sexta-feira, 15 de março de 2013

Posted by Eduardo G. Junior In | 16 comments
Teologia do Evangelho de João
por Eduardo Galvão

JOÃO, EVANGELHO, TEOLOGIA, LIVRO
A Teologia do Evangelho de João embora simples, é bem diversificada, abordando os assuntos relativos à Soteriologia (Salvação) Pneumatologia (Espírito Santo) e Cristologia (A Pessoa de Cristo). Embora o evangelho cite, aqui e ali, alguns outros ensinos que podem ser enquadrados dentro de algum tópico teológico, basicamente esses são os mais predominantes em João. Pretendo abordar estes em outras postagens, não obstante, reservo esse espaço para o estudo da teologia literalmente, i.e, o estudo sobre Deus dentro do Quarto Evangelho.

Os termos “Deus”
θεος (theos) e principalmente “Pai” πατηρ (pater) são os mais usados para se referir ao Criador no Evangelho. No entanto, como o tema central do livro é a Cristologia, poucas coisas pode-se concluir do texto em si.

§1 Comentário de João 1:18.

Em João 1:18a somos informados da invisibilidade de Deus, pois Θεον ουδεις εωρακεν πωποτε (
“nenhum homem jamais viu Deus”). Isso tem um valor teológico bastante acentuado, uma vez que no Antigo Testamento são muitas as teofanias, ou seja, as manifestações divinas, situações onde o Deus Invisível se torna visível ao homem. (Cf. Gn. 18:1-15) No entanto, isso em si não é uma contradição bíblica.

Acho isso digno de nota. Apesar de sustentar que a Bíblia contém contradições, sabemos que algumas delas podem ser resolvidas. João 1:18a é bastante citado por alguns para provar que o NT contem divergências em relação ao AT. Sim, o NT realmente possui contradições, mas é totalmente desnecessário “criar” essas contradições, ou ficar tentando ver em cada versículo um erro. Quando o Evangelho de João diz que ninguém nunca viu Deus, isso significa que Ele nunca apareceu literalmente para ninguém. Teologicamente, posso comparar que a manifestação da divindade judaico-cristã seria insuportável para qualquer pessoa, pois “nenhum homem pode ver-me e continuar vivo” disse Yahweh. (Êxodo 33:20) Dessa forma, Deus usou manifestações suportáveis aos seres humanos, como os anjos, por exemplo, como em Êxodo 33:18-23.

Na segunda parte, João 1:8b somos instruídos de que ο μονογενης υιος... εκεινος εξηγησατο (“o filho unigênito O tem explicado”). Em outras palavras, Jesus tornou compreensível o Deus Incognoscível. Devido o paralelismo joanino, creio que para as suas sentenças se completarem, precisamos entender a frase Θεον ουδεις εωρακεν πωποτε em João 1:18a de uma forma diferente. Quando lemos que ο μονογενης υιος... εκεινος εξηγησατο isso significa que ο μονογενης υιος mudou a realidade do Antigo Testamento onde Θεον ουδεις εωρακεν πωποτε, homem algum havia visto Deus. Dessa forma, o verbo οραω (ver) deve ser entendido no seu sentido conotativo “entender”, e não no seu sentido denotativo, “ver com os olhos físicos”. Portanto, a teologia de João 1:18 comentada seria que Θεον ουδεις εωρακεν πωποτε, no sentido de que, no Antigo Testamento, Yahweh ainda era muito misterioso, não tinha sido manifestado por completo ao Seu povo. Tudo isso mudou quando Jesus Cristo, a maior teofania de Yahweh, seu μονογενης υιος, veio e literalmente “fez uma exegese”, explicou em detalhes, a Pessoa de Deus.

§2 Comentário de João 3:16.

