segunda-feira, 16 de julho de 2012

Posted by Eduardo G. Junior In , | No comments

Conceito Cristão sobre a Separação e Divórcio

por Eduardo Galvão

DIVÓRCIO, SEPARAÇÃO, ESTUDO BIBLICO, CONCEITONada pode ser mais perturbador do que o divórcio. Creio que a grande maioria das pessoas, quando se casa, deseja permanecer ao lado da pessoa que escolheu para compartilhar sua vida. Não obstante, é fato inegável que as coisas mudam, as pessoas mudam e, às vezes, precisamos também mudar para nos adaptarmos a nova situação.

Alguns casais concordam na separação amigável, por diversos fatores, mesmo depois de tentar, de todas as formas, salvar o casamento. Infelizmente, em muitos casos, a separação é, sem dúvidas, o melhor remédio.

Um grande problema surge para quem é cristão praticamente, pois sua decisão de manter o casamento ou divorciar-se está embasada na sua interpretação dos textos bíblicos. A Bíblia diz que há apenas um motivo válido para o divórcio, a saber, o adultério, e ela mostra que aqueles que se divorciam por tal razão ficam livres para se casarem de novo. (Mat. 5:32; 19:3-9) É claro que existem inúmeras interpretações para esses versículos (Cf. O Problema da Diversidade Cristã); por isso, iremos comentar pelo menos as principais correntes cristãs sobre o assunto.

O conceito cristão sobre o divórcio, no campo evangélico, resume-se nessas palavras do site CACP.org:

Quando o casamento pode ser desfeito?

A princípio a resposta a essa pergunta é: “o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt.19:6). Esse versículo (Mt.19:6) nos deixa claro que, para Deus, deve haver só uma união matrimonial e que sua vontade é que dure para sempre. Entretanto, existem dois casos na Palavra de Deus que é licito contrair novas núpcias.

Os casos são os seguintes:

1) – Quando há o adultério – leiamos:

“Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher(isso vale também para o homem), a não ser por causa de infidelidade (adultério) , e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt.19:9; 5:28-Mc.10:6-12).

“Não adulterarás” (Êx.20:14).

Quando interrogado acerca da separação conjugal e da carta de divórcio permitida por Moisés (Dt.24), Jesus começa todo um esboço sobre o tema referido. Sua declaração é dura, pois na lei mosaica poderia o marido repudiar a sua esposa por qualquer “ato indecente” ou que ele achasse indecente, porém o Senhor volta lá no princípio (Gênesis) e mostra o propósito do Pai – o casamento sem separação. Todavia, o Senhor nos narra aqui um motivo para que esse casamento venha a ter fim e outro possa ser contraído. O fator adultério é frisado nesta conversa com os judeus e explicado como o único motivo para a separação conjugal e ainda o texto nos deixa base para compreendermos claramente que o traído poderá até contrair novas núpcias e ainda ficar de acordo com a Palavra de Deus. Há também a possibilidade do perdão, se o adúltero se arrepender. Quando há arrependimento, por parte do adúltero, o melhor e mais aconselhável é perdoar e lutar para manter o casamento e a família unida.

2) – Em casos de viuvez

“Porque a mulher casada (isso vale também para o homem) está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamada adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido” (Rm.7:2-3).

“A mulher está ligada enquanto o marido (ou esposa) vive; mas se falecer o marido(ou esposa), fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (ICor.7:39).

A frase “até que a morte nos separe” é interpretada nos versículos citados acima e que bom seria se só a morte fosse o motivo da separação. O viuvo ou viuva não é obrigado a ficar sozinho na vida. Deus dá a liberdade a esta pessoa para encontrar outro companheiro cristão, para juntos terminarem a carreira. Isso é uma decisão de cada viúvo, se não casar, amém, se casar, aleluia!

Só nessas duas hipóteses é que poderá haver um novo casamento. Por isso a escolha de um esposo ou esposa é de extrema importância e não deve ser feita às pressas. É uma decisão para toda a vida e não uma experiência para ver se vai dar certo. A escolha errada poderá comprometer toda a vida de um indivíduo.
Os problemas sociais que isso causa são sem precedentes. Muitas mulheres evangélicas, que vivem com maridos descrentes, se separaram, mas não podem começar uma nova vida com outra pessoa. Outras, por não terem prova do adultério, não podem se divorciar, se o fizerem, seriam repreendidas, criticadas e passariam por vários constrangimentos dentro da igreja. Ainda outras, por não terem prova cabal do adultério, ficam presas em um casamento infeliz, até que o “Senhor” converta o cônjuge descrente, ou desmascare o adúltero, para que assim, possam estar livres para contrairem um novo matrimônio.

