quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Posted by Eduardo G. Junior In , , | 8 comments
Se você chegou nesse blog direto por essa postagem, queira ver o contexto deste estudo, começando com: “Virgem” ou “Jovem”: Um estudo de Isaías 7:14

TRADUÇÃO, SIGNIFICADO, HEBRAICO, ISAÍAS 7:14, ALMAH, BETHULAH
Como nós vimos em nosso estudo anterior, a questão relativa ao problema do nascimento virginal se centraliza no fato do texto de Isaías 7:14 ser uma má tradução do texto original. Desde os primórdios do Cristianismo, os judeus têm batalhado contra a doutrina do nascimento messiânico virginal, pois, segundo os judeus, não existe no Antigo Testamento nenhuma profecia com essa ideia. De acordo com a corrente ortodoxa judaica, Isaías 7:14 diz que “uma jovem” dará luz à um filho e que essa profecia teve um cumprimento histórico em Israel.

Em hebraico, existiam várias palavras que denotavam “virgem” e “virgindade”. No entanto, para nosso estudo, iremos nos encarregar de apenas duas, ‘almah e bethulah. A grande questão está no uso e significado delas dentro do Antigo Testamento e de como os judeus as entendiam e consequentemente usavam-nas.

Sobre estes termos traduzidos por “virgem”, a Bíblia de Estudo Dake comenta:

Almah denota uma jovem solteira com idade para se casar, e, portanto, uma verdadeira virgem. Bethulah refere-se a uma jovem solteira e expressa uma virgindade de uma noiva ou uma comprometida... Nenhum desses termos originais é usado em relação a uma mulher casada. Alguns sustentam que tais termos simplesmente significam uma jovem, mais isso não é verdade; significam apenas uma virgem que é pura e imaculada – qualquer donzela que nunca conheceu um homem.” (DAKE, 2010)
O ponto em que os judeus chamam atenção é bem interessante e difere do que Dake comenta nas notas de sua Bíblia de estudo. Resumidamente, os judeus dizem que a palavra עלמה (hebr.: ‘almah), traduzida por “virgem” em Isaías 7:14, não é a ideia original do versículo. Eles dizem que o sentido da palavra é de “juventude” e não “virgindade” (Cf. Theological Dictionary of the New Testament), contrariando o que ensinam os cristãos.

A palavra עלמה (‘almah) vem de עלם (‘elem) que significa “esconder”, “ocultar”. Nos tempos bíblicos as moças eram mantidas cobertas, escondidas aos olhos dos homens. Algumas ficavam até mesmo enclausuradas. No Total, essa palavra hebraica ocorre apenas 7 vezes; no entanto, ela aparece apenas uma vez no livro de Isaías: Gen. 24:43; Exo. 2:8; Sal. 68:25; Pro. 30:19; Cân. 1:3; 6:8; Isa. 7:14. Temos boas razões para concluir que a palavra hebraica usada por Isaías não significava “virgem” por definição, mas sim por implicação, ou seja, a palavra significa “moça”, “jovem”, mas como normalmente uma jovem, ou moça, é virgem, se atribui esse sentido à palavra pelos cristãos

Um site apologético de judeus messiânicos admite:

Embora almah não denote implicitamente a virgindade, nunca é usada nas Escrituras para descrever uma “mulher jovem, atualmente casada.” É importante lembrar que na Bíblia, uma jovem judia da idade núbil se presumia ser casta. O profeta poderia ter escolhido uma palavra diferente quisesse ele descrever a mãe de Emanuel como uma virgem. Betulah é uma maneira mais comum para se referir a uma mulher que nunca esteve com um homem (tanto no hebraico bíblico e moderno). (Jewsforjesus.Org, os destaques são meus)
Agora, por que dizemos que Isaías não tinha o sentido de “virgem” na mente ao compor esse versículo? Argumentamos o seguinte: A palavra עלמה (‘almah), que as Bíblias cristãs traduzem por “virgem”, ocorre apenas 1 vez no livro de Isaías. No entanto, é curioso que se você fizer uma busca rápida em alguma concordância do Antigo Testamento, perceberá que a palavra “virgem” ocorre cerca de 6 vezes no livro de Isaías. Veja as ocorrências baixo:

Isaías 7:14 Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem [hebr.: ha-alma] conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.

