segunda-feira, 25 de julho de 2011


BUDA, JESUS, SEMELHANÇAS, NASCIMENTO, ESTUDO
Hoje nós iremos analisar uma série de semelhanças entre o nascimento de Jesus com Siddharta Gautama, Buda para os íntimos.[1] Em meus primeiros anos como cristão, pensei que os relatos evangelísticos sobre o nascimento, vida e morte de Jesus fossem únicos, peculiares, pois o Cristo era único e não havia comparação do Salvador com quaisquer outros Messias espirituais no mundo.

Eu lhes aconselharia a ler diretamente a biografia de Buda,[2] mas irei colocar diretamente as citações traduzidas do sânscrito, língua usada para escrever sua biografia.

Antes de iniciarmos, gostaria de mencionar uma semelhança digna de nota. É de conhecimento geral entre os teólogos que os títulos no início dos Evangelhos do Novo Testamento que temos hoje (i.e “Evangelho Segundo Mateus”, “Evangelho Segundo João”, etc) não existiam nos originais em grego. Isso mesmo, os evangelhos são anônimos. A tradição Católica foi quem atribuiu os livros aos seus respectivos nomes (Mateus, Marcos, Lucas e João)[3]

A principal obra que nos conta o nascimento de Siddharta Gautama (Buda) é Buddhacarita. Interessante que no prefácio do livro I, temos o seguinte título “O Nascimento do Santo”, se referindo a Buda na versão de Johnston em inglês. No entanto, na versão de Cowell existe uma nota explicativa dizendo que esse título não está presente nos originais em sânscrito. Assim, tanto os Evangelhos, como o Buddhacarita não possuem títulos originalmente.

Abaixo segue os versículos de Buddhacarita livro I e, em seguida, os meus comentários com os respectivos paralelos do nascimento no menino Jesus de acordo com os Evangelhos.


“Para ele havia uma rainha, de nome Màyà, como se fosse livre de todo o engano (màyà), uma refulgência proveniente de seu esplendor, como o esplendor do sol, quando se está livre de toda a influência das trevas, uma rainha-chefe na assembléia unida de todas as rainhas.” (Livro 1 Versículo 15)
A Primeira semelhança é com os nomes das respectivas mães. A mãe de Buda se chamava Maya e a de Jesus, Maria. (Mateus 1.18) Para introduzir o nascimento do grande Iluminado, o escritor exalta sobremaneira a rainha que se tornou mãe de Buda. Aqui o texto a descreve como “livre de todo o engano” (biblicamente as mulheres são relacionadas com engano por causa de Eva, veja 1 Timóteo 2:14), como o “esplendor do sol” (em Apocalipse 12:1 temos “uma mulher vestida de sol”), “livre de todo a influência das trevas”, mostrando que Maya era um vaso sagrado para levar em seu ventre a criança que se tornaria Buda, assim como Maria era devota e virgem, alguém que tinha “favor aos olhos de Deus” (Lucas 1:30). Maya é descrita como “rainha-chefe” de todas as rainhas, assim como de todas as virgens e devotas na nação de Israel, Yahweh havia escolhido Maria para levar o Messias no ventre.


“Em seguinda, descendo do exército dos seres do céu Tushita e iluminando os três mundos, o mais excelente dos Bodhisattvas de repente entrou em um pensamento dentro do ventre dela, assim como o rei Nàga entrou na caverna de Nandà.” (Livro 1, v. 19)

Depois da declaração majestosa sobre a rainha, nos é relatado que Siddharta Gautama não era apenas um ser humano, ele fazia parte do “exército de seres no céu” de Tushita.[4]. Ele foi enviado espiritualmente do domínio espiritual para dentro do ventre de sua mãe, sendo seu nascimento algo milagroso e sem qualquer processo sexual. Da mesma forma, Jesus teve uma existência pré-humana. Antes de ele existir como ser humano, e andar entre nós como Cristo, Jesus habitava os céus (João 8:58), ele estava com Deus quando a Terra foi criada (João 1:1, Prov. Cap. 8:1). Albert Barnes, erudito evangélico do século XVIII, comenta sobre João 1:14a:


“A palavra “carne”, aqui, é evidentemente utilizada para designar a “natureza humana” ou “homem”. Ver Mat 16:17; 19: 5; 24:22; Luc 3:6; Rom 1:3; 9:5. A “Palavra” foi feita um “homem”. Isso é normalmente expresso por dizer que ele se tornou “encarnado”. Quando dizemos que um ser torna-se “encarnado”, queremos dizer que alguém de uma ordem superior do que a do homem, e de natureza diferente, assume a aparência do homem ou se tornar um homem. Aqui, se entende que “o Verbo”, ou a segunda pessoa da Santíssima Trindade, a quem João acabara de revelar ser ele igual a Deus, que se tornou um homem, ou foi unido com o homem Jesus de Nazaré, a fim de que se dizer que ele “se fez carne.”” (Albert Barnes Notes on the Bible)

Assim como Buda, Jesus também é mencionado em relação a um exército (1 Samuel 1:3)[5]. Como a palavra “Buda” significa “Iluminado”, o escritor comenta que a própria essência do Buda era iluminar e ele faz isso nos “três mundos”. De maneira semelhante, Jesus se colocou como “a luz do mundo” (João 8:12)[6], João diz que a vida e a luz “veio à existência por meio”[7] de Jesus e comenta que “a Luz (i.e Jesus Cristo) está brilhando na escuridão”[8] (Jo. 1:3-4) No budismo, um Bodhisattva significa tanto “uma vida iluminada”, ou um “ser iluminado” (Wikipédia). O autor do livro 1 Buddhacarita, que é o livro que estamos considerando, considera Siddharta Gautama o mais iluminado de todos os Budas anteriores a ele. O mesmo ocorre com Jesus Cristo. Como assim? Talvez poucos saibam, mas a palavra “Cristo” não é um sobrenome, como se a mãe de Jesus fosse Maria Cristo e o pai adotivo, José Cristo. No primeiro século, período onde o Jesus histórico viveu, os nomes eram quase sempre parecidos e, para distingui-los, se usava o nome da localidade.[9] A palavra “Cristo” χριστος (Gr.: khristós) significa “ungido”, pois ela vem do verbo χριω, que significa “ungir”. Essa palavra é equivalente ao hebraico משׁיח (mâshıyach), de onde se deriva a nossa palavra “messias”. Assim, a mesma passou a ter a ideia de “escolhido”, pois, toda vez que em Israel alguém era “escolhido” como rei da nação, ele era ungido como símbolo da escolha divina (1 Samuel 10:1; 16:13; 2 Samuel 2:7; 1 Reis 1:39). Portanto, todo rei de Israel, sendo escolhido divinamente por Yahweh, era considerado um “ungido de Yahweh”.[10] (1 Samuel 24:6) Em outras palavras, os reis escolhidos e ungidos para ser reis da nação de Israel eram “cristos”. (Salmos 2:2) No entanto, de todos os “cristos”, ou “ungidos”, de Yahweh, Jesus foi o mais excelente. Em Hebreus 1:4, o escritor diz: “...De modo que ele se tornou melhor do que os anjos, a ponto de ter herdado um nome mais excelente do que o deles.” Por essa razão, o Novo Testamento se refere a Jesus como “O Cristo”,[11] pois Jesus foi o mais excelente de todos os reis, profetas, escolhidos e messias que a nação judaica poderia ter. Vamos analisar pelo menos duas semelhanças teológicas entre Buda e Jesus de acordo com essa parte do texto. Aqui nos é informado que Siddharta Gautama, como ser de existência pré-humana, iria entrar no ventre de sua mãe, sendo gerado sem o ato sexual natural, assim como Jesus.[12] Segundo, Siddharta Gautama ‘entra em um pensamento’ no ventre de Maya. A introdução espiritual do Buda como “um pensamento” é digno de nota. Quando o anjo Gabriel anunciou, ele diz a Maria: “...e eis que conceberás na tua madre e darás à luz um filho, e deves dar-lhe o nome de Jesus.” (Lucas 1:31) Quando João descreve a existência pré-humana de Jesus, ele o chama de “logos” em João 1:1 e 14. Um dos principais significados de “logos” em grego é “pensamento”.[13] Buda e Jesus são descritos como existindo pré-humanamente e ambos foram introduzidos nos ventres de suas respectivas mães como “logos”, ou pensamento divino. Por último, o relato que descreve a encarnação do Buda, diz que sua entrada nesse mundo foi como o rei Nàga entrando na caverna de Nandà. Essa é uma comparação da introdução espiritual de Buda com um evento histórico anterior. Esse tipo de comparação também é comum no sentido bíblico. Jesus disse se referindo a sua ressurreição: “...Porque, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do enorme peixe, assim estará também o Filho do homem três dias e três noites no coração da terra.” (Mateus 12:40) O estilo literário é o mesmo.