O segundo versículo que traduz a personalidade de Deus, no Novo Testamento, está em um dos mais, se não o mais, importante versículo da Bíblia. Em João 3:16 somos informados o motivo que levou a divindade cristã à enviar seu μονογενης υιος (
“filho único”) para morrer como sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Isso ocorreu ουτω γαρ ηγαπησεν ο θεος τον κοσμον ωςτε (“porque Deus amou tanto o mundo”). Diga-se de passagem que a palavra κοσμος (kosmos, “mundo”) em grego é bastante debatida entre as diferentes escola teológicas. Não irei comentar suas nuanças de significado, isso é simplesmente um debate tolo e sem fim. Basta-nos, aqui, identificar que a divindade cristã objetivou enviar seu “filho unigênito” por causa do amor pelo κοσμος, se referindo às pessoas no geral, e não um grupo específico, posto que ου γαρ εστι προσωποληψια παρα τω θεω (“Deus não faz acepção de pessoas”) – Romanos 2:11.

A ζωην αιωνιον (“vida eterna”) não é obtida automaticamente. Exige-se das pessoas que executem o verbo πιστευω (pisteuo, “crer”, “exercer a fé”) abordado na expressão πιστευων εις αυτον. Caso contrário, se Jesus não for aceito como filho de Deus, o mesmo será αποληται (destruído, do verbo ἀπόλλυμι). Em um artigo intitulado, A Injustiça do Armagedom Cristão, argui que essa formula soteriológica é irracional, antilógica e insípida.

Mais detalhes sobre João 3:16, e outros que abordam o mesmo assunto, será comentado no artigo A Soteriologia do Evangelho de João. Nesses dois versículos analisados, observamos teologicamente em João 1:18 que a divindade cristã incognoscível se tornou inteligível através da exegese do seu filho unigênito, e que aceitar esse mesmo filho unigênito como salvador é a chave para se ter vida eterna, sendo que seu envio foi, por si mesmo, uma clara demonstração do amor de Deus ao mundo.



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16 comentários:

  1. Quando o Evangelho de João diz que ninguém nunca viu Deus, isso significa que Ele nunca apareceu literalmente para ninguém.(Jacó viu Deus cara a cara
    Moisés e os anciões de Israel viram Deus
    Deus falou com Moisés cara a cara ) Teologicamente, posso comparar que a manifestação da divindade judaico-cristã seria insuportável para qualquer pessoa, pois “nenhum homem pode ver-me e continuar vivo” disse Yahweh. (Êxodo 33:20) Dessa forma, Deus usou manifestações suportáveis aos seres humanos, como os anjos, por exemplo, como em Êxodo 33:18-23.(eu ainda acho que por a biblia ser uma colcha de retalhos desde o AT, ela foi escrita em várias épocas diferentes, por povos de culturas e Deuses diferentes, não creio que Javé, Elohim e suas variações: sabaoth, jiré,... são o mesmo deus, por isso tanta contradição, são deuses diferentes unidos muito tempo depois em um só. Mas é só a minha opinião leiga. Continue com as ótimas postagens. ABRAÇO.
    Leandro

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    1. Vamos por parte:

      “...ela foi escrita em várias épocas diferentes, por povos de culturas.” Bom, sabemos categoricamente que o AT foi profundamente influenciado pelos mitos de civilizações vizinhas, mas isso, por sua vez, não nos dá base para falar que pessoas de outras culturas escreveram literalmente partes do AT, dizer, por exemplo, que “Antônio” que morava no Egito escreveu alguma coisa e deu para os Judeus que foram juntando e montando o AT, isso, de fato, jamais existiu.

      Os judeus foram responsáveis por construir, compor e editar seu próprio texto religioso, fazendo releituras de vários “clássicos” da mitologia mesopotâmica.

      “...e Deuses diferente”. Concordo plenamente. O YHWH cultuado no AT é um remake, por assim dizer, de várias deidades cananeias. Mas, na cabeça do judeu ortodoxo, essas inúmeras facetas deificadas foram unificadas em uma entidade única. Olhando o texto veterotestamentário de fora e diacronicamente vemos uma personalidade individual criada pelos escritores judeus, visto de dentro e sincronicamente, são uma combinação de uma infinidade de deidades a ponto de não existir unidade na personalidade da entidade deificada. No entanto, as mudanças de personalidade de YHWH não são resultado das combinações factuais, mas sim da diversidade de teologias encontradas nas diversas épocas e situações de Israel. Quando o povo sofria, YHWH era retratado com vingativo, afinal, o povo só pode estar sofrendo porque pecaram contra Ele, e quando o povo estava em paz, YHWH era bondoso, calmo, etc.

