sexta-feira, 18 de maio de 2012

Esse estudo é a segunda parte. Se você chegou nesse blog por meio dessa postagem, queira ver o contexto no artigo Quando os Evangelhos Foram Escritos?

EVANGELHOS, SEGUNDO, SÉCULO, ESCRITOSUma das grandes questões quanto à datação dos Evangelhos está relacionada à menção, ou não, dos Pais da Igreja desses escritos. Os apologistas cristãos dizem que os Pais da Igreja citaram os Evangelhos durante o início do século II, e assim dizem que, durante esse período, os quatro Evangelhos já eram conhecidos exatamente como temos em nossas Bíblias hoje. Vejamos os principais Pais Apostólicos.

Justino, o Mártir (100-165 E.C)

Veja a citação abaixo em Primeira Apologia, Capítulo LXVI Da Eucaristia.




Para os apóstolos, nas memórias compostas por eles, que são chamados de Evangelhos, assim, tendo entregue a nós o que foi prescrito a eles, que Jesus tomou o pão, e quando Ele deu graças, disse: “Isto vós façais em memória de mim, este é o meu corpo”, e que, da mesma maneira, tendo tomado o cálice e tendo dado graças, disse: “este é o meu sangue”, e deu a eles apenas.

A seguir, citações de Diálogo com Trífo.

Também no Evangelho está escrito que Ele disse: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e Ninguém conhece o Pai senão o Filho, nem o Filho senão o Pai, e que aqueles a quem o Filho o quiser revelar ele.”
“...e uma vez que encontrá-lo gravado nas memórias de seus apóstolos que Ele é o Filho de Deus, e uma vez que o chamam de filho...”

“... Para os que O viram crucificado abanaram a cabeça de cada um deles, e distorcendo os lábios, e torcendo o nariz para o outro, eles falaram em zombaria as palavras que estão gravadas nas memórias de seus apóstolos: “Ele disse que era o Filho de Deus: deixa-o vir para baixo, deixe que Deus o salve...”
A questão não é se os Pais da Igreja durante os primórdios do Cristianismo tenham citado palavras que hoje constam nos Evangelhos, mas é analisar como essas citações poderiam provar, ou não, que os Evangelhos, como temos hoje, são produtos do século II.

Observamos acima algumas citações que os cristãos fazem de um dos principais Pais Apostólicos, Justino, o Mártir. No entanto, escapa-lhes o fato de que Justino não menciona Evangelho algum, ele não cita nem evangelista, nenhum escritor de um suposto Evangelho. Perceba que todas as citações que Justino faz, ele usa a palavra “memórias” dos apóstolos. As expressões são:

“...nas memórias compostas por eles...”
“...no Evangelho está escrito...”
“...gravado nas memórias de seus apóstolos...”

Assim, temos um texto de Justino falando claramente de um texto contendo assuntos relacionados aos ensinos do Cristianismo que foram “gravados”, “escrito”, “composto” pelos apóstolos.

Perceba que, diferente dos Pais da Igreja séculos depois, ele nunca menciona o autor desse Evangelho – Mateus, Marcos, Lucas ou João. Além disso, ele se refere de forma quase que única à esse Evangelho como “memórias”. [1] Deve-se levar em conta que, apenas a ideia é similar com o que temos hoje nos quatro Evangelhos e não literalmente as mesmas palavras.

Dessa forma, o mais provável é que as fontes cristãs deviam ser pequenos textos contendo algumas “memórias” dos primeiros discípulos de Jesus, e não quatro Evangelhos plenamente desenvolvidos e escritos como temos hoje.

Clemente de Alexandria (c. 150-215)

Outros dizem que Clemente de Alexandria citava os Evangelhos por nome no século II. Isso também não é verdade. Analise o site Early Christian Writings. Clemente de Alexandria não cita nenhum Evangelho por nome, nem autor evangelista, ao passo que cita de forma extensa o A.T usando o nome dos escritores. Por que ele citou os escritores do A.T por nome, mas nenhum do N.T? A única forma de responder seria por dizer que os Evangelhos, como temos hoje, não tinham sido produzidos ainda no seu tempo.

As citações que ele faz e chama de “Evangelho” não se referem à palavra  “Evangelho” que temos hoje, que se refere à um livro, mas sim “Boas Novas” do Cristianismo, e que são apenas similares à algumas frases encontradas nos Evangelhos canônicos.

