sexta-feira, 9 de março de 2012

BÍBLIA, TURQUIA, ANTIGA, BARNABÉ, EVANGELHO, DESCOBERTA

Nos últimos dias foi noticiado a descoberta de uma antiga Bíblia na região da Turquia. O artefato literário tem pelo menos 1.500 anos de existência e foi escrito em um dialeto aramaico (siro-aramaico). Especialistas em Cristianismo primitivo e bibliologistas analisaram o achado e garantem ser original. Embora as notícias tenham circulado muito recentemente, o achado arqueológico se deu em 2.000 e desde então foi mantido em sigilo em um cofre na cidade de Ancara.

O site cristão Gospel.Mais diz:
Há informações de que o Vaticano demonstrou preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem que especialistas da Igreja Católica pudessem avaliar o livro e seu conteúdo, que se suspeita, contenha o “Evangelho de Barnabé”, escrito no século XIV e considerado controverso, por descrever Jesus de maneira semelhante à pregada pela religião islâmica.
Uma das coisas mais surpreendentes do achado é que ele contém o Evangelho de Barnabé.  Este Evangelho Apócrifo claramente contradiz os relatos do Novo Testamento sobre Jesus e seu ministério e tem fortes paralelos com a fé islâmica, não só cita Maomé pelo nome, mas inclui o shahadah (capítulo 39). É fortemente anti-paulino e anti-trinitáriano. Nesta obra, Jesus é descrito como um profeta e não o filho de Deus (Wiegers, G.A. Muhammad as the Messiah: A comparison of the polemical works of Juan Alonso with the Gospel of Barnabas. Biblitheca Orientalis LII (3/4): 285.). Já o apóstolo Paulo é chamado de o “enganador”. Além disso, o Evangelho de Barnabé afirma que Jesus escapou da crucificação e que depois as pessoas imaginaram que ele havia ressuscitado para o céu, enquanto Judas Iscariotes, o traidor, foi crucificado em seu lugar (Cf. Contradição sobre a Morte de Judas). Estas crenças, em especial, de que Jesus é um profeta de Deus e foi ressuscitado, sem ser crucificado, assemelha-se aos ensinamentos islâmicos que dizem que Jesus é um grande profeta e que ele não morreu na cruz, mas foi capturado vivo pelos anjos de Deus (Allah).

Se fizer um estudo nas principais obras e livros que comentam sobre o Evangelho de Barnabé verá inúmeros argumentos que provam, além de dúvida razoável, que o Evangelho é uma falsificação islâmica. O objetivo do escritor era produzir um Evangelho que incorporasse concepções do Islã e, ao atribuir a obra a Barnabé, o escritor queria fazer com que os cristãos fossem convertidos ao Islamismo, uma vez que estes veriam os ensinos islâmicos sendo passados por nada mais nada menos que Barnabé, uma figura proeminente no Cristianismo Apostólico.

Mas, o ponto mais importante para os que estudam o Cristianismo é ver como a Bíblia, tanto o Antigo quanto Novo Testamento, foi manipulada ao passar dos séculos. Normalmente, quando conversamos com evangélicos, ou cristãos no geral, vemos que a maioria tem uma concepção quase que mística sobre a formação e escrita da Bíblia. A maioria acha que a Bíblia caiu do céu, ou que anjos escreveram, ou o próprio Deus pegou uma caneta bic e saiu escrevendo. Quando se fala dos Evangelhos, a maioria acha que uma voz veio do céu e disse “coloquem 4 Evangelhos, mas apenas 4, porque é um número par”, ou que de alguma forma Jesus Cristo autorizou 4 versões sobre a vida dele.

O que a maioria das pessoas não sabe é que, nos primeiros séculos do Cristianismo, existiam dezenas de grupos cristãos, que tinham dezenas de doutrinas sobre Jesus e que todas elas contradiziam umas as outras. Cada grupo cristão tinha uma Bíblia diferente, algumas Bíblias com 2 Evangelhos, com 3, e outras com apenas 1.

Nos primeiros anos do Cristianismo, tudo que se podia saber sobre Jesus de Nazaré era passado de boca por décadas a fio, e só depois alguém teve a ideia de colocar por escrito. Séculos depois, os principais líderes cristãos da chamada ortodoxia viram que existiam inúmeros evangelhos, ou versões, sobre a vida de Jesus e decidiram fazer uma espécie de seleção. O próprio escritor do terceiro Evangelho, “Lucas”, disse quando começou a escrever seu relato:
Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos fatos que se cumpriram entre nós,... Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo... (Lucas 1:1 e 3 NVI)
Ao dizer que “muitos já se dedicaram a elaborar um relato” sobre a vida e ministério de Jesus, o escritor do Evangelho de Lucas confirma a visão de que no seu tempo haviam várias versões sobre Jesus Cristo e por isso ele achou necessário escrever uma versão “correta”, ou “autorizada”. Depois de inúmeros debates e Concílios, a ortodoxia cristã chegou a conclusão de escolher apenas 4 Evangelhos, que são os que nós conhecemos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

O achado em questão é um exemplo da diversidade cristã primitiva. Temos uma Bíblia de 1.500 anos, escrita em um dialeto aramaico que, ao invés de 4 Evangelhos, tem 5. Essa é uma prova arqueológica inestimável que mostra conclusivamente que a Bíblia foi alterada durante anos, que a escolha dos livros que figuram o Novo Testamento foi uma escolha humana, ideológica e política.

O mais importante de tudo isso é ver que um Evangelho falsificado, espúrio, era lido, respeitado e crido como inspirado por Deus por cristãos há 1.500 anos atrás. Dessa forma, o que nos garante que no futuro ao invés de 4 Evangelhos, teremos apenas 3, 2, 1 ou nenhum? Bart D. Ehrman em seu livro entitulado Forged, ainda são traduzido para o português, mostrou de forma convincente de que os 4 Evangelhos não falsificações, que eles não foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João.

O importante é vermos que o Cristianismo sempre foi manipulado, alterado e diversificado, que diferente do que as pessoas creem, o Cristianismo não é uma verdade que permaneceu imutável há 2 mil anos e sim que foi uma criação humana que tem sido formulada e reformulada com o passar dos séculos.

Um comentário:

  1. JESUS CRISTO É UMA CRIAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA E TEOLOGIA É O ESTUDO DE ZEUS...

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