      Apesar dessas mudanças, existem combinações que se encaixavam. Os judeus tinham um sistema de doutrinas ortodoxas, um conjunto de ensinos sobre o YHWH fictício. Portanto, não há qualquer vestígio de que alguém tivesse visto literalmente YHWH. Embora alguns relatos falem de homens vendo Deus face a face, a teologia sistemática judaica sempre interpretou isso como teofanias.

      “...são deuses diferentes unidos muito tempo depois em um só”. Isso não é absoluto. Como mencionei, Yahweh realmente é uma combinação de várias deidades cananeias, como Baal, por exemplo. Não obstante, as maiores diversidades da persona de YHWH jaz na diversidade de teologias presentes nas diferentes épocas e mentes dos escritores do AT.

      Por último, agradeço suas palavras. Algumas dessas postagens terão como objetivo o estudo da Bíblia apenas como literatura, o que nos ajuda, por sua vez, a entender alguns aspectos mitológicos do mesmo.

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  2. ” Bom, sabemos categoricamente que o AT foi profundamente influenciado pelos mitos de civilizações vizinhas, mas isso, por sua vez, não nos dá base para falar que pessoas de outras culturas escreveram literalmente partes do AT, dizer, por exemplo, que “Antônio” que morava no Egito escreveu alguma coisa e deu para os Judeus que foram juntando e montando o AT, isso, de fato, jamais existiu.(o que eu quis dizer com outras culturas, é que os cananeus eram uma parte do povo hebreu e não um outro povo! Assim pode ter sido com outras tribos próximas.É como se juntasse as 12 tribos de Israel nos dias de hoje, cada uma teria uma cultura e uma característica diversa.)

    Os judeus foram responsáveis por construir, compor e editar seu próprio texto religioso(isso mesmo,OS JUDEUS, tempos depois!Tirando os deuses menores, a esposa de Javé,e qualquer informação que contrariasse a doutrina judaica vigorante) fazendo releituras de vários “clássicos” da mitologia mesopotâmica.

    .e Deuses diferente”. Concordo plenamente. O YHWH cultuado no AT é um remake, por assim dizer, de várias deidades cananeias. Mas, na cabeça do judeu ortodoxo, essas inúmeras facetas deificadas foram unificadas em uma entidade única. Olhando o texto veterotestamentário de fora e diacronicamente vemos uma personalidade individual criada pelos escritores judeus, visto de dentro e sincronicamente, são uma combinação de uma infinidade de deidades a ponto de não existir unidade na personalidade da entidade deificada. No entanto, as mudanças de personalidade de YHWH não são resultado das combinações factuais, mas sim da diversidade de teologias encontradas nas diversas épocas e situações de Israel. Quando o povo sofria, YHWH era retratado com vingativo, afinal, o povo só pode estar sofrendo porque pecaram contra Ele, e quando o povo estava em paz, YHWH era bondoso, calmo, etc.(concordo sem tirar e nem por, nem afirmei algo diferente!)


    Apesar dessas mudanças, existem combinações que se encaixavam. Os judeus tinham um sistema de doutrinas ortodoxas, um conjunto de ensinos sobre o YHWH fictício. Portanto, não há qualquer vestígio de que alguém tivesse visto literalmente YHWH. Embora alguns relatos falem de homens vendo Deus face a face, a teologia sistemática judaica sempre interpretou isso como teofanias.(Bem, aqui eu teimo em discordar, ainda acho que devido a épocas e pessoas diferentes, alguns "hebreus" acreditavam SIM que os "Deuses" podiam falar face a face, brigar e até comer junto com o devoto! E como você bem disse: JUDEUS ORTODOXOS que já tinham uma ideia de um Deus inatingível e supremo, que não entra em contato físico, manda seus mensageiros ou emanações.Só que muitos anos depois é que foi assim.)

