quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DANIEL 9:26, DESTRUIÇÃO, JERUSALÉM, JESUS, PROFECIA, MESSIAS
São muitos os tópicos aos quais pretendo escrever futuramente, pois os assuntos são muitos e diversos. Dentre estes, está a doutrina da Teopneustia, ou seja, a doutrina da Inspiração das Escrituras. Na apologética cristã, um dos pontos que abordam a autenticidade da Bíblia, como sendo a Palavra Inspirada por Deus, é que a mesma conteria profecias genuínas que se cumpriram com total fidelidade e que ainda estão se cumprindo em nosso tempo.

Tim Lahaye, em sua obra monumental que aborda as profecias bíblicas, diz que: “A exatidão de seus escritos inspirados, particularmente as porções proféticas, prova, sem sombra de dúvidas, a origem divina da Bíblia.” [1]

No artigo, Profecias Bíblicas e o Livro de Apocalipse, argui qual minha concepção das profecias do livro de Apocalipse e das demais profecias que seguem a mesma linha de descrições alegóricas, como são as profecias de Nostradamus. Em outro artigo, Isaías 44:28 Menciona Ciro Profeticamente?, mostrei que a profecia “supreendente” sobre Ciro, na verdade, é uma montagem socio-literária para a criação da entidade nacional dos Judeus.

Nesse presente estudo, iremos analisar uma suposta profecia no A.T., uma das mais importantes, que se encontra em Daniel 9.26.

1 § Análise e Comentário Exegético-Linguístico:

A seguir, iremos analisar a profecia em partes, de acordo com seu significado linguístico e sua concordância histórica. O texto bíblico nos diz:

“E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será como uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações.” (Dn. 9.26, DAKE)

O entendimento desse versículo pelos cristãos, em geral, é que o Messias do texto é Jesus Cristo que foi executado na crucificação; o povo do príncipe que havia de vir são os romanos, e a destruição de Jerusalém e do Templo que se fala na profecia seria o ocorrido em 70 d.C. quando os exércitos romanos, liderados por Tito, invadiram Jerusalém e destruíram tudo.


“É de acordo por quase todos os interpretes evangélicos que esses dois eventos, o decepamento do Messias (O Ungido) e a destruição do santuário, referem-se a crucificação de Cristo e a destruição de Jerusalém pelos Romanos.” [2]

Observaremos, no entanto, que essa interpretação é apenas uma impressão errônea cristã, tendo como base os eventos evangelísticos e o evento histórico da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Analisaremos abaixo detalhadamente as palavras do profeta:

E, depois das sessenta e duas semanas,... Pouquíssimas profecias bíblicas se arriscam a traçar um calendário preciso, como no caso dessa profecia de Daniel. O decepamento do Messias e suposta destruição do Templo, segundo o profeta, ocorreriam “depois” אחר ('achar) de “sessenta e duas semanas” שׁשּׁים (shishshı̂ym). 


“A palavra aqui traduzida por “semanas, shabua', descreve o período consecutivo de dias (veja Gen. 29.27; Deut. 16:9; Dan. 10:2). No livro pseudepígrafo de Jubileu, bem como na Mixiná, shabua' é usada para denotar um período de sete anos. A tradução “semanas de anos” na RSV é obviamente interpretativa...” [3] 

Outra obra cristã comenta sobre o significado misterioso dessas semanas: 

“Evidentemente, essa visão um tanto enigmática apresenta várias dificuldades e tem sido interpretada de várias maneiras. Alguns consideram os números como de natureza simbólica; outros os aceitam de modo bem literal, produzindo complexas explicações matemáticas de seu cumprimento.” [4]

Bom, não tenho paciência para falar de cronologia, mas se fizer uma rápida pesquisa na internet, verá que existem inúmeras interpretações da parte dos cristãos para esse cálculo das “semanas” no livro de Daniel. Grande parte desses cálculos esdrúxulos são feitos com o objetivo de que a contagem caia no séc. I, no aparecimento de Jesus de Nazaré. Além disso, como é comum na teologia cristã, eles mesmos não estão de acordo na contagem, havendo diversas e divergentes escolas de interpretação.