Isaías 23:4 “Envergonha-te, ó Sidom; porque o mar falou, a fortaleza do mar disse: Eu não tive dores de parto, nem dei à luz, nem ainda criei mancebos, nem eduquei virgens [hebr.: bethulah].”

Isaías 23:12: E disse: Não continuarás mais a te regozijar, ó oprimida virgem [hebr.: bethulah], filha de Sidom; levanta-te, passa a Chipre, e ainda ali não terás descanso.

Isaías 37:22 diz: “A virgem [hebr.: bethulah] filha de Sião te desprezou, caçoou de ti. Atrás de ti, a filha de Jerusalém meneou a cabeça.”

Isaías 47:1 “...Desce e senta-te no pó, ó virgem [hebr.: bethulah] filha de Babilônia. Senta-te no chão, onde não há trono, ó filha dos caldeus. Pois não mais terás a experiência de pessoas te chamarem de delicada e mimosa...”

Isaías 62:5 “...Pois assim como o jovem toma posse duma virgem [hebr.: bethulah] como sua esposa, teus filhos tomarão posse de ti como esposa. E teu Deus exultará sobre ti com a exultação de um noivo sobre a noiva.”
Dos 6 versículos que contém a palavra “virgem”, 5 deles Isaías usou a palavra padrão que é בּתוּלה [hebr.: bethûlâh]. Até hoje essa palavra é a padrão para “virgem”, tanto que, se usarmos o tradutor do Google (português-hebraico), ele traduzirá “virgem” pela palavra hebraica acima citada. Se usarmos a palavra עלמה (hebr.: ‘almah) o Google traduz por “donzela”.

A Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová traduz honestamente a palavra hebraica por “donzela” e não “virgem”. Isso é digno de nota, uma vez que, segundo os dicionários da língua portuguesa, uma donzela pode também se referir a uma “mulher que, mesmo casada e mãe, guarda o viço e beleza.” — Cf. Dicio.com.

Agora, note bem: Toda vez que Isaías diz a palavra “virgem”, ele usa o termo padrão [hebr.: bethulah]. Entretanto, no exato momento em que estaria supostamente escrevendo uma profecia sobre o nascimento do Messias por meio de uma virgem, o profeta muda o vocabulário, usando uma palavra que não era tida comumente por “virgem”, ou seja, almah. Essa mudança de palavra só ocorreria caso ele tivesse outra coisa em mente quando escreveu Isaías 7:14, pois, se ele usou a palavra padrão para “virgem” 5 vezes no livro, o que lhe impediria de usar a sexta vez? O mais sensato é ver que ele usou uma palavra diferente porque desejava expressar uma ideia diferente.

O site Jewishroots.Net faz uma lista de resposta a várias objeções contra Isaías 7:14, entre ela, temos a seguinte:
Objeção: A pergunta foi feita por que não escolheu Isaías o substantivo comum “bethulah” para virgem, em vez de “almah”.

Resposta: O termo “bethulah” é usado no Antigo Testamento no sentido de “uma virgem”. Às vezes se refere a “uma mulher casada,” por exemplo:

Lamenta como “uma virgem” (bethulah) cingida de saco, pelo marido da sua mocidade (Joel 1:8). (Viúvas não são virgens).

