sexta-feira, 8 de março de 2013

Daniel 9:24 Profetiza o Sacrifício Expiatório de Jesus?
por Eduardo Galvão

Daniel, Profecias, Jesus, Sacrifício
No artigo anterior, Daniel 9:26 Descreve a Crucificação e a Destruição do Templo? argumentei que esse texto é uma produção literária do século II a.C. escrito de forma a parecer uma profecia, e que, posteriormente, os cristãos passaram a ver nessas palavras um encaixe perfeito na crucificação de Jesus e na subsequente destruição do templo em 70 d. C. pelo exército romano liderado pelo general Tito.

Em resposta ao artigo, foi me perguntado como o Messias de Daniel 9:26 poderia se referir ao então Sumo Sacerdote Onias III, uma vez que no versículo 24, do mesmo capítulo de Daniel, nos é dito que sua morte expiaria os pecados da nação bem como eliminaria os sacrifícios de Israel. Nas palavras do leitor:

Como Onias “trouxe a justiça eterna”, no v.24, “acabando com os sacrifícios”, no v.27; já que depois dele ainda continuaram os sacrifícios???
Para responder, vamos então à análise do v. 24 e posteriormente, em outra postagem, irei argumentar o sentido do v. 27.

1§ Análise Exegética de Daniel 9:24

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos.” (Daniel 9:24, Bíblia de Estudo SHEDD)
24.a. Setenta semanas... שׁבעים שׁבעים (shâbu‛ı̂ym shı̂b‛ı̂ym) Vulgata, Septuaginta hebdomades. Da mesma forma, Teodocião, Ἑβδομήκοντα ἑβδομάδες (Hebdomēkonta hebdomades) Embora mencionado no artigo anterior, repito, deixo a babel de interpretações messiânico-cronológicas para os teólogos fundamentalistas cristãos digladiarem entre si.

24.b. Estão determinadas... (נחתך nechettak de חתך châtak), literalmente “cortar”, “separar”, ocorre apenas aqui em todo o Antigo Testamento. Essas palavras significam que esse período cronológico seria designado para o cumprimento das palavras a seguir.

24.c. Sobre o teu povo... O povo escolhido de Yahweh. Perceba que Deus não falou “meu povo”, expressão mais comum em hebraico. Isso ocorre devido os pecados da nação.

24.d. E sobre a tua santa cidade... O povo de Yahweh que estava por completo relacionado com a cidade santa, Jerusalém.

24.e. Para fazer cessar a transgressão,... O verbo hebraico “cessar” כּלא (kâlâ’) usado em Daniel 9:24, ocorre cerca de 18 vezes no Antigo Testamento: Gen 8:2; 23:6; Exo 36:6; Num 11:28; 1Sa 6:10; 1Sa 25:33; Sl 40:9; 11; 88:8; 119:101; Ecl 8:8; Isa 43:6; Jer 32:2; 3; Eze 31:15; Dan 9:24; Ag 1:10.

Em Gn 8.2 é usado em relação ao fim do dilúvio, quando “a copiosa chuva dos céus se deteve” (SHEDD), “e assim se conteve o aguaceiro [vindo] do céu.” (NM), “e a chuva dos céus deteve-se.” (ARC), “Ele também cerou o céu e a chuva parou.” (CEV), “a chuva parou” (GNB)

Em Êx. 36.6, quando o povo trás ofertas para Yahweh em abundância, Moisés pede para estes pararem mais dádivas, pois já era o suficiente e “com isso se conteve o povo de trazê-lo” (NM) “Assim, o povo foi proibido de trazer mais” (ARC), “assim o povo não trouxe mais.” (GNB) “então o povo parou de trazer dádivas.” (GW), “e o povo se conteve de trazer” (LITV), “assim o povo foi impedido de trazer mais.” (NVI) “Assim o povo foi proibido de trazer mais.” (BJ)

Em Nm. 11.28, quando alguns compatriotas passam a agir como se fossem profetas, Josué fica com ciúmes e diz a Moisés que impedisse essas pessoas de agirem como tais, pois apenas Moisés deveria ser o profeta da nação. Dessa forma, Josué exclama: “Meu senhor Moisés, reprime-os!” (NM) “Senhor meu, Moisés, proíbe-os.” (BJ, NVI) “senhor, você deve pará-los!” (CEV) “Meus senhor Moisés, páre-os.” (ESV)

Em relação à proclamação da glória de Yahweh, o salmista cantou no Sl. 40.9, “Eis que contenho meus lábios.” (NM), “eis que não retive os meus lábios” (ARC), “não fecharei meus lábios.” (GW), “eis que não fecho meus lábios” (BJ) “como sabes, SENHOR, não fecho os meus lábios” (NVI)

Falando de sua condição de sofrimento, o salmista cantou no Sl. 88.8, “estou restrito e não posso sair” (NM), “estou como um preso que não pode sair” (NVI), “estou fechado e não posso sair” (BJ) “estou preso e não vejo como sair” (SHEDD), “restrito, não sou capaz de sair” (ISV).

Falando sobre a natureza e incapacidade humanas, Ec. 8.8 comenta que somos incapazes de controlar nossas vidas, usando expressões como “reprimir o espírito” (NM), “nenhum homem tem poder sobre o vento para contê-lo;” (NIV), “reter o espírito” (ASV), “não está no poder do homem parar o espírito” (RHE), “prevenir seu espírito de vida de sair.” (GW), “ninguém pode controlar o vento ou trancá-lo em uma caixa.” (MSG)

Como observado nesses exemplos, o verbo hebraico tem o sentido de “fazer parar algo que está em andamento, em execução.” É uma força ativa que “interrompe o processo de alguma ação em andamento”.