Creio que esse cálculo profético pode ter sido criado de duas formas. Por meio de linguagem alegórica profética, que pode significar qualquer coisa e que serão seus leitores futuros que farão sentido do mesmo, ou então os números são colocados propositalmente para descrever os eventos socio-religiosos dos dias do escritor no século II a.C.; esse último argumento tem uma infindável base histórica e literária como veremos mais à frente. Nesse caso, o escritor observa os fatos de seus dias correntes e os descreve como se fossem futuros para que soem uma profecia autêntica. Acredito, pessoalmente, que essa “profecia” descreve acontecimentos nos dias do autor, mas que, lida hoje por cristãos posteriores, seria impossível não ver nela um encaixe perfeito em Jesus Cristo.

Será tirado o Messias e não será mais;... Depois de estabelecer esse cronograma profético, Daniel diz que depois dessas sessenta e duas semanas, o Messias “será tirado” כּרת (kârath) “decepado”, “destruído”. Essa palavra ocorre apenas uma vez no livro de Dn. No entanto, ela aparece em mais 286 vezes no A.T. como um todo. Em Gn. 41.36 é usada se referindo a terra que “perece” pela fome. Em Nm. 9.13 é usada para a execução de alguém que não obedece as leis divinas. Em suma, כּרת (kârath) se refere claramente à execução do Messias. A expressão seguinte, “não será mais” אין ('ayin), é paralelo com כּרת (kârath) que, vistas juntas, criam a imagem profética da execução do Messias.

Comentei em outro artigo, O Messianismo Judaico Primitivo e a Ressurreição, que alguns judeus, principalmente os apocalípticos que viam os problemas socio-religiosos de sua época como indício do fim do mundo, esperavam um messias sofredor e morredouro, mas, por final, exaltado. Ao analisarmos o versículo 26 em conjunto com o versículo 27, observamos claramente que estes versículos do livro de Daniel descrevem simplesmente eventos relacionados ao Sumo Sacerdote Onias III e Antíoco Epifânio IV e o mesmo crê praticamente a totalidade dos eruditos bíblicos, incluindo alguns da ala conservadora. Observem os seguintes comentários:


“De acordo com a visão moderna, portanto, o Messias, ou o ungido mencionado aqui, seria o sumo sacerdote Onias III (2 Mace 4:30-38), deposto e assassinado em 175 a.C. pelos homens de Antíoco Epifânio IV.” [5]

“No final das 62 semanas, no primeiro ano de Antíoco Epifânio, o sumo sacerdote, Onias III (Messias do v. 26) foi destituído - “decepado”” [6]

“26, 'O Ungido será decepado,' que sugere uma profecia da morte do Messias é agora tomada geralmente como se referindo ao ungido Sumo Sacerdote Onias III, assassinado em 172 a.C. [7]

“O “decepamento” do “Messias/ungido” pode se referir a deposição do Sumo Sacerdote judaico Onias III...” [8]

“Pode ser preferível, no entanto, entender משׁיח em Dan 9.26 como um rei Messias... e isso indubitavelmente significa o já mencionado Onias III.” [9]

“O assassinato de Onias III pode, portanto, ser considerado como um divisor de águas. Pode, dessa forma, ser Onias III o Messias que é decepado,...” [10]

Vss. 25-27. Visto não sabermos a data da proclamação da palavra, podemos apenas conjecturar que o príncipe ungido pode ter sido Ciro, Zorobabei ou Josué; e que aquele que foi cortado pode ter sido Filopater, Jason ou Onias III. O príncipe que viria seria Antíoco Epifânio, que produziu tantas desolações ao estabelecer um pacto com os judeus helenizantes e ao oferecer abominações no templo, sob a forma de sacrifícios pagãos” [11].

“O “ungido" (Heb.: mashiah) no v. 26 que será assassinado é na maior probabilidade o Sumo Sacerdote Onias, que foi morto em 171 AEC (também 11:22; 2 Mac 4:30-34). O príncipe violento no v. 26, finalmente, é Antíoco. Ele é responsável por “uma abominação que desola” (v. 27; 11:31; 12:11; também 1 Mac 1:54-58; 2 Mac 6:1-5), o incidente durante o qual Antíoco coloca pedras do altar pagão no altar do Templo.” [12]

“O comentarista liberal Montgomery... acredita que essa profecia foi cumprida no segundo século antes de Cristo, notando como os judeus apostatas corroboraram com Antíoco.” [13]

Pretendo criar outro artigo intitulado Introdução Crítica ao Livro de Daniel, onde tentarei datar o livro em questão. Resumindo então o pensamento, uma vez que esses versículos de Daniel se referem aos eventos dos dias do escritor, com o assassinato de Onias III, creio, então, que o livro de Daniel é produto judaico literário do século II a.C.

