segunda-feira, 9 de julho de 2012

JESUS, RESSURREIÇÀO, MITO, PÉLOPEA Guerra de Tróia já se arrastava havia quase dez anos. Os gregos, já exaustos da batalha, capturaram um profeta troiano e o forçaram a revelar os segredos do oráculo. O profeta predisse que a cidade nunca cairia, a menos que os gregos trouxessem o grande ombro de Pélope como talismã. Os gregos, sem demora, foram rumo à Olímpia para trazer a grande relíquia da divindade.

Pausânias (c. 115 - 180 d.C.), um geógrafo e viajante grego, autor da Descrição da Grécia, obra que presta um importante contributo para o conhecimento da Grécia Antiga, graças às suas descrições de localidades da Grécia central e do Peloponeso, comenta essa história narrada no início de nossa postagem e fala que era bastante comum os gregos encontrarem ossos gigantescos e atribuirem à seus heróis mitológicos. É nessa linha que surge o culto à Pélope.

Pélope foi morto por seu pai, Tántalo, que esquartejou seu corpo e ofereceu-o aos deuses olímpicos, desejoso de granjear seus favores. A deusa Demeter, profundamente deprimida pelo rapto de sua filha Perséfone, por Hades, aceitou a oferenda e comeu o ombro esquerdo da vítima, mas os demais deuses condenaram a atitude de Tântalo, e trouxeram Pélope de volta à vida, restaurando seu ombro com uma peça de marfim fabricada por Hefesto. E para compensar a perda que sofrera, tornaram sua aparência mais bela do que era antes de ser morto. Isso despertou a luxúria de Poseidon, que levou o jovem para o Olimpo, tornando-o seu amante.
“O mito de Pélope – um protetor espiritual morto sem motivo justo e devolvido devolta à vida, miraculosamente, num corpo só em parte novo apresenta um grande número de analogias com a Ressurreição [de Jesus].” (OS, p. 102) Mais adiante, a mesmo obra comenta que “o caso de Pélope desmente o argumento de Tom Wright de que não há precedente para a crença cristã da ressurreição “corpórea” de Jesus” (Ibidem, n.t., p. 382)
Será que o lendário ombro de marfim de Pélope seria apenas imaginação dos gregos ou é um dado histórico que, para eles, representava a prova física da ressurreição do herói? O livro, The First Fossil Hunters, de Adrienne Mayor, que teve excelente aceitação por parte dos acadêmicos, trás uma explicação bem racional para o mito de Pélope e a suposta prova de sua ressurreição pelos deuses do Olímpo.

O livro chama atenção para numerosas notícias de descobertas de ossos enormes na antiga Grécia e os explicou em termos de paleontologia: os gregos estavam encontrando ossos semifossilizados de enormes mamíferos extintos, como mastodontes, elefantes e mamutes. (FFH, p. 105) Os pesquisadores acreditam que, uma vez que os gregos não tinham explicação para esses fatos arqueológicos, logo davam início a criação de outras explicações para o fato.
“A natureza da relíquia de Pélope hoje está clara. Mayor postula que ela seria, provavelmente, a escápula semifossilizada de um mamute. Protegiga na Pelópion, era inevitável que essa escápula de grandes proporções suscitasse perguntas e era também inevitável que as respostas assumissem a forma de mitos. Era enigmático, em especial, o estranho aspecto do osso. Supunha-se que fosse feito de marfim – uma confusão compreensível, já que um osso semifossilizado parece marfim velho, sobretudo se polido.” (OS, p. 103)
Obviamente, diante de tal mistério insondável, alguém apareceu com o mito de Pélope como uma explicação para tamanha ossada em “marfim”, levando-se em conta que os mitos existiam como forma de explicar o mundo natural, que, na maioria das vezes, ficava sem explicação. Um artigo publicado ano passado pela DiscoveryNews comenta bem esse ponto.  — Cf. Fósseis Pré-históricos Podem Ter Inspirado Mitos Gregos. (em inglês)

Na Antiguidade, era bastante comum se criar mitos, lendas e folclores baseados em acontecimentos históricos dos quais as pessoas não tinham uma explicação racional. (Cf. Evêmero e a Análise do Mito Cristão e Mitos, Lendas e o Fenômeno “Eu vi”) Milhares de pessoas faziam viagens para contemplar o ombro de marfim de Pélope, o grande deus que morreu e foi ressuscitado. Como dizia Joseph Campell, “eis o poder do mito!”

Creio que algo bastante similar deve ter ocorrido com a Ressurreição de Jesus. Os apóstolos faziam questão de dizer que eles haviam visto, tocado e conversado com o Jesus ressuscitado. (Cf. João 20:26-29, 1 João 1:2-3.) O Cristianismo passou de uma pequena seita judaica de pescadores, para ganhar o inteiro Ocidente. A resposta para esse sucesso, para os cristãos, estava no fato de Cristo ter mesmo ressuscitado, mas, para nós, a resposta está no fato deles terem visto algo, do qual, por alguma razão, não souberam explicar racionalmente e, assim, logo se convenceram de que seu Messias estava de volta à vida. A questão é, o que foi que eles viram? É isso que buscaremos desvendar.


Bibliografia

Wikipédia, acessado em 09/07/2012
WESSELOW, Thomas de, O Sinal: O Santo Sudário e o Segredo da Ressurreição, Paralela, 2012.
MAYER, Adrienne, The First Fossil Hunters, Princeton University Press, 2000.

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