“O sentido básico desta raiz é o de “restringir o fluxo ou movimento de uma coisa ou pessoa.” (Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 718)

“Parece que kala’ indica a interrupção daquilo que está em andamento ou estaria naturalmente em andamento.” (Ibidem)


“restringir” (Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon, Unabridged)


“Essa raiz é também muito amplamente estendida nas línguas orientais, no significado de “fechar”” (Friedrich Wilhelm Gesenius)


“Concordemente, Kethiv sozinho deve ser adotado como correto, e a primeira passagem deve ser traduzida assim: fechou a transgressão. כָּלָא significa conter, segurar, prender, manter na prisão, fechar, trancafiar; portanto, כֶּלֶא, uma prisão, jaula. Prender a iniquidade ou fechá-la não significa perdoá-la, mas mergulhá-la, ocultá-la de forma que não possa mais se espalhar.” (Keil & Delitzsch)

Os tradutores cristãos alteram o sentido para que o leitor veja nessas palavras o trabalho expiatório de Jesus encontrado no Novo Testamento. Outra obra comenta:

Kala’ é um verbo encontrado em dezoito contextos significando “fechar”, “restringir” com várias nuanças relacionadas. Uma dessas nuanças é o sentido de “terminar”, encontrado apenas em Daniel 9:24...” (Expository Dictionary of Bible Words, p. 385)

Perceberam? O escritor diz claramente que, em sua totalidade de ocorrências, o sentido do verbo é de “restringir algo em progresso” e que a tradução em Daniel é uma “nuança no verbo” e isso ocorre apenas nessa profecia. Nesse caso, é fácil vermos porquê esse texto é traduzido exclusivamente dessa forma; a saber, dar a entender aos leitores modernos que esta é uma profecia messiânica genuína que se cumpriu em Jesus Cristo.

24.f. Para dar fim aos pecados,... O verbo hebraico traduzido aqui por “dar fim” חתם (chatham) ocorre 4 vezes em Daniel: 9:24; 12:4 “encerra as palavras” (SHEDD) “guardar em segredo” (NM) “matém lacrado” (BJ); Dan_12:9 “encerradas” (SHEDD) “guardadas em segredo” (NM) “fecha estas palavras” (ARC) “manter a mensagem desse livro em segredo” (CEV) “esconder as coisas” (YLT) “lacradas” (BJ).

O mesmo vocábulo ocorre mais 23 vezes no restante do Antigo Testamento: Lev 15:3 “estanca o seu fluxo” (ARC); “retenha” (BJ) Deu_32:34 “Não está isso encerrado comigo” (ARC) “armazenado para mim” (Breton) “trancou” (CEV) “isso não é o que eu armazenei à chave?” (GW) “guardado em reserva” (ISV) “não está isso guardado comigo” (SHEDD e NM) “sigilado” (BJ); 1Rs 21:8 “selou” (NM e praticamente todas as versões); Ne 9:38 “selaram-no os nossos príncipes” (ARC) “colocaram seu selo nele” (Breton) “selaram-na” (SHEDD); Ne 10:1 “selaram” (NM); Est 3:12 “selou” (SHEDD); Est 8:8 “selai-o” (SHEDD); Est 8:10 “se selou” (SHEDD); Jó 9:7 “sela” (SHEDD); 14:17 “selada num saco” (SHEDD); 24:16 “encerrados” (SHEDD); 33:16 “guardar tua alma da cova” (SHEDD); 37:7 “sela tuas mão” (KJ) “torna ele inativa as tuas mãos” (SHEDD); Son_4:12 “fonte selada” (SHEDD); Isa_8:16 “sela a lei no teu coração” (SHEDD); Isa_29:11 “livro selado” (SHEDD); Jer_32:10 “fechai-a com selo” (SHEDD); Jer 32:11 “selada” (SHEDD); Jer 32:14 “selada”; Jer 32:44 “fecharão com selos” (SHEDD); Eze 28:12 “uma selo” (LXX).

A diferença aqui no texto e a nota marginal ergue-se de uma diferença nas leituras no hebraico. A leitura comum no texto é חתם châthēm - de חתם châtham - “selar”. Mas, o hebraico na leitura marginal é uma palavra diferente - התם hâthēm, de תמם tâmam - “completar, aperfeiçoar, acabar”. A “pontuação” na palavra do texto חתם châtēm não é uma pontuação correta dessa palavra, que teria sido חתם chetom, mas os Massoretas, que não é algo infrequente, deram para a palavra a pontuação de uma outra que eles colocaram na margem. A leitura marginal é encontrada em cinquenta e cinco manuscritos (Lengerke), mas o peso da autoridade é decididamente a favor da leitura do texto hebraico – “selar”, e não “terminar”, como está em nossas traduções.” (Albert Barnes)

Selar a mão do homem de forma que ele não possa trabalhar com ela (no inverno)” (Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon, Unabridged)


“...a ideia poderia ser que a transgressão não é completamente parada, mas amenizada.” (The New American Commentary, p. 259)


“Se os pecados estão selados, eles estão, por outro lado, sob a custódia, de forma que eles não podem mais ser ativos ou aumentar, mas que possam, assim, estarem guardados e retidos, para que não possa mais serem perdoados ou apagados.” (Keil & Delitzsch)


As outras duas expressões definem mais de perto como a fonte de onde surge a apostasia será encerrada, a continuação do pecado impedida. Isso acontece de uma maneira com os incrédulos, e de uma maneira diferente com os crentes. Os pecados dos descrentes são selados, são guardados de forma segura sob um selo, para que eles não possam mais se espalhar e aumentar, nem mais ser ativos e operantes, mas os pecados dos crentes são perdoados através de uma reconciliação." (Ibidem)


“A leitura hebraica , “selar”, ou seja, ocultar da vista (do costume de selar coisas para ficarem escondidas, compare com Jó 9:7, é melhor apoiado.” (Jamieson, Fausset e Brown)


“E quando a apostasia é presa, de forma que não pode mais se espalhar, então a justiça será trazida, para que possa possuir a terra, agora livre de pecado…”” (Ibidem)


24.g. Para expiar a iniqüdade,... “Expiar” כָּפַּר (kapar) ocorre cerca de 102 vezes no Antigo Testamento. Esse verbo pode ter várias traduções correlatas, todas as possíveis traduções estão relacionadas com o perdão de pecados.


kapar (כָּפַּר, H3722), «cobrir, expiar, propiciar, pacificar». Esta raiz se encontra em todos os períodos da história da língua hebraica. Talvez a conhecemos melhor pelo termo Yôm Kippur, “Dia da Expiação”... A maioria das vezes que o vocábulo se usa no sentido teológico de “cobrir”, normalmente com sangue de holocausto, com a finalidade de expiar algum pecado. Não fica bem claro se este “encobrimento” esconde o pecado da vista de Deus ou se implica que, nesse processo, o pecado é perdoado.” (VINE)


Tomando as palavras de Vine em destaque, lembre-se que os verbos anteriores não estão relacionados com o perdão dos justos e sim com o impedimento do progresso da iniquidade em Israel. Dessa forma, é somente natural concluirmos que esse ato de expiar a iniquidade acompanhe a mesma linha ideológico-lexical, ou seja, que Yahweh ocultaria essa iniquidade, não permitindo que a mesma ocorresse novamente.