Obviamente, o bethulah nesta passagem era uma mulher casada, que perdeu o marido e, portanto, não era virgem. Por outro lado almah sempre se refere a uma mulher solteira.
Vemos a falácia desse argumento de maneira bem simples. Em Joel 1:8 usa-se de fato bethulah para se referir a uma viúva que chora a perda do marido. Mas, é digno de nota que a maioria esmagadora das versões da Bíblia diz que essa viúva era “virgem”, diz que “uma virgem” chora a morte do marido. Daí, o site diz: “Viúvas não são virgens”. Essa afirmação vem da pobreza de interpretação bíblica. Por que o texto diz que “uma virgem” chora a perda de seu marido? Deixarei que um erudito cristão refute o próprio site evangélico. Segundo John Gill, o texto diz que uma virgem chora a perda de seu marido porque ela...
“tinha sido prometida em casamento a um homem jovem, mas não se casou, ele, morrendo {...} antes do casamento, o que deve ser muito angustiante para aquela que o amava apaixonadamente e, por isso, em vez de suas vestes nupciais, preparadas para atender ele e se casar com ele, cingiu-se de saco, uma espécie de pano grosso felpudo, como era de costume, nos países Orientais, para colocar-se em sinal de luto”. (John Gill’s Exposition of the Entire Bible, Ed. eletrônica)
A moça é chamada de “virgem” porque o marido morreu antes dele ter relações sexuais com ela, morrendo antes da noite de núpcias. Assim, a mulher era virgem e viúva ao mesmo tempo.

O site continua:
Da mesma forma, em Deuteronômio 22:19, uma mulher casada, após a noite de núpcias é descrita como bethulah - um termo que, supostamente, aplica-se exclusivamente a uma virgem. Portanto, podemos concluir que de todos os termos possíveis que Isaías poderia ter usado para descrever uma virgem “almah” foi o melhor e menos ambíguo. (3)
De todos os argumentos, esse foi o que eu achei pior e cheio de má fé, pois quem não tiver acesso aos originais tomará as palavras do autor como verdade. Primeiro, Deuteronômio 22:19 tem um contexto. Os versículos anteriores falam de um homem que tomou um virgem (bethulah) em casamento e que depois devolveu a mulher alegando que a mesma não era virgem. No entanto, o versículo 19 diz que o homem acusou falsamente a moça de não ser virgem e que, por isso, terá que indenizar o pai da moça, pois “divulgou má fama sobre uma virgem de Israel.” Em outras palavras, ao contrário do que diz o site, a mulher era VERDADEIRAMENTE virgem, podendo ser descrita como bethulah, tanto que o pai diz: “porém eis aqui os sinais da virgindade de minha filha,” e, segundo o texto, convence os anciãos de Israel de que ela era realmente virgem e que o homem estava mentindo. Além disso, ela não é descrita por bethulah DEPOIS da noite de núpcias, a palavra que o texto usa para descrevê-la depois da noite de núpcias é נערה (na‛ărâh). O texto hebraico diz:

ואמר אבי הנער אל־הזקנים את־בתי נתתי לאישׁ הזה לאשׁה וישׂנאה׃

O site continua a dizer:
Acredita-se que, num contexto legal, bethulah é muitas vezes interpretado como “virgem”. No entanto, em Ester 2:17-19, as mulheres jovens que são escolhidas para passar a noite com o rei são referidas como bethulah antes e depois de terem relações sexuais com o rei (4).
Citaremos o trecho mencionado de Ester 2:17-19 que nos diz:
E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens [hebr.: habbəṯūlōṯ]; e pós a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti. Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei. E reunindo-se segunda vez as virgens [hebr.: bəṯūlōwṯ], Mardoqueu estava assentado à porta do rei.
Caro leitor(a), o site disse que a palavra “virgem” é aplicada à todas as mulheres antes e depois de passar noite com o rei. Vemos quão errada é essa afirmação! O texto mostra que, de todas as virgens que estavam disponíveis para o rei, Ester foi escolhida, e depois se menciona que o rei deu uma festa e que as virgens que não foram escolhidas pelo rei foram novamente chamadas a comparecerem. E nenhuma parte está escrito que todas essas mulheres virgens dormiram com o rei e que depois elas aparecem diante do rei e são descritas depois por “virgens”. Com toda a sinceridade, fica claro que os argumentos do site são fracos e desonestos.

Na citação de Dake, já mencionada no início, ele diz que nenhum dos termos, ou seja, tanto “almah” como “bethulah” se referem a uma mulher que não é mais virgem. Embora isso seja verdade quando se trata da palavra bethulah, o mesmo não pode ser dito de almah.
Continuação desse estudo: Tradução de “Almah” e “Parthenos” na Septuaginta.