Apesar da conclusão esmagadora por parte da grande maioria dos estudiosos, não vou querer encher a postagem de citações apenas para incutir uma ideia já estabelecida em meus leitores. Não é porque a totalidade dos eruditos acreditam que esse “messias” foi o então Sumo Sacerdote Onias III que temos que aceitar isso cegamente, embora ouvir o que as autoridades no assunto pensam seja de suma importância, afinal, essas pessoas dedicaram uma vida inteira ao estudo das Escrituras. Gostaria que, analisando as evidências, chegássemos à essa conclusão.

Antes de tudo, por que devemos ver o termo “o Messias” de Daniel 9.26 como algo relacionado ao século II a.C e não a Jesus Cristo no século I? Para um leitor casual, apenas ler em português que “o Messias” iria ser decepado é o suficiente para encaixar isso com Jesus, mas as coisas não são assim tão simples. A palavra usada no texto por “Messias” משׁיח (mâshı̂yach) ocorre 39 vezes no A.T., no entanto, apenas em Dn 9.25 e 26 é que essa palavra é traduzida pelo termo técnico “o Messias”. Isso é de grande importância: Das 39 ocorrências dessa palavra no Antigo Testamento, somente em Daniel ela é usada como “o Messias.” Em todos os outros versículos, o texto assume sua forma comum de “ungido”, termo bastante aplicado aos sacerdotes e reis de Israel. (Cf. Êx. 30:22-25) Interessante que, na concepção judaica primitiva, o termo técnico 
Messias”, se referindo ao Grande Messias, só aparece nos livros pseudepígrafos, justamente entre o século II a.C. Se referindo ao significado da palavra acima referida, lemos:

Palavra hebraica, correspondente a palavra grega Christos, aplicável a qualquer pessoa que era ungida com óleo santo, como o foi o sumo sacerdote, Lv 4. 3, 5, 16; 1 Sm 12. 3, 5, ou o rei, 2 Sm 1. 14, 16. Este título aplica-se aos patriarcas Abraão e Isaque, e a Ciro, rei dos persas, escolhidos para administrarem o reino de Deus, Sl 105. 15; Is 45. 1.[14]

“Messias” (Jo 1:41; 4:25 a versão King James) é uma transcrição de Μεσσίας, Messı́as, a representação grega do aramaico. “Messias” é, portanto, uma modificação da forma grega da palavra, de acordo com o hebraico... O termo é usado no Antigo Testamento para reis e sacerdotes, que eram consagrados ao ofício pela cerimônia de unção. É aplicado ao sacerdote apenas como adjetivo - “o sacerdote ungido” (Lev 4:3, 5, 16; 6:22 (Heb. 15)).[15]

O termo hebraico muhlab significa «ungido» e vem de uma raiz hebraica que significa «untar». A Septuaginta traduziu essa palavra pelo vocábulo grego christôs, «ungido». Essa palavra grega foi transliterada para o português, Cristo, em vez de ser traduzida, para Ungido. Assim, o Cristo, ou o Ungido, cumpre as expectações e simbolismos do ato de ungir. Essa palavra, referindo-se ao esperado Messias, é um produto do judaísmo posterior, ainda que desde tempos bem remotos, entre os hebreus, encontremos indicações simbólicas, Somente por duas vezes, em todo o Antigo Testamento, essa palavra é usada como um titulo oficial. Ver Dan. 9:25,26. O conceito messiânico, pois, embora tivesse tido inicio no Antigo Testamento, (como no livro de Isaías  onde não é usada a palavra hebraica especifica), teve prosseguimento durante o período intertestamentário, nos livros apócrifos e pseudepígrafos.[16]

A palavra Messias é uma forma modificada da representação grega da palavra hebraica ou aramaica mashiah, cujo equivalente grego é Christos. Seu significado de raiz é o de ungido, usado na forma adjetiva para sacerdotes no Antigo Testamento... e para reis como um substantivo...[17]

Observamos nessas citações dos especialistas que o termo o Messias”, aplicado ao Grande Messias, só começou a ser usado entre os judeus no século II, e, além disso, outra prova é que esse termo técnico é uma transliteração influenciada pelo grego, ou seja, a língua internacional da época, usada sobremaneira durante o período de dominação helenista, língua essa usada para escrever boa parte dos livros apócrifos e pseudepígrafos. Em outras palavras, o tempo em que o escritor do livro de Daniel estava redigindo essas palavras era um tempo em que o termo “o Messias” estava sendo usado extensamente na literatura judaica religiosa. Portanto, se esse termo técnico só começou a ser usado no século II a.C. e Daniel é o único texto do Antigo Testamento que o usa, o que mais poderíamos concluir, a não ser que esse livro, em especial Dn. 9.26, é uma produção literária do século II a.C? 

