Evangelho de João — Quem Realmente Escreveu?

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  • segunda-feira, 7 de novembro de 2011
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  • Eduardo G. Junior
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  • Quem escreveu o evangelho de João?Quando as pessoas se referem aos Evangelhos, elas logo associam aos seus respectivos “autores”, Mateus, Marcos, Lucas e João. No entanto, poucas delas sabem que os Evangelhos são anônimos e que os nomes que lhes são atribuídos foram criados pela tradição Católica.

    Até mesmo as obras cristãs reconhecem isso:

    “O Quarto Evangelho, como os três Evangelhos Sinóticos, é anônimo: não sustenta o nome de seu autor. O título ‘Segundo João’ é uma etiqueta colocada nele quando os quatro Evangelhos foram reunidos e começaram a circular como uma coleção, com o objetivo de distingui-lo dos seus três companheiros.” (BRUCE, 1983, p. 1)

    “É também verdade que o Evangelho na sua forma é anônimo”. (MORRIS, 1994,  p. 4)

    “O Quarto Evangelho não provê evidência interna explícita com respeito ao seu autor.” (BURGE, 2000)

    “Embora o livro não mencione o nome do autor, ele é indicado como “o discípulo amado” (21:20, 23, 24)” (HARRISON, 1990, p. 1071)

    Tendo isso em mente, nós iremos produzir uma série de postagens que nos responderá a pergunta: Quem escreveu os Evangelhos?

    Nessa primeira postagem, nós iremos analisar um dos Evangelhos mais queridos, que, em termos de literatura, também me foi de bastante interesse quando eu era cristão convicto, o Evangelho Segundo João.

    Iremos citar abaixo algumas afirmações de obras teológicas, mostrando os principais argumentos para a autoria joanina de acordo com a corrente ortodoxa cristã. As duas primeiras são publicações das Testemunhas de Jeová e as demais de outras denominações evangélicas, todas creem que João escreveu o Evangelho que leva seu nome.

    Os cristãos do princípio do segundo século aceitavam João como o escritor desta narrativa e também consideravam a sua escrita qual parte inquestionável do cânon das Escrituras inspiradas. Clemente de Alexandria, Irineu, Tertuliano e Orígenes, todos do fim do segundo e do princípio do terceiro século, testificam que João é o escritor. Ademais, encontra-se no próprio livro muita evidência interna de que João foi o escritor. Obviamente o escritor era judeu e estava bem familiarizado com os costumes judeus e com o seu país. (2:6; 4:5; 5:2; 10:22, 23) A própria intimidade do relato indica que ele era não só apóstolo, mas um do círculo íntimo de três — Pedro, Tiago e João — que acompanhavam Jesus em ocasiões especiais. (Mat. 17:1; Mar. 5:37; 14:33) Dentre estes, Tiago (filho de Zebedeu) é eliminado, porque foi martirizado por Herodes Agripa I, por volta do ano 44 EC, muito antes de o livro ser escrito. (Atos 12:2) Pedro é eliminado, visto ser mencionado junto com o escritor, em João 21:20-24. (SI p. 194 par. 3 Livro bíblico número 43 — João)

    Outra obra de referência diz:

    Escritor. Embora o livro não mencione seu escritor, tem sido quase universalmente reconhecido que foi escrito pela mão do apóstolo João. Desde o começo, nunca foi questionado que ele fosse o escritor, exceto por um pequeno grupo no segundo século, que objetou à base de que considerava os ensinos do livro antiortodoxos, mas não por qualquer evidência relacionada com quem o escreveu. Ser João o escritor só tem sido questionado novamente desde o advento da moderna escola “crítica”.

    A evidência interna, de que o apóstolo João, filho de Zebedeu, foi de fato o escritor, consiste em tal abundância de provas, de diversos ângulos, que sobrepuja qualquer argumento em contrário. Mencionam-se aqui apenas uns poucos pontos, mas o leitor atento, com estes em mente, achará muitíssimos outros. Seguem-se alguns:

     (1) O escritor do livro era evidentemente judeu, conforme indicado por sua familiaridade com as opiniões dos judeus. — Jo 1:21; 6:14; 7:40; 12:34.

    (2) Era habitante nativo da terra da Palestina, conforme indicado por seu conhecimento cabal do país. Os pormenores mencionados a respeito dos lugares citados indicam conhecimento pessoal deles. Ele referiu-se a “Betânia, do outro lado do Jordão” (Jo 1:28) e a ‘Betânia, perto de Jerusalém’. (11:18) Escreveu que havia um jardim no lugar onde Cristo foi pregado na estaca, e que nele havia um túmulo memorial novo (19:41), que Jesus falou “na tesouraria, ao estar ensinando no templo” (8:20), e que “era inverno, e Jesus estava andando no templo, na colunata de Salomão” (10:22, 23).

