terça-feira, 17 de julho de 2012

EBIONITAS, CRISTIANISMO, SEITAS, QUEM ERAMEbionitas, (Grego: Ἐβιωναῖοι; derivado do Hebraico אביונים ebyonim, ebionim, significando “pobres” ou “os pobres”), é um termo técnico patrístico referindo-se a uma ou várias seitas judaicas cristãs que existiam durante os primeiros séculos do Cristianismo.[1] Estes consideravam Jesus como o Messias[2], no entanto, negavam sua divindade e origem sobrenatural, ao passo que outros aceitavam o nascimento virginal e trabalhavam uma Cristologia própria. (Orígines, l.c. v. 61). Insistiam na necessidade de seguir a lei religiosa judaica, incluindo a circuncisão e a guarda do Sabbath, assim como cumpriam com vários ritos judaicos.[3] Os Ebionitas utilizavam apenas um Evangelho, o de Mateus, escrito em hebraico, ou Aramaico. Reverenciavam Tiago, o Justo, e rejeitavam Paulo de Tarso como sendo um grande apóstata da lei judaica.[4] O nome sugere que eles davam muito valor a pobreza voluntária. Orígines (De Principiis, iv. 1, 22; Contra Celsum, ii. 1) sabia que o significa da palavra “Ebionita” era “pobre”, mas que esse significado se referia a pobreza de entendimento deles (comp. Eusébio, l.c.), porque eles se recusavam a aceitar a Cristologia dominante da Igreja Ortodoxa. Há quem diga que os primitivos cristãos eram todos “Ebionitas” (o pobre; comp. Epiphanius, l.c. xxx. 17; Minucius Felix Octavius, cap. 36). Eles impunham a si mesmos a pobreza como algo meritório e como método de preparação para o reino Messiânico, levando em consideração Luc vi. 20, 24: “Felizes os pobres, pois a eles pretence o reino de Deus”; e “Ai de vós, ricos! Pois já tens recebido sua consolação.” (Mat. v. 3, “pobres no espírito,” é uma modificação tardia; comp. Luc iv. 18, vii. 22; Mat. xix. 21 et seq., xxvi. 9 et seq.; Luc xix. 8; Jo xii. 5; Rom. xv. 26; II Cor. vi. 10, viii. 9; Gal. ii. 10; Tg ii. 5 et seq.). Uma vez que os registros históricos são escassos, fragmentários e disputados, muito do que é conhecido, ou se suspeita, sobre eles deriva dos Padres da Igreja, que escreveram as polêmicas contra os Ebionitas, a quem eles consideravam heréticos judaizantes. [5][6] Por conseguinte, muito pouco, se é que alguma coisa, sabemos com certeza sobre a seita Ebionitas. Orígines (l.c. ii. 1), embora não seja plenamente claro com relação ao preciso significado do termo “Ebionita”, dá o testemunho mais importante de que todos os judeus cristãos eram chamados “Ebionitas.” Muitos estudiosos modernos, entretanto, distinguem os ebionitas de outros grupos cristãos judeus, como, por exemplo, os nazarenos;[7], embora outros os consideram idênticos aos Nazarenos.[8]

Referências

[1] “Ebionites”. The Oxford Dictionary of the Christian Church, Oxford University Press. 1989.
[2] Encyclopædia Britannica
[3] Kohler, Kaufmann (1901–06). “Ebionites”. Jewish Encyclopedia.
[4] Hyam Maccoby (1987). The Mythmaker: Paul and the Invention of Christianity. HarperCollins. pp. 172–183.
[5] Klijn, AFJ; Reinink, GJ (1973). Patristic Evidence for Jewish-Christian Sects.
[6] Church Fathers on the Ebionites.
[7] Hegg, Tim (2007) (PDF). The Virgin Birth —An Inquiry into the Biblical Doctrine, 13 Agosto de 2007.
[8] Jeffrey Butz, The Secret Legacy of Jesus, “De fato, os Ebionitas e os Nazarenos são a mesma coisa.” pg 124; “A seguida devastação da Guerra Judaica, os Nazarenos se refugiaram em Pella, um comunidade em exílio, aonde esperavam anciosamente com seus companheiros judeus. Desse ponto em diante, é preferível chamá-los de Ebionitas. Não há qualquer demarcação clara ou transição formal de Nazarenos para Ebionitas; não houve mudança repentina de Teologia e Cristologia.” pg 137; “Enquanto os escritos de pais apostólicos tardios falam dos Nazarenos e Ebionitas com se eles fossem grupos judaicos diferentes, eles estão errado nessa afirmação. Os Nazarenos e os Ebionitas eram o mesmíssimo grupo, mas para clarear iremos nos referir ao grupo pós-70 em Jerusalém de Nazarenos e os pós-70 em Pella e outros lugares como Ebionitas.” pg 137.