    “...são deuses diferentes unidos muito tempo depois em um só”. Isso não é absoluto. Como mencionei, Yahweh realmente é uma combinação de várias deidades cananeias, como Baal, por exemplo. Não obstante, as maiores diversidades da persona de YHWH jaz na diversidade de teologias presentes nas diferentes épocas e mentes dos escritores do AT.(desculpe, não identifiquei onde o que você disse diferiu das minhas palavras!)

    Por último, agradeço suas palavras. Algumas dessas postagens terão como objetivo o estudo da Bíblia apenas como literatura, o que nos ajuda, por sua vez, a entender alguns aspectos mitológicos do mesmo.(Eu que agradeço sua paciência e boa vontade)

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    1. Olá Leandro obg por me responder...

      Acho que algumas partes que discordei foi porque não tinha entendido direito o que querias dizer, principalmente sobre as diferentes culturas, no caso dentre os próprios judeus.

      Sobre a parte que Yahweh fala face a face, você disse: “alguns “hebreus” acreditavam SIM que os “Deuses” podiam falar face a face, brigar e até comer junto com o devoto”.

      Quando você menciona que “alguns hebreus” acreditavam nisso, de onde especificamente você tira essa conclusão? Porque os únicos escritos judaicos que temos para tirar conclusão de suas doutrinas são da ortodoxia, ou então de alguma grande seita judaica que, embora não-ortodoxa, era disseminada e produzia bastante literatura, como as existentes no séc. II a.C.

      Richard Carrier, filósofo e Ph.D em história antiga pela Universidade de Colúmbia, EUA, comenta no artigo O Messias Morredouro que não tem como se dizer com 100% de segurança o que o judeu simples, do populacho, acreditava, porque estes não produziram nada para a posteridade, e que as conclusões ficam ainda no campo da hipótese, quando vamos para o que outros judeus pensavam sobre determinado assunto.

      No entanto, assim como hoje existem inúmeros judeus espalhado pelo mundo e diversas ramificações do judaísmo, inclusive os judeus messiânicos, sabemos muito bem que estes têm opiniões diversas sobre vários assunto. Da mesma forma, é lógico concluirmos que, à parte da ortodoxia antiga, havia judeus que criam em coisas diferentes e divergentes na antiguidade, só não podemos provar QUAIS eram.

      Bom, se formos conjecturar, levando totalmente no campo da hipótese, que “alguns judeus” acreditavam que se encontraram face a face com Yahweh, literalmente, estes deveriam ser as pessoas do populacho não instruídas, os chamados amhaaretz, “povo da terra”, ou então os patriarcas, que não tinham uma forma de teologia sistemática, que tinham suas próprias ideias humanas sobre o divino e o sobrenatural, que é o caso de Abraão e o o Carvalho de Mambré.

      Acredito, sim, que o judeu comum, que além de judeu, e acima disso, era apenas um ser humano e produto de seu tempo, tinha N ideias sobre o divino, então creio ser isso possível que alguns deles acreditasse ter tido contato diretamente com Deus. A questão é que não temos provas empíricas sobre isso, e pensando nisso, gostaria de saber de onde você concluiu essa ideia, qual a fonte de que alguns judeus acreditavam literalmente que comungavam face a face com Yahweh? Você leu isso em algum estudo sério ou é apenas uma conclusão pessoal?

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    2. Se estivéssemos falando dos outros povos, ai seríamos mais conclusivos, pois temos inúmeras provas literárias da antiguidade de que os Jebuseus, ou mais à frente, como os gregos, comungavam literalmente com os deuses. Se pegar tanto Odisséia como Ilíade temos vários e vários exemplos disso. Quando você disse que alguns criam que os deuses podiam “até comer junto com o devoto”, isso já foi algo até de postagem, A Última Ceia e o Paganismo. Temos muitos e muitos textos da antiguidade que, de fato, espraiam esse conceito de comunhão entre a divindade e o devoto, mas entre os judeus?

