sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

MITO, RESSURREIÇÃO, LENDA, PEDRA, SEPULCRO
Na entrada das mulheres no túmulo de Jesus observamos algumas discrepâncias dignas de nota e que nos fornecem pistas de sua criação lendária.

Cf. Como a Pedra do Túmulo foi Removida?

Em Marcos 16:4 nós lemos que as mulheres “olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande.” Interessante que, nesse relato, que é o mais curto e o que provavelmente remonta aos eventos históricos, as mulheres chegam ao túmulo e encontram a pedra fora do lugar e ponto final. Até aqui, nesse relato de Marcos, não há nada de sobrenatural, nada de mirabolante. 


É de conhecimento geral que boatos são acréscimos feitos a relatos verídicos, na grande maioria das vezes, é claro. Isso ocorre também com os mitos, que eram criados para explicar os fenômenos da natureza. Quando não entendiam as forças da natureza e porquê determinada coisa acontecia, logo se criavam um mito pra tentar explicar. Acredito que algo bem parecido acontece com esse detalhe da pedra removida.

Bom, como observamos no Evangelho de Marcos, a chegada das mulheres ao túmulo é simples, sem enfeites, a questão de quem ou o que removeu a pedra que fechava o túmulo fica em aberto. Claro que, com o passar do tempo, os cristãos iriam embelezar mais e mais esses relatos para preencher essa lacuna e isso já encontramos no Evangelho de Mateus, onde lemos uma explicação, por assim dizer, de como essa pedra tinha sido removida do lugar.

“E eis que houve um grande terremoto; porque o anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela.” (Mateus 28:2)

O que antes, nos demais Evangelhos, era apenas uma grande pedra rolada, sem qualquer importância, agora já se torna algo profundamente significativo. Em Marcos, a pedra que fechava o túmulo estava fora do lugar e o sepulcro estava aberto e só, não há qualquer explicação sobrenatural para isso, até porque se para fechar o túmulo não houve qualquer intervenção divina, da mesma forma, para abri-lo também não precisaria. Em Marcos, as mulheres nem ficam espantadas com o fato da pedra ter sido removida.

Tudo isso muda quando vamos para Mateus. O escritor desse Evangelho acrescenta detalhes que tornam o relato mais belo. Ora, que beleza existe no simples fato de que um pedra não está mais no lugar? Para resolver esse problema, o evangelista cria a fábula de que houve um terremoto, que um anjo desceu do céu, rolou a pedra e ficou sentado em cima dela.

A manifestação angelical também serve para mostrar que tudo aquilo ocorre pela intervenção de Deus e que os inimigos do Cristianismo não têm desculpas para não crer na Ressurreição. Mateus 28.4 diz que “os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” no exato momento em que o anjo desce do céu, causando o terremoto.

No entanto, em Marcos, e nos demais Evangelhos, não há qualquer sinal dos guardas, uma outra prova de que esse detalhe é introduzido para dar um testemunho lendário do poder divino aos inimigos do Cristianismo.

Em Lucas 24:2 somos informados apenas que as mulheres “encontraram a pedra removida do sepulcro”, só e somente só. Acho muito peculiar e digno de nota a descrição do Evangelho de João sobre esse evento. Em João 20:1-2 somos informados que “Maria Madalena... viu que a pedra estava revolvida. Então correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava e disse-lhes: “Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram.””

Em outras palavras, no Evangelho de João, o que espanta Maria Madalena e o que faz com que ela sai para relatar as coisas aos demais discípulos é apenas a pedra removida da entrada do túmulo. Isso seria de se esperar, pois ao chegar em um sepulcro e vê-lo aberto, logo viria à mente a possibilidade do mesmo ter sido violado, profanado e é isso que leva Maria Madalena a sair correndo do local, não foi nenhum encontro angelical, não foi nenhum terremoto rolando a pedra, não foi nenhuma ausência do corpo de Cristo.

De forma clara, vemos assim os relatos:

Marcos 16:4, “e, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande...”

Lucas 24:2 “e encontram a pedra removida do sepulcro...”

João 20:1-2 “Maria Madalena... viu que a pedra estava revolvida.”

Em todos os três relatos a pedra estar removida é apenas um detalhe sem muita importância. Tudo isso muda no Evangelho de Mateus onde lemos novamente:

“E eis que houve um grande terremoto; porque o anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela.” (Mateus 28:2)

Os defensores do Cristianismo dizem que, na verdade, os outros Evangelhos omitiram o anjo e que os relatos se completam. Bom, para responder isso, apelo para seu bom senso. Leia novamente Marcos, Lucas e João, depois leia Mateus, é quase uma coisa de feeling, tentando entrar na mente das pessoas que escreveram esses três Evangelhos, percebemos que elas não estão omitindo nada, que estão relatando apenas o que ocorreu; afinal, por quais motivos um escritor e propagador do Cristianismo iria deixar passar algo tão espetacular como um terremoto milagroso e um anjo descendo do céu?

Vemos dessa forma que Mateus usa de artifícios literário, lendário e míticos para embelezar e dar uma resposta ao fato da pedra estar removida do local, usando o relato angelical. Prestar atenção à esses detalhes nos ajuda a discernir e separar mito de realidade.

2 comentários:

  1. A leitura pública na antiguidade cristã

    “Então, parece que temos uma situação paradoxal no cristianismo. Ele era uma religião do livro, com escritos de todos os tipos que se demonstravam como da mais alta importância para quase todos os aspectos da fé. Mesmo assim, a maioria das pessoas não sabiam ler esses escritos”. [4]

    Uma vez que o próprio autor reconhece que havia muitos iletrados na Igreja Primitiva, que necessidade haveria da existência de várias cópias das Escrituras, quando a maioria não sabia ler? Ademais, sabemos que os livros do Novo Testamento eram lidos em voz alta, em comunidade, pelo dirigente local (Col. 4.16).

    Ao que parece, não era costume de Paulo fazer várias cópias de uma mesma carta, mas sim uma única que deveria circular por várias igrejas. Não havia sistema de reprodução espontânea de documentos e, se fossem copiados, teriam de ser feitos a mão e requeria um longo período para seu preparo. Logo, seria um erro dizer que membros ilustres das comunidades atuavam como copistas amadores, quando sabemos que isso não é verdade. Atos 15. 22,23 é um bom exemplo do que estamos tentando provar.

    “Então, pareceu bem aos apóstolos e presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás e Silas, homens notáveis entre os irmãos”.

    “escrevendo, por meio deles: Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos de entre os gentios em Antioquia, Síria e Cecília, saudações”.

    Não havia, portanto, uma escolha aleatória de copistas na Igreja Primitiva; somente os mais notáveis entre os irmãos eram escolhidos para a tarefa de produção de documentos. Portanto, sou mais propenso a acreditar que se realmente houve uma “mudança” no texto original, tal teria acontecido muito tempo depois do terceiro século.
    Referências:
    EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. 220,221.
    4. Ibidem, págs. 51,52

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