segunda-feira, 12 de dezembro de 2011


Um truque que figura nos shows dos mágicos é o de andar sobre as águas. Lembro-me da primeira vez que vi o Criss Angel realizar tal feito com ajuda de sua equipe e efeitos visuais. Quando conversei com pessoas que haviam assistido esse episódio, ouvi alguns supersticiosos dizer que o mágico C.A realmente andou sobre as águas e que ele devia ter algum pacto com o coisa-ruim. Veja o vídeo abaixo:




Ora, se pessoas em pleno século XXI ainda têm essa mentalidade, imagine vivendo 2-3 mil anos atrás e ouvir histórias de um deus, ou semi-deus, que anda sobre as águas como quem anda em terra seca! Seria algo realmente surpreendente. Mesmo para os que não estão muito familiarizados com o Novo Testamento, o relato de Jesus Cristo andando sobre as águas é bem conhecido. Além disso, muitos sites na internet mencionam as semelhanças entre Jesus e o deus Egípcio Hórus e entre as semelhanças nós encontramos a caminhada sobre as águas. No caso do mito cristão, selecionamos abaixo os relatos de Mateus, Marcos e João respectivamente, acompanhe a leitura:

Por fim, tendo despedido as multidões, subiu sozinho ao monte para orar. Embora ficasse tarde, estava ali sozinho. O barco já estava então a muitas centenas de metros da terra, sendo duramente castigado pelas ondas, porque o vento era contrário. Mas, no período da quarta vigília da noite, foi ter com eles andando sobre o mar. Quando o avistaram andando sobre o mar, os discípulos ficaram perturbados, dizendo: “É uma aparição!” E clamaram de temor. Mas, Jesus falou-lhes imediatamente com as palavras: “Coragem! Sou eu; não temais.” Pedro disse-lhe, em resposta: “Senhor, se és tu, ordena-me ir ter contigo por cima das águas.” Ele disse: “Vem.” Em vista disso, Pedro, descendo do barco, andou por cima das águas e dirigiu-se a Jesus. Mas, olhando para a ventania, ficou com medo, e, começando a afundar-se, clamou: “Senhor, salva-me!” Estendendo imediatamente a mão, Jesus agarrou-o e disse-lhe: “Ó tu, de pouca fé, por que cedeste à dúvida?” E, depois de terem novamente subido ao barco, cessou a ventania. Os que estavam no barco prestaram-lhe então homenagem, dizendo: “Tu és realmente o Filho de Deus.” E fizeram a travessia, desembarcando em Genesaré. (Mateus 14:23-34)

E ele, sem demora, compeliu os discípulos a entrar no barco e a passar adiante, para a margem oposta, para Betsaida, enquanto ele mesmo despedia a multidão. Mas, depois de despedir-se deles, subiu a um monte para orar. Tendo então anoitecido, o barco estava no meio do mar, mas ele estava sozinho em terra. E quando viu que tinham dificuldade no remar, porque o vento lhes era contrário, dirigiu-se a eles por volta da quarta vigília da noite, andando sobre o mar; mas estava inclinado a passar por eles. Quando o avistaram andando sobre o mar, pensaram: “É uma aparição!” e clamaram em voz alta. Pois todos eles o viram e ficaram aflitos. Mas, falou-lhes imediatamente e disse-lhes: “Coragem! Sou eu; não temais.” E subiu para junto deles no barco, e o vento cessou. Em vista disso, ficaram grandemente pasmados no seu íntimo, porque não tinham compreendido o significado dos pães, mas os seus corações continuavam obtusos no entendimento. (Marcos 6:45-52)

Chegando a noite, seus discípulos desceram para o mar, e, entrando num barco, partiram, atravessando o mar rumo a Cafarnaum. Pois bem, já ficara escuro e Jesus ainda não viera ter com eles. O mar também começava a agitar-se, porque soprava um forte vento. No entanto, tendo eles remado cerca de cinco ou seis quilômetros, observaram Jesus andando sobre o mar e chegando perto do barco; e ficaram temerosos. Mas ele lhes disse: “Sou eu; não temais!” Portanto, estavam dispostos a acolhê-lo no barco, e o barco chegou logo à terra para onde procuravam ir. (João 6:16-21)

Existem alguns pontos divergentes no relato, embora nosso presente estudo esteja relacionado às origens mitológicas do mesmo. No relato de Mateus nos é acrescentado detalhes que nem de longe aparecem nas outras duas testemunhas, Marcos e João. No Evangelho de Mateus, o apóstolo Pedro pede para andar também sobre as águas e depois os dois sobem no barco. Já no Evangelho de João e Marcos fica claro que apenas Jesus sobe ao barco e nada é mencionado sobre Pedro querer andar sobre as águas e o Evangelho de Lucas nada diz sobre esse evento como um todo.