Policarpo de Esmirna (c. 69-155)

Alguns cristãos alegam que ele citou os quarto Evangelhos e a maioria das cartas de Paulo ainda entre 110 e 150 EC, o que colocaria os escritos originais ainda no séc. I. No entanto, como um manuscrito de um escritor do século II prova que os Evangelhos teriam sido escritos no século I?

Todas as citações dos Pais Apostólicos que temos dos Evangelhos estão no século II. Nenhum deles cita o nome dos escritores, nenhum deles diz: “O Evangelho de João diz...”, “O Evangelho de Mateus diz...”. Todas as citações são anônimas e estão relacionadas à tradições orais ou pequenos manuscritos cristãos.

Não há nenhuma menção no primeiro século de:

  • Nascimento Virginal
  • João Batista e o Batismo
  • Entrada Triunfal
  • Sermão da Montanha
  • Lázaro, ressurreição
  • Transfiguração
  • Última Ceia
  • Túmulo Vazio

Observando a antiga literatura cristã, vemos que a menção dos dogmas só aparece a partir do século II.


  • Maria – não é mencionada até c.130 (Inácio)
  • Belém - não é mencionada até c.150 (Justino)
  • Nascimento Virginal - não é mencionada até c.140 (Epístola dos Apóstolos)
  • Nazaré - não é mencionada até c.140 (Epístola dos Apóstolos)
  • João Batista - não é mencionada até c.150 (Justino)
  • Lázaro - não é mencionada até c.140 (Epístola dos Apóstolos)
  • Herodes - não é mencionada até c.130 (G.Pedro)
  • Judas - não é mencionada até c.130 (Papias)
  • Pilatos - não é mencionada até c.130 (Pastorais, Inácio)

Todas as citações que temos dessas histórias estão no século II. Como os cristãos podem usar citações anônimas de frases parecidas dos Evangelhos, de escritores durante os séculos II e III como prova de que os Evangelhos foram escritos no séc. I? Até mesmo leve em consideração que os primeiros escritos do Novo Testamento foram as epístolas, sendo que muitas delas escritas no século I. Até mesmo esses escritos não mencionam os Evangelhos, nem os cita:


  • Hebreus (60 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Colossenses (70 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Tiago (80 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 1 João (80 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 2 Tessalonicenses (80 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Efésios (90 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 1 Pedro (90 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Apocalipse (90 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Clemente (90 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Judas (100 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Didaquê (100 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Barnabé (c. 110 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 1 Timóteo (c. 120 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 2 Timóteo (c. 120 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Tito (c. 120 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 2 João (c. 120 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 3 João (c. 120 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Papias (c. 130 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • Hermas (c. 130 EC) - ZERO citações dos Evangelhos
  • 2 Pedro (c.130 EC) - ZERO citações dos Evangelhos

Manuscritos

Outra pseudo-evidência que os cristãos usam é na datação dos manuscritos que temos dos Evangelhos. Alguns citam o manuscrito de Bodmer contendo boa parte do Evangelho de João como sendo de 150-200 A.D e o manuscrito John Ryland em 130 A.D. Aconselho a esses a pesquisarem honestamente e verão que o manuscrito P75 é datado no século III por NA27 e século II por outros especialistas. Desafio alguém a mencionar um especialista, que não seja cristão, que o date no século I.

Com relação ao papiro John Ryland, que é catalogado como P52, sua datação pela comunidade científica está no século II (NA27), ou nos últimos anos do século II, segundo outros especialistas, como Schneelmelcher.

Wikipédia diz: 



O Evangelho de João é, talvez, citado por Justino Mártir, e, portanto, é altamente provável que tenha sido escrito antes de c. 160 CE, mas muitos estudiosos do Novo Testamento têm argumentado a partir da proposta da data de P52 como sendo antes disso, que a última data possível para a composição do Evangelho deva ser recuada para as primeiras décadas do século II - na verdade, não muito mais tarde do que a data tradicionalmente aceita de c. 90 d.C...


Também o Papiro P52:

Embora Rylands P52 seja aceito geralmente como registro canônico, ainda não há um consenso entre os críticos sobre a datação exata do papiro. Alguns historiadores afirmam que o papiro com o texto do Evangelho de João (18:31-33,37-38), teria sido escrito entre o período de 100 a 125 d.C.. Outros argumentam que o estilo da escrita, leva a uma data entre o anos 125 e 160 d.C..