    O próprio testemunho do escritor, e a evidência factual mostram que se tratava duma testemunha ocular. Cita o nome das pessoas que disseram ou fizeram certas coisas (Jo 1:40; 6:5, 7; 12:21; 14:5, 8, 22; 18:10); entra em pormenores quanto à hora em que sucederam os eventos (4:6, 52; 6:16; 13:30; 18:28; 19:14; 20:1; 21:4); designa, de modo factual, os números envolvidos em suas descrições, fazendo isso sem ostentação. — 1:35; 2:6; 4:18; 5:5; 6:9, 19; 19:23; 21:8, 11.

    O escritor era apóstolo. Ninguém, a não ser um apóstolo, podia ter sido testemunha ocular de tantos eventos ligados ao ministério de Jesus; também, seu conhecimento íntimo da mentalidade, dos sentimentos e das motivações pelos quais Jesus disse ou fez certas coisas, revela que ele era um do grupo dos 12 que acompanhou Jesus em todo o seu ministério. Por exemplo, ele nos conta que Jesus fez a Filipe uma pergunta para prová-lo, “pois ele mesmo sabia o que ia fazer”. (Jo 6:5, 6) Jesus sabia “em si mesmo que seus discípulos estavam resmungando”. (6:61) Ele sabia de ‘todas as coisas que lhe sobreviriam’. (18:4) “Gemeu no espírito e ficou aflito.” (11:33; compare isso com 13:21; 2:24; 4:1, 2; 6:15; 7:1.) O escritor também estava familiarizado com as idéias e as impressões dos apóstolos, algumas das quais eram erradas e foram corrigidas posteriormente. — 2:21, 22; 11:13; 12:16; 13:28; 20:9; 21:4.

    Além disso, o escritor é mencionado como “o discípulo a quem Jesus havia amado”. (Jo 21:20, 24) Ele era, evidentemente, um dos três apóstolos mais íntimos que Jesus mantinha perto de si em várias ocasiões, tais como na transfiguração (Mr 9:2), e na ocasião de sua angústia, no jardim de Getsêmani. (Mt 26:36, 37) Destes três apóstolos, elimina-se Tiago por ter sido morto por volta de 44 EC, por Herodes Agripa I. Não existe nenhuma evidência de uma data tão cedo assim da escrita deste Evangelho. Pedro é excluído por ter o seu nome mencionado junto com “o discípulo a quem Jesus havia amado”. — Jo 21:20, 21. (IT-2 pp. 573-574 João, Boas Novas Segundo)

    Outras citações evangélicas dizem que “o Evangelista dá a impressão de pessoalmente conhecer as cenas do ministério de Jesus como ele descreve.” (BRUCE, 1983, p. 2) e que “a razão básica para sustentar que o autor foi João, o Apóstolo, é que isso parece ser o ensino do Evangelho em si.” (MORRIS, 1994, p. 5) De maneira resumida, os argumentos para a autoria joanina são:

    § 1. Os Pais da Igreja relacionam o Quarto Evangelho com o apóstolo João.
    § 2. As descrições que o Evangelho faz dos eventos é de uma testemunha ocular.
    § 3. A descrição dos lugares é de um nativo, um judeu.
    § 4. A linguagem Aramaica do texto está em harmonia com a teologia judaica dos escritos da época.

    § 1 Pais da Igreja

    Bom, contra isso podemos dizer que é uma tradição que não se sabe as origens, se o próprio Evangelho não menciona o autor, como fez Paulo nas suas cartas, por exemplo, então qual foi a base para alguns dos Pais da Igreja atribuir a João? Eles não comentam! Fora isso, os próprios cristãos, independente da denominação, sabem que nem tudo que era dito pelos Pais da Igreja era acurado, em outras palavras, eles citam os Pais da Igreja quando se harmoniza com o que eles já pré-estabeleceram como verdade, ou seja, que João foi o autor.

    § 2 Narrador Homodiegético

    Na narratologia, nós chamamos “diegese” o universo ficcional criado. Existem vários tipos de narradores e, dentre estes, temos o homodiegético. O narrador homodiegético é aquele que é “co-referêncial com um dos personagens da diegese, participando da história narrada.” (AGUIAR E SILVA, 1988, p. 761) Assim, uma vez que os cristãos argumentam que o escritor do Quarto Evangelho é João, que participa de alguns eventos como testemunha ocular, ele é um narrador homodiegético.