      Acho que se fôssemos pegar algum texto judaico para tirar essa conclusão, seriam apenas os versículos bíblicos. Por exemplo, Abraão creditava literalmente que ele comungou com Yahweh antes da destruição de Sodoma? (Gn. cap. 18) Será que na cabeça de Abraão, SE ele realmente existiu, o divino poderia comer pão como se fosse um homem? Interessante que, no texto, apesar do patriarca chama-los de Yahweh, ele os descreve como איש (’iysh) “homens”, nesse caso apenas mensageiros de Yahweh e não o próprio. Jacó acreditava que havia literalmente lutado com Deus? (Gn. 33:24-31)

      Essas conclusões não muito debatidas por acadêmicos, será mesmo que Jacó acreditava que tinha lutado com o próprio Deus? Se pegarmos uma pessoa hoje, mesmo que a mais indouta, ela jamais acreditaria que poderia lutar com Deus, afinal, Ele é todo poderoso. Não temos motivos nem provas literárias para concluir algo diferente entre os judeus do populacho.

      Não acredito que essas passagens sejam históricas, para início de conversa, até porque o livro de Gênesis é um produto do judaísmo posterior, onde a teologia sistemática judaica já estava desenvolvida.

      CASO, Abraão e Jacó sejam personagens históricos, é passível de debate se eles realmente acreditavam ter comungado literalmente com a divindade, ou até lutado com ela, uma vez que até mesmo entre os cultos e teologia cananeia, seus deuses eram muito poderosos, sendo inconcebível a ideia de uma luta com algum mortal. Se Abraão acreditava, como os antigos, que Deus se manifestava nos Carvalhos, não seria impossível concluir que ele cria comungar literalmente face a face com o divino, mas o problema é que é apenas e nada mais do que uma conjectura com base em um texto dúbio e não-histórico.

      A grande dificuldade disso tudo é que essas passagens bíblicas são produtos de um judaísmo posterior e por isso fica difícil não interpretá-los à luz do mesmo, responsável por redigir esses textos.

      Se existir mesmo alguma fonte antiga, gostaria de lê-la, talvez eu esteja perdendo algo que, no caso, seria novo para mim.

      Obg pela paciência, agradeço pelos comentário, esses debates enriquecem muito o blog. Abraço.

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    3. Oi, Eduardo. Tentarei responder dentro de minha parca cultura a respeito do assunto, ainda não tenho 10%(sem ironias ao dízimo!)de seu conhecimento! Não sei se é de alguma utilidade essa informação, mas aí fala da parte de Javé e seus deuses menores e esposa. http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/conheca-origem-deus-731356.shtml

      Acho que se fôssemos pegar algum texto judaico para tirar essa conclusão, seriam apenas os versículos bíblicos. Por exemplo, Abraão creditava literalmente que ele comungou com Yahweh antes da destruição de Sodoma? (Gn. cap. 18) Será que na cabeça de Abraão, SE ele realmente existiu, o divino poderia comer pão como se fosse um homem? Interessante que, no texto, apesar do patriarca chama-los de Yahweh, ele os descreve como איש (’iysh) “homens”, nesse caso apenas mensageiros de Yahweh e não o próprio. Jacó acreditava que havia literalmente lutado com Deus? (Gn. 33:24-31)
      R- Jacó chama de Javé e os descreve como homens, será que ao invés de pensarmos como os judeus ortodoxos, não poderiamos inferir que Jave estava lá junto com outros deuses menores? Será que quem escreveu essa passagem não acreditava que o panteão daquele lufar podia se comunicar fisicamente? Se não me engano Karen Armstrong fala em seu Uma história de Deus sobre isso, dessa interação física entre o povo hebreu, cananeu,... e seus Deuses, assim conversando face a face,comendo e ate brigando com eles!

      De resto, conclusões minhas, ou seja, sem valor histórico ou acadêmico! Abraço.
      Leandro

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    4. Olá Leandro,

      Muito obg pela resposta e pela referência. A grande Karen Armstrong já é bem conhecida nos círculos acadêmicos; vou dar uma olhada em seu livro para refrescar minha memória. O link enviado é algo já batido baseado no excelente livro acadêmico The Origins of Biblical israel's Polytheistic Background and the Ugaritic Texts de Mark S. Smith.

