quarta-feira, 11 de julho de 2012


CRÍTICO, COMENTÁRIO, ZACARIAS, ELISABETE

1:2 Segundo nos transmitiram desde o princípio as testemunhas oculares e ministros da palavra,...

Divisão Textual

1.2a Segundo nos transmitiram...
1.2b Desde o princípio as testemunhas oculares...
1.2c E ministros da palavra,...

Análise Textual Fragmentada

            1.2a Segundo nos transmitiram...

Gr.: καθως παρεδοσαν ημιν. “Ao passo que os narravam. Ao passo que davam um relato sobre eles.” (BARNES, ed. eletr.) Basicamente tudo que se podia saber sobre Jesus, suas lendárias histórias, era por meio da tradição oral. As testemunhas oculares do ministério de Jesus eram responsáveis por passar essas histórias adiante e os que ouviam faziam o mesmo. Essas principais testemunhas oculares seriam os “doze apóstolos e os setenta discípulos”. (GILL, ed. eletr.) “Lucas recebeu essa tradição junto com aqueles que são mencionados acima (os muitos). Ou seja, ele não era uma das “testemunhas oculares”. Ele era uma testemunha secundária, não primária, dos acontecimentos”. (Robertson, ed. eletr.) “Lucas tinha boa autoridade no que escrevia. Ele mesmo não era uma testemunha ocular, mas tinha consultado outro que era.” (MORRIS, p. 73) “Com a clausula καθως Lucas endossa o trabalho desses escritores de Evangelhos primitivos de forma certa, pois “segundo” declara que esses escritores seguiram suas autoridades bem próximas a sua maneira e forma.” (LENSKI,  p. 29) Esse comentário é digno de nota, não apenas pelo fato de ter sido Lenski um erudito evangélico, mas por deixar claro que os muitos evangelhos mencionados em Lucas 1:1 (Cf. Comentário Crítico de Lc 1:1), Evangelhos Apócrifos, também derivaram suas fontes da tradição oral, deixando claro que, no Cristianismo primitivo, tínhamos apenas relatos sobre a pessoa de Jesus e na maioria das vezes esses relatos contradiziam uns aos outros.

            1.2b Desde o princípio as testemunhas oculares...

Gr.: οι απ αρχης αυτοπται. Aqui o escritor ressalta a historicidade das coisas que ele irá relatar em todo seu Evangelho. Para ele, seu relato não é mítico e sim histórico, pois todas as coisas que mencionará podem ser averiguadas com base no testemunho daqueles que “presenciaram” (αυτοπται) essas coisas. “Ele prefere designar as pessoas como “testemunhas” e o termo usado aqui, “testemunhas oculares”, não é achado em lugar algum em Lucas-Atos” (GREEN, 1997, p. 40)

            1.2c E ministros da palavra,...

Gr.: και υπηρεται γενομενοι του λογου. Como mencionados acima, aqueles que “presenciaram” os ensinos, os milagres e principalmente a Ressurreição de Jesus eram responsáveis por passar esses testemunhos, e assim deviam ser “ministros da palavra”, quer dizer, os porta-vozes desse conhecimento. “Testemunhas oculares” e “ministros da palavra” são descrições paralelas do mesmo grupo de pessoas”. (GREEN, p. 41) “O grego tem apenas um artigo que combina “testemunhas oculares” com “assistentes da palavra” [...] eles eram dois grupos, mas como autoridades para os muitos escritores, eles constituíam um corpo.” (LENSKI, p. 29) Como demonstra Lenski, essas fontes orais também serviram de base tradicional para os muitos evangelhos produzidos anteriores a Lucas, mencionados em 1:1.

Bibliografia

BARNES, Albert. Albert Barnes’ Notes on The Bible. Ed. eletrônica.
GILL, John. John Gill’s Exposition of the Entire Bible. Ed. eletrônica.
LENSKI, R.C.H. The Interpretation of St. Luke’s Gospel 1-11, Augsberg Fortress, 2008.
GREEN, Joel B. The New International Commentary on the New Testament: Gospel of Luke. Wm. B. Eerdmans Publishing Co. 1997.
MORRIS, Leon. Tyndale New Testament Commentary, Wm. B. Eerdmans Publishing, 1988.

0 comentários:

Postar um comentário

Antes de comentar, queira ler os artigos Critérios para se Aprovar Comentários e Respostas à Alguns Comentários. Obrigado pela visita e pela participação!

Comentarios Recentes

Compartilhe este Artigo

Delicious Digg Facebook Favorites More Stumbleupon Twitter

Search Our Site