Há ainda outras interpretações mais rigorosas, como podemos ver abaixo:
Somos informados do tratado de divórcio na legislação Moisaica (Deu 24:1-4). Ela foi passada por Jesus na discussão acima [em Mateus 19:3-12] e por Ele excluída da existência em Seu sistema de religião. Depois que Jesus falou o acima, a permissão Mosaica se tornou uma carta morta. Não deve haver a prática disso entre Seus seguidores. Assim, o divórcio do Antigo Testamento é apenas um assunto de curiosidade antiquária. (ISBE)
Nesse caso, para Deus não haveria base para divórcio. O cristão deveria ficar com seu respectivo cônjuge custe o que custar. Apesar dos editores da enciclopédia concordarem que os outros relatos paralelos mencionam que Jesus citou o adultério como sendo o único motivo válido, posteriormente eles comentam que “é mantido de forma muito plena na Igreja Cristã que não deve existir nenhum tipo de divórcio.” (Ibidem)

O caso mais agravante, como de sempre, é o das Testemunhas de Jeová (TJs). Com base nesse princípio bíblico de Mt 5:32 e 19:9, nenhum membro batizado pode se divorciar legalmente, exceto se tiver provas de um adultério. (Cf. Sexo Entre as Testemunhas de Jeová) Quando um dos cônjuges está infeliz no casamento, são dados todos os conselhos possíveis e imagináveis para se salvar o casamento, o que, em si mesmo, é algo muito elogiável. No entanto, mesmo quando nada mais funciona, com relação ao convívio, o casal deve permanecer juntos até o fim.

Se uma TJ, mesmo depois dos conselhos bíblicos, se divorciar e posteriormente começar um novo relacionamento, ela poderá ser desassociada, ou seja, expulsa da religião, pois, aos olhos de Jeová, a pessoa ainda estava sob o anterior julgo matrimonial.

O conceito que as Testemunhas de Jeová têm sobre o adultério pode ser visto nessas citações:
Jesus salientou também que, se quer o marido quer a esposa obtivessem divórcio, a não ser por motivo de fornicação (gr.: por•neí•a), o novo casamento de qualquer um deles constituiria adultério. Mesmo o solteiro que tomasse por esposa tal mulher divorciada seria culpado de adultério. — Mt 5:32; 19:9; Mr 10:11, 12; Lu 16:18; Ro 7:2, 3. (It-1 p. 58 Adultério)

A Sentinela tem muitas vezes dito que Jesus, ao falar sobre o divórcio segundo praticado no Israel antigo, mostrou que uma norma mais elevada havia de ser instituída entre seus seguidores. Ele disse que, se alguém se divorciasse da esposa, a não ser por motivo de fornicação (por•neí•a, “relações sexuais ilícitas”), e se casasse com outra, estaria cometendo adultério; e, mesmo se não se casasse, exporia sua esposa ao adultério. (Mat. 5:32; 19:9) Assim, A Sentinela tem mostrado que, para os cristãos, o divórcio é um assunto muito mais sério do que era em Israel. Embora as Escrituras não ordenem que toda pessoa que se divorcie seja expulsa da congregação, os que também cometem adultério e são impenitentes são desassociados pelas congregações das Testemunhas de Jeová. — 1 Cor. 6:9, 10. (jv cap. 13 p. 177)
Em alguns casos, os líderes da religião permitem que uma pessoa apenas se separe, o que é diferente de divórcio, pois nesse caso a mesma não pode contrair novo casamento, uma vez que a separação é apenas física. Abaixo lemos quais são os casos permitidos:
Em algumas situações extremas, alguns cristãos decidem se separar do cônjuge ou se divorciar sem que tenha havido fornicação. Em casos assim, a Bíblia diz que quem faz isso deve ‘permanecer sem se casar, ou, senão, se reconciliar novamente’. (1 Coríntios 7:11) Um cristão nessa situação não está livre para procurar alguém para se casar. (Mateus 5:32) Analise aqui algumas situações extremas que alguns consideram ser base para separação.

