quinta-feira, 20 de outubro de 2011

HORUS, MORREU, CRUZ, CRUCIFICADO, JESUS, SIMILARIDADE
Para respondermos essa pergunta, temos que primeiro entender todo o contexto antropológico e religioso da cruz como objeto. Ao mostrar que Hórus (3.100 a.C) é retratado em uma cruz, nós precisamos entender todo o contexto mítico, teológico e astrológico e compreender as engrenagens que compõem um mito. Dessa forma, iremos dividir nosso estudo nos seguintes pontos.

§ 1 A Palavra Cruz no Novo Testamento
§ 2 Origem Pagã da Cruz
§ 3 Astroteologia da Cruz
§ 4 Hórus Crucificado
§ 5 Outros Deuses Crucificados
§ 6 Por que a Cruz?
§ 7 Conclusão

Durante nosso estudo, em cada um dos seus respectivos tópicos, buscaremos analisar e responder a questão da influência “pagã” na criação do mito cristão.

§ 1 A Palavra Cruz no Novo Testamento

Quando se refere ao objeto de maneira que sustentou o corpo de Cristo, o objeto de execução usado pelos romanos para condenarem Jesus à morte, muito se tem debatido (Cf. Crucification of Jesus). Isso ocorre por causa do significado original das palavras gregas usadas no Novo Testamento para se referirem à “cruz”. As duas palavras que os escritores neotestementários usaram foram σταυρος (Gr.: stauros) ocorrendo 28 vezes no NT (Mat. 10:38; 16:24; 27:32,40,42; Marc 8:34; 10:21; 15:21,30,32; Luc 9:23; 14:27; 23:26; Jo 19:17,19,25,31; 1Cor. 1:17,18; Gal. 5:11; 6:12,14; Ef. 2:16; Fil. 2:8; 3:18; Col. 1:20; 2:14; Heb. 12:2) e a palavra ξύλον (Gr.: xulon) que ocorre cerca de 19 vezes no NT (Mat. 26:47,55; Marc 14:43,48; Luc 22:52; 23:31; At 5:30; 10:39; 13:29; 16:24; 1Cor. 3:12; Gal. 3:13; 1Ped. 2:24; Ap. 2:7; 18:12; 22:2,14.)

Um dos principais grupos religiosos que defendem que Jesus não morreu em uma cruz, mas sim atrelado à um poste de madeira, ou estaca, estão as Testemunhas de Jeová. Toda essa confusão ocorre por causa das palavras gregas usadas. Existem muitos estudos bem produzidos que abordam isso (Cf. Did Jesus die on a stake or a cross? e Was Jesus crucified on a cross, pole, or stake?), por essa razão não irei me deter nessa questão. No entanto, o que mais importa é que é fato inegavelmente histórico que os romanos crucificavam criminosos, é fato que a cruz desde os primórdios foi adotada como o símbolo do Cristianismo; e é com base nessa ideia que iremos basear todo nosso estudo.

§ 2 Origem Pagã da Cruz

Bom, antes de prosseguir, iremos definir a palavra “cruz” conforme é entendida em nosso bom e velho português.


sf (lat cruce) 1 Figura formada por duas hastes que se cortam perpendicularmente. 2 Instrumento de suplício formado geralmente de duas peças atravessadas uma sobre a outra e ao qual, na Antiguidade, ligavam os criminosos condenados à morte. 3 O madeiro em que Jesus Cristo foi pregado. [Michaelis]

cruz (latim crux, crucis, instrumento de suplício, cruz, forca, tortura, dor) s. f. 1. Qualquer sinal ou objecto.objeto formado por duas partes que se cortam. 2. Instrumento de suplício ao qual os padecentes eram fixados com os braços abertos. 3. [Religião católica] Instrumento do suplício de Jesus Cristo. [Priberam]

Com essa definição em mente, observamos o uso e a ideia de “cruz” que iremos seguir em nossa jornada. Uma vez que tudo tem uma origem, poderíamos nos perguntar qual é a origem, ou, pelo menos, qual é o mais antigo uso de que se tem registro da cruz como objeto ou concepção mística. Se você é cristão, mesmo que não-praticante, ficará surpreso em saber que séculos e séculos antes do Cristianismo, a cruz era adorada como um símbolo religioso profundo, sendo a ressurreição o principal significado atribuído à ela.