No entanto, como mencionado, queremos abordar o sentido mitológico do relato. Havíamos comentado em outras postagens que lendas, mitos, folclores e conceitos astroteológicos estão presentes nos relatos evangelísticos. São muitas as características de Jesus que batem perfeitamente com as características dos deuses solares. No antigo Egito existiam vários conceitos teológicos sobre deuses que controlavam as águas, tempestades assim como o conceito astroteológico da travessia do sol sobre as águas.

No BD 62, por exemplo, o falecido, que é Re, ou Osíris, alega ter o “comando das águas” (FAULKNER, EBD, p. 106). Em BD 57 temos o seguinte pedido: “Oh Hapi! Chefe dos Céus, que Osíris prevaleça sobre as águas...” (BUNSAN e BIRCH, p. 203-204) Com relação ao BD 57, Budge comenta: “A recitação desse capítulo dá ao falecido ‘domínio sobre as águas’”, se referindo ao Nilo.

No livro Ritual (BD), capítulo 57, temos as seguintes declarações egípcias: “O Hapi! Que Osíris prevaleça sobre as águas, como Osíris prevaleceu contra a tomada pelo disfarce na noite da grande luta. Que Osíris passe pelo grande que mora no local da inundação.” (BIRCH)

Na tradução de Faulkner de BD 57, debaixo do título “Capítulo para o vento soprante e a possessão do poder sobre as águas no domínio de Deus”, Osíris implora para Hapi – o deus do Nilo – dar-lhe “poder sobre as águas como Sekhmet que salvou Osíris naquela noite da tempestade.” (FAULKNER, EBD, p. 105) Também na tradução do mesmo egiptólogo, 156, mostra Osíris implorando para “aquele que proclama palavras que repelem as tempestades” (FAULKNER, EBD, pl. 11; ALLEN, T., BD 134) Em PT 247:261ª-b, de acordo com Faulkner e Mercer, Hórus é chamado de “Senhor da Tempestade” (FAULKNER, AEPT, p. 42) No entanto, James Allen (W 158) assevera que ‘Seth, inimigo mortal de Hórus, é o Senhor da Tempestade e quando se diz que Hórus “prevaleceu contra o Senhor da tempestade” (ALLEN, J., AEPT, 42) quer dizer que ele venceu Seth, o Mal, eliminando, ou acalmando a tempestade. Em CT SP. 1069 se refere ao deus que “repele a tempestade”. (FALUKNER, AECT, III, p. 143)

No CT SP. 353 temos as seguintes palavras em que o falecido apela a Osíris: “Permita que eu tenha poder sobre as águas assim como Seth tem poder sobre as águas aos olhos de Osíris na noite da grande tempestade” (FAULKNER, AECT, I, p. 285)

Essas declarações egípcias à princípio estão relacionadas com os relatos em que Cristo censura a tempestade e seus discípulos ficam admirados com alguém que tem poder sobre os ventos e o clima, como vemos no relato abaixo:

...E naquele dia, ao cair a noite, disse-lhes: “Passemos para a outra margem.” Assim, depois de terem despedido a multidão, levaram-no, assim como estava, no barco, e havia outros barcos com ele. Levantou-se então uma violenta tempestade de vento e as ondas abatiam-se sobre o barco, de modo que o barco estava ficando inundado. Mas ele estava na popa, dormindo sobre um travesseiro. Acordaram-no assim e disseram-lhe: “Instrutor, não te importas que estejamos prestes a perecer?” E ele, acordando, censurou o vento e disse ao mar: “Silêncio! Cala-te!” E o vento cessou, e deu-se uma grande calmaria. Disse-lhes então: “Por que sois medrosos? Não tendes ainda nenhuma fé?” Mas eles sentiam um temor incomum e diziam um ao outro: “Quem é realmente este, porque até mesmo o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:35-41)

Mas, além disso, o caso que destacamos é que no mito de Hórus-Osíris, sendo como uma espécie de deus solar, encontramos um conceito astroteológico mítico onde o sol era visto como andando sobre as águas, ou Hórus andando sobre elas. No Livro de Hades, traduzido pelo Dr. Lefébure e achou em Records of the Past temos a seguinte passagem mítica:

“O habitante em Nu diz aos imersos que estão na (água), para os nadadores que estão na água; Vejam Ra que se ergue em seu barco, o maior dos mistérios!... Oh, ergue-te, nomes!... Levanta tua cabeça, pernas, nadadores, sopra em suas narinas, mergulhadores! Sejam mestres das águas, responde a você mesmo em seu tanque, ande em Nu, mova-se sobre as águas.” (ROTP, X, p. 125-126)