“1) cobrir, purificar, fazer expiação, fazer reconciliação, cobrir com betume 1a) (Qal) cobrir ou passar uma camada de betume 1b) (Piel) 1b1) encobrir, pacificar, propiciar 1b2) cobrir, expiar pelo pecado, fazer expiação por 1b3) cobrir, expiar pelo pecado e por pessoas através de ritos legais 1c) (Pual) 1c1) ser coberto 1c2) fazer expiação por 1d) (Hitpael) ser coberto” (Brown)

(II) כפר PIEL: 1) Apaziguar: ajapráh fanáv ba-minjáh = apaziguarei seu rosto (ou sua ira) com o presente (Gn 32:21). 2) Fazer compensação: ba-máh ajapér = com o que fará compensação? (2Sa 21:3). 3) fazer expiação (Éxo 32:30; Jer 18:23). — ha-dam ba-néfesh yejapér = o sangue pela pessoa faz expiação (Lev 17:11). 4) Perdoar (Sal. 65:4/Sal 65:3). — Perf. כִּפֶּר; Impf. יְכַפֵּר; Impv. כַּפֵּר; Inf. כַּפֵּר; Suf. כַּפְּרִי. PUAL: 1) Ser perdonado, ser expiado (Isa 6:7). 2) Ser coberto, ser anulado (Isa 28:18). — Perf. כֻּפַּר; Impf. יְכֻפַּר. HITPAEL: Poder ser expiado (1Sa_3:14). — Impf. יִתְכַּפֵּר. NITPAEL: Ser perdoado, ser expiado (Deu 21:8). — Perf. נִכַּפֵּר. (CHÁVEZ)


“Cobrir pecados”, “obter perdão”(Hebrew and Chaldee Lexicon de Friedrich Wilhelm Gesenius)


24.h. Para trazer a justiça eterna,... “Eterna” é a tradução hebraica da palavra עולם (‘owlam) ou עלם (‘olam), que possui a ideia de algo de “longa duração”. O lexicógrafo Gesenius atribui-lhe o significado de “tempo oculto, i.e., obscuro e longo, cujo princípio ou fim é incerto ou indefinido”. (A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, traduzido para o inglês por E. Robinson, 1836, p. 746) A Tradução do Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová, verte apropriadamente por “tempo indefinido”.

A palavra עלם (‘olam) ocorre cerca de 438 vezes no Antigo Testamento. Infelizmente, muitos têm uma ideia completamente errada dessa palavra, uma vez que pensam significar ela a mesma coisa que a nossa palavra portuguesa “sempre”, ou “eterno”. Vejamos alguns de seus usos antes de analisarmos o que dizem os especialistas, para vermos no uso empírico-literário seu valor semântico.

Falando sobre a relação entre senhor e escravo, a lei Mosaica dizia em relação à um escravo que desejava continuar servindo seu amo:

“Então, seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá para sempre.” (Êxodo 21:6)
É inconcebível achar que o escravo iria servir seu amo “para sempre”, por toda eternidade. Os seres humanos morrem, verdade esse desnecessária de se provar aqui. Dessa forma, “para sempre aqui significa “por toda sua vida”, “por um período longo de tempo”. O mesmo ocorre em todos esses versículos abaixo:
“Na tenda da congregação fora do véu, que está diante do Testemunho, Arão e seus filhos as porão em ordem, desde a tarde até pela manhã, perante o SENHOR; um estatuto perpétuo será este, pelas suas gerações, aos filhos de Israel.” (Êx. 27:21)
“Porém Ana não subiu, mas disse a seu marido: Quando o menino for desmamado, então, o levarei, para que apareça perante o SENHOR e lá fique para sempre.” (1 Sm. 1:20) 
“Certamente, te edifiquei uma casa para morada, assento para a tua eterna habitação.” (1 Rs 8:13, sabemos que o Templo foi destruído, portanto não era eterno.)
Analisando esses textos, observamos claramente que “eterno” originalmente significa apenas algo de longa duração. 

Existe uma infinidade de estudos acadêmicos em inglês, francês e alemão pela internet que provam, de forma conclusiva, que essa palavra foi muito mal traduzida para as línguas modernas, inclusive o português. Iremos analisar algumas citações de especialistas da língua hebraica, pessoas que dedicaram à vida estudando esse idioma belíssimo.

“No hebraico antigo, as palavras que são usadas para descrever distância e direção são usadas também para descrever o tempo. A palavra hebraica para leste é qedem e significa literalmente “na direção do sol nascente”. Nós usamos o norte como nossa orientação principal, tal como em mapas que são sempre orientados para o norte. Enquanto usamos a norte como nossa direção principal, os hebreus usavam o leste, e todas as direções estão orientadas para essa direção. Por exemplo, uma das palavras para o sul é teyman do significado da raiz yaman “para a direita”. A palavra qedem é também a palavra usada para o passado. Na mente hebraica antiga, o passado está na sua frente enquanto o futuro está atrás de você, a forma oposta é como pensamos no passado e futuro. A palavra hebraica ‘olam significa “ao longe”. Ao olhar para muito longe, é difícil de entender todos os detalhes e o que está além do horizonte não pode ser visto. Este conceito é ‘olam. A palavra ‘olam também é usada para o tempo, referindo-se ao passado distante ou futuro distante, como um tempo em que é difícil saber ou perceber. Esta palavra é frequentemente traduzida como “eternidade” ou “para sempre, mas no idioma português é mal interpretado no sentido de um período contínuo de tempo que nunca termina. Na mente hebraica é simplesmente o que está no limite ou além do horizonte, um tempo muito distante. Uma frase comum no hebraico é “l’olam va’ed” e é geralmente traduzida como “para todo o sempre”, mas no hebraico significa “o horizonte distante e além”, significando “um tempo muito distante e ainda mais” e é usada para expressar a ideia de um tempo muito antigo ou futuro.” (Ancient Hebrew Word Meanings, Eternity - Olam de Jeff A. Benner.)

