segunda-feira, 2 de julho de 2012

JESUS, RESSURREIÇÃO, CRISTOLOGIA, PRIMTIVA
Pretendo escrever, posteriormente, um artigo maior e mais completo argumentando sobre a ressurreição de Jesus Cristo. Há algum tempo, tenho comentado aqui no blog sobre o livro mais recente de Bart D. Ehrman, um erudito do Novo Testamento e historiador do Cristianismo primitivo.

Ehrman defende que, embora ele mesmo não creia na Ressurreição, esse dogma não teve qualquer influência de mitos pagãos. Para o estudioso, os primeiros discípulos de Jesus criaram a ideia de que ele ressuscitou baseado em sua interpretação escatológica do Antigo Testamento.

Argumentei, em outra postagem, que, às vezes, Ehrman parece se contradizer em seus argumentos, embora ainda sejam coisas passíveis de análise mais acurada. Para entender melhor, queira ver o artigo: Ressurreição de Jesus - Mito ou Fato?

Voltando para nosso caso presente, o historiador comenta que não existe influência nenhuma dos mitos de deuses que morrem e ressuscitam, porque, entre outras coisas, Jesus não era visto como Deus pelos seus primeiros discípulos. Ele cita uma passagem cristológica muito debatida entre os teólogos e que nunca se chegou a um consenso; estamos falando de Filipenses 2:5-10.

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra. (ACF)
O raciocínio de Ehrman é bastante simples: Cristologicamente falando, os eruditos liberais acreditam que Jesus Cristo morreu na forma de escravo, como filho de Deus e não como Deus, portanto, não há qualquer imagem refletida de antigos deuses que morrem e ressurgem. Veja abaixo uma citação desse pensamento em seu livro:
No entanto, para alguém que interpreta o início desta passagem em Filipenses, uma coisa é clara. Ela não descreve um deus morrendo e ressuscitando. Pensar que a passagem diz isso é requer que o leitor ignore o que o texto realmente diz na segunda estrofe. O que é mais significativo é que Cristo – quer um ser divino preexistente, Adão, ou um anjo (eu mesmo prefiro a última interpretação) – “esvaziou-se” antes de morrer na cruz. Ou seja, ele privou-se de qualquer situação que ele tinha quando estava na “forma de Deus”, e ele tomou uma forma completamente diferente, a de um “escravo”. Não é como um deus que ele morre, mas como um escravo. E ele não é ressuscitado como Deus. Ele é exaltado a uma posição digna de adoração igual com Deus somente depois que ele é ressuscitado. (Did Jesus Exist? The Historical Argument for Jesus of Nazareth, cap. VII, Mythicist Inventions: Creating the Mythical Christ, subtópico: Jesus as God.)
A grande problemática, creio eu, e tento esclarecer para vocês que acompanham nossas matérias, é que existem os miticistas moderados e extremados. Como faço parte dos moderados, eu não creio que os dogmas do Cristianismo vejam um crtl C + crtl V dos mitos antigos. Influência não é o mesmo que uma cópia literal. Dessa forma, a ideia não é que necessariamente um deus morreu e ressuscitou, mas sim que um ser divino, ou semi-divino, morreu e foi trazido de volta à vida como prêmio pela lealdade aos deuses, ou demonstração de poder sobre a vida e a morte.

Portanto, seja um deus que morre e ressurge, seja um semi-deus que morre e ressuscita, ou apenas um herói que, depois de morrer recebe de novo sua vida; a ideia arquetípica é a mesma: Alguém importante, ao lutar contra os poderes das trevas, morre, perdendo a batalha, mas não a guerra, pois o Bem, no final, sempre triunfa e assim o mesmo ressurge para prevalecer sobre o Mal, tendo um fim glorioso.

Dessa forma, o argumento ehrminiano de que, uma vez que Jesus não era originalmente cultuado como deus, ele não poderia ser retratado como um deus que morreu e ressuscitou, imitando os deuses pagãos, não é um argumento convincente, pois a ideia não se restringe a deuses.

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