terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma das formas que uso hoje para entender o processo de conversação e sustentação da fé é por lembrar como ocorreu comigo mesmo. Se for leitor do meu blog, já deve saber que fui criado como Testemunha de Jeová, onde passei toda minha adolescência e início da vida adulta.

Lembro-me bem quando comecei a estudar a Bíblia. Fiz um estudo sistematizado, analisando profecias, arqueologia, história secular, composição textual da Bíblia, e assim por diante. Na época, com 16 anos de idade, era tudo muito convincente, tudo parecia se encaixar em um gigantesco quebra-cabeça de extrema complexidade que, para a grande maioria das outras pessoas, permanecia sem resposta; as velhas questões relativas à quem somos, de onde viemos e para onde vamos já estavam respondidas; tínhamos conhecimento de até mesmo o que aconteceria com a Terra e a humanidade há mais de mil anos para frente.

Essa mesma sensação era compartilhada com milhares de TJs ao redor do mundo e sei que o mesmo sentem as milhares de pessoas das mais diversas religiões.

Não me admira as pessoas terem tanta convicção de um erro. Ora, no meu caso, um mero adolescente, tudo que me era posto como verdade era fácil de ser aceito, afinal, aqueles eram os anos iniciais, por assim dizer, da formação da minha cosmovisão, já que não tinha base de quase nada, então tudo parecia ser muito lógico, até irrefutável.

Se ensinamos uma pessoa que não tem conhecimento algum da Aritmética, dizendo que 2 + 3 = 6, isso poderá ser aceito com a maior naturalidade, e qualquer outro conhecimento que ela tiver posterior a esse levará isso como “pano de fundo”. No entanto, lá na frente, esse conhecimento vai entrar em colapso, quando se chocar com outras coisas, e assim terá a necessidade de reformular suas crenças.

No caso de pessoas que não tenham conhecimentos linguísticos, históricos, antropológicos, é muito fácil convencê-las dos tópicos bíblicos. Um dia fiz uma simples experiência: Conversando com um amiga que se dizia ateia, me fiz como se fosse ainda um pregador cristão, falei do Criacionismo, das profecias, como se eu ainda acreditasse nisso, usando os mesmos argumentos que eu usara no passado. Resultado? No final da conversa, ela me disse que achou tudo muito interessante e que seria possível que fosse mesmo verdade. Percebem? Dependendo da visão de mundo e do conhecimento do indivíduo, podemos convencê-lo rapidamente; um agnóstico quase persuadiu uma ateia a se tornar cristã! Agora, imagine minha surpresa na adolescência, quando aprendi que com 200 anos de antecedência, Deus havia mencionado o nome do redentor dos judeus exilados, a saber, Ciro. Veja minha refutação dessa profecia aqui:

Cf. Isaías 44:28 Menciona Ciro Profeticamente?

Imaginem o poder da suposta harmonia dos livros bíblicos. Como pode a Bíblia, sendo uma coleção de 66 livros, escritos em um período de 1.500 anos, por cerca de 40 escritores possuir uma unidade textual tão plena? Isso só seria de se esperar se uma única Mente estivesse por trás disso tudo, cria eu. Veja minha refutação nesse artigo:

Cf. A Harmonia da Bíblia — Prova da Inspiração Divina?.

Dizer a Bíblia que a Terra era um globo e que estava suspensa sobre o “nada”, prever o automobilismo moderno e tantas outras coisas me convenceram, além de dúvida razoável, de que a Bíblia era, de fato, inspirada por Deus. Veja minhas refutações respectivamente:

Cf. Isaías 40:22 Ensina que a Terra é um Globo?
Cf. Jó 26:7 Ensina uma Terra Suspensa Sobre o Nada?
Cf. Naum 2:4 Profetiza o Automobilismo Moderno?.

Os anos vão passando, mas não as ideias. Os dogmas bíblicos continuaram os mesmos, mas não meu conhecimento de mundo, conhecimento geral. Isso foi me fazendo levar em consideração fatores que, na minha adolescência, eu não tinha conhecimento, nem mesmo condições de ter, pois não havia acesso à internet, nem mesmo condições de comprar livros.

Os líderes da minha anterior religião e outras pessoas me alertavam que, por causa da minha curiosidade, desejo de aprender, de sempre querer saber o porquê das coisas, terminariam por me afastar da religião verdadeira. Eu pensava o contrário, achava que por mais que estudasse assuntos, ditos “seculares”, isso aumentaria mais ainda minha fé, pois, pensava, Deus não está escondendo nada de mim.