Como mencionei, o escritor está descrevendo eventos socio-religiosos de seus dias de forma a parecer uma profecia genuína, algo bastante comum para a entidade religiosa de Israel como nação escolhida por Yahweh para proclamar Suas leis e oráculos. (Cf. Romanos 3:1-2). Assim, o que aconteceu no século II a.C que estaria relacionado com a morte de um “Messias”? Bom, como visto nas citações acadêmicas acima, justamente nesse período, o Sumo Sacerdote Onias III assume o cenário religioso e nacional, um homem considerado pelos judeus como reto, versado nas leis, um verdadeiro Israelita, que ocupava o cargo de ungido. Este, devido seu trabalho ativo contra a poluição cultural helenista, e seu fervor religioso, foi considerado como Messias, por alguns judeus apocalípticos desse período. O relato histórico dos Macabeus nos conta:


“A cidade santa vivia na mais completa paz, e os mandamentos eram observados da melhor maneira possível, por causa da santidade do sumo sacerdote Onias, e de sua firme oposição a tudo o que havia de mal. Os próprios reis respeitavam o lugar santo, e homenageavam o Templo com os mais belos donativos. Até Seleuco, rei da Ásia, com seus próprios recursos sustentava todas as despesas necessárias para as funções dos sacrifícios” (2Mac 3:1-3).

Devido sua luta contra os poderes gentílicos e seu desejo de limpar Israel da idolatria, o mesmo foi morto, “cortado”, por Antíoco Epifânio IV. Interessante que, o texto de Daniel 9.29 transmite a ideia, como em outras passagens, de que o Messias seria “decepado” de forma injusta. Teodocião (na Septuaginta) verte καὶ κρίμα οὐκ ἔστιν ἐν ἀυτῷ (kai krima ouk estin en autō) - “e não há crime nele”, se referindo à inculpabilidade do messias morto.

Obtemos o relato do assassinato do Sumo Sacerdote Onias III no livro de 2 Macabeus 4.30-38. No versículo 35, somos informados que “por esse motivo”, ou seja, de seu assassinato, 
não só os judeus, mas também muitos dentre outras nações, ficaram indignados e acharam intolerável o assassínio iníquo desse homem.” No versículo 36, diz que quando o rei voltou dos citados lugares da Cilícia, foram ter com ele os judeus da capital, participando também os gregos da repulsa à violência, pelo fato de Onias ter sido assassinado sem motivo.” Destaquei em especial a expressão “sem motivo” como prova de que seu assassinato se enquadra na figura messiânica do texto de Daniel que é executado de forma injusta, isto é, sem motivo. 

E o povo do príncipe,... Acho bastante interessante o escritor dizer 
povo עם (‛am) e não “exército” חיל (chayil) de um príncipe. Um dos mecanismos linguísticos que deixa claro que essa profecia não se refere à destruição de Jerusalém em 70 d.C é que os termos usados não são militares, o que é bastante comum no Antigo Testamento quando se retrata ocupação de forma militar. (Cf. Isa 36:2; 43:17; Jer 32:2; 34:1, 7, 21; 35:11; 37:5, 7, 10, 11; 38:3; 39:1, 5; 46:2; 22; 52:4; 8; 14; Eze 17:17; 27:10; 11; 29:18; 29:19; 32:31; 37:10; 38:4; 15; Dan 3:20; 4:35; 11:7; 13; 25; 26) Ao usar o termo “povo” o escritor mostra que a corrupção seria cultural, do povo, uma corrupção social que desolaria Jerusalém e seu Templo e isso foi justamente o que estava ocorrendo nos dias do autor, pois Jerusalém estava tomada pelos costumes do “povo” heleno com a dominação pelo iníquo Antíoco Epifânio IV. 