A palavra “Nun” ou “Nu” (eg.: nwj) são as águas abismais ou primordiais, “o oceano universal que existia antes do mundo ser criado e fonte de todas as águas.” (ALLEN, J., AEPT, 438) Como diz o Dr. Bunsen, “A água é Nu que é o pai dos deuses,” (BUNSEN ou BIRCH, p. 92). Um termo relacionado é Nut (nwt), a deusa das “águas celestiais” (BUNSEN/BIRCH, p. 141. Veja ALLEN J., AEPT, p. 438) que também é Nu. O Nu “é o firmamento” ((BUNSEN/BIRCH, p. 169, 174, 219) T. George Allan nota que o firmamento nesses escritos é “aquoso” e assim é como se falar de Osíris “atravessa as águas celestiais” como em BD 15: “Osíris... tu atravessas as águas do firmamento.” (ALLEN, T., BD, p. 13; FAULKNER, EBD, PL. p. 21) Em BD 145/6, de acordo com Birch, o falecido, como Hórus, diz: “Eu navego sobre as águas”. (BUNSEN ou BIRCH, p. 292)

Até mesmo na teologia bíblica vemos o firmamento, a abóboda celestial, como relacionado à águas, pois esta era a imagem comum na Mesopotâmia. Quando Yahweh criou Terra, o registro de Gênesis 1:6-8 diz:

E Deus prosseguiu, dizendo: “Venha a haver uma expansão entre as águas e ocorra uma separação entre águas e águas.” Deus passou então a fazer a expansão e a fazer separação entre as águas que haviam de ficar debaixo da expansão e as águas que haviam de ficar por cima da expansão. E assim se deu. E Deus começou a chamar a expansão de Céu. E veio a ser noitinha e veio a ser manhã, segundo dia.

As águas de cima se referem aos Céus e as águas de baixo as da Terra. Dessa forma, ao cruzar os céus, a deidade egípcia era vista como andando sobre as águas do firmamento.

Interessante que no relato evangelístico se menciona o horário em que essa caminhada sobre as águas ocorreu. Em Mateus 14:25 nos diz que foi “na quarta vigília da noite”. A Bíblia de Estudo NTM comenta em uma nota:

“A última vigília (de aproximadamente as 3 horas da madrugada até o nascer do sol), segundo a divisão gr. e romana da noite. Os judeus tinham três divisões, ou vigílias, segundo Êx 14:24 e Jz 7:19, mas eles posteriormente adotaram o sistema romano de quatro vigílias noturnas. Veja Mr 13:35 n.”

Segundo o egiptólogo e teólogo Massey, a hora mencionada é justamente o nascer do sol. Outras lendas e mitos ao redor do mundo transmitem a mesma ideia. No Budismo, temos o seguinte relato no Evangelho de Buda:

SOUTH de Savatthi é um grande rio, nas margens do qual havia um povoado de 500 casas. Pensando na salvação das pessoas, o Honrado Pelo Mundo resolveu ir para a aldeia e pregar a doutrina. Tendo chegado a beira do rio, sentou-se debaixo de uma árvore, e os aldeões vendo a glória de sua aparência se aproximou dele com reverência, mas quando ele começou a pregar, eles não acreditavam ele.

Quando o Honrado Pelo Mundo Buda tinha deixado Savatthi, Sariputta sentiu um desejo de ver o Senhor e para ouvi-lo pregar. Chegando até o rio onde a água era profunda e a correnteza forte, disse para si mesmo: "Este fluxo não iráme impedir de ver o Abençoado, e ele pisou sobre a água que era tão firmes debaixo de seus pés como. uma laje de granito. Quando ele chegou em um lugar no meio do rio, onde as ondas estavam altas, o coração Sariputta deu lugar, e ele começou a afundar. Mas erguendo sua fé e renovando o seu esforço mental, ele continuou como antes, e chegou a outra margem.

O povo da aldeia ficou surpreso ao ver Sariputta, e perguntou como ele poderia atravessar o rio onde não havia nem ponte nem balsa. Sariputta respondeu:. ”Eu vivi na ignorância até que ouvi a voz do Buda. Como eu estava ansioso para ouvir a doutrina da salvação, eu cruzei o rio e eu andava sobre suas turbulentas águas porque eu tinha fé. Fé nada mais, habilitava-me a fazê-lo, e agora estou aqui, no êxtase da presença do Mestre.”

