domingo, 23 de outubro de 2011

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CRUZ, ASTROLOGIA, DEUS, SOL, PAGÃO, JESUS, HÓRUS

Como foi observado em nossa última postagem, a cruz é um objeto religioso que já existia séculos antes do Cristianismo. Na mitologia egípcia, a cruz era um símbolo religioso que representava, entre outras coisas, a ressurreição e a vida eterna. O estudo anterior era necessário para podermos argumentar que a ideia de um salvador crucificado deriva-se de anteriores mitos, sendo o Cristianismo uma racionalização do mesmo. Tendo feito isso, iremos passar agora para mais outro tópico de suma importância para a ideia da cruficicação de Hórus.

§ 3 Astroteologia da Cruz

A obra The International Standard Bible Encyclopedia, sendo esta publicada por evangélicos eruditos conservadores, comenta no verbete CRUZ:



O sinal da cruz era bem conhecido nas variações simbólicas das antigas nações. Entre os egípcios, tem sido o símbolo da divindade e da vida eterna, e tem sido encontrado no templo de Serápis. É conhecida sob a forma da cruz grega ou na forma da letra “T”. Os espanhóis sabiam ser bem conhecida, como um símbolo, [bem como] pelos mexicanos e peruanos, talvez significando os quatro elementos, ou as quatro estações, ou os quatro pontos cardeais.


Comentando sobre o significado da cruz e a relação com o sol no antigo Egito, Thomas Inman, publicou o seguinte comentário em 1869:

É pelos egiptólogos chamada de o símbolo da vida. É também chamada de “cruz tratada”, ou crux ansata. Ela representa a tríade masculina e feminina da unidade, sob uma forma decente. Há poucos símbolos mais comumente encontrados na arte egípcia. Em algumas esculturas notáveis​​, onde os raios do sol são representados como terminando em mãos...

Uma vez que a cruz se assemelha com uma pessoa de braços abertos, certas ankhs aparecem na antiga arte egípcia com braços e mãos segurando objetos. Com isso, queremos dizer que a cruz é um objeto antropoformizado, ou seja, a cruz é a forma (Gr.: morfé) de um homem (Gr.: anthropos). Além do mais, na primitiva arte egípcia encontramos imagens de pessoas no formato de crucifixos. No entanto, a cruz não era apenas a forma do corpo humano, mas era também o símbolo solar na astroteologia.

3.1 Adoração do Sol Entre os Antigos

Quanto mais regridimos no tempo, mais óbvio se torna que o culto religioso principal que é encontrado em todo o mundo tem girado em torno da natureza. Este culto à natureza incluiu reverência não só para a Terra, suas criaturas e sua fecundidade, mas também para o sol, a lua, planetas e estrelas. Para muitos milhares de anos, o homem tem olhado para o céu e ficado impressionado com o que ele tem observado. Este temor levou à reverência e adoração tanto pela noite e dia, como os céus, uma adoração chamado “astroteologia”.

Embora o culto da fertilidade tenha constituído uma parte importante e prevalecente da religião humana, pouco tem surpreendido a humanidade mais do que o céu, com suas enormes e brilhantes orbitas no firmamento azul. Tão fascinado pelo céu, foi o homem, que ele criou religiões inteiras, com sacerdócios organizados, rituais complexos e edifícios enormes, para contar sua história.

Durante os últimos períodos da história romana, a adoração do sol ganhou importância e, finalmente, levou ao que tem sido chamado de “monoteísmo solar.” Quase todos os deuses do período foram dotados de qualidades solares. A festa do Sol Invictus (Unconquered Sun) em 25 de dezembro foi comemorado com grande alegria, e, eventualmente, esta data foi assumida pelos cristãos como o Natal, o aniversário de Cristo celebrado.

3.2 O Sol e a Cruz

Já observamos que a cruz entre os egípcios era o símbolo da ressurreição, ou vida eterna. Vimos também que a cruz é um objeto antropoformizado, ou seja, se assemelha ao corpo humano de braços abertos. O que iremos observar agora é que a cruz entre os egípcios era o símbolo do sol na astroteologia.

A Wikipédia comenta:

O ankh era quase nunca desenhada em prata; como símbolo de um sol, os egípcios, quase invariavelmente, talharam exemplos importantes (para túmulos ou outros fins) do metal que mais associavam com o sol, o ouro. Um metal similar, tais como cobre, polido a um alto brilho, também era usado às vezes.

Não apenas no Egito, mas outras culturas também usavam a cruz como o símbolo de adoração ao sol. (Sun Cross) Outro fator importante na astroteologia, e a cruz como sinal do sol, é a precessão dos equinócios, um fenômeno definido como o instante em que o Sol, em sua órbita aparente, (como vista da Terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). Mais precisamente é o ponto no qual a eclíptica cruza o equador celeste. A luz solar passa a ser distribuida igualmente para ambos os hemisférios. O raios solares nesse período assumem a forma de uma cruz.

Por milhares de anos a cruz tem sido um símbolo do sol (LOCKYER, Nature, XXXV, 346) devido a sua jornada ao cruzar os céus, desde o nascer até se pôr, assim como os raios solares do equinócio quando está no horizonte. De fato, em muitos escritos do antigo Egito, o sol é representado como “cruzando” os céus, sendo seu movimento o sinal da cruz. Na realidade, o nascer do sol é o momento onde “Hórus cruza o céu”, como diz o hino egípcio.

Hórus é chamado de “aquele que cruza os céus e passa para o submundo.” Sendo Onipresente, ele é como uma “luz em cada caminho”. (Assman, ESRNK, p. 15) Dessa forma, a ideia do sol “atravessando” e “cruzando” os céus é encontrada por diversas vezes nos textos egípcios antigos, representando uma forma de “crucificação” (Assman, ESRNK, p. 51, 97) isso porque, após cruzar os céus, o deus solar morria e ressuscitava no dia seguinte.

De fato, no Coffin Texts aparece muitas referencias da “travessia” do sol pelo céu. (CT SP. 57:246; CT SP. 184:83. (Faulkner, AECT, 1, 54, 154)) Junto com essas mesmas linhas, o morto em CT Sp. 357 tem o título de “aquele que cruza o céus”. (Faulkner, EACT, II, 2) O sinal da cruz é também formada quando o deus sol “cruza as duas Terras, dia e noite...” (Assman, ESRNK, p. 119)

Este estudo continua em A Crucificação de Hórus

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