quarta-feira, 25 de maio de 2011

Esse estudo é a segunda parte de um anterior. Para entender o contexto, queira ler primeiro: Hórus Tinha 12 Discípulos? (Part. I)

§ 2. Análise Crítica

DOZE, 12, APÓSTOLOS, DISCÍPULOS, JESUS, HÓRUSNão há como desassociarmos a imagem de Jesus com os seus Doze apóstolos. A seleção, ou escolha, que Cristo fez por esses 12 discípulos especiais pode ser lido em Lucas 6:12-16 e Mateus 10:1-3.

Sendo anteriormente cristão praticamente, eu realmente acreditava que Jesus, como pessoa histórica, teve 12 apóstolos, ou discípulos especiais, que lhe auxiliavam em suas atividades ministeriais. A primeira desilusão religiosa vem quando aprendemos que o uso do número doze, ao invés de inspiração divina, é puramente plágio humano de outras religiões anteriores ao judaísmo ou cristianismo. (Cf. Número 12 — Um Plágio Cristianizado) A segunda desilusão é quando aprendemos que Hórus-Osíris também tinha 12 discípulos, sendo ele assim um arcabouço do que, no futuro, se tornaria a história evangelística.

Hórus-Osíris, em muitos dos seus textos, são retratados como sendo acompanhados por doze deidades. F. Lenormant comenta o seguinte:

“... O sol do hemisfério baixo tomou mais especialmente o nome de Osíris. Seus companheiros [...] eram as doze horas da noite personificadas como muitos deuses, acima do qual era colocado Hórus, o próprio sol nascente...” – Chaldean Magic: Its Origins and Development, pg. 83.

O egiptólogo James Bonwick também diz:

“Os doze companheiros [de Osíris] deviam ser os doze signos do zodíaco; como os doze homens que sustentaram sua arca, ou os doze que conspiraram, e o mesmo número dos que levaram seu corpo.” – Egyptian Belief and Modern Thought, pg. 175.

O mesmo nos diz Gerald Massey:

“Os doze com Hórus em Amenta são os que trabalham na colheita e coletam o milho (ou seja, as almas) para Hórus.” — Ancient Egypt: Light of the World, vol. I, pg. 864.

Com respeito aos vários grupos de deuses, Budget comenta que o Texto da Pirâmide de Pepi II menciona a presença de nove deuses, como o Grande Comando de Annu, grupo este que recebe o nome de Ennead. Depois, no mesmo texto, aparece um grupo – ou paut em egípcio – no qual são mencionados doze deuses conforme alistados abaixo:

“...Tem, Shu, Tefnut, Seb, , Nut, Osíris, Osíris-Khent-Amenti, Set de Ombos, Heru de Edfu, Ra, Khent-Maati, o Uatchet; portanto a Grande Companhia dos deuses de Heliopolis pode conter tanto nove quanto doze deuses.” — BUDGE, GE, I, pg. 87.

Que o número 12 girava em torno de Hórus-Osíris pode ser visto nas seguintes citações por especialistas em egiptologia:

‘...O templo de Hórus foi erigido com 12 colunas...’ (BARD, 1999, pg. 270) Levando em consideração a influência zodíaca, teríamos nesse contexto egípcio os 12 signos, junto com os 12 meses do ano, com as 12 horas do dia, como da noite, e a paut, ou companhia, de 12 deuses. Jesus, em seus ensinos, fez a mesma menção de horas, ele disse aos seus 12 discípulos: “...Não há doze horas de luz no dia?...” (João 11:9) Jesus disse isso para ilustrar o período onde a luz, conseguentemente o SOL, reina sobre as trevas, assim como Hórus reinava glorioso sobre Seth.