     &nbspObservou quantas similaridades teológicas entre a concepção de Jesus e Buda? Isso foi observado em apenas dois versos. Iremos abordar toda a vida de Buda e seus ensinos paragonando-os com os de Jesus. Não deixe de acompanhar as próximas postagens!

_____________________
Notas
[1] Iremos fazer uma série de artigos com esse mesmo tema.
[2] The Buddha-Carita ou A Vida de Buda, de Aèvaghoùa, editado e traduzido por E. B. Cowell.
[3] EHRMAN, Bart D., Forged, Writing in the Name of God – Why the Bible’s Authors Are Not Who They Think They Are, 2011, HarperOne, New York, NY.
[4] Tushita foi o último lugar onde o Buda estava antes de encarnar como Siddharta Gautama. Tushita, no budismo, se refere ao reino dos deuses. Tomando essa ideia, vemos que a deidade Buda desce do reino celestial e se torna carne, ou seja, encarna, na pessoa de Siddharta. O mesmo acontece com Jesus. Em João 1:14 diz que “A Palavra (i.e Jesus Cristo) se tornou carne e habitou entre nós”. Assim como Jesus, Siddhardta Gautama era um deus encarnado que viera com o objetivo de iluminar e salvar a humanidade.
[5] Essa é a primeira vez que ocorre a expressão em hebraico, Yhwáh tseva’óhth. Para a ramificação cristã que acredita que Jesus não é Yahweh e sim o Arcanjo Miguel, nós temos 2 Tessalonicenses 1:7-8 assim como Mateus 26:53, onde Jesus comenda um exército celestial.
[6] Gr.: το φως του κοσμου
[7] Gr.: παντα δι αυτου εγενετο
[8] Gr.: και το φως εν τη σκοτια φαινει
[9] Cf. Mateus 21:11.
[10] Hebr.: la’dhoní limshíahh; gr.: toi kyríoi mou toi khristoí; sir.: lemari lamshihheh; lat.: dómino méo chrísto.
[11] Mateus 2:4 nós temos “O Cristo.” Gr.: ὁ χριστός (ho Khristós); os manuscritos do NT em hebraico tais como J1-14,16-18,22, nós temos: המשיח (hammashíahh, “O Messias; o Ungido”).
[12] Maria perguntou ao anjo Gabriel: “Como se há de dar isso, visto que não tenho relações com um homem?” O anjo disse-lhe, em resposta: “Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.” (Lucas 1:34-35)
[13] M. Vincent, um dos principais especialistas do grego do Novo Testamento, comenta sobre a palavra logos: “Esta expressão é a palavra chave e o tema de todo o evangelho. Λογος vem da raiz λεγ , aparecendo em λεγω, o significado primitivo do qual é assentar: então, escolher entre vários, reunir: daí recolher ou juntar as palavras, e assim, falar. Daí λογος é, antes de tudo, uma coleta ou recolha de ambas as coisas na mente, e das palavras que são expressas. Ela, portanto, significa tanto a forma exterior pelo qual o pensamento interior é expresso, e do pensamento interior em si, a latina oratio e ratio: compare com o italiano ragionare, “pensar” e “falar”.” A.T Robertson, em Words Studies, diz que a palavra também denota “razão como discurso”, ou “algo dito (incluindo o pensamento)”, “raciocínio (faculdade mental)” (Strong), “logos é uma palavra falada com referência geralmente aquilo que está na mente do falante” (International Standard Bible Encyclopedia)
BIBLIOGRAFIA


