quarta-feira, 30 de maio de 2012

Zoroastrismo
No Zoroastrismo, os alimentos desempenham um papel muito importante nos rituais religiosos. Um dos papeis que os alimentos têm é conectar o mundo material ao mundo espiritual. Alimentos como vinho, arroz e pão são os que mais aparecem nos rituais.

O que eu gostaria de dar destaque nessa postagem é o ritual que faz uso de um pão chamado Myazd, ou Myazda, em antigos cultos Persas, que é conhecido hoje como dron.
Dron (Av. draonah, lit. “porção”, “possessão”) se refere à pães redondos sagrados não-fermentados feito de farinha de trigo com nove cortes no meio. [Avesta.org]
Sobre esse pão não-levedado, a Enciclopedia Iranica diz:
DRŌN (Mid. Pers. drōn, Bk. Pahl. dlwn Av. draonah “porção de comida”; Gujarati Parsi darūn), termo do ritual zoroastra que significa originalmente “porção sagrada” e designa um ritual de oferenda aos seres divinos (Y. 33.8), por exemplo, a porção de um sacrifício animal apresentado ao yazata Haoma (Hōm; Y. 11.4). Na tradição do zoroastrismo tardio, como refletido nos livros de Pahlavi e práticas contemporânea de Parsi, no entanto, drōn denota não apenas aquilo que é um pão achatado, redondo e não-levedado de trigo que constitui uma oferenda normal. De acordo com as estipulações preservadas em Nērangestān (1.8.A-C), drōn deve ser preparado da farinha de trigo seca, ritualmente limpa e não-levedada umedecida com água pura e amassada apenas por sacerdotes ou suas esposas. (Aērpatastān, pp. 86-104; Ērbadistān, fols. 28r-34r; Nērangestān, fols. 39v-47v, 48v-49v). Durante a preparação cada drōn é marcado em um lado com znine, incisões rasas, arranjadas de três em três, enquanto as palavras humata, hūxta, e hvaršta são recitadas três vezes cada. Frasast, pão de trigo não-marcado do mesmo tipo, também é feito e consagrado com o drōn pelo zōt “sacerdote oficiante” (Y. 8.1; Modi, pp. 279-80, 335). Os zoroastricos na Pérsia atualmente fazem o drōn de massa levedada (Boyce, Stronghold, p. 38).
John M., comenta a relação com esse pão ritualístico e a eucaristia:
[...] No antigo culto Persa a carne sacrificada era misturada com o pão e cozido em um bolo redondo chamado de Myazd ou Myazda, (Haug, Essays on the Parsis, 3rd ed. pp. 112, 139, 368) e comido de forma sacramental pelos adoradores. (Pagan Christs, de John M. Robertson)
O uso dos pães como simbolismo na religião também é encontrado na Roma antiga. O site eNotes.com comenta:
Os padeiros na Roma imperial comemoravam o dia 9 de junho, os Vestalies, em honra da deusa romana Vesta. No Fastes, o poeta romano Ovídio descreve como os romanos vieram a adorar Júpiter Pistor ou Júpiter (o Padeiro). De acordo com Ovídio, quando os gauleses atacaram Roma em 387 a.C., os romanos invocaram Júpiter, e o grande deus aconselhou-os a jogar o que era mais precioso para eles sobre as muros. Enquanto oravam a Ceres, eles preparavam pães pequenos com os restos de sua farinha e jogaram os pães em seus agressores. Vendo isso, os gauleses acreditaram que Roma estava bem provisionada e tinha os meios para resistir a um cerco prolongado, então eles abandonaram o assalto a cidade. Em reconhecimento, os romanos construíram um templo a Júpiter Pistor que era associado ao simbolismo de trigo (vida, morte e renascimento), com o destino da cidade. 
Não apenas nas antigas religiões, mas mesmo hoje, vemos o desempenho do pão no rituais religiosos. Sabemos que o pão também tem sua importância ritualística dentro da teologia Cristã. Jesus é o “pão da vida” (João 6:35) e durante a celebração da Ceia do Senhor, os cristãos veem o pão como sendo, ou representando, o corpo de Jesus (1 Coríntios 11:23-26), que, assim como no Zoroastrismo, também era sem fermento, pois segundo o apóstolo Paulo, o fermento simboliza o pecado. - 1 Coríntios 5:7-8.

No entanto, quando nos referimos a Santa Ceia, devemos vê-la dentro do contexto judaico. Jesus era judeu, e, como praticante do judaísmo, ele cumpria todos os mandamentos relacionados aos festivais, inclusive a Páscoa judaica. Apesar disso, como a Última Ceia só existe dentro dos Evangelhos, e levando em consideração todos os outros pontos já mencionados sobre a influência pagã no Cristianismo, observamos que o relato ficcional da Última Ceia agrega conceitos não apenas do Judaísmo, mas também do Zoroastrismo.

Muitos artigos acadêmicos já foram escritos argumentando a influência do Zoroastrismo na concepção teológica dos judeus que, por sua vez, veio a influenciar o Cristianismo. O pão, desde há muito, era uma imagem muito utilizada nas antigas religiões da Mesopotâmia, como é o caso do Egito e sua conexão com Osíris. O pão estava relacionado com o trigo que, por sua vez, estava relacionado com morte e ressurreição. Talvez nesse sentido, não apenas pela alegada profecia do Antigo Testamento, Jesus tenha nascido na cidade de “Belém”, que quer dizer “casa dos pães” (STRONG).

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