8 comentários:

  1. Antes que se deduza, adianto que não pertenço a nenhuma igreja, visto que o objetivo de meu comentário é ou não defender estes posts.( Estranho que não há nenhum!)Enquanto investigativo que sou, digo: boca fala o que quer e papel aceita o que nele se escreve! Bem, que outra forma haveria de comunicar algo? O problema é quando você diz ou escreve algo e depois alguém transcreve fielmente ou não. Se você percebe o problema e pede que isso seja solucionado, tudo bem. Mas um dia você sai deste mundo e aí alguém muda aquilo que você falou e escreveu!Muitos hoje, gentios, estudam o hebraico e o grego para poderem melhor entender as Escrituras. E aí se percebe que de fato, houve certas "manipulações". Isso ajuda a entender um pouco, mas não é relevante ser doutor ou alguma espécie de especialista nestes idiomas. Muitos judeus ouviam e viam o que o Messias fazia mas não entendiam, mesmo falando em hebraico, aramaico ou grego! Hoje muitos querem interpretar às custas de argumentos pessoais ou meramente baseados no conhecimento humano. Então fico, se assim creio, limitado a este rol de comentários puramente, repito; humanos. Porém, as pessoas são livres para crer, aceitar ou não! Cri e aceitei mas não da forma tradicionalista humana, familiar. Moldada por imperadores, protestantes, revolucionários e, como hoje se vê, essa pluralidade pentecostal, evangélica ou seja lá como for o termo. Continuo lendo, analisando, meditando, duvidando e crendo.

    Um abraço,

    Carlos.

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    1. OLha vc esta de parabens,gostei muito do seu sit dessa matéria,muito boa mesmo nota 10 para vc.

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  2. bom dia
    olha vcs estao cegos pelo Deus deste seculo.
    jesus nasceu de uma virgem.
    Os judeus não acreditam na morte e rresureiçao.
    Tenhao cuidado em dizer que mudaram o sentido das palavras de Deus
    pois foi o seu Espirito Santo quem as disse.
    Estude com cuidado.

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    1. Olá prezado Anônimo. Se estamos cegos pela deidade desse século, você está pela deidade cristã; então parece que ambos fomos cegados pelos deuses. Vocês cristãos são uma maravilha, acham que todo mundo está cego, que só vocês enchergam, que têm conhecimento, entendimento, o restante do mundo está totalmente condenado. Nos enchemos de tristeza ao ver um "miserável, coitado, pobre, cego e nu" (Apo. 3:17) achar que tem A VERDADE e que o restando do mundo vive na ignorância e mentira. Eu gostei do seu comentário por um motivo bastante simples: as pessoas que lerem seu comentário verão que você não teve condições de colocar um único argumento, você simples gritou desesperadamente "jesus nasceu de uma virgem", e....? Só isso? Quais os argumentos? Se não me falhe a memória até os apóstolos e o próprio Cristo argumentavam com aqueles que iam de encontro com seus ensinos. Você disse, "estude com cuidado". Olhe para essa postagem, veja a forma detalhada, as referências usadas, etc, o que poderia ser um estudo mais cuidadoso do que este? É justamente por estudar cuidadosamente que chegamos a essa conclusão. Quando apenas se lê os boatos evangelísticos é que se crê assim cegamente como você crê. Só o fato de imaginar que em pleno século XXI você está esperando um judeu que morreu há 2.000 anos atrás vir sentado em uma núvem para matar todo mundo que não é cristão já mostra quão esclarecido você é.

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  3. Sem palavras...ótimo estudo, agradeço em nome de todos os que leram este post, excelente explanação sobre o assunto, parabéns, tenho certeza, está sendo de muita ajuda para muita gente...muito obrigado por compartilhar essas informações conosco.

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    1. Muito obg pelas palavras... dividir isso é o mínimo que eu poderia fazer.

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  4. Aguardando ansioso um novo post de Eduardo!
    Leandro

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    1. Olá Leandro... tive que parar com as postagens por dois motivos que explicarei posteriormente.

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