“Se pensa que olam (owlam) estava relacionada com o verbo alam que aparentemente significava algo como “esconder da vista”. O significado idiomático de olam talvez fosse “de longa duração, de forma que o princípio ou o fim de algo não possa ser visto” (de um ponto de vista humano relativamente curto e estreito). Em alguns casos, “de longa duração” pode ser uma tradução apropriada em português para olam.” (On the meaning of the old Hebrew word olam)


“No texto grego antigo da Septuaginta (LXX), o hebraico antigo olam é, na maioria das vezes, traduzido como aiôn ou (às vezes) aiônios. O Intermediate Greek-English Lexicon de Henry George Liddell e Robert Scott mostra que a antiga palavra grega aiôn significava “um período de existência”, tal como “duração de vida”, “vida”, “uma era”, “geração”, “posteridade” (ho mellôn aiôn), “um espaço longo de tempo”, “de outrora”, “por eras” (ap’ aiônos), “um tempo definido no tempo”, “uma era”, “época”, “período”, e assim por diante.” (Ibidem)

“O significado da palavra não se restringe ao futuro. Existem pelo menos 20 casos em que claramente se refere ao passado. Tais passagens em geral apontam para algo que parece estar num passado remoto, mas raramente – provavelmente nunca – designam um passado sem fim.” (Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 1126)

Nenhum desses textos transmite a idéia de infinitude ou de ausência de limite temporal, mas cada uma delas aponta para uma época muito anterior ao conhecimento imediato daqueles que viviam no referido contexto.” (Ibidem)

“A LXX em geral traduz ‘õlãm por aiõn, que tem essencialmente a mesma gama de significados. Nem o vocábulo hebraico nem o grego contêm em si mesmos a idéia de infinitude.” (Ibidem, p. 1127)

“Ambas palavras denotam a ideia abstrata de tempo e com especial referência à sua extensão ou duração; χρόνος é a designação geral para tempo, que pode ser dividido em porções, cada um dos quais, por sua vez, é um χρόνος; por outro lado, αἰών, que é a linguagem concreta e simples de Homero (Pindar e as Tragédias) denota o tempo de vida previsto, mesmo a vida, do indivíduo.” (Greek-English Lexicon of the New Testament de Grimm Wilke Clavis p. 20)

Certo e determinado período da história, do mundo, quer passado, quer futuro, 1 Co 10.11; Efésios, 2. 7; 3. 9; Hb 6. 5.” (Dicionário da Bíblia, de John D. Davis, p. 283)

Vida; também no uso clássico e no N.T... era, i.e um período indefinidamente longo.” (A Greek Lexicon to the New Testament, Charles Robson, Whittaker and Co., Ave-Maria Lane, p. 12, 1839)

“Assim, a ideia de prolongado mas não de tempo sem fim está também presente na formula αἰών.” (Theological Dictionary of the New Testament, p. 199)

“A LXX usa αἰών para traduzir termos entre os quais os mais importantes são עולם … . Enquanto que αἰών sempre contém a ideia de uma prolongação de tempo, na primeira instância עולם significa apenas “escondido” ou “tempo distante” pertencendo ao passado e futuro remoto e inescrutável do ponto de vista do presente.” (Ibidem)

Dessa forma, como visto pelos versículos acima, bem como a opinião de diversos eruditos e especialista na língua hebraica e grega, esse é o significado original da palavra.

24.j. E para ungir o Santo dos Santos. “Ungir” משח (mashach) 71 vezes: Gen 31:13; Exo 28:41; 29:2; 7; 29; 36; 30:26; 30; 40:9; 10; 11; 13; 15; Lev 2:4; 6:20; 7:12; 7:36; 8:10; 8:11; 8:12; 16:32; Num_3:3; 6:15; 7:1; 7:10; 7:84; 7:88; 35:25; Jz 9:8; 9:15; 1Sm 9:16; 10:1; 15:1; 15:17; 16:3; 16:12; 16:13; 2Sm 2:4; 2:7; 3:39; 5:3; 5:17; 12:7; 19:10; 1Rs 1:34; 1:39;1:45; 5:1; 19:15;19:16; 2Rs 9:3; 9:6; 9:12; 11:12; 23:30; 1Cr. 11:3; 14:8; 29:22; 2Cr. 22:7; 23:11; Sl 45:7; 89:20; Isa 21:5; 61:1; Jer 22:14; Dan 9:24; Amo 6:6. A expressão “Santo dos Santos” (קדשׁים קדשׁ qôdesh qādāshı̂ym) sempre é usada no Antigo Testamento em relação ao compartimento do Templo. Querer atribuir a expressão à Jesus é uma forma de tipologia totalmente tendenciosa e puramente cristã.

“Muito mais satisfatório é o pensamento que nas palavras “ungir um קֳדָשִׁים קֹדֶשׁ” a referência é a unção de um novo santuário, templo, ou lugar mais sagrado.” (Keil & Delitzsch)

“Primariamente, “ungir”, ou consagrar depois de sua poluição, “o Santíssimo” lugar…” (Jamieson, Fausset e Brown)

2§ Análise Histórico-Crítica Textual

Já que temos o valor exegético-lexical dos vocábulos em uso nessa pseudo profecia, iremos agora entender como essas palavras são uma descrição dos eventos históricos nos dias do Sumo Sacerdote Onias III no segundo século a.C.

O significado da duração das “setenta semanas” é totalmente conturbado. Existem inúmeras escolas de interpretação cronológica entre os cristãos. Alguns creem ser 70 semanas literais, outros simbólicas, e assim vai a perder de vista. Como disse recentemente, não tenho paciência para esses cálculos esdrúxulos de cristãos tentando encaixar essas profecias na vida de Jesus e em nossos dias. Portanto, deixarei para os religiosos fundamentalistas se digladiarem para entender algo que, afinal, morreu na mente do escritor judeu há mais de 2.000 anos atrás.

Esse período profético foi determinado divinamente para o povo de Yahweh, cuja existência e perpetuação estavam nitidamente vinculadas à cidade Santa de Jerusalém e seu Templo. É digno de nota que em todo versículo 24 as palavras estão relacionadas ao “povo”, “santa cidade” e o “Santo dos Santos”; em outras palavras, em nenhum momento desse versículo vemos uma atribuição ao Messias, termo técnico usado diretamente apenas no v. 26.