  1. Ancient Duddhist Texts
  2. Wikipédia
  3. Texto Grego do Novo Testamento de Wescott e Hort
  4. EHRMAN, Bart D., Forged, Writing in the Name of God – Why the Bible’s Authors Are Not Who They Think They Are, 2011, HarperOne, New York, NY.
  5. ORR, James International Standard Bible Encyclopedia M.A., D.D., General Editor
  6. VINCENT, Marvin R.Vincent's Word Studies, D.D. Baldwin Professor de Literatura Sagrada no Union Theological Seminary, NY.
  7. THAYER, Joseph Henry A Greek-English Lexicon of the New Testament, D.D. 1889.
  8. HARRIS, R. LairdTheological Wordbook of the Old Testament, Volumes 1 & 2, Editor Gleason L. Archer, Jr., Associate Editor, Bruce K. Waltke, Editor Associado, 1980, THE MOODY BIBLE INSTITUTE OF CHICAGO.

10 comentários:

  1. Como podem as biografias do Buda histórico ter influenciado o Novo Testamento, se aquelas são mais recentes que estas? Ainda que Siddarta Gautama seja concebido como uma figura do século V a.C., as primeiras biografias dele só aparecem no século II d.C., vide:
    "It was not until the 2nd century AD that the first complete biographies of the Buddha were written. At this time two works both titled Buddhacarita, meaning the life of the Buddha, were composed by monk poets at the court of the great Buddhist emperor Kaniska."

    Não foi até o 2° século d.C. que a primeira biografia completa de Buda foi escrita. Por este tempo dois trabalhos, ambos chamados Buddhacarita, que significa a vida do Buda, foram compostos por poetas monges na corte do grande imperador budista Kaniska." (http://www.buddhanet.net/e-learning/dharmadata/fdd67.htm)

    Posto que valha a pena analisar os supostos paralelos que você apresenta, se eles forem verdadeiros não podem ser utilizados para estabilizar uma dependência do cristianismo no budismo.

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    1. Olá Rodrigo Ribeiro, obrigado pela visita e pela pesquisa, comentários desse tipo são muito bem vindos, pois enriquecem meu blog e nossa busca pela verdade.

      Para quem já estudou o Budismo, é de conhecimento geral que suas biografias, inclusive a que eu usei na postagem, só vieram à existência no séc. II AD. O argumento cronológico é válido, não tenho dúvida disso, mas não basta.

      Eu não acredito que seja um plágio, embora às vezes usemos essas palavras para dialogar com fundamentalistas, nem mesmo uma cópia. O que observamos é uma INFLUÊNCIA religiosa, i.e antropologia dinâmica, sobre o desenvolvimento das histórias do Cristianismo. No entanto, como os evangelistas teriam sido influenciados pelo Budismo se os dois Buddhacaritas (Evangelhos Budistas) só vieram a existir DEPOIS dos Evangelhos? Assim, pela lógica, teria sido os escritos Buddhacaritas que teriam sido influenciados e não o inverso.