Que há de vir,... Artifício literário para criar uma falsa ilusão de profecia, onde, na verdade, o escritor está falando dos eventos de seus dias.

Destruirá a cidade e o santuário,... Aqui, mais uma vez, vemos a deturpação dos vocábulos bíblicos que terminam por dar ao leitor moderno uma concepção de profecia, uma falsa impressão de que o texto está falando da crucificação de Jesus e da destruição de Jerusalém em 70 d.C., algo bem diferente do que o texto em si originalmente tencionava. A palavra traduzida por “destruir" שׁחת (shâchath) em Daniel 9.26 ocorre 146 vezes no A.T. No entanto, traduzi-la por “destruir” nas Bíblias cristãs modernas é proposital, para dar a ideia de destruição de Jerusalém e seu Templo por Tito.

Na verdade, esse verbo é usado na grande maioria das vezes por 
corromper” e não por “destruir”. Veja as inúmeras ocorrências da palavra שׁחת (shâchath) com a tradução “corromper” e seus derivados: Gn. 6.11, 12; Ex. 8.24; 32.7; Dt. 4.16, 25; 9.12; 31.29; 32.5; Jz. 2.19; 2Cro. 27.2; Sl. 14.1; 53.1; Pro. 25.26; Is. 1.14; Jer. 6.28; Ez. 16.47; 22.44; 23.11; Dn. 11.7; Os. 9.9; Zac. 3.7; Mal. 1.14; 2.8. 

Uma outra prova de que o significado do original era de que Jerusalém e seu Templo seriam corrompidos pela cultura gentílica e não destruídos literalmente, é que a LXX, em Daniel 9.26, traduziu o verbo hebraico שׁחת (shâchath) pelo verbo grego διαφθείρω (diaphtheirō) “corromper” que ocorre em Dn. 11.7, Miq. 2.10, Na. 2.2; Ag. 3:7; Mal. 1:14 com esse mesmo significado de “corrupção”, e ocorre 6 vezes no N.T., Luc 12:33 “a traça corrompe” (KJ); 2 Cor. 4:16 “caminhe para a ruína” (BJ); 2 Tim. 6.5 “mente corrompida” (NVI); Ap. 8:9 “foram destruídos” (KJ) 1:18 “destruir” (KJ).

O relato histórico nos confirma essa corrupção socio-religiosa-helênica:


“Até para a massa do povo, era difícil e insuportável o crescimento dessa maldade. De fato, o Templo ficou cheio de libertinagem e orgias de pagãos, que aí se divertiam com prostitutas e mantinham relações com mulheres no recinto sagrado do Templo, além de levarem para dentro objetos proibidos. O próprio altar estava repleto de ofertas proibidas pela Lei. Não se podia celebrar o sábado, nem as festas tradicionais, nem mesmo se declarar judeu. Todo mês eram forçados a participar do banquete sacrifical, que se realizava no dia do aniversário do rei. Quando chegavam as festas de Dionísio, eram obrigados a participar da procissão em honra a Dionísio, com ramos de hera na cabeça. Por sugestão dos habitantes de Ptolemaida, foi decretado que as cidades gregas vizinhas também seguissem as mesmas disposições contra os judeus, obrigando-os a comer a carne dos sacrifícios, e matassem os que não quisessem aceitar os costumes gregos. Podia-se perceber a calamidade que estava para chegar”. (2Mac 6:3-9).

“Quando o rei Antíoco Epifânio veio sitiar essa praça, não sucedeu também outra coisa que confirma o que eu acabo de referir? Nossos antepassados, em vez de confiar no auxílio de Deus, quiseram ir contra ele; travou-se o combate: eles perderam. A mortandade foi geral, a cidade tomada, saqueada, destruída; o Santuário, manchado e profanado, o serviço abandonado durante três anos e meio”. [18]

Como visto através desses dois testemunhos históricos, o livro de Macabeus e as declarações de Flávio Josefo, percebemos que o escritor dessa pseudo profecia de Daniel 9.26 está apenas descrevendo que Jerusalém e o Templo seriam corrompidos pelo povo de um príncipe, ou seja, por uma outra cultura que “há de vir”, mas que, na verdade, já estava presente em seus dias.

