sexta-feira, 14 de outubro de 2011


Se você chegou nesse blog direto por essa postagem, queira ver o contexto deste estudo, começando com: “Virgem” ou “Jovem”: Um estudo de Isaías 7:14

Todo exegeta sabe que não se pode entender um texto à parte de seu contexto. Levando isso em conta, os judeus atuais também argumentam que o contexto histórico de Isaías 7:14 nada tem a ver com um nascimento virginal do Messias. Preste atenção a este comentário feito por um erudito cristão de renome sobre o vocabulário usado em Isaías 7:14:


b) a palavra “sinal” (hebr. ’ôt) requer um cumprimento razoavelmente próximo; uma predição pode ser feita para o longo prazo, mas um sinal é por definição um sinalizador na situação contemporânea que aponta para um evento mais distante” “Nenhuma exegese natural pode aplicar o v. 16 a um futuro muito distante” “Parece provável, embora não certo, que a construção hebraica sugira que Isaías estava se referindo primeiramente a uma jovem já grávida; praticamente a mesma construção ocorre em Gn 16.11. (PAYNE 2010)

CONTEXTO HISTÓRICO, PROFECIA, NASCIMENTO VIRGINAL, ISAÍASAgora, vamos tentar entender o contexto histórico de Isaías 7:14. Os capítulos 7 e 8 de Isaías revelam um contraste espiritual. Tanto Isaías como Acaz pertenciam a uma nação dedicada a Yahweh; ambos haviam recebido designações de Deus, um como profeta, o outro como rei de Judá; e ambos enfrentavam a mesma ameaça — a invasão de Judá por forças inimigas superiores. Isaías, no entanto, enfrentou a ameaça com confiança em Deus, ao passo que Acaz cedeu ao medo.

A face de Acaz talvez estampasse descrença, pois Yahweh disse, por meio de Isaías: “A menos que tenhais fé, então não sereis de longa duração.” Pacientemente, Yahweh “prosseguiu falando mais a Acaz” . (Isaías 7:9, 10) A seguir, Yahweh diz a Acaz: “Pede para ti um sinal da parte de Yahweh, teu Deus, fazendo-o tão profundo como o Seol ou fazendo-o tão alto como as regiões superiores.” (Isaías 7:11) Acaz podia pedir um sinal, e Yahweh o daria como garantia de que protegeria a casa de Davi. Acaz responde desafiadoramente: “Não o pedirei, nem porei Yahweh à prova.” (Isaías 7:12) No caso de Acaz, porém, Deus o convidava a voltar à adoração verdadeira e oferecia-se para fortalecer a fé de Acaz por realizar um sinal. No entanto, Acaz preferia buscar proteção em outro lugar.

A essa altura o rei enviou, provavelmente, uma grande quantia em dinheiro à Assíria, buscando ajuda contra seus inimigos do norte. (2 Reis 16:7, 8) No ínterim, o exército siro-israelita cercava Jerusalém e iniciava o sítio. Com a falta de fé do rei em mente, Isaías diz: “Escutai-me, por favor, ó casa de Davi. É para vós algo de somenos importância fatigardes os homens, que deveis também fatigar o meu Deus?” (Isaías 7:13) É nesse contexto, que os versículos seguintes entram: Yahweh permanecia fiel a seu pacto com Davi. Um sinal fora oferecido, um sinal seria dado! Isaías continua: “O próprio Yahweh vos dará um sinal: Eis que a própria donzela ficará realmente grávida e dará à luz um filho, e ela há de chamá-lo pelo nome de Emanuel...”

O versículo é tão exclusivo para aquele tempo, que não há qualquer pista que se deveria esperar um outro Emanuel que nasceria de uma virgem. Em que parte desses textos de Isaías seria possível observar uma “dica” para se identificar o Messias? Nada nos versículos demonstra o profeta apontando para a identidade de qualquer redentor universal. Observa-se uma linguagem bem geográfica e limitada, algo que se referia apenas àquele povo e tempo.