Os doze deuses que remetiam as doze constelações do zodíaco eram tidos como “ajudantes”, ou “companheiros”, pela razão de ser através deles que as estações solares (no caso, Hórus) viajam anualmente. Em Egyptian Belief and Modern Thought, James Bonwick afima que “os doze deuses podem ser rapidamente indentificados com Mazzaroth, ou os doze signos do Zodíaco, através do qual o sol passava todo ano.” (BONWICK, 99) Como nas doze obras de Hércules, quando o deus solar egípcio entrava no céu nortuno, ele era cercado por provações. No Livro de Amtuat/Amuat se descreve “a jornada do deus sol através das doze horas da noite.” (HORNUNG, AEBA, pg. 33) Mas, onde entra os doze deuses que eram “ajudantes”, “companheiros” e “seguidores” de Horus-Osíris?

Comentando o texto achado na tumba de Seti/Sety/Sethos I sec. 13 AEC em Thebes, Budge comenta que “à direita do barco de AFU-RA, e de frente pra ele, está HÓRUS, e os doze deuses das horas, que protegiam a tumba de Osíris e ajudam RA em sua jornada...”. Ao colocar os Doze Deuses como guardiões da tumba de Osíris, podemos ver mais uma similaridade, quando os apóstolos guardavam o túmulo de Jesus, uma forma de dar assistência à divindade. – Lucas 14:1.

Fazendo a trajetória no submundo, descrito no mesmo texto egípcio citado anteriormente, vemos “Hórus, diante do qual estão os doze deuses-estelares que conduzem o sol à noite.” (BAEDEKER, pg. 275) Isso implica justamente na ajuda que esses “doze deuses-estelares” davam a Hórus para que ele fizesse sua viagem de forma bem-sucedida. Veja a imagem abaixo:

Horus entronizado diante dos Doze, sétima hora de Amduat.
(Hornung, The Ancient Egyptian Books of the After Life, p. 48)

§ 3. Testemunho Bíblico

No livro de Apocalipse 21:1 temos a mesma ideia dos 12 apóstolos desempenhando um papel no combate entre a luz e as trevas, auxiliando a deidade cristã. Vemos a seguinte representação:

“E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher adornada do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e na sua cabeça havia uma coroa de doze estrelas.” – New Testament in the Original Greek de Westcott e Hort, tradução minha.

Eruditos entre as Testemunhas de Jeová dão o seguinte entendimento:

“Note que ela está coroada com 12 estrelas. O número 12 é associado com inteireza no que se refere a organização. Portanto, estas 12 estrelas parecem indicar que ela é um arranjo organizacional no céu, assim como a antiga Jerusalém era na Terra. [...] João vê esta mulher vestida do sol e que tem a lua debaixo dos pés. Quando acrescentamos a isso a coroa de estrelas, ela está completamente cercada de luzes celestiais.” — Re cap. 27 p. 178 pars. 5-6.

O erudito batista do século XVIII, John Gill, nos diz:

“Por “estrelas” entendemos os ministros do Evangelho, que Cristo segura em sua mão direita, e a igreja aqui sustentada em sua cabeça, Rev 1:20. E esses “doze” dizem respeito aos doze apóstolos de Cristo.”

O estudioso presbiteriano, o Dr. Albert Barnes, também do sec. XVIII, comenta:

“Se a mulher aqui é projetada para simbolizar a igreja, então o número doze tem, com toda a probabilidade, alguma alusão às doze tribos de Israel como sendo um número em que alguém que nasceu e foi educado como judeu, seria susceptível de usar (Compare com Tg 1:1), ou os doze apóstolos - uma alusão que, pode-se supor, um apóstolo seria mais propenso a fazer. Compare Mat 19:28; Rev 21:14”.

O Dr. W. Barclay, especialista do Novo Testamento e cultura helenística, diz:

“Mas ele acrescentou de sua própria colheita algo que todos os pagãos da Ásia Menor eram capazes de reconhecer como parte da antiga representação babilônica da divindade. Muito freqüentemente representavam a seus deuses com uma coroa na qual eram representados os doze signos do zodíaco. É como se João tivesse tomado todos os símbolos da divindade e da beleza que conhecia e os tivesse reunido nesta descrição.” – Comentário do Novo Testamento, Ed. Eletrônica.