Sem dúvidas que isso foi escrito por um cristão e mesmo assim veja que a honestidade o levou a colocar o Evangelho de João no século II. No entanto, mais uma vez perguntamos: Como esses cristãos podem usar manuscritos que datam do século II para provar que os Evangelhos foram escritos no século I? E faço mais uma nota de cautela: Toda vez que você pesquisar a datação desses manuscritos, bem como a escrita dos Evangelhos, todas as fontes e “especialista” são de cristãos. Os apologistas costumam colocar uma lista infindável de “Ph.Ds” para lhe convencer que é tudo do século I, onde, na verdade, todos esses são cristãos querendo fazer uso dos títulos acadêmicos para lhe impressionar e aceitar a credibilidade dos Evangelhos. Lembre-se que eles estão comprometidos com o Cristianismo e nenhuma pesquisa que eles fizerem estará isenta da fé deles nos Evangelhos, o que resulta de uma pesquisa sempre tendenciosa e não científica.

Como pode observar no site Early Christian Writings, praticamente todos os Evangelhos apócrifos são do século II [2] e isso é mais uma prova de que os Evangelhos também são um produto do mesmo período. Observe o que diz Lucas 1:1-2:



“Muitas pessoas têm se esforçado para escrever a história das coisas que aconteceram entre nós. Elas escreveram o que foi contado por aqueles que viram essas coisas desde o começo e anunciaram a mensagem do evangelho.” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)
Siga esse raciocínio silogístico:

  1. Lucas afirma que, enquanto estava compondo seu Evangelho, outros já estavam em circulação.
  2. É admitido de forma unânime, mesmo entre os cristãos eruditos, que esses outros evangelhos apócrifos só vieram à existência no século II.
  3. Logo, o Evangelho de Lucas é do mesmo período, ou seja, século II.

Resumindo, podemos dizer que essa declaração de Lucas só faz sentido se o seu Evangelho tivesse sido escrito no século II, uma vez que até mesmo os defensores cristãos concordam que nenhum evangelho apócrifo foi escrito no século I.

Outro ponto importante é que o escritor do Evangelho, que conhecemos por Lucas, dedicou a obra literária à alguém chamado Teófilo (Cf. Lucas 1:3). Os apologistas cristãos dizem que esse Teófilo teria sido um Sumo Sacerdote que viveu no século I (37-41 E.C), mencionado por Josefo em Ant. XVIII. 5, 3. No entanto, isso não faz o menor sentido. O que um Sumo Sacerdote iria fazer com um Evangelho cristão? Além disso, em canto algum Josefo menciona que esse Sumo Sacerdote se converteu para o  Cristianismo.

Note que o escritor usa a palavra grega κρατιστε (gr.: kratiste) que significa “grandioso”, “excelentíssimo”, “o mais destacado” (TDNT). A.T Robertson, citando Ramsay, diz que esse é o termo que significa “vossa Excelência” (RWP). Temos então duas descrições e o nome da pessoa para o qual o Evangelho foi dedicado: 

  1. Ele era cristão 
  2. Estava numa posição de destaque, de importância. 
  3. Seu nome era Teófilo.
Tudo isso nos leva a Teófilo de Antioquia, um Bispo cristão de profunda importância para a Igreja que viveu no século II. Essa é mais uma prova de que o Evangelho de Lucas é do segundo século.


Além desses pontos, observamos no texto que Lucas diz que as coisas que eram escritas nesses Evangelhos eram baseadas no que “foi contado por aqueles que (supostamente) viram essas coisas.” Duas coisas podemos tirar dessa afirmação, além da questão da datação do Evangelho:
  1. Lucas reconhece a existência de outros relatos sobre Jesus que também teriam sido baseados em testemunhas oculares, o erro estando apenas na ordem do relato. Não deveriam, então, ser eles também canônicos? Por que a Igreja só reconheceu quatro deles, uma vez que os demais também foram escritos por testemunhas oculares?  
  2. Tudo que se podia saber sobre Jesus, antes disso, era por meio de histórias contadas de boca em boca. Isso prova indubitavelmente a introdução de fábulas e lendas nos relatos; seriam relatos baseados em um microfone sem fio de mais de 100 anos.

Conclusão

Os Evangelhos assumiram sua forma final somente no século II. Sua linguagem técnica, seus dogmas complexamente desenvolvidos, suas palavras gregas sofisticadas e a produção em massa de escritos sobre Jesus de Nazaré (os apócrifos) no século II provam, de forma inequívoca, que os evangelhos canônicos foram escritos em um período no final do primeiro século e atingido sua forma plenamente desenvolvida pelo início do segundo, sendo passado e editado por filósofos eruditos cristãos. Uma vez que existiam muitos relatos sobre Jesus, a Igreja escolheu apenas esses quatro que figuram em nossas Bíblias modernas.

