terça-feira, 8 de maio de 2012

DATA, EVANGELHOS, ESCRITA, QUANDO
Uma das perguntas mais feitas entre os que estudam a Bíblia é em relação à data em que os Evangelhos foram escritos. Os apologistas cristãos afirmam que estes foram escritos poucas décadas da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Estes eruditos cristãos alegam que os escritores dos Evangelhos foram testemunhas oculares de todos os eventos narrados, o que dá um maior peso no que diz respeito às evidências para a fé cristã.

No entanto, muitos outros estudiosos do NT datam os Evangelhos como pertencendo ao Segundo século. Talvez você, leitor(a), se pergunte qual diferença faz se os Evangelhos foram escritos no séc. I ou II da nossa Era Comum. A verdade é que faz muita diferença.

Se os Evangelhos tivessem sido escritos durante uma única geração, ou seja, no Primeiro século, isso indicaria um peso histórico maior. Como todos esses relatos sobre Jesus, os eventos, os milagres, os ensinos teológicos complexos, teriam sido desenvolvidos de forma tão rápida, em poucas décadas depois da morte do Messias? Isso seria prova de que alguma coisa extraorinária aconteceu naquele tempo, ou seja, que tudo de fato aconteceu historicamente.

O site apologético cristão CARM.org comenta apropriadamente: 
A datação dos evangelhos é muito importante. Se pode ser estabelecido que os Evangelhos foram escritos nos primórdios, digo que antes do ano 70, então teríamos uma boa razão para acreditar que eles foram escritos pelos discípulos de Jesus. Se eles foram escritos pelos discípulos, então, sua confiabilidade, autenticidade e precisão são melhor fundamentadas. Além disso, se eles foram escritos nos primórdios, isso significaria que não teria havido tempo suficiente para um mito rastejar-se para dentro dos relatos evangélicos, uma vez que foi a testemunha ocular da vida de Cristo que os escreveu. Além disso, aqueles que estavam vivos no momento dos acontecimentos poderiam ter contrariado os relatos evangélicos e uma vez que não temos escritos contraditórios com os Evangelhos, a sua autoria nos primórdios, bem como a autoria apostólica, se tornam ainda mais crítica. (CARM.org)
Se hoje um suposto Messias aparecesse curando, levantando os mortos, alimentando multidões famintas, andando sobre as águas, isso iria correr o mundo rapidamente, não apenas porque os meios de comunicação que temos hoje são bem mais eficazes, mas porque centenas de pessoas teriam sido testemunhas oculares desses milagres, as provas seriam claras, conclusivas, centenas de pessoas escreveriam sobre isso.

Agora imagine que, mesmo hoje, alguém crie um mito sobre alguma pessoa real. Um líder religioso supostamente cura alguém, e as pessoas começam a contar histórias sobre ele, as pessoas aumentariam as coisas, dariam asas à imaginação. Quanto tempo levaria para essas lendas se espalharem até se tornarem algo “real”, algo conhecido por milhões de pessoas? Isso, sem dúvida, levaria muito tempo para acontecer, pois tudo que as pessoas têm são as histórias, a palavra de boca, mas nenhuma prova cabal.

Um mito demora para ser construído, as pessoas vão contando histórias, que são agregadas à outras histórias, essas histórias juntam-se à conceitos que, por sua vez, sofrem influência de outros conceitos, e, no final, temos um mito plenamente desenvolvido.

Se tudo que sabemos hoje do Cristianismo tivesse sido criado apenas décadas do tempo em que Jesus viveu e morreu, seria difícil, embora não impossível, explicá-lo como sendo apenas um mito sobre uma pessoa histórica. Por outro lado, se os Evangelhos, com as histórias sobre Jesus, só vieram a existir séculos depois da sua vida, isso indicaria claramente que são fábulas e histórias contadas sobre um personagem histórico.

Nas postagens a seguir iremos analisar os argumentos à favor e contra a escrita dos Evangelhos no Primeiro século.

Continuação: Os Evangelhos - Uma Produção do Segundo Século

11 comentários:

  1. Como é possível alguém que não crê
    dedicar tanto de sua vida a provar
    algo contrário a Bíblia e o Cristianismo...
    Pra mim vc apenas luta contra uma verdade
    com a esperança de livrar-se ou eximir-se
    de responsabilidade, quando na verdade
    está tomando mais e mais isso sobre vc...
    Cuidado, a verdade não o deixa de ser
    se vc escolhe não acreditar...
    Um abraço.