Iremos alistar abaixo uma série de referências de obras eruditas que já fizeram estudos profundos sobre essa ideia e das quais servirá de base para nossa argumentação de que o Cristianismo foi criado misturando várias crenças de povos “pagãos” e, no final, mostraremos que a ideia de uma salvador crucificado estava presente em mitos séculos antes do Cristianismo.

A forma da [cruz de duas vigas] teve sua origem na antiga Caldéia e foi usada como símbolo do deus Tamuz (tendo a forma do Tau místico, a letra inicial de seu nome) naquele país e em terras adjacentes, inclusive no Egito. Por volta dos meados do 3.° séc. A.D., as igrejas ou se haviam apartado ou tinham arremedado certas doutrinas da fé cristã. A fim de aumentar o prestígio do sistema eclesiástico apóstata, aceitavam-se pagãos nas igrejas, à parte de uma regeneração pela fé, e permitia-se-lhes em grande parte reter seus sinais e símbolos pagãos. Assim se adotou o Tau ou T, na sua forma mais freqüente, com a peça transversal abaixada um pouco, para representar a cruz de Cristo. — An Expository Dictionary of New Testament Words (Londres, 1962), W. E. Vine, p. 256.

É um fato estranho, contudo inquestionável, que nas eras muito anteriores ao nascimento de Cristo, e desde então, em terras intatas aos ensinos da Igreja, a Cruz tem sido usada como símbolo sagrado. . . . O Baco grego, o Tamuz tírio, o Bel caldeu e o Odin nórdico foram todos simbolizados pelos seus devotos por um instrumento cruciforme. — The Cross in Ritual, Architecture, and Art (Londres, 1900), G. S. Tyack, p. 1.

A cruz na forma de ‘Cruz Ansada’ . . . era carregada nas mãos dos sacerdotes e reis-pontífices egípcios como símbolo de sua autoridade como sacerdotes do deus-Sol e era chamada ‘o Sinal da Vida’. — The Worship of the Dead (Londres, 1904), Coronel J. Garnier, p. 226.

Usavam-se essas cruzes como símbolos do deus-sol babilônico, e são vistas pela primeira vez numa moeda de Júlio César, 100-44 a.C., e daí numa moeda cunhada pelo herdeiro de César (Augusto), em 20 a.C. Nas moedas de Constantino, é o símbolo mais frequente; mas, o mesmo símbolo é usado sem o círculo ao redor, e com os quatro braços iguais, verticais e horizontais; e este era o símbolo especialmente venerado como a ‘Roda Solar’. Deve-se declarar que Constantino era um adorador do deus-sol, e não quis entrar na ‘Igreja’ senão cerca de um quarto de século depois da lenda de ter visto tal cruz nos céus. — The Companion Bible, Apêndice N.° 162; veja também The Non-Christian Cross, pp. 133-141.

O antigo símbolo hieroglífico egípcio da vida – o ankh, uma cruz de tau encimada por um laço e conhecida como crux ansata - foi aprovada e amplamente usada em monumentos cristãs copta. — The New Encyclopedia Britannica, 15° ed., 1995, volume III, page 753.

Um fato ainda mais curioso pode ser mencionado a respeito desta personagem hieróglifa [o Tau], que os primeiros cristãos do Egito adotaram [...] numerosas inscrições dirigidas pelo Tau são preservadas até os dias atuais em monumentos cristãos. — Wilkinson's Egyptians, de Sir J. G. Wilkinson, volume 5, p. 283-284.

O uso da cruz como um símbolo religioso em tempos pré-cristãos e entre povos não-cristãos, pode provavelmente ser considerado como quase universal, e em muitos casos ele estava conectado com alguma forma de adoração da natureza. — The Encyclopedia Britannica, 11° ed., 1910, volume VII, p. 506.

A religião popular e difundida de Osíris e Ísis exerceu considerável influência sobre o Cristianismo primitivo, para estas duas grandes divindades egípcias, cujo culto que tinha passado para a Europa era reverenciado em Roma e em vários outros centros, onde as comunidades cristãs estavam crescendo. Osíris e Ísis, assim diz a lenda, eram irmão e irmã e também marido e mulher, mas Osíris foi assassinado, seu corpo no caixão foi lançado ao Nilo, e pouco depois a viúva e exilado Isis deu à luz um filho, Hórus. O caixão, enquanto isso, foi levado até a costa síria, e tornou-se milagrosamente alojado no tronco de uma árvore, de modo que Osíris, como outros deuses sacrificados, poderia ser descrito como tendo sido “morto e pendurado em uma árvore.” — The Paganism in Our Christianity, Arthur Weigall, 1928, p. 118.