E o seu fim será como uma inundação;... A palavra hebraica aqui traduzida por 
inundação” שׁטף שׁטף (sheṭeph ou shêṭeph), ou por “dilúvio” deve ser entendida como figura de linguagem. Esse termo é usado de forma parecida quando falamos de “mar de gente” em português.

E até o fim haverá guerra;... o vocábulo “fim” קץ (qêts) tanto pode ter o significado escatológico, de fim dos dias, como fim de um período, como em Dn. 12.13, onde o profeta deve continuar sua lealdade até o “fim” de sua vida. Por usar a palavra “guerra” podemos mais uma vez situar a escrita dessa pseudo profecia aos dias dos Macabeus, onde as guerras contra a ocupação helenista eram muitas e constantes.

Estão determinadas assolações. Os cristãos fundamentalistas acreditam que isso tem uma aplicação escatológica e dizem que as mazelas do Oriente Médio é em decorrência do assassinato do Filho de Deus, Jesus Cristo, de forma injusta. 


Na verdade, uma vez que muitos dos judeus consentiram na introdução do helenismo em Israel, permitindo assim que os cultos e as leis judaicas fossem desrespeitadas por completo, o escrito “prevê” desolações para a nação. Isso era algo bastante típico em termos de escrita profética. Mesmo em Deuteronômio quando se fala de obediência e desobediência, sempre que fala dos resultados, notamos que as bençãos nacionais viriam se fossem obedientes e desolações caso desobedecessem. Portanto, um judeu que nos seus tempos observa a poluição e desobediência do povo não poderia prever nada mais exceto que os mesmos iriam pagar pelos seus pecados, quando Deus desolasse a nação.

2 § Conclusão 

A suposta profecia de Daniel 9.26 é, na verdade, uma descrição em linguagem profética dos eventos que o escritor judeu presenciava em seus dias. O tão estimado Messias, o Sumo Sacerdote Onias III, era uma força contra a dominação gentílica, tendo sido “decepado” de forma injusta, abriram-se as portas para a “destruição” moral e religiosa dos judeus e não da cidade e do Templo literalmente. A cidade de Jerusalém e o Santo Templo foram corrompidos da pior forma que um judeu sequer imaginaria.

Nossa vida funciona com base em interpretações diárias. Na grande maioria das vezes, a única realidade que existe é aquela que percebemos. Quando olhamos uma nuvem,  nossa mente consegue ver formas de objetos, de pessoas, de animais, e assim por diante, embora saibamos que são apenas formas aleatórias das quais nossa mente tenta extrair sentido. A leitura dos textos bíblicos atravessa o filtro mental da interpretação subjetiva da cognição, levando-nos a ver coisas que não estão no texto, estão apenas em nossas mentes.

Nosso conhecimento prévio de algumas coisas é que faz nossa mente criar sentido em cima das chamadas profecias bíblicas. Se sou cristão, conheço bem a história dos Evangelhos e começo a ler trechos do A.T., não seria de se surpreender que eu encontrasse possíveis referências, ou profecias, que teriam se cumprido na pessoa de Jesus Cristo. Eu só preciso combinar as histórias.

Como mencionei no artigo Doutrinas Bíblicas, Impressionantes ou Apenas Impressão?, a falta de conhecimento histórico-crítico leva as pessoas a criarem essa ideia sobrenatural das profecias bíblicas, principalmente a de cunho messiânico. Quando um fundamentalista lê um artigo como esse, o mesmo fica entre as evidências histórico-literárias e a fé religiosa que tem em seu coração; na grande maioria das vezes, o peso da evidência é eliminado pela força da fé, permitindo que seu coração iluda sua própria mente, permitindo-o ainda crer naquilo que se deseja acreditar.


___________________
NOTAS

[1] Enciclopédia Popular de Profecias Bíblicas, p. 13
[2] Wycliffe Bible Commentary, p. 795.
[3] Commentary on Daniel and Revelation, Seventh-Day Adventist,  p. 851.
[4] Manual Bíblico Vida Nova, p.499
[5] Jesus the Messias in the Hebrew Bible, p. 112.
[6] Albert Barnes Notes on the Bible, p. 167, vol. I.
[7] Primitive Christian Eschatology, p. 77.
[8] The Eerdmans Companion to the Bible, p. 449.
[9] The One Who Is to Come, p. 63.
[10] Asimov Guide to the Bible, p. 614
[11] Oxford Annotated Bible, ed. eletr.
[12] The New Interpreter's Bible Commentary, One-volume, ed. eletr.
[13] Preceptaustin.org, acessado em 27 de Fevereiro de 2013.
[14] Novo Dicionário da Bíblia de John D. Davis, p. 391.
[15] International Standard Bible Encyclopedia, ed. eletr. verb.: Messias.
[16] Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. IV, p. 241.
[17] Teologia Sistemática de Lewis Sperry Chafer, vol III, p. 52.
[18] Seleções de Flávio Josefo, p. 278.