Esse é um dos motivos de vermos traços folclóricos permearem o N.T, em especial os Evangelhos. O Jesus ficcional, criado por esses filósofos cristãos, veio para destronar todos os deuses e deusas “pagãs”, veio para reunir todas as filosofias em uma, veio para preparar o único objeto de fé que iria atravessar todas essas Eras, inclusive a nossa, a do ceticismo. Os demais mitos morreram por terem sido criados com base apenas em imaginação e superstição, ao passo que o último mito teve como base a racionalidade humana filosófica.
______________

[1] Algum cristão escreveu na Wikipédia: “Justino freqüentemente cita os evangelhos: de Mateus, de Marcos, de Lucas e possivelmente de João, contudo não cita sob o nome de Mateus, de Marcos, de Lucas, e sim de “Memória dos apóstolos”. Por isso chegou-se afirmar que Justino desconhecia a divisão em quatro evangelhos, afirmada, por exemplo, fortemente por Ireneu mais ou menos 30 anos mais tarde. Portanto, é provável que os 4 evangelhos andassem juntos desde o inicio do século II d.C. e referia-se a esses 4 evangelhos com um nome genérico, como “Memória dos apóstolos”. Ou, também, que já no inicio do II século se conhecia a distinção dos 4 evangelhos, mas de acordo com o testemunho de Justino era mais comum citá-los com um único nome.”
[2] ““Apócrifo” é uma denominação atribuída a vários livros que datam do segundo século até a Idade Média.” ( DOCKERY, David S, Manual Bíblico Nova Vida, Ed. Vida Nova, 2010, p. 575)

15 comentários:

  1. O fragmento do papiro 7Q5 basta para derrubar toda essa sua teoria...

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    1. Olá anônimo, obg pela visita...

      Se você me permitir falar e não se ofender com isso, mas nada pode me divertir tanto do que ouvir os comentários dos evangélicos que aparecem por aqui, como foi seu caso.

      1) Você lê todo o artigo e diz que o P. 7Q5 é o suficiente para destruir meu artigo e, no entanto, não conseguiu responder absolutamente nada que eu indaguei no texto. Incrível como vocês têm tantos argumentos mas na hora H fogem dos questionamentos.

      2) Muito provavelmente, você deve saber muito pouco sobre o 7Q5 e o pouco que deve saber sobre ele deve ter sido em um site meia-boca cristão da internet, então, como os cristãos são assim bem “fáceis de enganar”, achou que esse papiro é a resposta final para as datações neotestamentárias.

      3) No espírito arrogante cristão, provavelmente você deixou esse mísero comentário e nem sequer voltará para ver a resposta.

      4) Sobre o 7Q5, dois eruditos CRISTÃOS (Jose O´Callaghan e Carsten Peter Thiede) inventaram um teoria de que ele seria o evangelho de Marcos e dataria bem cedo, quem sabe até antes de Jesus nascer, o que por si só já seria ridículo! As teorias de Jose O´Callaghan e Carsten Peter Thiede foram encaradas como ridículas e a totalidade dos eruditos a rejeita por completo como pode ser visto em Millard, A. R. (2000). Reading and Writing in the Time of Jesus. NYU Press. p. 56 bem como McCready, Wayne O. (1997). The Historical Jesus and the Dead Sea Scrolls, Arnal, William E.; Desjardins, Michael. Whose Historical Jesus?. Waterloo, ON: Wilfrid Laurier University Press. p. 193.

      Infelizmente, “anônimo”, seu tão precioso papiro 7Q5 não foi o suficiente nem para começarmos uma conversa, exceto para sustentar sua fraca fé que precisa desesperadamente de alguma base, mesmo que ela seja falsa.

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    2. É isso ai Eduardo!!! kkkkkkkk Se ele voltar vai ser para dizer que você tem que aceitar a Jesus como seu salvador pessoal, porque daí o espírito santo vai te iluminar e fazer ver a verdade do evangelho... kkkkkkkk

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  2. Nossa amigo, que estudo mais deficiente e incompleto este o seu, e releva conhecimento extremamente superficial sobre o assunto. Datar o N.T. como sendo do segundo século não é história, é teoria de conspiração e seria ridicularizada em um meio acadêmico.

    como dizia William Allbright, que foi um dos mais eminentes
    arqueólogos bíblicos, ele escreveu: "Já podemos afirmar, com
    toda a certeza, que não existem mais bases sólidas para se
    fixar a data de qualquer livro do Novo Testamento para
    depois do ano 80 A.D.; o que representa duas gerações
    inteiras antes da data suposta, isto é, entre 130 e 150,
    fornecidas pelos mais radicais críticos do Novo
    Testamento, na atualidade."