O uso das doze estrelas com importância teológica para os judeus pode ser visto no sonho de José em Gênesis 37:9. Para esse uso temos a seguinte citação:

“Se percebermos que os hebreus estavam bastante familiarizados com as mesmas características da constelação que herdamos através dos gregos, várias alusões indiretas a eles lhe acrescentavam um significado. Assim, José sonhou que “estrelas do sol e da lua e onze faziam reverência” a ele (Gn 37:9). As doze constelações do zodíaco são doze dentre os quais o sol e a lua se movem e, portanto, constituem, por assim dizer, a sua família. Onze deles, por conseguinte, representando os onze filhos de Jacó, José sendo, naturalmente, o décimo segundo. Há alguma evidência de que quando o tempo veio para o cumprimento desse sonho, este foi atendido na medida em que algumas das tribos aprovaram algumas das figuras da constelação por meio da crista ou com armorial. Em Nu afirma-se que cada um dos quatro acampamentos em que o exército de Israel foi dividido tinha seu próprio padrão. — ORR, 1915, Ed. eletrônica.

Qual seria o significado dessas doze estrelas? Ora, o próprio Jacó comenta:

“E contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e disse-lhe: Que sonho é este que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?” (Gen 37:10)

Quando Jacó diz “eu e sua mãe”, ele está se referindo aos maiores corpos celestes, para um observador terreno, ou seja, o sol e a lua. Ao dizer, “teus irmãos”, que são onze, seriam as “onze estrelas” que se inclinavam diante dele, sendo ele mesmo, José, a décima segunda, formando os doze do zodíaco. Estes doze filhos de José depois dariam origem a doze tribos de Israel. E é ai onde entre os 12 apóstolos de Jesus Cristo, uma vez que esse, além de ser o exato número das doze tribos de Israel, eles mesmos são descritos em relação a essas doze tribos que por sua vez remetia as doze constelações do zodíaco.
Osíris cercado pelos Doze Círculos e Estrelas
(Hornung, The Valley of the Kings, p. 94)

Em cada cultura, ambos estavam relacionados aos 12 signos do zodíaco, e isso faz de tanto os doze companheiros de Hórus, como os 12 discípulos de Jesus, representações do zodíaco. Dessa forma, tanto os 12 companheiros de Hórus e os 12 discípulos de Jesus, tem a mesma representação astrológica.

Essas duas citações bíblicas deixam isso claro:

(Mateus 19:28) . . .também estareis sentados em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.

(Apocalipse 21:12-14) . . .Tinha uma grande e alta muralha, e tinha doze portões, e, junto aos portões, doze anjos, e havia nomes inscritos, os quais são os das doze tribos dos filhos de Israel. Ao leste havia três portões, e ao norte havia três portões, e ao sul havia três portões, e ao oeste havia três portões. A muralha da cidade tinha também doze pedras de alicerce, e sobre elas os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

O pensamento resumido e o raciocínio silogístico que quero traçar é o seguinte: Os doze apóstolos estão relacionados às doze tribos de Israel, as doze tribos de Israel aos doze filhos de Jacó e os doze filhos de Jacó as doze constelações do zodíaco, dessa forma, os doze apóstolos, assim como mencionado em Apocalipse 12:1, são a própria representação das doze constelações do zodíaco. Se os 12 do zodíaco estão silogisticamente relacionados com os apóstolos, então podemos enxergar os doze deuses zodiacais que auxiliavam Hórus como doze apóstolos, ou discípulos. Simplificando: Os 12 signos do Zodíaco = 12 companheiros de Hórus, assim como os 12 filhos de José = 12 tribos de Israel = 12 apóstolos. (O sinal de = quer dizer “representa/foi representado”)

Uma vez que o sol faz uma trajetória anual entre essas estrelas zodiacais, conhecida como eclíptica, as doze constelações eram vistas como “ajudantes”, “companheiras” e “seguidoras” do sol, Hórus.