Bibliografia

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21 comentários:

  1. Muito boa a análise. Gostaria assim que possível um texto sobre a cor dos judeus no V.T. e N.T.. Li essa matéria: (http://hebreuisraelita.wordpress.com/2013/01/23/provas-de-que-o-messias-que-vira-e-negro-2/ )e achei interessante para o site. Continue firme!
    Leandro

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    1. Obg Leandro pelas palavras. Achei bastante interessante tbm esse link que você enviou, mas não sei onde se encaixaria na temática do meu blog... o fato de os judeus serem brancos ou negros, entende?

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  2. Entendo, encaixa creio eu no fato de "provar" que a "raça eleita" são os negros, que Jesus era negro e que Roma além de inventar uma fábula para dominar ainda diminuiu toda uma raça, causando por centenas de anos o "branquiamento" de toda uma cultura e ideologia, fazendo com que tudo que não fosse branco seria sujo. Mas isso é só a minha opinião e o site é seu, logo, você define o que é válido para postar. Fora isso, seu site é leitura obrigatória e agradeço por seu empenho.

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    1. Sugestões dos meus leitores são muito bem vindas e fico grato pela dica Leandro. A questão apenas é que não reconheço nenhuma raça como escolhida, dessa forma, sejam brancos, pardos, negros, asiáticos, tanto faz... Eu, de fato, achei MUITO interessante, mas para o objetivo do meu blog creio que não terá tanta influência. Mas vou analisar o assunto, pode ter certeza... e muito obg pelas palavras.

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    2. Eu também não reconheço raça eleita, por isso coloquei entre aspas.Aceito sua resposta.

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    3. Leandro, falando nisso, caso em suas pesquisas você encontre alguma coisa relacionada que aches interessante para se abordar no blog fico muito agradecido.

      Abç

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    4. Ok. Assim o farei. Abraço.

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  3. Quanto tempo, hein!
    Muito boa a sua argumentação, mas...

    1° Como Onias “trouxe a justiça eterna”, no v.24, “acabando com os sacrifícios”, no v.27; já que depois dele ainda continuaram os sacrifícios???
    2° Você compara inundação ao povo quando diz “mar de gente”, mas ela não se refere à “destruição repentina” do templo [lugar] e da cidade [lugar], v.26???
    3° A ideia de corrupção, no v.26, não seria de “decomposição/destruição” como diz os textos indicados por você??? Luc 12:33 “onde a traça não corrompe” A traça não destrói??? 2 Cor. 4:16 “homem exterior [corpo] caminhe para a ruína” Não seria envelhecimento/decomposição???

    Clóvis, Cariacica, ES.

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    1. A primeira pergunta responderei na minha próxima postagem. Para a segunda pergunta te respondo que "não" por mera exegese sintática do texto hebraico e para a terceira pergunta a resposta é exatamente o que já escrevi no artigo cuja repetição se torna totalmente desnecessária.

      Passar bem.

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  4. A destruição de Babilônia é apenas um exemplo de profecia bíblica que se cumpriu. Outros exemplos são a destruição de Tiro e de Nínive. (Ezequiel 26:1-5; Sofonias 2:13-15) Também, uma das profecias de Daniel predisse a sucessão de impérios mundiais que chegariam ao poder depois de Babilônia. Entre esses a Medo-Pérsia e a Grécia. (Daniel 8:5-7, 20-22)

    Profecias que se cumpriram em Jesus :