A duração dessas semanas proféticas tinha seis objetivos específicos:

Objetivo 1: Fazer Cessar a Transgressão.

Sabemos que 99% das traduções da Bíblia que temos no mercado são produzidas por instituições cristãs ou eruditos cristãos independentes. Consequentemente, podemos observar claramente a manipulação textual durante a tradução para inculcar na mente do leitor moderno a falsa concepção de profecias e outros ensinos usados para provar a inspiração da Bíblia.

Se pegarmos um cristão qualquer, mesmo o menos instruído e informado, e indagarmos sobre sua fé, ele saberá muito bem dizer que “Jesus morreu pelos nossos pecados” (1 Cor. 15:3), que a crucificação de Jesus “pôs fim as nossas transgressões”. Dessa forma, quando este lê no Antigo Testamento, especificamente Daniel 9.24, que Deus profetizou “cessar a transgressão” de Seu povo, o que mais ele poderia ver, senão uma profecia genuína do sacrifício expiatório de Jesus Cristo?

Sabemos muito bem que o tradutor, por vezes, pode ser também um grande traidor. Observaremos que os tradutores cristãos adulteraram, através da tradução para as línguas vernaculares, o significado do original hebraico com o objetivo de criar uma concepção cristológico-profética no leitor moderno.

Vimos no início da abordagem lexical (24.a), que, na verdade, o verbo hebraico significa “reter”, “parar algo em andamento”. Além disso, o sentido do verbo não é que Deus iria “expurgar” o pecado dos justos, mas, ao invés disso, que Ele iria fazer “parar os erros” que estavam sendo cometidos dentro de Israel, pelos iníquos. Em outras palavras, as “transgressões” aqui são dos iníquos, e não dos justos entre o povo de Yahweh, muito menos dos cristãos futuros ao aceitarem Cristo como Salvador.

Em que sentido as transgressões foram “restritas”, “bloqueadas” durante o tempo da conquista helênica por Antíoco? Ora, como todos nós sabemos, a cultura grega tinha dominado a nação santa, poluído a religião judaica, bem como o templo. (Cf. 2Mac. 6:3-9) Esse foi o tempo em que mais a nação dedicada de Yahweh esteve mergulhada em pecados crassos, de acordo com a Lei Mosaica.

O que o escritor “profetiza” é que as “transgressões” cometidas nesse período iriam cessar, Deus iria intervir nessa abominação que acometera ao povo santo e a sua cidade e, dessa forma, “restringir”, “bloquear” suas transgressões.

Objetivo 2: Dar Fim aos Pecados.

Ao invés de “dar fim aos pecados” cujo significado remete o leitor cristão ao sacrifício de Jesus, que levou sobre si as nossas transgressões, como diz a Teologia Neotestamentária, o expressão deve ser traduzida “selou, lacrou, reteve, incapacitou os pecados”. Assim, Yahweh não iria mais permitir que tamanhas desolações morais e espirituais se espalhassem qual gangrena infecciosa sobre o povo escolhido e a cidade santa, pecados esses que, como mencionado acima, estavam ocorrendo em grande escala entre os judeus do séc. II a.C.

“Esses períodos servirão para trazer um fim à rebelião, parar o pecado e perdoar transgressões.” (Dn. 9:24 na versão GW)

Objetivo 3: Expiar a Iniquidade.

Talvez esse verbo seja o que mais os cristãos podem apontar para a aplicação em Jesus Cristo, posto que “expiar” pecados era um dos objetivos do sacrifício propiciatório de Jesus de acordo com a Teologia do Novo Testamento. Mais uma vez quero repetir: Em canto algum nesse versículo esses verbos estão relacionados com “o Messias” mencionado em Daniel 9:26, são coisas “profetizadas” que seriam executadas diretamente por Deus.

Adiantando o sentido completo dessa “profecia” de Daniel 9:24, o escritor está relatando as coisas que estavam acontecendo em seus dias, que, entre inúmeras coisas, se esperava a rededicação do Templo e a purificação do Santíssimo. Dessa forma, depois que Yahweh eliminasse, impedisse o progresso e acabasse com as ações iníquas em Israel, Ele iria fazer expiação pelo Seu povo quando eles rededicassem o Templo e o altar à Deus, altar esse usado para os sacrifício de expiação pelos pecados do povo.

Lembrando a análise lexical feita acima, a grande probabilidade também é que esse ato de expiar a iniquidade esteja, na verdade, relacionado a eliminação e ocultação dos pecados pelos gentios e judeus apostatas. Eu prefiro essa interpretação, uma vez que todos os verbos anteriores ao verbo “expiar” estão descrevendo o ato de Yahweh de impedir a propagação da apostasia na cidade santa. Além disso, perceba que a expiação aqui está atrelada a palavra “iniquidade” e, teologicamente, Yahweh não perdoa iniquidades, ou seja, maldade proposital, mas apenas os pecados dos justos devido suas imperfeições.

Objetivo 4: Trazer a Justiça Eterna

Uma vez que os cristãos olham o versículo tendo Jesus em mente, estes acreditam que essas palavras só poderiam se cumprir nele, pois somente Jesus trouxe “justiça eterna”. Para início de conversa, desde o tempo de cristão, sempre me perguntava que “justiça eterna” é essa se o mundo que olhamos em volta está repleto de iniquidades. Se a morte de Jesus trouxe justiça eterna, por que o mundo está ainda mergulhado em atrocidades? As Cruzadas são emblemas dessa “justiça eterna”?

Mais uma vez, o sentido está claro nos originais e se aplica aos dias do escritor durante o século II a.C. O vocábulo “eterno” significa apenas “algo de longa duração” e nem sempre significa esse eterno absoluto que a maioria das pessoas tem em mente. O texto apenas diz que, depois que Yahweh restringisse os erros dos gentios helênicos e de alguns apostatas judeus, eliminasse o pecado da nação e fizesse expiação no Templo rededicado, iria se iniciar em Israel um período de paz, onde a justiça das leis divinas voltaria a ser usufruída. E, como bem sabemos, isso aconteceu nos dias dos Macabeus, com a rededicação do Templo em Jerusalém. (Ensino de Sião)

Objetivo 5: Selar a Visão e a Profecia.