      Em resumo, creio que esse assunto dará uma boa postagem. Abraço!

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  3. Que bom que foi útil ao seu site, fico feliz! Abraço.

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  4. Sr. Eduardo,
    Tu não achas que examinar a fé através da razão é em si muito contraditório? Já que fé tem haver com crença, confiança então se você não crê em algo e não confia, não há o que se explicar, não há o que analisar,examinar, pois, simplesmente não se crê e nem se confia em algo. Tantos estudo para provar que a bíblia nada mais é do que uma coletânea de tantas outras histórias mitológicas de diversos povos já não implica que de certa forma quem faz esses estudos parece na verdade que crê (por isso fica buscando respostas)? Pois, eu não acredito e nem confio em fadas, então jamais faria um estudo sobre a existência ou não de fadas, e pouco me importa quem acredita, desde que essa pessoa não exija de mim tal crença, tá tudo certo.

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    1. Não acho, porque tudo depende do que se entende pelo vocábulo FÉ. No artigo Perdi a fé e agora? comento que a fé, em si, é algo muito salutar. No entanto, me refiro na primeira citação, no tema do blog, como a fé fundamentalista, irredutível, os dogmas. Se você pegar uma declaração de fé evangélica, verá que tem mais a ver com dogmas do que a fé em si, inclui trindade, inferno, etc.

      Realmente, pouco importa quem crê em fadas, e há quem creia, xuxa, por exemplo, por mais estúpido que pareça. Mas imagine uma religião que crê em fadas e que nos rituais matam seus próprios filhos, iriamos ficar calados?

      Algumas formas de cristianismo massacram a sociedade e as pessoas individualmente e quando se analisa os motivos pelos quais tais atos são feitos, ou seja, mitos, não podemos ficar calados. Atrocidades já foram feitos em nome da religião, Cruzadas, Inquisição, 11 de Setembro e por ai vai.

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    2. Concordo em partes, ainda que existam os dogmas, creio que ainda sim, se trata de fé, pois, é a crença, confiança nesses dogmas que pra tal pessoa fazem total sentido e não acho isso um problema, só acho um problema quando esses dogmas são impostos aos outros em forma de lei, ou seja, você tem que fazer isso e aquilo porque minha religião proíbe, se a outra pessoa não faz parte da religião não faz sentido para ela, porém, para quem está dentro faz total sentido, ai está a diferença de fé e mal uso da fé. Quanto a de repente existir uma religião em que os rituais, por exemplo, sejam de matar seus próprios filhos ou de outros, cabe a Lei do país em que essa religião existe tomar as devidas providências. Quanto a algumas formas de cristianismo a que você se refere acho que tem mais haver com as pessoas do que ao mito (religião), afinal, conhecendo o ser humano pela sua psicologia, é bem provável que essa pessoa já tem uma índole perversa e busca na religião algum respaldo para justificar seus atos, como conhecedor da bíblia você há de concordar que uma pessoa má intencionada pode muito bem, por exemplo, pegar um texto fora de contexto na bíblia para respaldar seus atos. Alguém por exemplo,que quer praticar a poligamia (mesmo sendo contra a lei brasileira) pode buscar textos na bíblia que justificam essa prática e da mesma forma desconsiderar textos em que diz que o homem deve ser marido de uma só mulher. Perceba como tudo vai da intenção da pessoa. Volto a repetir, a psicologia humana permite que ele justifique seus atos através da religião, politica, filosofia, ou nos próprios instintos, é igual como quando um homem quer trair, a maioria diz: "É que sou homem", como se ao gênero masculino fosse impossível a monogamia e independesse da sua vontade. Não seria melhor a esse homem apenas dizer: "Trai porque quis, me deu vontade", ao invés de buscar explicações biológicas para seu ato? Esse simples exemplo nos mostra como a mente humana busca todo o tipo de desculpa para seus atos, com a religião não seria diferente, afinal porque não praticar o que a religião tem de bom e sim só o que supostamente tem de mal, é a escolha da pessoa que decide isso!