    Nesta semana irei fazer uma refutação ao seu trabalho, e a postarei aqui nos comentários no decorrer da semana.

    mas bom, vou responder algumas alegações suas, como por exemplo:

    Voce rejeita as afirmações que provém de estudiosos cristãos, não por os argumentos deles estarem incorretos, mas sim por eles serem cristãos, desonestidade explicita aqui. eu não tenho culpa se os maiores estudiosos da biblia serem cristãos, como o maior critico textual da história, Bruce Metzger, como talvez o maior critico textual da atualidade, Daniel Wallace, e assim por diante...
    aliás, Daniel Wallace em seu debate com Bart Ehrman no ano passado, apresentou a descoberto de um papiro do evangelho de Mateus como provavelmente sendo do primeiro seculo, vamos aguardar os proximos feedbacks...

    eu lendo o seu estudo, percebi que voce nao se apoia na afirmação de nenhuma historiador biblico contemporaneo para dizer que os evangelhos foram escritos no segundo século, e eu imagino que esta é uma conclusão sua, ate porque nao deve haver muitos historiadores que compartilhem esta afirmação, ate porque eles nao quererem perder seus empregos e serem desqualificados como historiadores honestos.

    voce perguntou: "Como esses cristãos podem usar manuscritos que datam do século II para provar que os Evangelhos foram escritos no século I?"

    isso é simples: o local onde foi escrito. sério que voce não sabia isso?

    sobre o evangelho de Marcos, é unanimidade que ele foi escrito por um discipulo de Pedro, que relatou o evangelho conforme as palavras de Pedro que foi testemunha ocular dos fatos. como o evangelho de Marcos não menciona nenhuma dado sobre sua prisão em roma, e sua decapitação que segundo a tradição foi em 67, é dito que Marcos escreveu o seu evangelho no começo do ministerio de Pedro, e por isso muitos historiadores datam o evangelho de Marcos como sendo do ano 50, mas a maioria data como sendo do final dos anos 50. além de que o evangelho de Marcos não menciona a destruiçao do templo, mas menciona a profecia de Jesus sobre ela, então seria lógico que se fossem escritos depois de 70 d.c., os escritores mencionariam este acontecimento. o Livro de Lucas é ainda mais fácil de se datar, graças ao livro de Atos, que voce parece ignorar. Isso é só um petisco sobre o assunto, nesta semana vou fazer uma refutação completa sobre este seu estudo. até mais.

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    1. Ok,... profundamente deficiente seu argumento, mas amaria um debate contigo. Teólogos não são historiadores; o fato de William Allbright, cristão evangélico, afirmar algo sem nos provar nada em favor do Cristianismo, seria o mesmo que ouvir a ultra, power, mega autoridade entre os muçulmanos apoiando o Alcorão....

      William Allbright hoje é IMENSAMENTE criticado entre os arqueólogos de ponta:

      William Dever arqueólogo cristão, que presumivelmente deveria apoiá-lo, diz: "[Albright's] central theses have all been overturned, partly by further advances in Biblical criticism, but mostly by the continuing archaeological research of younger Americans and Israelis to whom he himself gave encouragement and momentum ... The irony is that, in the long run, it will have been the newer "secular" archaeology that contributed the most to Biblical studies, not "Biblical archaeology. [William Dever, "What Remains of the House that Albright Built?" The Biblical Archaeologist, Vol. 56, No. 1 (Mar., 1993)]


      Estes acadêmicos que usam seus títulos para promover a fé são todos pessoas carentes, dependentes da fé e querem gritar pro mundo sobre a pseudo supremacia cristã. Ainda vem com esta história dizendo que os historiadores seculares não falam nada com medo de perder o emprego?! rsrsrs... meu Deus! não é à toa que vocês são tão ridicularizados.

      Ser imparcial é mostrar o que teólogos liberais e conservadores dizem sobre o assunto... você só usa as conclusões de um punhado de crentes que se formaram em seminários evangélicos.