Como o escritor retrata os acontecimentos históricos de seus dias, fazendo-os parecer uma profecia genuína, não precisamos comentar essa expressão, pois ela não tem qualquer valor histórico.

Objetivo 6: Ungir o Santo dos Santos.

Perceba que, até o final desse versículo, morte alguma de um Messias é mencionada como expiação de pecados. Em momento algum o escritor usou a expressão técnica “o Messias”, como em Dn 9.26, dizendo que este iria realizar “expiação” pelos pecados de alguém e, por outro lado, quando a morte de um Messias é mencionada, em Daniel 9:26, nada é mencionado em relação à propiciação por pecados. Juntar o versículo 24 e depois o 26 e engendrar um conceito cristológico de um messias que iria morrer pelos pecados da humanidade é violar o sentido judaico original em prol de messiologia cristã veterotestamentária.

Eis o ponto que fica claro, mesmo na tradução deturpada dos cristãos, de que esse versículo nada tem a ver com Jesus Cristo: As expressões mal traduzidas deles, “cessar a transgressões”, “pôr fim ao pecado”, “expiar a iniquidade”, ocorrem numa sequência que antecede a expressão “ungir o Santo dos Santos”. Para os fundamentalistas, Jesus Cristo é o “Santo dos Santos” e sua unção se refere ao batismo, onde o mesmo recebeu Espírito Santo e foi “ungido” como Cristo. (Adventistas Bereanos)

No entanto, como a “expiação da iniquidade” poderia anteceder a unção de Jesus como Cristo? Por qual motivo a expiação pelos pecados está nesse versículo atrelada à unção de “Jesus”, uma vez que a expiação veio pela sua morte?

Mesmo usando a tradução adulterada cristã, vemos pela própria cronologia dos eventos narrados em Daniel 9:24 que essas palavras nada tem a ver com Jesus. O Santo dos Santos, ou Santíssimo, é, na verdade, um compartimento do Templo. Este, por sua vez, tinha sido vituperado por Antíoco Epifânio IV. (Cf. 1 Mc. 1.36-37) Quando os Judeus purificassem o Templo e o Santíssimo, os sacrifícios iriam voltar a ser feitos de forma apropriada, sacrifícios esses que fariam expiação pela iniquidade de Israel, se esse for o sentido do verbo, de acordo com a exegese (24.g).

Alguns cristãos são bem honestos, honestos o suficiente para admitir ser esse o significado de Dn 9:24, onde lemos na versão God’s Word:

“Sete vezes setenta anos é a duração de tempo que Deus estabeleceu para livrar seu povo e sua cidade santa do pecado e da iniquidade. O pecado será perdoado e a justiça eternal estabelecida, para que a visão e a profecia venham a se cumprir, e o Templo santo será rededicado.

3§ Conclusão

Daniel 9:24 não profetiza o sacrifício expiatório de Jesus Cristo e nem é uma profecia genuína. O escritor desse versículo está apenas descrevendo os eventos históricos dos seus dias em estilo profético. Resgatando o significado original em hebraico, eliminando o pó da deturpação fundamentalista cristã  que velou o sentido durante séculos, traduzirei e concluirei o texto com comentários relativos aos dias de Onias III, sendo essa sua intenção original.

“Setenta semanas... o tempo que deveria ocorrer até o acontecimento mencionado a seguir são determinadas... por Yahweh para teu povo... os judeus e sobre a tua cidade santa,... Jerusalém para impedir a transgressão,... que se espalhava velozmente em Israel e reter os pecados,... cometidos pela cultura helênica e admitidos judeus apostatas e cobrir a iniquidade,... ou dos iníquos, cobrindo-os da vista de Yahweh, ou dos judeus obedientes, pelos sacrifícios no templo rededicado e para trazer justiça duradoura... que viria quando os judeus acabassem com a dominação grega e a propagação de suas práticas repulsivas para a cultura judaica e selar a visão e o profeta,... pondo fim a finalidade e o trabalho do profeta, e ungir o Santíssimo,... rededicando o Templo e o altar que foram profanados por Antíoco Epifânio IV.”

Bibliografia

Versões da Bíblia

Biblia Hebraica Stuttgartensia, Hendrickson Publishers, 1997.
Bíblia de Estudo Shedd, São Paulo, 2 edição, Vida, 2007
Bíblia de Estudo Dake, 1° edição, Belo Horizonte, Brasil,
Young’s Literal Translation
Tradução do Novo Mundo, Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1986.
Bíblia de Jerusalém, Paulus, 2006.
Almeida Revisada e Corrigida
Contemporary English Version
Good News Bible
New International Version
Green’s Literal Translation
The English Standard Version
The International Standard Version
The Douay-Rheims

Comentários Bíblicos

MILLER, Stephen R. The New American Commentary, an Exegetical and Theological Exposition of Holy Scripture, Book of Daniel, B & H Publishing Group, 1994.
ARCHER, Gleason L. Jerome’s Commentary on Daniel, St Jerome, Wipf & Stock Publishers, 2009.
STEVENSON, Kenneth. GLERUP, Michael. Ezekiel, Daniel: Ancient Christian Commentary on Scripture, 2008, InterVarsity Press.
DUGUID, Iain. Daniel: Reformed Expository Commentary, P & R Publishing, 2008.
LONGMAN, Tremper. GARLAN, David E. The Expositor’s Bible Commentary: Daniel-Malachi, Revised, Zondervan, 2005
PHILLIPS, John. Exploring Daniel, Kregel Publications, 2003
IRONSIDE, H.A. Daniel: An Ironside Expository Commentary, H.A. Ironside, Kregel Publications, 2005
BALDWIN, Joyce G. Daniel: Tyndale Old Testament Commentary, IVP Academic, 2009.
GOLDINGAY, John E.Daniel: Word Biblical Commentary, Thomas Nelson, 1989.
STRAUSS, Lehman. The Prophecies of Daniel, Lehman Strauss, B M H Books, 2008.
KECK, Leander E. New Interpreter's Bible: Introduction to Apocalyptic Literature, Daniel, and the Minor Prophets, vol. VII, Abingdon Press / 1996 /
JAMIESON, Robert. FAUSSET, A.R. BROWN, David. A Commentary on the Old and New Testaments. Ed. Eletrônica.
CLARK, Adam. Commentary on the Bible, ed. eletrônica.
KEIL, Johann. DELITZSCH, Franz. Keil & Delitzsch Commentary on the Old Testament. Ed. eletrônica.