O Rev. Alexander Hislop, no livro The Two Babylons, pp. 197-205, francamente chama a cruz “este símbolo pagão... o Tau, o sinal da cruz, o sinal indiscutível de Tamuz, o falso Messias... o Tau místico dos caldeus (babilônios) e os egípcios - a verdadeira forma original da letra T - a inicial do nome de Tamuz ... a cruz da Babilônia era o emblema reconhecido de Tamuz”. Já na Encyclopedia Britannica, 11° edition, vol. 14, p. 273, nós lemos as seguintes palavras: “Nas igrejas egípcia a cruz era um símbolo pagão da vida tomado emprestado pelos cristãos e interpretado da maneira pagã.”

Jacob Grimm, em seu Deutsche Mythologie, diz que as tribos Teutonic (germânicas) tinham seu ídolo Thor, simbolizado por um martelo, enquanto os cristãos romanos tiveram suas crux (cross). Foi assim um pouco mais fácil para o Teutões aceitar a cruz romana. Já Johannes Geffcken, em The Last Days of Greco-Roman Paganism. p. 319, comenta “que mesmo depois de 314 d.C as moedas de Constantino mostram uma cruz igualmente laçada como um símbolo para o deus-Sol.” O erudito J.C. Cooper, na obra An Illustrated Encyclopedia of Traditional Symbol, aptamente resume que a cruz é “um símbolo universal dos tempos mais remotos; é o símbolo cósmico por excelência.” (p.45) Outras obras dizem também:

Encontraram-se diversos objetos, datando de longos períodos anteriores à Era Cristã, marcados com cruzes de feitios diferentes, em quase cada parte do mundo antigo. A Índia, a Síria, a Pérsia e o Egito produziram todos inúmeros exemplos, ao passo que em quase toda a parte da Europa se encontraram numerosos casos, datando desde a parte posterior da Idade da Pedra até os tempos cristãos. O uso da cruz como símbolo religioso em tempos pré-cristãos e entre povos não-cristãos provavelmente pode ser considerado como quase universal, e em muitíssimos casos ligava-se a alguma forma de culto da natureza. — The Encyclopœdia Britannica 1946, Vol. 6, página 753.

Há séculos na Itália, antes que o povo soubesse nada das artes da civilização, eles acreditavam na cruz como um símbolo religioso. Foi considerado como um protetor e foi colocada sobre túmulos. Em 46 a.C, moedas romanas mostram Júpiter segurando um cetro longo terminando em uma cruz. As virgens vestais da Roma pagã usavam a cruz suspensa nos seus colares, como as freiras da Igreja Católica Romana fazem agora. — The Babylon Mystery Religion, p. 51.

A cruz pré-cristã de uma forma ou de outra estava em uso como um símbolo sagrado entre os caldeus, os fenícios, os Egípcios, e muitas outras... nações. Os espanhóis no século 16, encontrado também entre os índios do México e Peru. Mas seu ensinamento simbólico foi bastante diferente daquela que hoje associamos a cruz. — Davis Dictionary of the Bible, p. 159

As virtudes mágicas atribuídas ao assim chamado sinal da cruz, e o culto que lhe confiaram... foi usado nos mistérios babilônios, e mais tarde foi aplicado pelo paganismo para os mesmos fins mágicos. — The Two Babylons; Alexander Hislop

Vocês que adoram deuses de madeira, são as pessoas mais propensas a adorar cruzes de madeira — Minucius Felix, Cristão do séc. III

Desde a antiguidade mais remota - a cruz era venerada no Egito e Síria, e foi realizada em honra iguais pelos budistas do Oriente. Os pagãos estavam acostumados a fazer o sinal da cruz sobre a testa na celebração de alguns de seus mistérios sagrados. — The Ancient Church; de W. D. Killen.  

Como visto em outros comentários, a cruz também era um símbolo fálico, sendo usado nos rituais antigos envolvendo sexo. No livro, The Masculine Cross and Ancient Sex Worship, Sha Rocco, diz que “todas as coisas indicam que a adoração do sexo é muito anterior à adoração do sol. E, ainda assim, a adoração do sexo e adoração do sol se misturaram com os outros. Eles foram princípios que se misturaram com a mesma fé.” Outras obras dizem em harmonia com Sha Rocco:

Diversas gravuras de cruzes se acham em toda a parte nos monumentos e túmulos egípcios, e são consideradas por muitas autoridades símbolo ou do falo [uma representação do órgão sexual masculino] ou do coito. . . . Nos túmulos egípcios, a cruz ansada [cruz com um círculo ou uma asa em cima] se acha lado a lado com o falo. — A Short History of Sex-Worship (Londres, 1940), H. Cutner, pp. 16, 17; veja também The Non-Christian Cross, p. 183.

