quarta-feira, 27 de julho de 2011


BUDA, JESUS, SEMELHANÇAS, EVANGELHO, ESTUDO      Um dos textos búdicos bem conhecido é o Evangelho de Buda. Dentre vários ensinamentos e declarações de Siddhartha Gautama, nós encontramos um capítulo intitulado: A Verdade e o Salvador.

      No Capítulo III desse Evangelho, nós temos várias declarações sobre a natureza da verdade, como fugir da Samsara e qual a natureza do mal e o meio de sairmos dela. Nos é dito que o “ego”, o “eu”, é a raiz de tudo que é mal. Nesse contexto, o evangelista faz a seguinte pergunta e asserções que veremos logo abaixo:

“Quem nos livrará o poder do ego? Quem nos salvará da miséria? Quem deve devolver-nos a uma vida de bem-aventurança?

Há miséria no mundo do Samsara, há muita miséria e dor. Mas maior do que toda a miséria é a felicidade de verdade. Verdade dá paz à mente ansiosa; vence o erro; extingue as chamas dos desejos; leva ao Nirvana.

Bem-aventurado é aquele que encontrou a paz do Nirvana. Ele está em repouso das lutas e tribulações da vida, ele está acima de todas as mudanças, ele está acima de nascimento e morte, ele permanece inalterado pelos males da vida.” (Evangelho de Buda cap. III, § 11-13)

      Aqui o evangelista comenta os males do mundo, nossos sofrimentos e aponta para a “verdade” como a chave que nos livra de todos os infortúnios.[1] O “bem-aventurado”,[2] que, como será visto mais adiante, se refere ao Buda Siddhartha, “repousa das lutas e tribulações da vida”, “está acima de todas as mudanças”, “está acima do nascimento e da morte” e “permanece inalterado pelos males da vida”.

      Alguns versículos bíblicos retratam Jesus da mesma forma que o Buda bem-aventurado. Jesus é descrito como “bem-aventurado”, assim como Siddhartha. (1 Timóteo 6:15)[3], está “acima de todas as mudanças”, porque ele é “o mesmo hoje, amanhã e sempre” (Hebreus 13:8). Jesus também permanece “inalterado pelos males da vida” e “está acima do nascimento e da morte”, pois em Hebreus temos descrições cristológicas que o descrevem dessa mesma forma. Jesus morreu “uma vez para sempre” (Hebreus 7:27; 9:26-28; Romanos 6:10) estando assim acima da vida e da morte. Na introdução de Hebreus lemos a seguinte descrição:

“Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.” (1:10-12)

      O versículo acima mostra que Jesus está acima do mundo físico, não sendo afetado por ele, o que difere em muito dos demais seres humanos. Enquanto existia em forma humana, Jesus poderia sofrer e morrer, como, de fato, aconteceu. Ao voltar aos domínios espirituais, ele permaneceria “inalterado pelos males da vida”, assim como Buda é descrito.

      Continuando com o Evangelho de Buda, nos temos as seguintes palavras:

Bem-aventurado é aquele que encontrou a iluminação. Ele vence, embora ele possa ser ferido, ele é glorioso e feliz, embora ele possa sofrer, ele é forte, embora ele possa quebrar sob o peso de seu trabalho; ele é imortal, apesar disso ele morrerá. A essência do seu ser é pureza e bondade. (Evangelho de Buda, cap. III, § 13)

      O escritor passa a descrever que qualquer pessoa que ande nos caminhos de Buda encontrará a mesma realização. Uma vez que Siddhartha Gautama realizou todos os caminhos do Iluminado e da Verdade, ele “atingiu o estado do sagrado Buda”, ou seja, para se alcançar esse estágio, a pessoa passa por todos os sofrimentos para o refinamento.

      Buda “vence, embora possa ser ferido”, é “glorioso e feliz, embora possa sofrer”, ele é “forte, embora possa quebrar sob o peso do seu trabalho; ele é imortal, apesar disso ele morrerá”. Essas são as descrições búdicas de Siddhartha. Jesus também é descrito no Novo Testamento com esses mesmos atributos.

      As profecias Messiânicas diziam que Cristo esmagaria a cabeça da serpente, o diabo, mas também sofreria quando a serpente mordesse seu calcanhar. (Gênesis 3:15) Embora o Messias seja descrito com grande glória nos Evangelhos e nas Epístolas Paulinas, ele “sofreu” (Isaías cap. 53, Hebreus 13:12b). Jesus, mesmo sendo descrito como “Deus poderoso” (Isaías 9:6) podia também “quebrar sob o peso do seu trabalho”, assim como Buda. Isaías, apesar de chamá-lo de “Deus poderoso” o descreve como “aflito”, “golpeado”, “atribulado”, “traspassado” e “esmigalhado”. (Isaías 53:3-7) Apesar dos seus sofrientos, O Novo Testamento nos conta:

(Apocalipse 5:5) “...“Pára de chorar. Eis que o Leão que é da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu de modo a abrir o rolo e os seus sete selos.”

(João 16:33) “...No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.””

(Apocalipse 3:21) “...Àquele que vencer, concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com o meu Pai no seu trono.”

      Vemos ai que Jesus cumpre a mesma descrição de Buda de alguém que “vence, embora possa sofrer”. E para a maioria dos cristãos que consideram Jesus como Deus, Habacuque 1:12 diz sobre a divindade: “tu não morres”. No entanto, “Cristo, enquanto ainda éramos fracos, morreu por homens ímpios, no tempo designado” (Romanos 5:6), sendo essa a mesma descrição de Buda, de alguém que “morre mesmo sendo imortal.”

      Com base nisso, como poderíamos dizer que o Cristianismo contém ideias superiores ao Budismo? Como poderíamos dizer que o Cristianismo é a verdade suprema, a religião verdadeira, acima de todas as demais, uma vez que o Budismo é 500 anos mais antiga que Jesus Cristo e possui as mesmas ideias?

Gostaria de saber mais sobre o que o Evangelho de Buda nos trás de semelhante com o Novo Testamento? Aguardemos as próximas postagens!


FONTE: Buddha, The Gospel de Paul Carus, Chicago, The Open Court Publishing Company,1894. Novo Testamento Grego de Westcott e Hort.

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Notas
[1] João 8:32 diz: “...conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará...”
[2] Em Mateus cap. 5 temos uma série de bem-aventuransas ensinadas por Jesus Cristo.
[3] A mesma palavra grega μακαριος (makarios) traduzida em Mateus 5:3.

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