      Não obstante, veja a citação que você mesmo fez do site Buddhanet e o mesmo sendo encontrado em outros sites oficiais do Budismo:

      “It was not until the 2nd century AD that the first COMPLETE biographies of the Buddha were written. At this time two works both titled Buddhacarita, meaning the life of the Buddha, were composed by monk poets at the court of the great Buddhist emperor Kaniska.” (Destaque meu)

      As histórias narradas sobre a vida de Buda, seus ensinos, atividades, etc, já existiam há séculos antes do advento do Cristianismo, no entanto, eram passados oralmente ou mediante pequenos textos em Sânscrito. Somente no sec. II AD é que foi fechada uma biografia COMPLETA sobre ele. O mesmo ocorreu com os Evangelhos. Seria tolice achar que, enquanto Jesus falava, algum discípulo copiava na mesma hora tudo que ouvia. Sabemos que todas as histórias dos Evangelhos já eram conhecidas há décadas por meio da tradição Cristã oral, e somente décadas depois é que foram colocadas por escrito. (Até isso é parecido!) Dessa forma, os eventos relacionados a Buda e seus enormes paralelos com o Cristianismo existiam ANTES dos Evangelhos.

      Um outro ponto que me chama atenção também é que, apesar de ser acordado por vários eruditos do NT, eu ainda acredito que os Evangelhos são produtos do sec. II tanto quanto o Buddhacarita. Ainda farei uma postagem argumentando sobre a datação dos Evangelhos.

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  2. Em primeiro lugar gostaria de parabenizar seu blog, sua forma de argumentar e passar suas ideias, parabéns.

    Em uma parte do texto você faz associação a gestação da mãe de budah:
    "Segundo, Siddharta Gautama ‘entra em um pensamento’ no ventre de Maya. A introdução espiritual do Buda como “um pensamento” é digno de nota. "
    a mãe de Jesus:
    "Quando o anjo Gabriel anunciou, ele diz a Maria: “...e eis que conceberás na tua madre e darás à luz um filho, e deves dar-lhe o nome de Jesus.” (Lucas 1:31) Quando João descreve a existência pré-humana de Jesus, ele o chama de “logos” em João 1:1 e 14."

    e da enfase no significado da palavra "logos"
    "Um dos principais significados de “logos” em grego é “pensamento”.[13]"
    porém pesquisei sobre a palavra logos e os principais significados que achei foram: palavra escrita ou falada "Verbo"

    e sabemos que o uso de um vocábulo seja em grego ou em hebraico, seu real significado é compreendido dentro do contexto.

    vamos a alguns exemplos:

    Mateus 5,37 - Seja, porém, o vosso "falar" (pensamento não se encaixa aqui): Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.

    Lucas 4,36 - E veio espanto sobre todos, e falavam uns com os outros, dizendo: Que "palavra" (pensamento não se encaixa aqui) é esta, que até aos espíritos imundos manda com autoridade e poder, e eles saem?

    Lucas 8,11 - Esta é, pois, a parábola: A semente é a "palavra" (pensamento não se encaixa aqui)de Deus;

    João 6,60 - Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este "discurso" (pensamento não se encaixa aqui); quem o pode ouvir?

    João 21,23 - Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito (pensamento não se encaixa aqui), que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?

    Atos dos Apóstolos 6,5 - E este "parecer" (pensamento não se encaixa aqui) contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia;

    Atos dos Apóstolos 19,20 - Assim a "palavra"(pensamento não se encaixa aqui) do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.

    e citado em seu texto:

    João 1,1 No princípio era o Verbo (pensamento não se encaixa aqui), e o Verbo (pensamento não se encaixa aqui) estava com Deus, e o Verbo (pensamento não se encaixa aqui) era Deus.

    e no mesmo capitulo o versiculo 14, também citado em seu texto:
    João 1,14: E o "Verbo"(pensamento não se encaixa aqui) se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

    pesquisei em vários dicionários e fontes e não achei nenhuma tradução de logos como pensamento
    o mais próximo que achei foi colocar a palavra logos λόγος, no google tradutor grego-português, e o resultado foi "razão"

    Gostaria de entender e saber aonde você achou essa tradução?