    PROFECIAS A RESPEITO DO MESSIAS
    EVENTO PROFECIA CUMPRIMENTO
    Nascido na tribo de Judá Gênesis 49:10 Lucas 3:23-33
    Nascido de uma virgem Isaías 7:14 Mateus 1:18-25
    Descendente do Rei Davi Isaías 9:7 Mateus 1:1, 6-17
    Jeová o declarou Seu Filho Salmo 2:7 Mateus 3:17
    Não creram nele Isaías 53:1 João 12:37, 38
    Entrada em Jerusalém montado num jumentinho Zacarias 9:9 Mateus 21:1-9
    Traído por um associado íntimo Salmo 41:9 João 13:18, 21-30
    Traído por 30 moedas de prata Zacarias 11:12 Mateus 26:14-16
    Calado diante dos acusadores Isaías 53:7 Mateus 27:11-14
    Lançadas sortes sobre sua roupa Salmo 22:18 Mateus 27:35
    Vituperado quando na estaca Salmo 22:7, 8 Mateus 27:39-43
    Nenhum osso seu foi quebrado Salmo 34:20 João 19:33, 36
    Sepultado com os ricos Isaías 53:9 Mateus 27:57-60
    Ressuscitado antes de sofrer corrupção Salmo 16:10 Atos 2:24, 27
    Exaltado à direita de Deus Salmo 110:1 Atos 7:56

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    1. "A destruição de Babilônia é apenas um exemplo de profecia bíblica que se cumpriu."

      Minha postagem não foi sobre a destruição de Babilônia. Eu mostrei claramente que Daniel 9:26 não é uma profecia sobre o Messias e nem a destruição do Templo.

      Bom, as "inúmeras profecias" que foram mencionadas serão rebatadas uma por uma nesse blog, basta acompanhar nossos artigos. Já escrevi sobre três profecias bíblicas, das quais cristão nenhum contraargumentou apropriadamente, exceto umas calúnias, pois a grande maioria não sabe o que dizer é simplesmente me caluniam.

      Cf. Isaías 4428 Menciona Ciro Profeticamente?
      Cf. Naum 24 Profetiza o Automobilismo Moderno?
      Cf. Profecias Bíblicas | Livro de Apocalipse

      As profecias sobre Jesus são as mais fáceis de refutar. Te garanto que nenhuma delas são profecias genuínas. Estou trabalhando em um outro artigo sobre profecias... continue lendo os artigos e veja as atualizações.

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  5. Olá eduardo , tudo bem ?
    posso pedir-lhe que poste um artigo
    sobre o livro do profeta Enoque e o livro
    perdido do justo Jasher , abaixo estão alguns
    comentários á respeito do livro de jasher , até mais ,
    muito obrigado valeu pelos artigos :

    http://www.adventistas.com/maio2004/livro_dos_justos.htm

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    1. Vai pra lista de pedidos. Obg pela visita e seja muito bem vindo.

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  6. Olá, Eduardo. Em minhas andanças internéticas vi essa matéria:http://pt.scribd.com/doc/54514532/1/Jesus-era-rico-ou-pobre
    O autor não cita as fontes(pelo menos, não diretamente) para consultas, achei demasiadamente místico, mas faz mais sentido do que a versão Romana Católica. Leia e diga o que achas a respeito. Abraço e ansioso pelos próximos artigos.

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    1. Cara, matérias sem referências é perda de tempo... exceto quando estamos falando de uma ideia revolucionário. Eu não estou conseguindo baixar o arquivo, tem como você enviar para meu email? edu-jr23011@hotmail.com

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    2. escreve no google: jesus era rico ou pobre e o site aparece.
      Abraço

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    3. O texto se baseia no inexistente censo determinado pelos romanos no tempo de Herodes, o Grande. A pobreza de Jesus não foi uma invenção posterior mas está nos próprios primeiros textos. Homens criam deuses a sua imagem e semelhança, por isto que Jesus enxerga um Deus que a única preocupação é com a pobreza e o único pecado imperdoável a riqueza. A caridade como a saída para a pobreza e não o trabalho e a educação. Afinal o mundo estava acabando. Seus apóstolos eram todos pobres e analfabetos. Nem ele e nem seus "escolhidos" conseguiram escrever nada para a posteridade.

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  7. http://pt.scribd.com/doc/54514532/1/Jesus-era-rico-ou-pobre

    Artigo interessante, vou continuar lendo....

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  8. Em vez de vocês ficarem perdendo tempo quem é melhor de interpretação
    Vão levar a palavra de Deus para aqueles que aida não conhece.
    Vocês só tem teologia e o que é de Deus nada .

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    1. Essa é a sua função, Cristão, não a minha.
      Leandro Paz

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    2. Imagino o tipo de coisa que você prega se nem entendeu o que se discute aqui.

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