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    3. Me desculpa a pergunta e juro que ela é sincera. Você falou muito de psicologia para respaldar seu argumento; você tem formação na área? Ou é apenas uma interpretação de alguém de fora, baseado em leituras, etc? Se não, se for apenas uma opinião, você tem alguma referência de especialistas no assunto?

      Espero uma resposta sobre essas perguntas. Steven Piker, Professor de Psicologia da Universidade de Havard, autor do livro Como a Mente Funciona, discorda dessa sua visão. Voltando ao assunto, algumas pessoas podem até usar a religião como desculpa para sua própria índole má, como acredito ser o caso de Feliciano e tantos outros pastores por ai, mas isso é mais exceção do que regra, até me seria uma ofensa crer nisso, pois membros da minha família - bons cidadãos e de sã consciência - morreriam e não tomariam transfusão de sangue porque a religião prega que isso é pecado e prega isso através de um raciocínio sofístico da qual poucos não concordariam... deveria crer que, na verdade, eles querem morrer e estão fazendo uso do mito para respaldar um desejo homicida?

      A religião é a única coisa no mundo que tem o poder de fazer uma pessoa boa cometer atos horríveis, pois o mesmo tem fé e acredita que isso é o certo.

      “A religião é um insulto à dignidade humana, sem ela, teríamos pessoas boas fazendo coisas boas, e pessoas más fazendo coisas más. Mas, para pessoas boas fazerem coisas más é necessário a religião.” Steven Wineburg

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    4. Antes de responder a sua pergunta, gostaria (sinceramente) de saber de ti.
      - A religião é um mal em si?
      - Quem criou a religião foram os seres humanos ou seres de outros planetas ou deus(es) como queira?

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    5. Bom, vou te responder sem argumentos mais sofisticados e referências, embora possa fazê-lo caso deseje. Nosso cérebro trabalha por associações, que lincam as sinapses criando um sistema de crença.

      Creio que o sistema religioso é como o sistema mitológico, existe para dar-nos respostas para o incognoscível. Fatores variados levaram a existência das variadas formas de religião.

      Não obstante, todas elas podem caminhar para um denominador comum, que é a consciência coletiva e a nossa natureza espiritual.

      Preciso de muito mais espaço para responder sua pergunta satisfatoriamente, pois isso exigiria a explicação do big bang cerebral, a evolução biológica darwiana, e quem sabe até mesmo essa tal de teoria dos antigos astronautas.

      Não acho que a religião seja uma maldade em si, penso em partes que “as religiões são um mal necessário, mas me pergunto porque quase sempre são mais mal que necessárias”. (A.C Clarke) Acredito que algumas formas de religião podem até ser 100% inofensivas, já outras...

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  5. Em relação aos relatos dos evangelhos se eles são farsas ou seja, foram adulterados e se não passam de cópias de outros relatos pagãos. Por que é que, na sua opinião, as pessoas acreditam nessas mentiras a mais de dois mil anos? Por que é que milhares morreram acreditando nessa farsa? Por que é que nosso calendário segue de acordo com o nascimento de um Jesus que nunca existiu, e se existiu, não passava de um homem comum? Por que é que as autoridades não usam esses estudos que provam que o cristianismo é uma grande farsa e revê o calendário e admita publicamente que esse Jesus nunca existiu? A igreja Católica é tão poderosa assim para influenciar todos os governos? Todas as pessoas que mesmo com essas provas de farsa, que ainda continuam a crer, são todas burras, alienadas e desprovidas de razão (então pessoas de sua família que ainda creem são alienadas)? Qual a razão de tudo isso? Acha que a bíblia toda é uma farsa e não tem valia nenhuma pra humanidade? Por que é que estudiosos capacitados como o senhor ainda leem a bíblia? A fé é burra então se examinada pela razão? Me desculpe, mas, tenho muitas dessas dúvidas e não entendo como razão tem haver com fé, quem tem fé não tem razão e quem não tem razão não tem fé?

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    1. Vou responder todas essas perguntas em um artigo. Acompanhe o blog. Abraço e seja sempre bem-vindo!

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