A verdade é que, quanto mais me aprofundava nas velhas questões, coisas novas passaram a vir à tona, coisas que, costumeiramente, contrariavam minhas crenças. Sempre fui honesto em minha busca pela verdade; apesar de crer na minha anterior religião e na Bíblia, em toda sua totalidade, dizendo até que morreria por essas coisas, estava disposto a buscar a verdade, onde quer que essa busca me levasse. Para uma Testemunha de Jeová, isso é excruciante, pois “ter dúvidas” era visto como o pior dos pecados, pois, depois que alguém se batiza, não deve haver volta; dúvidas? Nem pensar! Era uma verdade única, inquestionável, incontestável e que lhe manteria ali, dentro do rebanho, ou curral – digo hoje, por toda sua vida; sua única tarefa era crer, somente.

Se as coisas que eu aprendi até hoje, que me fizeram repensar minha fé, tivessem sido expostas para mim ao lado do que o Cristianismo diz, não tenho dúvidas, nem teria dado o primeiro passo. O injusto é que as Igrejas só mostram um lado da moeda.

Apesar de hoje debater essas ideias com fundamentalistas cristãos e até perder a paciência com eles, é compreensível demais essa dependência da fé dogmática e, mais ainda, não me admiro que mais pessoas se tornem “crentes”, ou mesmo como as TJs, que é a denominação cristã que mais cresce. Centenas de pessoas são expostas a essas mesmas “verdades”, ao mesmo tempo que só lhes é contada metade da história; os mesmos, sem conhecimento geral desses outros fatores, logo, logo são convencidos das “profecias”, “harmonia” e tantas outras coisas relativas à Bíblia.

O que tenho buscado mostrar, através desse blog, caro leitor(a), é o outro lado da moeda, lado esse que não me contaram e que sobrevive apenas na mente de acadêmicos em Universidades espalhadas mundo a fora. Depois que analisar à fundo as questões relativas à religião, principalmente à Bíblia e o Cristianismo, verão que não são, nem nunca foram, coisas impressionantes e sim meras impressões inseridas em nossa mente pelo pior de todos os males, a falta de conhecimento.

7 comentários:

  1. Oi amigo, parabéns pelo blog. Parabéns pela sua libertação. Conhecereis a verdade....

    Então é o seguinte, to passando pra dizer que eu também tive minha fase agnóstico, mas finalmente consegui ligar os pontos (ou quase) e achei que você, por ser muito inteligente pode ter uma grande opinião sobre o assunto.
    Sem mais delongas, eu estou falando de plantas enteógenas, uma delas é dai do nordeste, a jurema preta! Mas existem várias outras e o estudo delas é fascinante, são mais velhas do que qualquer religião, e provocam a verdadeira experiência religiosa! o EXTÂSE!
    De modo que ninguém precisa ensinar nada a você, o próprio universo irá te ensinar!Sem dogmas, sem opiniôes pessoais! Não consigo imaginar um modo mais rápido e eficiente!
    Um grande abraço, fico muito feliz pelo seu blog, uma verdadeira luz em meio a tantas trevas!
    P.S.: Tenho várias interpretações interessantes das escrituras, mas outra hora eu comento.

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    1. Olá Vania, um prazer enorme tê-la no meu blog. Já a algum tempo estou namorando um livro fabuloso sobre esse assunto, entitulado Sobrenatural, de Graham Hancock. Ao longo de mais de 500 páginas, ele fala justamente dessas plantinhas milagrosas das quais falastes.

      Assim que terminar as leituras que estão em andamento irei comprá-lo e poderei ter uma ideia maior sobre o tema. Fico sinceramente feliz com sua descoberta mística e desejo que isso contribua para sua evolução como ser humano.

      Abraço forte!

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  2. Sim, ele é um dos inúmeros estudiosos que tem se dedicado ao assunto. Então, conheci essa plantas através da igreja do Santo Daime (que eu recomendo, você chega lá e tem criança e velho tomando a bebida). Fui atrás devido a problemas de saúde e depressão.
    Apesar de ter muito medo do que poderia acontecer foi uma experiencia muito boa, comecei a estudar e descobri coisas fantásticas que, "eles" não querem que você saiba. Estou melhorando minha saúde e finalmente compreendendo várias questões espirituais que me atormentavam, sem o incômodo de um pastor ou benzedeiro fazendo o papel de intérprete. Agora faço uso das plantas em casa.

    E o mais importante, sempre que um TJ, ou outro crente fanático me questiona sobre o uso de plantas expansoras da consciência você sempre pode recomendar a leitura de Gênesis 1 29 hehe. Daquele livrinho preto deles.

    Bjs

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  3. José
    Então, os viciados são os maiores espirituais. KKK!
    Eles adoram uma "plantinha".

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    1. remedios infaliveis ; leitura da biblia ou a audicao da mesma ,jejum e oracao o resto é HERESIA

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