domingo, 29 de julho de 2012

ANIMISMO, ANTIGO, CONCEITO, SOBRENATURALQuando investigamos eventos históricos relacionados com a religião, mito e a visão dos povos antigos, sempre caímos no problema de enxergar a mente dessas pessoas tendo como base a nossa do século XXI. Isso cria um problema enorme para compreendermos os fenômenos religiosos do passado, pois o que para nós parece bobagem, para eles era encarado com a mais alta reverência.

Portanto, uma maneira de entendermos esses fenômenos no campo da religião é tentar entrar na mente daquelas pessoas, tentar ver o mundo como elas viam há dois ou três mil anos atrás, que, você há de concordar, era uma maneira bem diferente de como vemos hoje.

Na antiguidade, as pessoas viam toda a Natureza como permeada por entidades sobrenaturais. Todas as coisas eram explicadas por meios metafísicos. Os antigos achavam que tudo, absolutamente tudo, tinha vida, desde uma pedra até a mais absurda das coisas.

Os ventos eram manifestações de entidades, bem como as árvores quando se mexiam, as águas eram habitadas por espíritos, tudo em toda parte estava impregnado de entidades superiores ao homem. Os estudiosos intitularam essa mentalidade como animismo.

O conceito de animismo foi cunhado primariamente no Victorian British anthropology na Primitive Culture (1871), pelo Sir Edward Burnett Tylor, que posteriormente foi publicado como Religion in Primitive Culture, 1958). Seus escritos, na verdade, precedem historicamente de outros autores, como o grego Lucrécio (c. 96–c. 55 b.c.e.) e o romano Marcos Túlio Cícero (106–43 b.c.e.), entre muitos outros.

Definindo o termo, certa obra afirmar:

O animismo (do latim: animus ou anima, ou seja, mente ou alma) se refere a uma crença em numerosos personalizados, seres sobrenaturais dotados de inteligência, razão e/ou vontade, que habitam os dois objetos e seres vivos que governam suas existências. Mais simplesmente, é a crença de que “tudo é consciente” ou que “tudo tem uma alma.” O termo foi estendido para se refere à uma crença de que o mundo natural é uma comunidade de personagens vivos, somente alguns dos quais são humanos. Como termo, “animismo” também tem sido utilizado nos meios acadêmicos para se referir aos tipos de culturas em que os animistas vivem. [1]

Também:

Uma teoria, em geral chamada de animismo, foi proposta pelo antropólogo inglês Edward Tylor (1832-1917). Ele sugeriu que experiências tais como sonhos, visões, alucinações e o estado inerte de cadáveres levaram os povos primitivos a concluir que o corpo é habitado por uma alma (latim: anima). Segundo esta teoria, visto que eram freqüentes os sonhos com entes queridos falecidos, presumia-se que uma alma continuava a viver após a morte, que deixava o corpo e morava em árvores, rochas, rios, e assim por diante. Por fim, os mortos e os objetos nos quais se dizia que as almas habitavam vieram a ser adorados como deuses. E assim, disse Tylor, nasceu a religião. [2]


O animismo é importante não apenas para traçarmos a linha evolutiva da religião na antropologia, bem como para entendermos a importância conceitual animista dentro de seu escopo histórico. O animismo mostra a riqueza conceitual das culturas aborígenes, tendo sido renegada a última escala na hierarquia das religiões, colidindo de frente com as manifestações religiosas monoteístas.

O objetivo dessa postagem não era escrever algo solto, embora mesmo assim pudesse ser bastante informativo. Entender a mentalidade primitiva por meio do animismo nos ajudará a contextualizar postagens futuras sobre a Ressurreição de Jesus. Esse é um caminho para entendermos o mito da Ressurreição, pois não precisamos necessariamente entender o termo “ressurreição” pelos meios que entendermos hoje, o corpo de carne e osso de alguém falecido que se põe de pé sozinho e sae por ai tão vivo quanto qualquer outra pessoa na terra, embora esse seja o conceito mais literalista que poderíamos dar para esse evento post-mortem.

Aprender que as coisas inanimadas – como uma pedra ou uma imagem qualquer – possuía vida para os antigos, por ser permeada por entidades sobrenaturais, é algo bem longe da nossa concepção do mundo moderno, mas, apesar disso, essa era simplesmente a forma como as pessoas, no geral, criam e como elas apreendiam o mundo. Essa deve ser nossa forma de entender os antigos fenômenos religiosos, como no caso da Ressurreição, mesmo sendo estranho e incrível para uma mente moderna.



Notas e Referências

[1] New World Encyclopedia acessado dia 29.07.2012.
[2] sh cap. 2 p. 23 par. 11 Religião — como começou?
GEERRTZ, Clifford. The Interpretation of Culture. New York: Basic Books, 1973.
HONIGMANN, John J. The Development of Anthropological Ideas. Homewood, Ill.: Dorsey, 1976.
STOCKING, George W., Jr. After Tylor: British Social Anthropology, 1888–1951. Madison: University of Wisconsin Press, 1995.
——. Victorian Anthropology. New York: Free Press, 1987.
SWANSON, Guy E. The Birth of the Gods: The Origin of Primitive Beliefs. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1960.
Encyclopedia of Religion and Society, acessado dia 29.07.2012.

Um comentário:

  1. Respeito tanto o cristão como o ateu e penso que todo ser humano antes de ser cristão deveria ser ateu, para encontrar seu caminho. Contudo, Jesus como homem foi um fato histórico, corroborado pela arqueologia, por historiadores ateus e não ateus, bem como por historiadores judeus. Foquemos então no homem e suas ideias e mais no que viveu. Podemos dizer que foi a personificação do bem na suas mais variadas formas e mostrou que a busca por Deus passa pelo próximo, em usar o proximo como um caminho, praticando o bem. O inteligente é que por afetarmos e sermos afetados pelos outros, pelas atitudes nossas e dos outros, usar o bem é mais que uma questão de fé, e sim de inteligência, pois a partir daí, construiremos um mundo melhor, nas nossas relações pessoais, no nosso micro universo que contribuirá para que se propague a partir de nós. Então o que queremos que se propague a partir de nós o bem ou o mal? Agindo assim, mesmo sem acreditar no Deus ou no Cristo, chegaremos ao reino de Deus ateus e Cristãos e muitos ateus primeiro que muitos cristão. Idilio (imj)

    ResponderExcluir

Antes de comentar, queira ler os artigos Critérios para se Aprovar Comentários e Respostas à Alguns Comentários. Obrigado pela visita e pela participação!

Comentarios Recentes

Compartilhe este Artigo

Delicious Digg Facebook Favorites More Stumbleupon Twitter

Search Our Site