      Na atualidade ninguém das principais universidades aceita o NT como sendo uma verdade absoluta. Estes apologistas que você usa são pastores evangélicos formados em Teologia em centros de treinamento evangélicos, só isso. Me aponta um teólogo de Harvard, Princeton, Oxford ou Cambridge que NA ATUALIDADE que concorde contigo sobre o Cristianismo.

      E aprenda a entender os textos corretamente, eu disse que "Os Evangelhos assumiram sua forma final somente no século II." Não que eles foram literalmente escritos neste período.

      Posso apontar uma lista maior do que você poderia confirmar, entre teólogos CONSERVADORES e literais que colocam os Evangelhos no final do primeiro e início do segundo.


      Welcome to Hell!

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  3. Olá Eduardo,tenho visto algumas postagens do seu blog e gostei bastante do conteúdo.Não sou cristão,acho que a bíblia é uma criação totalmente humana,mas quanto aos evangelhos como produção do segundo seculo tenho problemas em aceitar essa hipótese.
    Acho que se os evangelhos fosse produção do segundo seculo não conteriam profecias que claramente não se cumpriram.Em Mateus 24,Marcos 13 e Lucas 21 é estipulado um prazo de uma geração para que toda a profecia apocalíptica se cumpra,fato que não ocorreu.

    Eu não sou especialista no assunto nem tenho estudado a assunto tão a fundo como você,mas gostaria de deixar aqui os argumentos que me fazem ter uma opinião diferente da sua.

    Em Mateus 24:1-3 é apresentada a profecia da destruição do templo judeu
    Mateus 24
    1 E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.
    2 Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.
    3 E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?

    o fato de o evangelho de Mateus citar a destruição do templo sugere que teria sido escrito depois da destruição do mesmo,mas as versículos 1 e 2 me parecem uma interpolação ao texto original.digo isso porque ao ler os 3 versículos em conjunto se tem a ideia de que os discípulos foram até Jesus duas vezes.A sequencia do capitulo fala do segundo advento de Jesus que deveria ocorrer ainda naquele geração.Isso me faz acreditar que esse capitulo do evangelho de Mateus foi escrito antes da destruição do templo.
    Eu acredito que a versão original dos evangelhos tenha sido escrita antes do ano 70,mas que os texto tenham passado por uma enorme quantidade de alteração ao longo de varias décadas.talvez só tenha ficado prontos no segundo seculo,mas acho que se fosse esse o caso as parte que estipulam um prazo de uma geração para o retorno de Jesus teriam sido removidas,por isso acredito que os evangelhos de Marcos,Mateus e Lucas sejam ainda do primeiro seculo.Até mais.

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    1. Eu também acho sua observação muito relevante, porém, acredito que a título de preservação de mito, isto não seria um problema, as pessoas sugerem várias saídas para "esta geração", por exemplo, as testemunhas de Jeová acreditam que ela se refere a geração que viu os "eventos proféticos" de 1914 e que ela não passaria. Mas, estamos em 2015 e como você pode concluir aquela geração viva em 1914 morreu, e eles tiveram de mudar para a geração seguinte que é contemporânea a geração de 1914, mas, é claro que isto vai mudar, e isto beira o desespero de ver profecias se cumprindo, um delírio! Os evangélicos dizem que "esta geração" são todas as gerações de cristãos em todos os séculos, e etc...

      Lembre-se que as supostas cartas de João, supostamente escritas no final do primeiro século situavam os cristãos como estando na "ultima hora" (já haviam passado dos tais "últimos dias") e João de Pátmos, suposto escritor de Apocalipse escreve Jesus prometendo retornar "em breve" ou com presteza, com tanta presteza que já faz 2.000 anos. Percebe as articulações de dar fôlego a estas "profecias" de Jesus para os seguidores da segunda metade do primeiro século não percam o ânimo? É a ultima hora, venho em breve, aguentem mais um pouquinho... Supondo que foram escritos naquela época...

      O que quero dizer com isto? E se esta "profecia" foi perpetuada oralmente até o segundo século com estes argumentos de postergação, até finalmente ser assentada por escrito? Se os cristão não se incomodam hoje, quando esta "profecia" tem mais de 2.000 anos (sem cumprimento e não vai se cumprir), qual o embaraço de se registrar no segundo século?