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    1. "Como é possível alguém que não crê dedicar tanto de sua vida a provar algo contrário a Bíblia e o Cristianismo..." Como é possível alguém crer e dedicar a vida a provar que todas as pessoas de todas as outras religiões do mundo
      vão pro inferno pelo simples motivo de não acreditar em Jesus como filho de Deus?

      "Pra mim vc apenas luta contra uma verdade" - Me desculpa, mas sua opinião não tem peso algum sobre mim.

      "Cuidado, a verdade não o deixa de ser
      se vc escolhe não acreditar..." Concordo plenamente, por isso que eu tenho esperança que um dia você perceba a tolice que é fazer o mundo inteiro se tornar cristão! Em todas as postagens coloco vários argumentos e a única coisa que ouço dos cristãos são acusações e difamações... mas fazer o quê, damos aquilo que temos, vocês só têm isso... fica difícil esperar outra coisa!

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    2. É muita petulância sua falar em verdade. Afinal, que verdade?
      www.conspiracoes.com.br

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  2. Prezado, a título de informação...
    As primeiras cartas de São Paulo começaram a ser escritas no ano 50 d.C. - Escritas pelo mesmo enquanto o mesmo estava em cativeiro.
    E os Evangelhos de Marcos e Tiago no ano de 66 d.C.
    Ainda deve-se considerar que o ano em que Jesus nasceu têm uma margem de erro e pode ser que o mesmo tenha nascido no ano 3 ou 4 a partir do "marco zero".

    Outro ponto, como você mesmo disse, a maioria dos textos foram escritos não pelos próprios evangelistas, mas por outras pessoas que não se conheciam e de diferentes partes da terra. Visto que cada apóstolo foi para uma região diferente. O fato de a história contada, assim como os milagres contados serem os mesmo somente dá mais fidelidade aos fatos. Existem diversas curas e citações quase que idênticas entre Marcos, Mateus e Lucas. tal semelhança de história por pessoas que nunca se viram somente fortalece o fato e não o enfraquece como você afirma.

    Gostei do texto, você tem todo o direito de ter sua opinião.

    Paz e bem!

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    1. Olá prezado Salchichão,

      Obrigado pela visita e pelo elogio. Isso que você escreveu é a opinião dos eruditos que são cristãos. Eles sustentam essa ideia para dar crédito aos textos do NT, no entanto, praticamente a totalidade dos historiadores do cristianismo primitivo tem opiniões distintas.

      Mesmo aqueles que creem que os Evangelhos são do primeiros século, eu postei nesse artigo, e no artigo seguinte, os motivos pelos quais EU creio que eles são do segundo século.

      Quando você escreveu sua opinião, você não esboçou argumentos, apenas afirmou que são do primeiro século, mas essa opinião está alicerçada em quê?

      "O fato de a história contada, assim como os milagres contados serem os mesmo somente dá mais fidelidade aos fatos."

      Bom, isso não é bem assim. Hoje é consenso, até mesmo entre os eruditos cristãos, que os textos dos Evangelhos são parecidos porque eles são cópias e acréscimos de um texto comum chamado de Q [Quelle]. Isso já nem é mais debatido devido a certeza quase que absoluta.

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  3. PS.

    Se alguém lhe disse que o Cristianismo prega que "alguém vai pro inferno por não crer em Jesus" está mentindo com todas as forças.
    E aqueles que não tem contato com o mundo ocidental, alguma tribo indígena alienada ou coisa afim?

    Nós, cristãos católicos apostólicos romanos, cremos que: No momento de sua morte você terá a oportunidade de conhecer a Jesus e se então decidir por não segui-lo NÃO TERÁ A VIDA ETERNA. O Inferno é isso, é não ter a vida eterna ao lado do criador.

    A maioria das pessoas que não creem em Deus são somente vítimas das mentiras e informações distorcidas ou má contadas que o mundo espalha.

    abs!

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    1. Sr. Salchichão, lembre-se que seu cristianismo não é o único que existe. Há centenas de outras denominações cristãs, em quase todas elas é pregado que se mesmo em vida você não aceitar Jesus propositalmente, você irá para o inferno. O texto de João 3:16 também deixa isso claro. Até hoje não sabia de Igrejas que pregavam que a aceitação de Jesus só é levada em consideração depois que a pessoa morre. Nesse caso, quem não se converteria?