Em outras palavras, estamos aqui diante de uma fábula budista que é uma foto cópia do relato de Mateus cap. 14, quando Pedro anda sobre as águas, mas, por causa da pouca fé, começa a afundar. Além de Sariputta, temos Hermes e Zeus em Ilíade e as histórias do indiano yogis.

HORUS, JESUS, ANDAR, ÁGUAS, MILAGRESNão há a menor probabilidade do relato da caminhada de Jesus sobre as águas ser verdade histórica. Como é bem conhecido, o Jesus dos Evangelhos é um deus-solar e como mostrado anteriormente, no Egito uma das características dos mitos solares era o poder de andar sobre as águas ou acalmar as tempestades. Vimos por último que mesmo no Budismo, que é ainda mais antiga que o Cristianismo (VI a IV a.C), lendas quase idênticas aos Evangelhos eram passadas aos seguidores.

No entanto, o que sempre mostramos de forma clara nesse blog não é que Jesus foi apenas e nada mais que um mito, mas que as histórias que sobre ele se relatam são apenas lendas, folclore da imagem de um deus solar com base em uma pessoa histórica. Nem queremos dizer, respondendo a pergunta do título, que no “Evangelho” de Hórus existe uma passem que ele sai andando sobre as águas. O que existem são conceitos astroteológicos e lendas pagãs de deuses que andam sobre as águas e que os relatos evangelísticos são um reflexo dessas lendas.

Alguns místicos chegam a dizer que as histórias de Hórus, Buda e Jesus, como o andar sobre as águas, se correspondem porque um foi a encarnação do outro. Hórus encarnou depois em Buda e depois Buda encarnou em Jesus. Se é assim, então eu acredito também que Jesus encarnou em Criss Angel! Além disso, a vida dos deuses encarnados, ou avatares, deve ser horrível, uma vez que estão destinados a fazer a mesma coisa toda vez que encarnam, você sabe, nascer de uma virgem, fugir quando criança, ser tentado pelo coisa-ruim, ter 12 melhores amigos, andar sobre as águas, morrer e levantar de novo no terceiro dia.

Prefiro crer que é apenas um mito sendo literaria e culturamente influenciado por outro. E você?

6 comentários:

  1. a verdade de Jesus está no teu coração. e um dia você poderá enxerga-la.abraços.

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    1. Já enxerguei a verdade amado, lutei contra ela por 12 anos, quando minha anterior religião nem ao menos me permitia ir na internet ler sobre o Cristianismo. Estando a verdade no meu coração, decidi ler tudo e chegar à uma conclusão, as conclusões estou escrevendo aqui no blog.

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  2. Irmão, temos de desenvolver teorias que expliquem como o Senhor andou sobre as águas. Eu já desenvolvi uma: observe que Ele só entrou nas águas após está só. Foi ao encontro dos discípulos. Acredito que ele tenha ficado para trás para calçar algum tipo de botas especiais que liberavam hidrogênio líquido e que este fizessem as águas em sua volta ficarem tipo sólidas - mais não tão sólidas, digamos gelatinosas o bastante. Pedro andou tb, mas por este ficar parado no mesmo lugar por muito tempo (alguns minutos faziam a diferença) começou a afundar. Disseram que ele duvidou (de fato, duvidou, motivo que o fez parar de andar).

    Acho que tudo se resume em tecnologias alienígenas, desconhecidas por nós até hoje. O cris do vídeo estava pendurado num fino cabo de aço, mas deu para ver - imperfeição do truque.

    agora é a sua vez: desenvolva sua teoria e debatamos.

    Wandrey
    ARSBI

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  3. Minha opinião está na postagem, acredito ser apenas um mito... e não sou muito fã da teoria dos antigos astronautas, por isso não vou debater isso. Abç..

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  4. olá administrador , por qual razão não acredita nos Deuses astronautas ?

    chatlittle
    --------------

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    1. Eu acho a essência da teoria muito interessente e pode até mesmo ser verdade, a vida ter sido semeada na terra por outras civilizações, assim como considero quase impossível estarmos sozinhos no Universo material. No entanto, se você pegar os precursores dessas teorias, como Erich von Däniken e Zecharia Sitchin, observará que eles exageram muito, beirando a fantasia, por isso que, no final das contas, os acadêmicos terminam nem dando crédito para isso.

      Acho muito fantasioso encarar Jesus como um extraterrestre andando com botas de tecnologia alienígena sobre o mar... sem contar que é apenas uma ideia, apenas isso, sem prova e sem sentido. Há mais provas materiais e silogisticas de que isso é apenas um mito do que a teoria mencionada acima.

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