    No entanto, o fato do escritor do Quarto Evangelho ser homodiegético e falar como testemunha ocular, não prova, em hipótese alguma, que o que ele esteja narrando seja verdade histórica ou que ele mesmo seja o autor.

    Veja como exemplo o livro O Caçador de Pipas. O narrador é uma subclassificação do homodiegético, ou seja, autodiegético, sendo aquele que narra sua própria história.

    Nesse caso, o narrador é o protagonista Amir, um garoto rico de Cabul, no Afeganistão, que é atormentado pela culpa de ter traído seu criado e melhor amigo, Hassan, filho de Ali, também empregado do seu pai.

    Toda a trama do livro é narrada como testemunha ocular, o próprio Amir está narrando as suas experiências. No entanto, sabemos que ele é um personagem fictício, que o autor do livro é Khaled Hosseini e que os eventos narrados não são históricos.

    Da mesma forma, o fato do narrador “João” descrever os eventos como testemunha ocular não o faz tal, não o faz autor do Evangelho, nem muito menos prova que os eventos são históricos. Os próprios evangelhos apócrifos narram eventos como se o autor fosse testemunha ocular, nem só por isso são aceitos como tais, como históricos e autênticos.

    § 3 Um Judeu Nativo

    O outro argumento é que a forma como o narrador do Quarto Evangelho relata os eventos é de alguém que conhecia bem os lugares. Isso também não caracteriza nenhuma prova de João como autor do Evangelho. Existiam milhares de judeus na palestina do primeiro século, com certeza João não era o único.

    § 4 Linguagem Socio-religiosa

    Na minha opinião, o fato de que a linguagem de João é bem Aramaica, sendo encontrados diversos paralelos com os escritos de Nag Hammadi é um problema para a inspiração da Bíblia, ao invés de uma solução de autoria joanina. Basicamente, as mesmas expressões encontradas em João são encontradas na literatura judaica, o que mostra que a escrita dessa Evangelho seguia o pensamento teologico judaico comum, o estilo literário próprio da época, ao invés de uma inspiração sobrenatural.

    A expressão grega του ιωαννου, “os judeus”, e a palavra em si ιωαννου, i.e, “judeus”, ocorre 70 vezes no Evangelho de João, em Mateus 5 vezes, em Marcos 6 vezes e em Lucas 5 vezes. Observamos que a diferença é gritante, ao passo que os outros três Evangelhos mencionam entre 5-6 vezes, o Quarto Evangelho usa a palavra “judeus” 70 vezes.

    O mais interessante é que o narrador do Quarto Evangelho se refere a eles na terceira pessoa, “os judeus”, diferenciando dele mesmo. O Evangelho é extremamente antisemita, sendo que a focalização do uso extremado da palavra “judeus” é fomentar a ideia de quem matou o Salvador do mundo foi “os judeus” e eles devem pagar por isso.

    O escritor também traduz as palavras de hebraico para o grego (“que, traduzido, quer dizer: Instrutor,” 1:38 “que, traduzido, quer dizer: Cristo” 1:41 “que, traduzido, é Pedro” 1:42) explica traços culturais do judaísmo (“Porque os judeus não têm tratos com os samaritanos” 4:9) tinha conhecimento filosófico dos gregos, de Filo de Alexandria (“O Logos estava com Deus” 1:1). A teologia do livro é chamada de “alta” porque retrata abertamente Jesus como divino, algo que não se tinha desenvolvido plenamente no primeiro século (“O Logos era Deus” 1:1). A gramática e a sintaxe em grego é de alguém bastante letrado, um verdadeiro acadêmico. (ROBERTSON) Tinha como objetivo colorir os eventos do Jesus histórico, como é o caso da crucificação (Cf. A Crucificação de Jesus é um Mito?). Sua linguagem se assemelha a muitas passagens do Antigo Testamento, ou seja, era alguém com bastante conhecimento do judaismo da época (6:35 e Cap. 15). Quando o escritor disse, “Há, de fato, também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, suponho que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos (21:25) mostra que era exagerado, denotando que é uma relato fabuloso e lendário do uma personagem histórica, pois Jesus fez tanta coisa assim que ficaram preservadas em apenas 4 livros escolhidos pela Igreja Católica como sagrados! Nem um único historiador da época comenta essas obras maravilhosas.

    Lógico que pela palavra “suponho” se indica uma hipérbole, no entanto, por todas as maravilhas e descrições durante o Evangelho, a conclusão aponta para uma narrativa fabulosa e lendária de alguém histórico.