Assim, quando lembramos que os “doze deuses-estelares” auxiliavam Hórus-Osíris no submundo durante sua travessia, podemos entender e interpretar esses “doze deuses” como sendo “seguidores”, “discípulos” de Hórus-Osíris, pois estes o auxiliavam para que este cumprisse seu ministério contra as trevas noturnas, da mesma forma que Jesus juntou doze seguidores especiais que o “seguiam”, o “serviam” e lhe “auxiliavam” no seu ministério de salvação para combater as forças do mal/trevas.

Outras imagens obtidas dos livros egípcios descrevem também Hórus como “Antigo de Dias” (cf. Daniel 7:9), se apoiando em seu cajado conduzindo os 12 “afogados”, ou almas perdidas, levando-os à salvação nos “Campos dos Abençoados.” (HORNUNG, VK, pg. 138, 144, AEBA, pg. 40, 50) Compare isso ao que é descrito no Salmos 23, onde Yahweh conduz os justos em pastos abençoados. Os 12 mortos, de acordo com o especialista Hornung, “são salvos da decadência e da decomposição por Hórus, que os guia para a existência pós-humana...”. (AEBA, pg. 40) Dessa forma, os discípulos, ou seguidores de Hórus, estavam destinados a segui-lo e por serem salvos por ele, estes também usufruiriam uma mudança de natureza, passando da mortalidade para a imortalidade, passando do corruptível para o incorruptível, se tornando, em plenitude, tudo o que Hórus era.

Esse é o mesmo pensamento na teologia neotestamentária cristã. Na Primeira Epístola aos Coríntios, cap. 15:53-57, Paulo diz:

Pois isto que é corruptível tem de revestir-se de incorrupção e isto que é mortal tem de revestir-se de imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir de incorrupção e isto que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “Tragada foi a morte na vitória.” “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” O aguilhão que produz a morte é o pecado, mas o poder para o pecado é a Lei. Graças a Deus, porém, pois ele nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo! — W.H; tradução minha.

Perceba que na teologia paulina, os seguidores de Jesus recebem imortalidade graças a atuação da divinadade, o mesmo que ocorre com os seguidores de Hórus. Hórus ao salvar seus seguidores, as almas perdidas, os reveste de imortalidade também.

Muitas outras imagens são obtidas dos textos egípcios de Hórus e seus Doze discípulos, como no Livro de Hades, ou Livro dos Portões, onde os doze discípulos de Hórus são visto como “ceifeiros” (ROPT, X, pg. 119) a mesma representação cristã encontrada em Mateus 9:37-38. M.D Murdock explica que Hórus é o “cabeça dessa procissão” (CIE, pg. 275), sendo Hórus o “cabeça dos doze companheiros de seu pai.” (Smith, P., pg. 127) No Livro dos Mortos cap. 64, os doze companheiros de Osíris são representados pelas doze horas do dia, que está ‘girando, de mãos dadas, uns com os outros’. (Renouf, EBD, pg. 119) Existem algumas variações devido a dificuldade de tradução desses hieróglifos em específico, como pode ser visto mais duas outras por especialistas no assunto, que é Dr. Allen (T., BD, pg. 57) e Faulkner (EBD, pg. 106). Allen confirma a ideia e chama os doze pintados na cena como sendo “assistentes”, formando uma “unidade de doze”.

Esse último deus “apoiado no cajado” e, como em outras cenas nos hieróglifos, Hórus, o Ancião, o Antigo de Dias, termos usados para descrevê-lo, conforme considera o especialista Budge. Com respeito a essas imagens, Massey nota:

“Essa imagem mostra os filhos de RA tanto como grupo de doze e também como os doze com Hórus. Em uma cena Hórus é descrito se apoiando em seu cajado e onze deuses estão andando em direção à Osíris. Esses são os doze ao todo, do qual Hórus está na presença do Pai. Mas, na tumba de Ramesés, o Sexto, os doze aparecem, precedidos por Hórus, o mestre da alegria, apoiando-se em seu cajado. Esses são os da colheita. Sete deles são ceifeiros e os outros cinco são coletores de milho.”

