terça-feira, 26 de julho de 2011

Buda Tinha 12 Discípulos?
por Eduardo Galvão

DISCÍPULOS, 12, DOZE, JESUS, BUDA, SEMELHANÇAS
      Ele foi um grande sábio, viveu a mais de 2 mil anos atrás, iluminou o mundo e teve 12 principais discípulos. Estou falando de...? Isso mesmo, de Buda, para a tristeza de quem achava que eu iria dizer Jesus.

      Nós vimos em outro artigo aqui no Por Que Não Creio que o próprio número doze é um número místico, usado por religiões pagãs antes do cristianismo e judaísmo. Falamos também sobre Hórus e seus 12 discípulos,[1] tentando expurgar de vez essa ideia mal concebida de que não existem similaridades entre Jesus com outras divindades pagãs.

      No entanto, quando se trata de Siddharta Gautama, as fontes que nós temos de sua vida são muito divergentes, a ponto de muitos, antes de grandes descobertas arqueológicas que provaram sua existência histórica, o acharem mero produto da imaginação humana, um mero mito. Atualmente, existe uma variação no número dos principais discípulos do grande Iluminado. Essa variação não se restringe apenas ao número, mas também aos nomes dos mesmos. Nas escolas búdicas é ensinado que Buda teve pelo menos 10-12 principais discípulos.

      Mas, sempre é bom lembrar que as características do monomito, como chamava Joseph Campbell, não são encontradas como uma foto cópia umas das outras. Antes, o que observamos são SIMILARIDADES entre ideologias, acontecimentos e desenvovimentos teobiográficos na forma dos principais líderes espirituais. Em outras palavras, para se dizer que outra deidade tinha doze discípulos, assim como no caso de Jesus, não é necessário encontrar um manuscrito antigo que use o termoo “12 apóstolos”, ou que os retrate com o mesmo comportamento com os dos Evangelhos canônicos.

      No contexto sócio-religioso para o desenvolvimento da religião e do mito, dentro do escopo antropológico dinâmico, o que importa na investigação são as similaridades nas raízes e não nos frutos.

      Apesar de alguns dos escritos não falaram exatamente que Buda andava para cima e para baixo acompanhado de 12 discípulos, traços dessa ideia estão presentes nos ensinos búdicos e em algumas de suas biografias.

1. Número Doze no Budismo

      Como mencionado no início desse artigo, nós observamos em outra postagem que o número 12 está presente em praticamente todos os sistemas das religiões pagãs anteriores ao cristianismo e judaísmo. E mesmo nos ensinos búdicos, nós observamos o uso contínuo desse número.

      No post 12 - Um Plágio Cristianizado comentei:

“Assim como o mundo divino tinha 12 seções, nos quais se baseavam a utilidade estelar do número, as religiões também dividiam a própria existência humana mística em 12 partes. O budismo, por exemplo, sustenta que a vida é composta de 12 partes, que juntas, mantém o círculo da vida girando, enlaçando toda a vida em uma samsaric, forma de existência do qual é difícil de escapar.”

      Um outra fonte nos informava:

“O ensino do budismo na existência do samsaric [...] é descrita na Roda do Tornar-se. [...] O aro da roda é dividida em doze segmentos e cenas. Estes mostram como os seres passam de um reino para outro, e são chamadas de nidanas. [...] Essas cenas retratam o ensinamento budista sobre a Origem Dependente: a cadeia causal que assegura a Roda da Samara continuamente girando.” [2]
      
2. Buda e Seus Doze Discípulos

Embora, como dito no início, as informações sobre Gautama sejam divergentes, temos boas citações de literatura búdica onde o mesmo é mencionado junto com 12 seguidores, conforme podemos ver abaixo sobre os 12 generais no budismo:

“Os 12 Generais Celestiais protegem e servem o Yakushi Nyorai (O Buda da Medicina). Os Doze são Hindu Yasha 夜叉 que foram mais tarde incorporados no Budismo como guerreiros protetores. Na escultura e arte japonesa, eles são quase sempre agrupados em um círculo protetor em torno do Nyorai Yakushi - eles raramente são mostrados de forma independente. Muitos dizem que representam os doze votos de Yakushi, outros dizem que os 12 estavam presentes quando o Buda histórico introduziu o “Sutra da Cura”; outros ainda que eles oferecem proteção durante as 12 horas do dia, ou que representam os 12 meses e 12 direções cósmicas , ou os 12 animais do zodíaco chinês de 12 anos. O Jūni Shinshō são também membros do Tenbu (Sanscrito: Deva), um grupo maior de deidades protegendo o reino budista.”[3]

      O ponto que deixa visivelmente claro o ensino búdico sendo passado para doze de seus seguidores se encontra em um enorme monumento chamado de Templo do Buda Deitado que fica a cerca de 20 km (12 milhas) de Pequim e está perto do Templo das Núvens Azure no sopé norte da Xishan. O Templo do Buda Deitado é um templo budista e um dos famosos templos antigos, em Pequim. Abaixo temos uma imagem que nos ajudará a ilustrar o ponto em questão.[4].