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  4. Olá, como verá a seguir, sou cristão. Creio em Deus, através de Seu Filho Jesus Cristo, que foi morto, mas ressuscitou ao terceiro dia e está à Direita do Pai. Mas não tenho pretensões de arrogância. Ao contrário, garanto-lhe que lerei sua resposta (acaso você o faça). Mas registro que tenho visto e ouvido muita arrogância por parte de ateus, que se colocam em posição e superioridade, em relação aos "alienados" que crêem em Deus. Mas vamos ao comentário de per se.
    Seu comentário a respeito da citação de Flávio Josefo a Teófilo está muito carente de argumentos. Mesmo que alguns teólogos digam que esse Teófilo é o mesmo que foi destinatário dos livros de Lucas (o evangelho e os Atos dos Apóstolos), nada impede que seja outra pessoa. E mesmo que seja outra pessoa, isso não prova sua inautenticidade. Além do mais, o próprio nome "Teófilo", que quer dizer, "amigo de Deus", pode demonstrar que Lucas não endereçou seus escritos a alguém em especial, mas estava falando a toda a comunidade dos cristãos. Pra mim, sinceramente, não faz sentido alguém escrever um evangelho inteiro (e Lucas é o maior dos quatro que integram o Cânon), ou um relato do início da Igreja de Cristo, pra uma pessoa só.
    Quanto à possibilidade de um Sumo Sacerdote ter um evangelho cristão, não vejo o porquê de seu questionamento. Em primeiro lugar, havia sim fariseus e doutores da lei judaica que admiravam ou até seguiam a Jesus. A perseguição dos judeus aos cristãos nos primeiros anos não era unânime, nem foi ininterrupta. Ou seja, não era impossível que um sacerdote fosse, ao menos, estudioso do Evangelho. Muitos historiadores concordam que o Cristianismo nasceu como uma ramificação do judaísmo, e não como uma religião concorrente ao mesmo.
    Também não deves ignorar que, naquela época, a "função" de Sumo Sacerdote não era vitalícia, e era possível haver ex-sumos sacerdotes. Na época da crucificação de Cristo, por exemplo, o Sumo Sacerdote era Caifás. Mas antes de morrer, ele foi sucedido por Jônatas, aproximadamente em 37 d.C.
    Quanto a muitos dos livros do N.T, não citarem os evangelhos, achei um pouco falacioso seu argumento, com todo o respeito. Mesmo os apologistas mais conservadores concordam que os evangelhos foram escritos após as epístolas de Paulo e dos demais apóstolos. E isso não retira a autenticidades dos mesmos.
    Além do mais, Josefo citou em seus escritos a existência de um grupo de seguidores de um rabino chamado Jesus, e que esses seguidores testemunhavam tê-lo visto vivo após sua crucificação. Ou seja, há registros históricos da pregação do Evangelho de um Cristo ressuscitado, antes do fim do Século I. Disso você não falou...
    Deus te abençoe (e isso não depende de você...).

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    1. Olá Natan, obrigado pela visita e pela participação. Irei comentar suas palavras:

      “Mas registro que tenho visto e ouvido muita arrogância por parte de ateus..”

      R.: Assim como cristãos que acham que possuem todo conhecimento do mundo como pseudodoutores da apologética amadora. Diga-se de passagem, coisa que sempre tenho que repeti, eu não sou ateu.

      “Mesmo que alguns teólogos digam que esse Teófilo é o mesmo que foi destinatário dos livros de Lucas (o evangelho e os Atos dos Apóstolos), nada impede que seja outra pessoa. E mesmo que seja outra pessoa, isso não prova sua inautenticidade.”

      R.: Verdade. Mas isto tudo é um conjunto de fatores e não uma coisa isolada.

      “Além do mais, o próprio nome "Teófilo", que quer dizer, "amigo de Deus", pode demonstrar que Lucas não endereçou seus escritos a alguém em especial, mas estava falando a toda a comunidade dos cristãos.”

      R.: Alguns comentaristas dizem isto, já outros dizem que é uma pessoa histórica. (Barrett, C. K. (2004). A Critical and Exegetical Commentary on the Acts of the Apostles; The Acts of the Apostles (p. 65). 2 v.: T&T Clark International) Como poderá ver, nem os teólogo cristãos estão em acordo.

      “Pra mim, sinceramente, não faz sentido alguém escrever um evangelho inteiro (e Lucas é o maior dos quatro que integram o Cânon), ou um relato do início da Igreja de Cristo, pra uma pessoa só.”