Aqueles que argumentam que os verbos estão no futuro como “dará um sinal”, “ficará... grávida” e “dará à luz”, podemos dizer que existe o futuro imediato. Podemos falar usando os verbos no futuro para algo que vai ocorrer amanhã, uma semana depois, um mês depois. Será que toda vez que usamos os verbos no futuro queremos dizer que é algo que ocorrerá séculos depois? Será que toda vez que usamos os verbos no futuro estamos fazendo uma profecia? Isaías usa os verbos no futuro porque em pouco tempo a jovem judia iria ter uma criança que desenpenharia uma papel no seu ministério. Isso é algo tão claro em suas palavras e intencionalidades que os versículos seguintes dizem: 

Ele comerá manteiga e mel pelo tempo em que souber rejeitar o mau e escolher o bom. Pois antes que o rapaz saiba rejeitar o mau e escolher o bom, o solo dos dois reis de que tens um pavor mórbido ficará completamente abandonado. Yahweh fará vir contra ti, e contra teu povo, e contra a casa de teu pai, dias tais como nunca vieram desde o dia em que Efraim se afastou de junto de Judá, a saber, o rei da Assíria. (Isaías 7:16, 17)

Se a criança da profecia era Jesus, como essas palavras se aplicariam à um Ser perfeito, filho de Deus: “{...} antes que o rapaz saiba rejeitar o mau e escolher o bom”? A palavra נער (hebr.: na'ar) usada na profecia de Isaías ocorre cerca de 239 vezes no Antigo Testamento. Ela significa “garoto”, “jovem” e “servo” (TWOT). Segundo o Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon a palavra hebraica pode se referir desde uma criança por nascer até um jovem com 17 anos de idade. O único relato que temos de Jesus jovem é com 12 anos, onde ele já dava aula sobre a lei de Deus no templo. (Cf. Lucas 3:46) Dessa forma, as expressões que são usadas para se referir ao menino da profecia não se enquadram no jovem Jesus, pois o mesmo era um Ser perfeito, celestial e filho de Deus, segundo o mito bíblico, claro.

Logos depois de descrever o nascimento e as características do menino, o profeta diz que “{...} o solo dos dois reis de que tens um pavor mórbido ficará completamente abandonado. Yahweh fará vir contra ti, e contra teu povo, e contra a casa de teu pai, dias tais como nunca vieram desde o dia em que Efraim se afastou de junto de Judá, a saber, o rei da Assíria.” Isso é o contexto da profecia de Isaías 7:14. Não fica claro, então, que nada tem a ver com o Jesus de séculos depois? O próprio contexto social descrito aqui na profecia e totalmente diferente do contexto em que Jesus nasceu.

Além do mais, se Isaías 7:14 está se referindo à uma virgem que dará luz, e uma vez que os cristão, em geral, concordam que essa profecia teve um cumprimento naquele tempo em Israel, isso faria da esposa de Isaías uma virgem, o que não seria conveniente para o Cristianismo. Além disso, Jesus não teria sido o único nascido de uma virgem, assim como sem pecado. Historicamente, o texto diz que uma jovem judia daria luz à uma criança que seria um sinal profetico para o Israel daquele tempo.

É visivelmente claro que o escritor do Evangelho de Mateus, na tentavia de criar um mito sobre uma pessoa histórica, i.e Jesus, quis encaixar o nascimento virginal, característica sempre presente em mitos de heróis, nas profecias do Antigo Testamento. Como o mito cristão deveria estar em harmonia com os textos do A.T, o escritor tentou harmoniar Isaías 7:14 com a ideia mitológica do nascimento virginal.

Concluímos assim, que Isaías não tinha em mente nenhuma profecia que se cumpriria no Messias por meio de um nascimento milagroso. Em nossa última postagem sobre o assunto, veremos mais argumentos que confirmam isso. 

Última parte desse estudo: Cf. O Mito do Nascimento Virginal

Um comentário:

  1. Bom texto .Qual o seu ponto de vista sobre a professia relacionada a Queda do Império da Babilonia? Porque os crentes usam essa justificativa para ratificar a veracidade da Biblia . Poderia me dar uma opinião sobre esse assunto e me indicar um material para leitura sobre esse assunto ?
    Seu blog é muito bom .

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