Desde tempos imemoriais a cruz tem sido usada como um símbolo religioso. Não há nenhuma parte da terra habitada pelo homem e nenhum tempo na história do mundo – que ela [i.e a cruz] não foi encontrado. A cruz principalmente representou a divina união dos sexos. Num primeiro momento, no entanto, o uso da cruz de qualquer forma não foi permitido pela Igreja cristã primitiva, porque era um símbolo pagão, e sua introdução em celebração cristã era considerada como grande profanação, e severamente proibida — Sex Worship: An Exposition of the Phallic Origin of Religion de Clifford Howard, pg 154-170.

A cruz ansata dos egípcios, pode ser mostrada sendo um símbolo sexual, a união do oval com a posição vertical sendo de significado simbólico. A cruz ansata é encontrada na mão da maioria das divindades egípcias. Pode ser encontrada nos templos Assírios e em todos os templos da Índia também. Os monumentos pré-históricos da Irlanda têm a mesma concepção. Os sacerdotes são retratados em adoração da cruz ansata diante de monumentos fálicos. Este símbolo, a partir do qual a nossa cruz moderna é derivada, originou-se com as religiões da antiguidade — The Sex Worship and Symbolism of Primitive Races de Sanger Brown II., M. D.

A cruz é o símbolo da antiga fertilidade, combinando o macho vertical e horizontal princípios do sexo feminino, especialmente no Egito — An Illustrated Encyclopedia of Traditional Symbols, J.C. Cooper, p.45.

O símbolo de culto fálico, a cruz, tornou-se o emblema do Cristianismo. Encontramos a cruz na Índia, Egito, Tibet, e no Japão. A cruz era usada pelas mulheres que foram colocadas nos templos como prostitutas sagradas, como símbolo de sua “vocação” religiosa. A cruz é, de fato, o falo, e na religião cristã é um emblema significativo de sua origem pagã. A cruz era adorada, esculpida em templos, e usada como um emblema sagrado pelos adoradores do sol e da natureza, muito antes de existirem quaisquer cristãos para adorar,... e usá-la — The Christ de John Remsburg, Prometheus Books, 1994. (Leia online)

Um dos Pais da Igreja, Tertuliano, faz a seguinte afirmação: “Em todas as nossas viagens e movimentos”, diz ele, “em todas as nossas entradas e saídas, em colocar os nossos sapatos, no banho (De cor Mil, iii..), à mesa, na iluminação de nossas velas, para deitar, ao sentar-se, qualquer que seja o emprego que ocupa-nos, marcamos nossas testas com o sinal da cruz.”

Parece que Tertuliano reconhecia que Jesus morreu numa cruz, mas rejeitava cruzes de madeira. No entanto, ele disse claramente que o Cristianismo tomou emprestado a cruz no conceito de “morrer pelos pecados da humanidade”. Portanto, o Cristianismo é uma renovação pagã e o Novo Testamento é um mero mito reciclado e misturado com algo histórico! Nós dizemos isso porque é bem sabido que os seguidores de Tamuz também marcavam suas testas com o sinal da cruz, uma vez que o T, que se assemelha a uma cruz, era o sinal da deidade.

Um sinal pagão do místico Tau dos caldeus e dos egípcios, sendo a cruz um símbolo do deus romano Mitras e o Attis grego, e seu precursor Tamuz, o deus sumério solar, consorte da deusa Ishtar. Convenientemente, a forma original da letra ‘T’ era a letra inicial do deus Tamuz. Durante as cerimônias do batismo, esta cruz era marcada na testa pelo sacerdote pagão.

Muitos estudos exaustivos já foram feitos sobre a origem da cruz, sendo já bem estabelecido entre os estudiosos da área que a cruz é totalmente de origem mística, ou pagã. Com isso, podemos agora passar para outros pontos do nosso estudo ao mostrar que Hórus, divindade da mitologia egípcia, também é descrito cruficicado, assim como outros deuses e heróis mitológicos.

Esse estudo continua em A Cruz na Adoração do Sol

Um comentário:

  1. Poxa...muito bom esse site!

    Saí pesquisando quase tudo o que li neste artigo e fico feliz em ver que esse texto trata de verdades históricas.

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