Recusa deliberada de sustentar a família. Uma família talvez passe necessidade porque o marido deixa de prover o sustento, embora ele tenha condições de fazer isso. A Bíblia diz: “Se alguém não fizer provisões para . . . os membros de sua família, tem repudiado a fé e é pior do que alguém sem fé.” (1 Timóteo 5:8) Se um marido nessa situação se recusar a mudar de proceder, a esposa terá de decidir se ela precisa proteger seu bem-estar e o dos filhos por meio de uma separação legal. Naturalmente, os anciãos devem analisar bem qualquer acusação feita contra um cristão alegando que ele se recusa a sustentar a família, pois isso pode resultar em desassociação.

Extremos maus-tratos físicos. Um cônjuge agressivo pode ser tão violento que põe em risco a saúde ou até mesmo a vida do cônjuge inocente. Se o cônjuge agressivo é cristão, os anciãos da congregação devem verificar se as acusações têm base. Acessos de ira e comportamento violento são base para desassociação. — Gálatas 5:19-21.

Pôr totalmente em risco a espiritualidade da pessoa. Um cônjuge pode constantemente tentar tornar impossível que um cristão adore a Deus; talvez até mesmo tente obrigá-lo a violar de alguma forma os mandamentos de Deus. Em casos assim, o cônjuge inocente terá de decidir se a única maneira de “obedecer a Deus como governante antes que aos homens” é por obter uma separação legal. — Atos 5:29. (lv pp. 220-221)
Esses são os únicos casos em que uma TJ é permitida se separar. Questões de incompatibilidade, objetivos de vida, e tantos outros, são totalmente descartadas.

O melhor exemplo é aquele que presenciamos. Quando era Testemunhas de Jeová, tinha um amigo, hoje falecido, que convivia com essa situação. Seu pai, com mais de 80 anos, sexopata, mantinha todos os dias relações sexuais com a esposa, que na época tinha seus 50 e poucos anos. Como morei por alguns meses com eles, fui testemunha do sofrimento dessa jovem senhora.

Várias vezes ela buscou a ajuda dos anciãos - tipo de pastores entre as Testemunhas de Jeová - e o conselho, de acordo com a interpretação bíblica deles, era sempre a mesma. Ela não tinha base bíblica para se separar, nem muito menos se divorciar, e, além disso, com base na Bíblia, ela tinha que cumprir suas obrigações matrimonias relacionadas ao sexo. – Cf. 1 Coríntios 7:3-4.

Conheci muitos outros casais, durante os 12 anos que fui membro dessa religião, que viviam infelizes pois, apesar de já terem tentado de tudo, não eram mais compatíveis, não se suportavam mais, e, mesmo assim, não podiam se separar, uma vez que tinham medo de estar desagradando a Jeová, medo da represália que poderiam receber na congregação, medo de serem desassociados e assim perder todos os amigos de uma só vez.

Acreditem ou não, mas conheci homens cristãos que desejavam que a esposa falecesse, pois só assim poderiam ficar livres para se casarem novamente, conforme a doutrina cristã expressa em Rm.7:2-3 e 1 Cor. 7:39.

É lamentável pegar um conceito judaico-cristão de dois mil anos e tentar aplicar em nosso século XXI. Ensinar milhares de pessoas que somente o adultério é a base para o divórcio é condenar centenas de casais à total infelicidade, deixando passar a possibilidade de se reencontrarem e começarem uma nova vida.

O divórcio é um assunto muito sério. Deve-se levar em conta inúmeros fatores, como os filhos, a história do casal, e até mesmo as questões financeiras. É abominável pessoas que se separam por motivos frívolos. Creio que devemos fazer tudo para salvar um casamento. No entanto, sabemos que nem todos os casais podem ser salvos juntos, então, que pelo menos o sejam separados.

0 comentários:

Postar um comentário

Antes de comentar, queira ler os artigos Critérios para se Aprovar Comentários e Respostas à Alguns Comentários. Obrigado pela visita e pela participação!

Comentarios Recentes

Compartilhe este Artigo

Delicious Digg Facebook Favorites More Stumbleupon Twitter

Search Our Site