Dicionários e Léxicos

JENNI, Ernst. Theological Lexicon of the Old Testament, Hendrickson Publishers, 1997.
CLAVIS, Grimm Wilke. Greek-English Lexicon of the New Testament, New York American Book Co, 1889.
DAVIS, John D. O Novo Dicionário da Bíblia, Hagnos, 2005.
KITTEL, Gerhard. Theological Dictionary of the New Testament, vol. I, Eerdmans Publishing Company, p. 199
ROBSON, Charles. A Greek Lexicon to the New Testament, Whittaker and Co., Ave-Maria Lane, p. 12, 1839.
BAKER, Warren. CARPENTER, Eugene. The Complete Word Study Dictionary: Old Testament, Amg Publishers, 2003.
COENEN, Lothar. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, Vida Nova, 1998.
RENN, Stephen D. Expository Dictionary of Bible Words: Word Studies for Key English Bible, p. 385
VINE, W.E. Vine's Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words. Thomas Nelson, 1996
BROWN, Francis, DRIVER, R. BRIGGS, Charles, Hebrew and English Lexicon, Unabridged, online em Biblesuit.com
MOSÉS, Chávez. Diccionario de Hebreo Biblico, Mundo Hispano, 1997.
GESENIUS, Friedrich w. Hebrew and Chaldee Lexicon. Acessado no dia 5.3.2013.

Livros Relacionados

GRONINGEN, Gerard Van. Revelações Messiânica no Antigo Testamento, LPC Publicações, 2005.



16 comentários:

  1. Excelente!
    Parabéns pelo trabalho detalhado, mas...

    Você disse: - "24.h. Para trazer a justiça eterna,... “Eterna”... não apenas a ideia de eternidade, mas também apenas algo de “longa duração”."

    Surge a pergunta: Cadê o(s) texto(s) que mostram esse significado "longa duração", para que possamos comparar?

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    1. Releia a parte que vc citou, que eu aumentei o artigo com mais citações e mais argumentos. O lexicógrafo Gesenius atribui à OLAM o significado de “tempo oculto, i.e., obscuro e longo, cujo princípio ou fim é incerto ou indefinido”. (A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament [Léxico Hebraico e Inglês do Velho Testamento], traduzido para o inglês por E. Robinson, 1836, p. 746)

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    2. Gosto muito das suas postagens pela citação no original.

      Mas eu fiquei com um pouco de dúvida nessa parte:
      "v.26 Para trazer a justiça eterna,... “Eterna” é a tradução hebraica da palavra עולם (‘owlam) ""OU"" עלם (‘olam), [...] No texto grego antigo da Septuaginta (LXX), o hebraico antigo olam é, na maioria das vezes, traduzido como aiôn ""OU"" (às vezes) aiônios"

      Daí pergunto:
      O original de Dn 9.24 traz owlam ou olam?
      Na LXX, traz aiôn ou aiônios?

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    3. A "trazer a justiça duradoura" [ולהביא צדק עלמים] na verdade são duas formas ortográficas da mesma palavra, que não muda o sentido, os vocábulos mudam de forma ortográfica de acordo com seu uso gramatical. O verbo "traze" conjugado na primeira pessoa é "trouxe" bem diferente de sua forma infinitiva, no entanto, seu sentido continua sendo de "trazer", o mesmo ocorre com o hebraico e grego. São duas formas da mesma palavra, mudada por causa da gramática, mas sem alterar seu significado. Na LXX: αγαγειν δικαιοσυνην αιωνιον (sua forma do infinitivo αιωνιος vindo de αιων) as formas gramaticais mudando suas formas imperfeito ἦγον; futuro ἄξω; 2 aoristo ἤγαγον, infinitivo ἀγαγεῖν (de forma mais rara 1 aoristo ᾖξα, como em ἐπάγω 2 Pedro 2:5); passivo, presente ά᾿γομαι; imperfeito ἠγόμην; 1 aoristo ἤχθην; 1 futuro ἀχθήσομαι; (de Homero em diante).

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    4. Ednilson Sacramento22 de março de 2013 03:38

      Mas… por que a Igreja inventou tantas mentiras?
      Simples. Foi algo necessário para manter o poder. Constantino I era oImperador
      ROMANO
      e Yeshua era o grande libertador
      JUDEU
      .Yeshua era praticamente o OPOSTO do que o Imperador precisava. Emsegundo lugar, o concorrente direto de Jesus era Mithra, que era filho doSol, todo poderoso, deus realizador de milagres, enquanto Yeshua eraapenas um homem, como Buda. A Igreja PRECISAVA de alguma“coisa” que pudesse competir de igual para igual com um deus. E buscoucaracterísticas de Apolo, Dionísio, Adonis e Khrisna para “embelezar”aquele judeu revolucionário e torna-lo mais palatável ao senado romano.Mas claro que esta versão fantasiosa do nascimento de Cristo nãoapareceu do nada. Precisamos entender que do Concílio de Nicéia até osdias de hoje tivemos 1700 anos de mão de ferro, inquisição e fogueiras para matar edestruir TODOS os que sabiam da verdade. Lembrem-se que a razão pela qual asOrdens Secretas são chamadas de “secretas” é que, se elas fossem expostas, seusmembros seriam mortos, para garantir que todas estas coisas permanecessem enterradas.

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  2. Obrigado por visitar meu blog!

    Aliás, "José" sou eu publicando, mas as perguntas foram feitas pela minha esposa.

    Consegue entender? Se a resposta for não eu usarei uma analogia:

    "Ela compra no meu CPF, mas a mercadoria é dela".

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    1. Ah tá, me esqueci que você é o rei das "analogias", como é o tema do seu blog "Estudando a Bíblia, no melhor e maior blog cristão do mundo, através de figura e analogia."

      Confúcio disse "O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente." Você acha que realmente consegue enganar as pessoas não é?