      Não forço meus pensamentos a ninguém, acho que o que você escreveu servirá para as pessoa que visitam esse blog. Dá pra ver quando uma coisa não faz o menor sentido.

      Abraço!

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  4. Prezado Eduardo

    Eu darei cinco exemplos de que as coisas podem não ser assim. Que um mito se forma imediatamente criado pelo charlatão.
    Um deles foi Samuel Hanneman, criador da homeopatia, com propriedades espirituais curativas.
    Joseph Smith Jr, que nos deu a religião dos mormans aderida por milhões.
    Outro foi o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que alega ser Allan Kardec, druida da idade das trevas.
    Neste século temos Chico Xavier, adorado por milhões
    E o inventor de Ramatis, Hercílio Maes, usados posteriormente por América Paoliello Marques, Maria Margarida Liguori, Wagner Borges, Norberto Peixoto, conforme a Wikipédia.
    Veja apenas estes poucos exemplos bem sucedidos de criar falsos seres espirituais em pouco tempo.
    Será que no século I, na Judéia, as pessoas eram mais prevenidas do que as alfabetizadas de hoje, muitas com nível superior, em um ambiente com farta difusão jornalística, que caíram nestas fábulas?
    Depois do reconhecimento por Constantino do cristianismo, como o novo deus da guerra romano (sob este símbolo vencerás), a criação de outras crenças e as existentes foram eliminada pelo fogo e ferro, não pelo reconhecimento da verdade cristã católica, ou pelo não aparecimento de outros charlatães. Se formou o maior sistema de repressão humana jamais existente.
    Portanto, uma criação total de um mito que ressuscitou e, ninguém viu, pode ter sido criado já no primeiro século. E amplamente aceitas por pessoas ignorantes e desesperançadas. Até mesmo as motivações dos criadores não são nada diferentes das pessoas daquele tempo com as de hoje. Como os Edir Macedo e outros que tais.
    Um exemplo histórico foi Apolônio de Tiana, não negado por Eusébio de Cesareia, o pai da história da Igreja, mas atribuído seus extraordinários poderes por ser empoderado pelo demônio.

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  5. Gente, achei interessante o papo de vocês, não tinha tempo para expor minha opinião, portanto postarei um texto - do livro a autor abaixo mencionado - que estou lendo e achando muito interessante.
    Mas é isso aí, é dialogando que a gente vai desmitificando. Esse é um assunto que deveria ser discutido amplamente pelas sociedades, pois considero nefasto o que as religiões, causaram e ainda causam à humanidade.
    Para refletir. "A religião é, pois, a fase infantil da humanidade. Um dia o homem descobrirá que ele adorou a sua própria essência, que criou em sua fantasia um ser semelhante a si, mas infinitamente mais perfeito, que está sempre pronto para lhe oferecer consolo no sofrimento e proteção nos momentos mais difíceis e angustiantes da existência. A religião será então substituída pela cultura, pela ética, pelo humanismo. A fé, a religião, separa; cria cisões entre os homens devido à rivalidade entre as diversas seitas. Não é ateu no verdadeiro sentido aquele que nega o sujeito, e sim o que nega os predicados do sujeito, ou seja; não é ateu aquele que diz: "Deus não existe", e sim o que diz: "a bondade não existe, a justiça não existe, a misericórdia não existe", ora, o que seria mais importante? Deus ou suas qualidades? Ou ainda: devemos ser bons porque Deus é bom ou já não seria o próprio Deus bom porque é bom ser bom? Se o mais importante é então ser bom, podemos abraçar a bondade independentemente de Deus, mas se o mais importante é seguirmos a Deus, poderemos adorá-lo e cultuá-lo independentemente da bondade, o que a história mostra em todas as suas páginas através das crueldades praticadas pelo fanatismo religioso. Se for o caso, prefiro ser um demônio aliado à verdade do que um anjo aliado à mentira". (Ludwig Feuerbach - do Livro A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO).

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    Respostas
    1. Obrigado Jorge pela contribuição e excelente comentário!

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    2. Realmente, Jorge, um belíssimo e humano comentário. Parabéns!

      Leandro Paz

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