética cristã, pois, não partilho dessa crença, é apenas analisar o todo não com olhos fechados nem pela crença e nem pela descrença. Isso pode facilmente ser analisado através de estudos panorâmicos do NT e da história de Constantino e das Igrejas Católicas e protestantes e suas origens.”

      R.: Não encaro como apologética, é conhecimento histórico muito básico na verdade. Obg mais uma vez pelas reflexões apropriadas.

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  6. Nossa! Ano de 2015, dois anos após o post e os comentários e hoje achei essa página maravilhosa, com coisas maravilhosas a serem lidas!! Muito legal. Ganhou mais um seguidor!

    Só uma dúvida ao proprietário do blog: você já foi Testemunha de Jeová?

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    1. Olá (nome?)

      Obrigado pela visita e pelos elogios, seja sempre muito bem-vindo. E sim, eu fui TJ 12 anos e 8 como servo ministerial.

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  7. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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