      Se observar na parte superior, verá que acima do Buda existem 12 rostos que seriam de seus principais 12 discípulos, ou em outra interpretação, seriam as 12 fazes de iluminação de Siddharta Gautama.

      O mesmo número é mencionado ainda em outras fontes literárias budistas, conforme pode ser analisadas abaixo:

“O Buda da Cura tinha 12 assistêntes conhecidos como os 12 Generais Yaksha... Penso que o Cristo com seus 12 discípulos e o Buda da Cura e seus 12 Generais são “lados opostos da mesma moeda”.” [5].
“Quando os Doze discípulos permanecendo como coordenadas no círculo... tiverem seguido, como Sumedha, as Dez Perfeições da Lei, eu virei de novo...” [6]

Tratando de assuntos religiosos, Buda havia dito:

“Exceto em minha religião, os doze grandes discípulos que praticam as mais elevadas virtudes e agitam o mundo para livrá-los de seu estado de indiferença, não serão encontrados.” [7]
      Como foi possível observarmos, Buda, de uma forma ou de outra, é retratado com o número de 12 discípulos, assim como posteriormente Jesus foi retratado nos Evangelhos. Poderia criar outras postagens apenas comentando essas citações acima, mas isso é apenas o início em nossa jornada de estudo, veremos muitas outras similaridades que deram vida ao mito chamado Cristianismo.

_______________________
NOTAS
[1] Hórus Tinha 12 Discípulos?
[2] Buddhism de Clive Erricker (1995)
[3] Jūni Shinshō, Juni Shinsho, Twelve Heavenly Generals of Yakushi Buddha
[4] The Ten Principal Disciples
[5] Reiki and the Healing Buddha de Maureen J. Kelly, pg. 25, Lotus Press (September 12, 2000)
[6] Quietly Comes the Buddha: Awakening Your Inner Buddha-Nature, pg. 172, de Elizabeth Clare Prophet, Kessinger Publishing (August 2003)
[7] The life, or legend, of Guadama, the Buddha of the Burmese: With annotations, Pg. 314, de Paul Ambroise Bigandet.

Bibliografia

  1. Wikipédia
  2. On Mark Productions
  3. Travel China Guide
  4. KELLY, Maureen J. Reiki and the Healing Buddha, Lotus Press (September 12, 2000)
  5. PROPHET, Elizabeth Care, Quietly Comes the Buddha: Awakening Your Inner Buddha-Nature, Kessinger Publishing (August 2003)
  6. BIGANDET, Paul Ambroise, The life, or legend, of Guadama, the Buddha of the Burmese: With annotations.

2 comentários:

  1. Apesar de imensamente válidos os seus estudos seria mais valoroso se não se observasse em seus estudos uma certa "birra" com o cristianismo e mais propriamente com os Testemunhas de Jeová, pois (pode não ser essa a sua intenção) mas, em todos os seus textos mais parece que você quer destruir a crença cristã ou como escreveu "mito chamado Cristianismo", se isso for real então acho que não há diferença entre um fundamentalista-fanático religioso e o senhor, ainda que o senhor use de vários argumentos, espero sinceramente que eu esteja enganada.
    Pois, seus estudos deveriam ser imparciais e levar o leitor a reflexão e não uma incitação de uma descrença ou raiva como quando eu vejo nos comentários e suas respostas a esses dos que são contra ou a favor dos TJs e cristianismo. Sinceramente acho isso desnecessário, um estudioso deveria se isentar de questões pessoais e apenas divulgar o resultado de seus estudos.

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    1. Não sou contra o Cristianismo, nem objetivo acabar com o mesmo. Eu nunca ajudei um drogado abandonar as drogas, mas todos os dias várias igrejas conseguem isso. E, além disso, seria muita prepotência minha querer acabar com algo de 2 mil anos.

      Eu sou contra algumas formas de Cristianismos devido ao mal que fazem a sociedade. Se uma pessoa que você ama muito fosse morta por uma religião, como você reagiria? Algumas formas de Cristianismos são realmente uma praga para a sociedade, já outras aceitáveis e até desejáveis.

      Pretendo ainda escrever sobre Judaísmo, Islamismo, Budismo, mas ainda não tive tempo; comecei pelo cristianismo, uma vez que vivo em um país cristão.

      Meus estudos SÃO parciais. Além disso, sempre digo que você está CONVIDADO a apresentar aqui refutações do meus estudos, para contrapor meus pensamentos. Não creia no que estou dizendo como se eu fosse a última palavra no assunto, pois não o sou. Mas se vier dizer que meu estudo está errado, prove isso com um estudo tão bem referenciado como o meu.

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