Bibliografia

EHRMAN, Bart. D. Evangelhos Perdidos, Rio de Janeiro, Record, 2008.
TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento: sua origem e análise. São Paulo, Shedd, 2008.
The Catholic Encyclopedia acessado em 17/07/2012.
TOMSON, Peter J., LAMBERS-PETRY, Doris. The Image of the Judaeo-Christians in Ancient Jewish and Christian Literature, Alemanha, Mohr Siebeck , 2003.

5 comentários:

  1. Olá Eduardo, as categorias do blog sumiram?! Porque aprecio mais a parte de mitologias comparativas.

    Gostaria de que se possível, uma sugestão de leituras sobre mitologias comparativas, mitos etc. Campbell é a referência principal, mas teria algum outro bom estudo sobre tais assuntos?!

    Nunca tive a cultura de ler muito a biblía, pois nasci numa familia catolica não praticante, convertida posteriormente ao espiritismo. O espiritismo se baseia na biblia, mas em apenas em alguns trechos principais. Ler a biblia e pesquisar sobre ela e fantástico, é um grande livro mitológico e histórico pra mim.

    Abraços, e que a tolerância religiosa e aos ateus impere, que as pessoas não sejam julgadas por suas crenças nem desmerecidas pela mesmas, por mais ilógicas que possam aparentar. Pois crer é um ato tão humano quanto questionar. São apenas opções.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Nicolas. A seção "categorias" é o mesmo que "tópicos". Na barra lateral à sua direita, parte superior, temos as opções "mais visitados", "tópicos", "arquivo". Se clicar em "tópicos" verá aquela lista anterior de categorias.

      Em relação ao seu pedido por materias relacionadas à mitos, eu ainda tenho um lista interminável de assuntos a serem publicados sobre a ciência da religião comparada. No entanto, a demora se dá pelo fato de tempo, bem como na produção de outros artigos que também considero serem úteis nessa missão de desmistificar o Cristianismo. Acompanhe o blog e verás essas postagens no devido tempo.

      Concordo plenamente com seu pensamento relacionado à Bíblia, religião e as formas de pensar alternativas.

      Por último, gostaria da sua opinião sobre o novo template do blog. Acha melhor esse ou o anterior?

      Excluir
    2. Concordo com você quando diz que a Bíblia é um livro fantástico, porém tenho que discordar e responder sobre ser um livro mitológico.... segundo o Dicionário Online de Português Mitológico faz referência a Mitologia que significa: s.f. História fabulosa dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade.
      Ciência dos mitos. A História narrada entre as linha da Bíblia não pode ser aceita como mito por motivos. Primeiro diversos dos acontecimentos escritos nela podem ser verificados pela história e pela arqueologia, isso prova que não é mito e sim história verídica.

      Excluir
    3. Olá anônimo. Em meu livro eu dediquei uma boa parte sobre o uso da nomenclatura "mito" para falar dos relatos bíblicos. De forma resumida, posso dizer que não podemos pegar uma mera definição em um dicionário e aceitá-la apenas como está sem compará-la com outras fontes. Por exemplo, todo e qualquer dicionário hebraico dirá que 'elohim traduzido por "Deus" na Bíblica significa na verdade "deuses", sendo o plural de 'el "deus", im é o sufixo do plural em hebraico. Além disso, ambos os termos são originários de civilizações semíticas politeístas. Não obstante, nada impediu o uso do termo para descrever o Deus bíblico e seu culto monoteísta na Bíblia Hebraica.

      O termo "mito" tem uma diversidade enorme de significações. Mitos à principio nada tem a ver com "deuses", ou "mentira" como virou cognato em nossos dias. A palavras grega original mythos [mesma grafia da palavra alemã] se refere apenas a um relato. Com o tempo, os filósofos passaram a separá-la de logos [história verdadeira].

      A Bíblia possui mitos e lendas. Se houve uma guerra e o escriba a descreve e podemos achar indícios arqueológicos da mesma, isso é história, mas se no meio do relato o autor diz que um anjo desceu do céu e ajudou Israel isso seria "lenda", que é um acréscimo a um fato histórico. Eu, particularmente, para não ficar pulando entre "mito" e "lenda" passei a chamar todos de mito.

      A árvore da vida dos egípcios, sumérios até a Yggdrasil dos nórdicos certamente é um mito sem qualquer posição história. Os animais falantes da Bíblia do mesmo modo. Portanto, posso dizer que a Bíblia possui mito, embora também história, lendas, etc, etc.

      Excluir
  2. Bem melhor, está mais limpo e organizado. Achei as categorias no blog, foi só falta de costume mesmo.

    ResponderExcluir

Antes de comentar, queira ler os artigos Critérios para se Aprovar Comentários e Respostas à Alguns Comentários. Obrigado pela visita e pela participação!

Comentarios Recentes

Compartilhe este Artigo

Delicious Digg Facebook Favorites More Stumbleupon Twitter

Search Our Site