      R.: Isso porque você está olhando através de uma ótica de um homem pós-moderno. Isto era costume na antiguidade e não significa que era só pra aquela pessoa. (Pervo, R. I., & Attridge, H. W. (2009). Acts : A Commentary on the Book of Acts. Hermeneia: A Critical and Historical Commentary on the Bible (p. 35). Minneapolis: Fortress Press.) É como a dedicatória de um livro para um chefe de família, mas que, claro, todos iriam se beneficiar. Na antiguidade, era comum dedicar a obra a alguém, principalmente para aquele que financiava a publicação.

      “Quanto à possibilidade de um Sumo Sacerdote ter um evangelho cristão, não vejo o porquê de seu questionamento. Em primeiro lugar, havia sim fariseus e doutores da lei judaica que admiravam ou até seguiam a Jesus”.

      R.: A partir do momento que um líder religioso aceitasse um livro de uma seita e o prezasse, ele automaticamente era expulso da comunidade. Os fariseus que acompanham Jesus faziam isto escondido, fazendo jus ao nome “fariseu”.

      “não era impossível que um sacerdote fosse, ao menos, estudioso do Evangelho.”

      R.: Gostaria de uma fonte histórica sobre isto, por favor.

      “Quanto a muitos dos livros do N.T, não citarem os evangelhos, achei um pouco falacioso seu argumento, com todo o respeito. Mesmo os apologistas mais conservadores concordam que os evangelhos foram escritos após as epístolas de Paulo e dos demais apóstolos”.

      R.: Obrigado pelo respeito ao discordar. Acho que você não entendeu realmente o que escrevi. Poderia citar diretamente que disse que as cartas não citam os evangelhos? O mais próximo que disse foi “Perceba que, diferente dos Pais da Igreja séculos depois, ele nunca menciona o autor desse Evangelho – Mateus, Marcos, Lucas ou João.” Disse que as cartas não mencionam diversas coisas encontradas no Evangelho, o que aponta para o fato de que, no período das cartas, muitas destas tradições sequer existiam.

      “Além do mais, Josefo citou em seus escritos a existência de um grupo de seguidores de um rabino chamado Jesus, e que esses seguidores testemunhavam tê-lo visto vivo após sua crucificação”.

      R.: Esta citação é espúria.

      Obrigado pela atenção.

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    2. “Além do mais, Josefo citou em seus escritos a existência de um grupo de seguidores de um rabino chamado Jesus, e que esses seguidores testemunhavam tê-lo visto vivo após sua crucificação”.

      Olá Natan!!! Além de Flavius Josephus, qual outro historiador confiável deu seu testemunho positivo para o Jesus da fé? Lembrando que com todos os méritos de F. Josephus, ele é um historiador marginal, isto é, não era nascido quando Jesus estava vivo, ou quando morreu e quando ressuscitou.

      Jesus foi tão fantástico, do ponto de vista da fé, fez tantos milagres, sinais por três anos e nenhum historiador da época fez qualquer registro?

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  5. Muito bom! Excelente informações. Permita-me indicar um bom conteúdo sobre a datação dos séculos: http://geografianewtonalmeida.blogspot.com.br/2013/03/datacao-contagem-dos-seculos-exercicios.html

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  6. Apreciei imensamente os dois posts. Parabéns!

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  7. Eduardo: Obrigado por seu site!!! Por estes dois artigos, pela precisão de informações. Quero comprar muito o teu livro, não vejo a hora!!!

    Continue com os teus trabalhos de pesquisa, isto vai ajudar muita gente boa a acordar para a verdadeira vida que é esta que vivemos, não a "matriz cristã" que muitos vivem, alienados desta realidade, aguardando a vida no céu ou num "vindouro paraíso terrestre", e se esquecem desta vida, aqui e agora, de terem prazer de estarem e aproveitarem cada momento com suas famílias, pois, a vida é uma só, única, e é bem possível que não voltaremos mais.

    Obrigado pelo seu elogiável esforço!!! E muito sucesso como escritor e com o seu livro!!! Que venham muito livros teus!!!

    Abração!!!

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    Respostas
    1. Muito obrigado Henrique! Seja sempre muito bem-vindo ao blog e se desejar pode visitar meu outro site http://www.eduardogalvao.com.br/

      Abraços!

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  8. O acatamento da Bíblia é científico? Claro que não. Algum original dos evangelhos do século I foi encontrado? Nunca. Conta-se apenas com cópias de cópias datadas a partir do século II. Então, isto é uma questão de fé. Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: a perseguição aos judeus. Portanto, nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.
    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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