§ 3. Pescadores de Homens

Jesus disse a um dos seus apóstolos: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens” (Mateus 4:19) Essa mesma imagem também estava presente nos doze discípulos de Hórus. Alguns textos descobertos do antigo Egito mencionam os 12 discípulos/seguidores de Hórus como sendo “pescadores de Osíris” (CT SP. pg. 229), assim como existia os “senhores da pesca” (CT SP. 473), sendo estas atividades realizadas “na jornada da outra vida” (FAULKNER, AECT, II, pg. 112-114) “Os pescadores que pescam... do Abydos” são também mencionados em CT SP. 477 (FAULKNER, AECT, II, pg. 119). Em CT SP. 703, Osíris pesca “nas águas do Abismo” (FAULKNER, AECT, II, pg. 265) e muitos feitiços para se escapar das redes, como em CT SP. pg. 479, são mencionados para se proteger dos “pescadores de homens” que são “pescadores de homens dos deuses”. (FAULKNER, AECT, II, pg. 123)

Sobre a ideia de pescadores, e, consequentemente, o peixe como símbolo cristão, temos as seguintes palavras de John P. Lundy:

“A palavra Peixe é uma apreviação desse título inteiro, Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador e Cruz; ou, como St. Augustinho expressa-o ‘se você juntar as letras iniciais das cinco palavras em Grego, Ἰησοῦς Χριστος Θεου Υιὸσ Σωτήρ, que significam Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador, eles formaram ΙΧΘΥΣ, Peixe, em cujas palavras Cristo é misticamente entendido, porque ele era capaz de viver no abismo de sua mortalidade como nas profundezas das águas, ou seja, sem pecado’” — Monumental Christianity.


O peixe tem sido, desde então, usado como um dos símbolos do Cristianismo, como pode ser visto na imagem abaixo. (Sacred-Texts)



§ 4. Conclusão

Se tudo que aprendemos nos evangelhos vem por revelação divina (2 Pedro 1:21), se o cristianismo se considera a única religião verdadeira, por que traços de seus ensinos são encontrados em outros povos/religião? Eles também foram inspirados por Deus? Por que existe essa similaridade cultural e religiosa, quando eu devia crer que o cristianismo foi revelado e produzido por um Ser transcendente, fora do escopo material? Por que exatamente 12, e não 4, ou 6 apóstolos? Por que tem que ser exatamente um número místico, que era cultuado milênios antes do cristianismo? Não é mais fácil e lógico vermos que foi uma influêcia cultural e religiosa, do que uma revelação peculiar para um grupo pequeno de judeus apocalíptico?

A história de Jesus e seus 12 discípulos não é única, nem histórica, muito menos uma ideia peculiar vinda como revelação divina. A ideia dos doze discípulos é baseada nas culturas e religiões existentes ao redor do Mediterraneo por milhares de anos.

Ao contrário do que cristãos dizem, principalmente os do meio evangélico, que autoridades em egiptologia não apoiam isso, que isso não existe no mito de Hórus, vemos várias fontes históricas e acadêmicas que confirmam a ideia de 12 seguidores de Hórus. Alguns dos textos citados nessa matéria vieram diretamente dos textos egípcios. Portanto, julgue você mesmo. Se os textos mencionavam DOZE seguidores de Hórus, o que mais poderíamos entender? Sei que a fé move montanhas, mas não deixe que essa mesma fé REMOVA o seu cérebro!

Há mais do que profundas provas de que as ideias religiosas no Egito antigo serviram como molde para futuras religiões, entre elas o Cristianismo!

OBS: Por coincidência, essa é minha 12º postagem!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