      Recebi vários comentários me chamando de Ditador, que eu era burro, etc, e eu sei que era você se passando por outras pessoas para eu provar seus comentários. Além disso, começa agora a escreve um blog dizendo que "um grande comentarista chamado José", e o mesmo dizendo que seu blog é o melhor do mundo, etc etc...

      Além disso, quer dizer que morando na mesma casa, sua esposa tira dúvidas bíblicas comentando em seu blog? Cara, eu NUNCA paro de me surpreender com você... rsrsrsrs. O que vejo apenas é uma pessoa querendo desesperadamente chamar atenção pra si, e além disso, usando de engano, mentira e redundância semântica para estabelecer o que pensar ser a verdade absoluta.

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  3. O princípio da hermeneutica é interpretar o texto dentro do seu contexto, vc esqueceu de interpretar o texto do versículo 26, que é contexto do versículo 25, que é continuação do versículo 24, que está dentro do contexto do livro de daniel que começao no cápitulo 1.
    O que fez é fácil interpretar as palavras na raiz delas, verificando o original, e depois aplicar no contexto histórico.
    Até um judeu de 12 anos de idade faz isso e muito mais rápido e numa profundidade muito maior.
    Erro teológico existe de todo tipo, quando se esquecem de perguntar ao hermeneuta e exegeta por excelência, Santo Espírito da Graça.
    Aí a interpretação tem seu real valor.
    Só para constar, o contexto do livro de daniel termina na última frase de seu livro (útlimo cápitulo).
    E não esqueça de cruzar as informações com os outros profetas, livros de salmos e o novo testamento, bem vc terá muito trabalho é bom começar.

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    1. Interessante que você deu sua explicação, mas não forneceu nenhum argumento provando uma linha contrária. Sou professor, e quando meus alunos interpretam um texto, eu não digo que aquele que interpretou melhor recebeu ajuda de um espírito.

      Seu método de interpretação tem como base " Santo Espírito da Graça", ou seja, devoção religiosa, crença, piedade, desejo profundo de que o texto bíblico diga aquilo que você deseja ouvir. Isso não poderia te levar à outra conclusão exceto aquilo dito pelas Igrejas.

      Você prefere um interpretação religiosa, eu prefiro a histórica... sigamos com nossas interpretações. Obg pela visita.

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  4. Olá
    Acredito que todos os termos escritos na profecia de Daniel 9:24:
    Cessar a transgressão; dar fim aos pecados; expiar a iniquidade; trazer a justiça eterna; selar a visão e a profecia e ungir o Santo dos santos, se cumprirá ao pé da letra na volta de Cristo sobre as nuvens do céus para Consumar os séculos; na qual, os reinos do mundo virão a ser todos do nosso Senhor e do seu Cristo. Mateus 13:37-43
    É nesse tempo que Jesus conclui no evangelho, dizendo:
    "Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes."
    E, quanto ao CESSAR da transgressão e o DAR FIM aos pecados; isso será devido a uma cláusula da lei, ou melhor, um dos tis e js da lei que se cumprirá de uma vez por todas sobre todo o homem, a saber: "certamente morrerás" (Gen. 2:17)
    Ou seja, a transgressão cessará de vez, e o pecado será também findado; acabado, terminado, porquanto é chegado o fim deste mundo de pecado.
    Por isso a profecia está mais que certa. Na verdade, a consumação dos séculos é também o cumprimento de outra profecia também de Daniel, capítulo 2, a estátua de Nabucodonozor, quando a Pedra lançada sem mão, atinge-a bem nos seus pés, destruindo-a por completo, destruindo todos os reinos do mundo, não se achando mais lugar algum para eles, mas a Pedra se torna grande montanha enchendo toda a terra; a saber, o MILÊNIO - mil anos de Cristo a reinar neste mundo c/ seus santos; nos quais dias, a vaca e a ursa pastarão juntas, o leopardo e a nédia ovelha juntos brincarão, e o leão comerá palha como o boi; e não haverá mal algum em todo o meu monte de santidade, diz o Senhor.
    Um abraço!

    ResponderExcluir
  5. Olá pessoal
    Se me permitem:
    Daniel 9:24 não está se referindo a obra expiatória de Cristo p/ vir ao mundo, nascendo como homem entre os homens para pagar pelos pecados dos homens.
    Aw profecias que estabelecem esse evento está em Daniel 9:25-26 e Isaías 53
    As profecias que tratam desses EVENTOS estão em Daniel 9:25-26; Isaías 53; Isaías 7:14; Miqueias 5:2 etc.
    Quanto as afirmativas em Daniel 9:24 estabelecendo 70 semanas para: "CESSAR A TRANSGRESSÃO" "DAR FIM AOS PECADOS" "EXPIAR A INIQUIDADE" "TRAZER A JUSTIÇA ETERNA" "SELAR A VISÃO E A PROFECIA" e "UNGIR O SANTO DOS SANTOS";
    Essas se referem ao fim dos tempos, quando toda a carne há de expirar; ou seja, é o fim do mundo, quando verdadeiramente através da morte de todo o filho de Adão (quando esse j e til da lei: "certamente morrerás" proferido por Deus a Adão) tiver se cumprido em toda a sua literalidade sobre o ADÃO terreno, não se escampando um sequer.
    Então assim, após ser extinto por completo o ser humano da face da terra - coisa a se cumprir plenamente na Batalha do Armagedom - aí sim, será cessada a transgressão (TODA), e serão cessados os pecados (TODOS), e será vinda a justiça eterna (Cristo trazendo consigo o seu galardão), e também expiada a iniquidade (nos que creram), será selada a visão e a profecia (ou seja, todas as profecias acerca do que vai acontecer serão totalmente cumpridas), e ungido o Santo dos santos (o Senhor será por nós visto e encontrado para que O vejamos na SUA GLÓRIA, nós os que O cremos).
    Então, esse é o verdadeiro cumprimento das afirmações em Daniel 9:24 pois se trata do fim da existência do pecado da humanidade sobre esta terra; tudo isso para que Cristo a reine por mil anos num Reino Paradisíaco, semelhante ao Éden. Nestes dias o leão comerá palha como o boi, o leopardo e o cabrito juntos se deitarão; a vaca e a ursa pastarão juntas e um menino pequeno os guiará; não haverá mal nenhum em todo o meu santo monte, diz o Senhor. Amém!
    Paz!

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