    Desde já agradeço

    Denis

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    1. Olá amado, obg pela visita e pelas palavras. Bom, você comentou: "pesquisei em vários dicionários e fontes e não achei nenhuma tradução de logos como pensamento, o mais próximo que achei foi colocar a palavra logos λόγος, no google tradutor grego-português, e o resultado foi "razão"." Qual foram esses VÁRIOS dicionário e referências? Se possível aliste-os aqui, que em breve alistarei de todos os dicionário e referências que tenho da língua grega para as línguas vernaculares.

      Fico no aguardo das obras.

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    2. Oie
      Segue as fontes:

      http://www.monergismo.com/textos/filosofia/o-logos-palestra_gordon-clark.pdf

      http://www.slideshare.net/araozuconelli/dicionrio-grego-james-strong
      (pagina 117 – 3056)

      http://www.abiblia.org/ver.php?id=674&id_autor=2&id_utente=&caso=perguntas#.UVzLRlcl0bZ

      http://pt.glosbe.com/el/pt/Λόγος

      http://www.dicio.com.br/logos/

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Logos

      http://www.freebiblecommentary.org/special_topics/por/ORIGEM_HEBRAICA_E_GREGA_DO_LOGOS.html

      Desde já agradeço
      Denis

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    3. Olá Denis, essa semana ando mais ocupado do que o costumeiro. Daqui pra domingo vou responder seu questionamento. Obg pela resposta.

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    4. Olá amado, desculpe-me a demora.

      Confesso que quando você mencionou "várias referências" eu logo achei isso uma improbabilidade, porque eu tenho uma infinidade de referências ao meu dispor de especialistas do grego clássico ao neotestamentário e sabia que era assim como eu havia mencionado na postagem.

      Uma coisa que sempre peço encarecidamente aos meus leitores é que leiam com atenção para eu não ficar repetindo as mesmas coisas. Se prestar atenção no artigo, na nota de roda pé de número 13 tem escrito:

      "M. Vincent, um dos principais especialistas do grego do Novo Testamento, comenta sobre a palavra logos: “Esta expressão é a palavra chave e o tema de todo o evangelho. Λογος vem da raiz λεγ , aparecendo em λεγω, o significado primitivo do qual é assentar: então, escolher entre vários, reunir: daí recolher ou juntar as palavras, e assim, falar. Daí λογος é, antes de tudo, uma coleta ou recolha de ambas as coisas na mente, e das palavras que são expressas. Ela, portanto, significa tanto a forma exterior pelo qual o pensamento interior é expresso, e do pensamento interior em si, a latina oratio e ratio: compare com o italiano ragionare, “pensar” e “falar”.” A.T Robertson, em Words Studies, diz que a palavra também denota “razão como discurso”, ou “algo dito (incluindo o pensamento)”, “raciocínio (faculdade mental)” (Strong), “logos é uma palavra falada com referência geralmente aquilo que está na mente do falante” (International Standard Bible Encyclopedia)"

      Acho que essas três referências que são autoridades mundiais no grego bíblico já seriam o suficiente.

      A palavra λογος (logos) origina-se de λεγω (lego) que significa "falar, querer dizer". Quando falamos algo e alguém nos entende errado, costumamos argui: "o que eu QUERIA DIZER..." em outras palavras, "o meu PENSAMENTO, a minha IDEIA ao dizer isso foi que..." Portanto, λογος (logos) precede as palavras, pois envolve o ajuntamento das IDEIAS para a pronunciação fonética. Dessa forma, as palavras seriam a materialização do λογος (logos).

      Sei que em português as referências são MUITO pobres. Algumas das referências que colocarei serão mencionadas no texto original em inglês e peço que use um bom tradutor e dicionário.

      A palavra λογος (logos) é definida pelo dicionário popular do grego bíblico de STRONG (#3056) "palavra, proferida a viva voz, que expressa uma CONCEPÇÃO ou IDÉIA".

