quinta-feira, 10 de novembro de 2011

JESUS, MITO, ASCENSÃO, CÉUS, PARAÍSOMyths and Legends of the Bantu é um livro de Alice Werner publicado em 1933. Ele contém lendas e mitos da cultura Bantos sobre os deuses, a origem da humanidade, a vida após a morte, os heróis e semideuses, várias criaturas, reais e míticas, bem como alguns dos grandes épicos de Bantu.

Interessante que no capítulo V desse livro, nós encontramos o tema Mortals Who Have Ascended to Heaven [Os Mortais que Ascenderam aos Céus]. Na introdução do livro são alistados vários mitos e lendas de homens que ascenderam aos céus e entraram na morada dos deuses. Abaixo iremos alistar alguns exemplos.

O filho de Kimanaweze, quando o tempo veio a ele para escolher uma esposa, declarou que não iria casar com uma mulher da terra, mas que deveria ter a filha do Sol e da Lua. Dessa forma, ele fez uma carta de pedido de casamento e planejou enviar aos céus, mas ele, sendo humano, não poderia entregá-lo. O Sol e a Lua tinham o hábito de enviar suas servas todos os dias para pegar água. Estas ascendiam e desciam dos céus para executar essa atividade. Um sapo entra em um dos jarros e leva a carta de casamento de Kimanaweze.

Depois que a filha do sol e da lua recebeu o pedido de casamento, ela desceu para a terra através de uma forte teia de arranha e se casa com ele. No mito, segundo o livro, também se menciona uma “escada celestial” onde se tem acesso aos Céus.

Em outros casos mitológicos da região, nós encontramos pessoas alcançando os Céus por subir em uma árvore, como ocorre no caso da lenda de Yao das “Três Mulheres”. Na história Zulu, “A Garota e os Canibais”, um irmão e uma irmã, escapando dos ogros, subiram em uma árvore e alcançaram os Céus.

Em outro mito africano, da região de Kilimanjaro, conta a história de Murile que por meios mágicos teve um filho, mas que esse, por sua vez, foi assassinado. Por causa da dor da perda, ele deseja subir aos Céus e por meio de uma corda ele assim o faz. Quando seus irmãos veem, vão contar a mãe, embora ela, não acreditando, pergunte: Por que vocês me dizem que o irmão mais velho de vocês ascendeu aos céus? Existe alguma estrada em que ele possa subir?

No entanto, ao ver de fato seu filho ascendendo aos céus, ela grita:


Mrile, wuya na kunu!
Wuya na kunu, mwanako!
Wuya xa kunu!
[Murile, volta pra cá!
Volta pra cá, meu filho!
Volta pra cá!]
No qual ele responde: “nunca voltarei”. Depois da ascensão, Murile se encontra nos Céus.

E há uma tradição curiosa entre os Wachaga sobre uma árvore misteriosa. Uma garota chamada Kichalundu saiu um dia para cortar grama. Encontrando gramas exuberantemente belas em um determinado lugar, ela entrou no local e afundou-se num pântano. Seus companheiros agarram as mãos dela e tentaram puxá-la para fora, mas em vão, ela desapareceu da vista deles. Ouviram-na cantando, “os fantasmas têm me levado. Ide contar a meu pai e minha mãe”, e eles correram para chamar os pais. A zona rural inteira se reuniu sobre o lugar, e um adivinho aconselhou o pai a sacrificar uma vaca e uma ovelha. Isso foi feito, e eles ouviram a voz da menina novamente, cada vez mais fraca, até que finalmente ficou em silêncio, e eles lhe deram por perdida.

Mas, depois de um tempo, uma árvore cresceu no local onde ela havia desaparecido. Foi crescendo, até que finalmente chegou ao céu. Os meninos do rebanho, durante o calor do dia, costumavam dirigir o gado em sua sombra, e subiram nos ramos da árvore misteriosa. Um dia, dois deles se aventuraram mais do que o restante, que, por sua vez, gritavam: “Você pode nos ver ainda?” Os outros responderam: “Não!”, mas os dois companheiros ousados recusaram-se a descer. “Estamos indo para o céu sobre a Wuhu, o mundo acima!” Essas foram suas últimas palavras, pois eles nunca mais foram vistos. E a árvore foi chamada Mdi Msumu, “a história da árvore”.

Essa mesma característica mitológica se encontra tanto na teologia judaica como cristã. Assim encontramos no relato sobre Jacó:
(Gênesis 28:10-12) . . .E Jacó seguiu caminho desde Berseba e dirigiu-se a Harã. Com o tempo atingiu certo lugar e se preparou para pernoitar ali, visto que o sol já se tinha posto. Tomou, pois, uma das pedras do lugar e a pôs como apoio para a sua cabeça, e deitou-se naquele lugar. E começou a sonhar, e eis que havia uma escada posta na terra e seu topo tocava nos céus; e eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela...
Usando a mesma linguagem teológica, Jesus disse:
(João 1:51) . . .“Eu vos digo em toda a verdade: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus ascendendo e descendo para o Filho do homem.”
Mais adiante Jesus disse a Nicodemos:
(João 3:13) Ademais, nenhum homem ascendeu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem...
Os povos antigos tinham fascínio pelos céus, por considerarem estes a moradia dos deuses. Criam que Deus enviava mensageiros para executar alguma atividade entre os humanos. Os mesmos eram retratados subindo e descendo por alguns meios, escada, teia de aranha ou nuvens.

Vemos nisso uma característica lendária e obviamente nem de longe consideramos como algo histórico.

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