    Todas essas característica não batem com o apóstolo João descrito na Bíblia como “indouto e comum” (Atos 4:13), sendo pescador. Afinal, menos de 1 por cento da população do tempo de Jesus sabia ler e escrever e essa porcentagem ainda estava entre os filhos de aristocratas, pessoas de posses e não de pescadores.

    Se isso se refere a ler e escrever a PRÓPRIA LÍNGUA que dirá de escrever em grego! Bart D. Ehrman chega até a comentar: “Não estou dizendo que apenas 1 por cento da população podia fazer tal coisa [i.e ler e escrever]. Estou dizendo que bem menos que 1 por cento poderia fazê-lo.” (EHRMAN, 2011, p. 72)

    Conclusão

    O Evangelho Segundo João, na verdade, é um evangelho segundo uma pessoa que ninguém sabe quem foi. O escritor do Quarto Evangelho era um judeu helenizado, como Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século. Era filosofo familiarizado com as principais escolas filosóficas do seu tempo, era teólogo do Antigo Testamento, assim como conhecedor dos mitos Greco-romanos. Era trilingue, sendo capaz de ler e escrever com profundidade hebraico, aramaico e grego. Possuia grande arte de retórica, sabendo argumentar sabiamente contra os dogmas judaicos da época, sendo o objetivo principal de seu evangelho lutar contra os Ebionitas que negavam a divindade de Cristo.

    Nem de longe qualquer dessas características se enquandram no pescador simples, João, o apóstolo.

    Bibliografia

    BRUCE, F. Fyvie, The Gospel of John, Wm. B. Eerdmans Publishing, 1994.
    PFEIFFER, F. Charles e HARRISON, F. Everett, The Wycliffe Bible Commentary, Moody Press, 1990.
    EHRMAN, Bart D. Forged, Writing in the Name of God - Why the Bibles Authors Are Not Who They Think They are, 2011, ed. HarperOne.
    MORRIS, Leon, Gospel according to John, New International Commentary on the New Testament, Wm. B. Eerdmans Publishing, 1995
    BURGE, M. Burge, The NIV Application Commentary on John, Zondervan, 2009
    Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. II. publicado pelas Testemunhas de Jeová.
    Toda Escritura é Inspirada e Proveitosa, ed. 1963, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
    6 comentários:
    1. Boa tarde Eduardo,gostaria de pedir permissao para divulgar no meu facebook suas materia que acho maravilhosas de muita sabedoria.Voce tem Face? Por favor disponibiliza o link se tiver.Um abraco.

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      1. Pode sim, será um prazer. Debaixo da postagens tem uns quadradozinhos em um deles tem o desenho do facebook, bastanta clicar nele e postar.

        Olha a página no face: https://www.facebook.com/PorQueNaoCreio

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    2. O verbo se fez carne

      Contrariando a maioria dos manuscritos do Novo Testamento, Bart acusa os copistas de terem adicionado ao Evangelho de João os versículos 1-14 do prólogo (introdução), uma vez que às suas características literárias seriam diferentes do restante do Evangelho.

      “O tantas vezes celebrado poema fala do verbo de Deus, que existia com Deus desde o princípio e sempre foi Deus e se fez carne em Jesus Cristo. A passagem foi vazada em um estilo de alto teor poético que não se encontra no resto do Evangelho; além disso, à medida que os temas centrais são repetidos no resto da narrativa, Jesus é retratado durante a narrativa como aquele que veio do alto, mas nunca é chamado de o verbo em outra passagem do mesmo evangelho (...) Todos os nossos manuscritos gregos contêm as passagens em questão. Dessa forma, a Critica Textual reconstruiu aquilo que originalmente eles continham”. [9]

      Como diz o pastor Natanael Rinald: quem entende semelhante barafunda? Se os nossos manuscritos gregos contêm todas as passagens em questão, por que deveríamos duvidar da autenticidade do logos de João? Seria possível reconstruir algo que originalmente fazia parte do texto? Grande parte das ideias de Bart sobre o logos foram tomadas de Harnarck (nascido em 1851). Vejamos o que diz a Teologia Sistemática de Strong.