      O International Standard Bible Encyclopedia comenta que "a palavra implica PENSAMENTO", ao dizer:

      "Logos signifies in classical Greek both “reason” and “word.” Though in Biblical Greek the term is mostly employed in the sense of “word,” we cannot properly dissociate the two significations. Every word implies a THOUGHT. It is impossible to imagine a time when God was without THOUGHT. Hence, thought must be eternal as the Deity. The translation “THOUGHT” is probably the best equivalent for the Greek term, since it denotes, on the one hand, the faculty of reason, or the THOUGHT INWARDLY conceived in the MIND; and, on the other hand, the thought outwardly expressed through the vehicle of language. The two ideas, thought and speech, are indubitably blended in the term logos; and in every employment of the word, in philosophy and Scripture, both notions of thought and its outward expression are intimately connected." (ISBE)

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  3. Abaixo segue as demais referências, todas, sem exceção, mencionam "pensamento", "ideia" como definição.

    "Yet the concept is an IDEA, the distinct consciousness and preservation of which are bound up with the word. Hence the Greeks called word, concept, relation, THOUGHT, and reasonby the name of the first, ὁ λογος" (The World as Will and Idea - Volume 1, Arthur Schopenhauer - 1957)

    "The Concept of λόγος in Hellenism Stoicism's concept of λόγος The Stoic School was founded by Zeno, born about ... the transcendental universal IDEA of Plato as well as the concrete universal ideas of Aristotle" (The Meaning of the Logos in John 1:1--18, Seok-Il Yoon - 2008)

    "The word almost invariably retains its basic idea of 'something spoken', a meaningful utterance of some kind by which THOUGHT is expressed." (Discerning the "Word of the Lord": The Word of the Lord" in 1 ... - Página 106, Michael W. Pahl - 2009)

    "Pero esto genérico ya no se adquiere por el conocimiento, sino que es la convicción lo que lo establece En este sistema de PENSAMIENTO el lógos es la expresión de la ordenación y de la determinación teleológica del mundo" (Diccionario Teológico del Nuevo Testamento, III, p. 253)

    "the Greek word logos (λόγος) literally means MENTAL reasoning" (Understanding the New Testament: 1 and 2 Timothy, Titus, and Philemon - Página 147, William Victor Blacoe - 2011)

    "Λόγος means both ratio andoratio reason and speech, which are inseparably connected." (History of the Christian Church Volume 1, Philip Schaff )

    "First of all, there is the account 'of what a name (ὄνομα) means'. Next, thus ... Porphyry and other commentators distinguish between the ὀνοματώδης λόγος or, as they often call it, ἐννοηματικὸς λόγος (conceptual definition)" (Physics and Philosophy of Nature in Greek Neoplatonism: - Página 112, Ricardo Chiaradonna, F. T. Trabattoni - 2009)

    "Noun λόγος (genitive λόγου) m, second declension; (logos) That which is said: word, sentence, speech, story, debate, utterance. That which is THOUGHT: reason, consideration, computation, reckoning. An account, explanation, or narrative. Subject matter. (Christianity) The word or wisdom of God, identified with Jesus in the New Testament." (LOGOS)

    Veja também: Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament

    Poderia colocar uma infinidade de outras citações e dicionários, mas o tempo não me permite.

    Obg pela visita, abraço

    Eduardo Jr.

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    Respostas
    1. Eduardo,

      Muito obrigado, foi muito esclarecedor, eu me interesso muito por religiões e gosto de criar alguns textos e pensamentos para reflexão e quando li seu texto me veio a mente em dissertar sobre esse logos como "pensamento", isso dá material para muitas ideias, porém sabemos que quando falamos de religião sempre tem aqueles que quando algo foge de sua doutrina ou dogmas se sentem ofendidos e querer criticar, suas referencias foram ótimas e dão base para desenvolver essa reflexão.

      muito obrigado novamente, seu site já está em meus favoritos e já sou fã de carteirinha.

      Continue seu ótimo trabalho.

      Denis

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    2. De nada Denis, foi um prazer. Continue com sua pesquisa, conhecimento nunca é demais. Se precisar de mais alguma coisa estou à disposição. Obg pelas palavras...

      Até mais.

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