      “Harnarck data Mateus de 70-75; Lucas de 70-79; o quarto evangelho de 80-110. Ele não considerava o quarto evangelho e o Apocalipse como obras do apóstolo João, mas de João, o presbítero. Faz uma separação entre o quarto evangelho e o seu prólogo e considera este como prefácio adicionado após a composição original a fim de capacitar o leitor helenista a entendê-lo. ‘O próprio evangelho’, diz Harnarck, não contêm nenhuma ideia de logos; ele não se desenvolveu a partir de uma ideia do logos, como floresceu em Alexandria (...) O quarto evangelho, que não procede do apóstolo João e não tem essa pretensão, não pode ser empregado como fonte histórica no sentido comum da palavra”. [10]

      Como o próprio Strong refutaria mais tarde, não precisamos atribuir ao Evangelho de João origem mais tardia, a fim de dar conta de sua doutrina do logos, nem precisamos atribuir uma origem mais tardia aos sinóticos, para dar conta da doutrina de um Messias sofredor. A doutrina do logos pode ser ainda confirmada a partir de dois outros testemunhos.

      a) “Se a doutrina joanina do logos fosse proposta na primeira metade do segundo século, teria imediatamente garantido a rejeição daquele evangelho pelos gnósticos, que atribuíam a criação, não ao logos, mas aos sucessivos ‘eons’. Como os gnósticos, sem hesitação, vieram a aceitar como genuíno aquilo que na sua época tinha surgido nas igrejas? Conquanto Basíledes (130) e Valentino (150), que eram gnósticos, citam o quarto evangelho, não discutem sua genuinidade nem sugerem que fosse de origem recente, prova sua autenticidade.” [11]

      b) F. W. Farrar, comenta sobre Hebreus 1.2. “A palavra eon foi empregada mais tarde pelos gnósticos para descrever as várias emanações pelas quais eles tentavam ao mesmo tempo ampliar e estabelecer sua ponte sobre o abismo entre o humano e o divino. Sobre essa lacuna imaginária, João lançou a arca da encarnação ao escrever: ‘O verbo se fez carne’ (Jo. 1.14). Um documento que contraria tanto os ensinos gnósticos não podia, no segundo século, ter sido citado por eles sem discutir a sua genuinidade se não tivesse sido há muito reconhecido nas igrejas como obra do apóstolo João.” [12]Referências:
      EHRMAN, B.D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Rio de Janeiro – RJ: Escala págs. 220,221
      9. Id. Ibidem, pág. 71.

      10. Teologia Sistemática de Strong, Hagnos, págs. 246-247

      11. Ibidem, pág. 242

      12. Id. Ibidem, pág. 242

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    3. Realmente meu amigo, você tem toda razão em dizer que não foi João o Apóstolo quem escreveu o livro, pois você falou coisas verdadeiras e com riqueza de detalhes como ele sendo um pescador, etc. Só que tem um detalhe: Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;
      Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra (2 Timóteo 3:16-17). Portanto não podemos retirar a ação do Espírito Santo na vida desses homens. É perda de tempo ficar debatendo ou tentando te convencer disso, pois não professamos a mesma fé, mas uma coisa é certa: Deus ainda te dará a oportunidade de repensar em tudo que te direciona a estes escritos.
      Só mais uma coisa declaro: que Deus te perdoe e te abençoe.

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      1. Primeiro, obg pela visita e pela participação. Segundo, quero que saiba que não sou anti-cristão, militante contra a Igreja, etc. Hoje fui em duas lojas evangélicas comprar livros. Conversei horas com um dos vendedores que, por sinal, me tem muita estima.

        O poder que emana da Bíblia é incontestável, ela teve poder para mudar o mundo inteiro praticamente. Isso, no entanto, não prova que ela seja inspirada por Deus, uma vez que existe uma outra explicação mais racional e lógica para a fenomenologia bíblica.

        Sei da importância desse livro e já "discuti" muito com professores universitários para a introdução da Bíblia como campo de pesquisa literária no curso de Letras.

        Sei que quando você pediu para Deus me perdoar é porque achas que estou cometendo um enorme pecado. "Pecado" é uma coisa que existe apenas na mente dos religiosos, ela não faz parte do meu vocabulário, mas já que ela foi usada, acho que seria melhor dizer:

        Que Deus NOS perdoe e NOS abençoe, pois todos nós, meu caro, precisamos da misericórdia de Deus devido nossas ignorâncias.

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    4. Creio que você ainda vai crê incondicionalmente... esta é a verdadeira fé, a fé que se apoia no conhecimento humano, é como um cajú, parece fruto, mas, não é. Eu já passei por isto e quase enveredei pelo caminhos que estás seguindo. Mas, o Senhor foi misericordioso e hoje usufruo do gozo que resulta da fé real. "Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia". 1Co 3:19 - O DIA JÁ VEM... Amém. abçs. Assis.

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