Site Sacred-Texts
LENORMANT, François, Chaldean Magic: Its Origins and Development, kessinger, 1994
BONWINK, James, Egyptian Belief and Modern Thought, Falcon Wig Press, Colorado, 1956
MASSEY, Gerald, Ancient Egypt: Light of the World, vol. I, Kessinger 2002.
BUDGE, E. A. Wallis, The Gods of the Egyptians, Dover Publications, 1969, Volume 1.
BARNDE, Kathryn A., ed., Encyclopedia of the Achaeology of Ancient Egypt, Routledge, 1999.
HORNUNG, Erik The Ancient Egypt Book of Afterlife, trd. David Lorton, Cornel University Press, NY, 1999.
BAEDEKER, karl, Egypt: A Handbook for travelers, Karl Baedeker, Leipsic, 1902.
GILL, John, Exposition of the Entire Bible, ed eletrônica.
BARNES, Albert, Notes on the Bible ed. Eletrônica.
BARCLAY, William, Comentário do Novo Testamento, ed. Eletrônica.
FAULKNER, Raymond O., Ancient Egypt Coffin Texts, Aris & Philips, Oxford, 1973.
ORR, James, John Nuelsen, Edgar Mullins et al., International Standard Bible Encyclopedia, 1915.
WESTCOTT, Brooke Foss e Hort, The New Testament in the Original Greek, 1881.

20 comentários:

  1. Satanás surgiu antes dos homens. Ele é um ser espiritual e inteligente. Ele conhece a interpretação das sagradas escrituras melhor do que qualquer um. Por isso, com sua astúcia, previu tudo o que a cultura católica iria herdar. Então, o que ele fez? Antecipou algumas ideologias entre os povos pagãos, para que acontecessem primeiro do que com Jesus. Com isso fica parecendo que há um sincretismo entre o paganismo e o catolicismo, mas é tudo obra de satanás para dar pretextos intelectualóides aos idiotas, fracos, céticos, pagãos, satanistas, muçulmanos, judeus, etc.

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    1. Quanta ignorância, porquê devia provar que seus argumento são de Satã mas fica atacando pessoas no lugar dos argumentos postado.
      Concordo plenamente que Jesus e seus 12 é apenas um mito, criado por aqueles que temem a morte !!

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    2. Cara, creio em Deus. E creio no poder dele.
      Se você for olhar na bíblia, não tem nada nela sustentando a ideia que satanás sabe de todas as coisas. Então ele não teria como adivinhar ou saber do que Deus estava querendo fazer.
      Tudo isso é uma pouco (bastante) turvo e merece ser bem estudado... Bom texto, vou procurar entender mais essas raízes históricas que são bem interessantes. Um abraço.

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  2. Você esqueceu de mencionar os cristãos burros. Em breve farei uma postagem contra argumentando essa bobagem que você escreveu.

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  3. Ao anônimo:
    Se Satanás é tão astuto e poderoso assim, Deus não passa de um joguete em suas mãos. E por falar nisso, a ideia de Satanás também não é cristã, e sim persa, criada pelo pensador Zoroastro, sendo outro plágio clássico dessa colcha de retalhos que se chama cristianismo. Mas ele também deve ter sido uma criação demoníaca para tirar o último neurônio de um cristão infinitamente burro como vc. A fé, como disse o editor, já removeu o cérebro desse aí e deu descarga. Merecia ser preso e açoitado até a morte. Gente como esse fulano é que faz o mundo ser esse inferno que é...

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  4. entao quer dizer que satanas vai estar sempre a frente de Deus!que burriçe,sendo assim satanas tambem sabendo que Deus iria criar o homen,iria cria-lo primeiro.

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  5. aff
    Eu pesquisei muito, e Satanás antes do Exílio era apenas sinônimo de adversári e inimigo, com influência persa,do deus do mal Arimã/Ahriman foi transformado no que acreditam hoje.
    é sempre assim, ou você anda no fanatismo ou quando quer se libertar é "obra de Satanás".

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  6. "A primeira desilusão religiosa vem quando aprendemos que o uso do número doze, ao invés de inspiração divina, é puramente plágio humano de outras religiões anteriores ao judaísmo ou cristianismo. (Cf. Número 12 — Um Plágio Cristianizado)..."devemos considerar 2 pontos:1º= O Todo-Poderoso,Bendito seja jamais agiu na incognita; Ele sempre revelou aos homens(quer merecedores ou não) Seus atos.2º= a soberania de D-us é inabalavel diante do fato incontesti de que Ele é uma Pessoa despida de qualquer tipo de conceitos,filosofias e pensamentos lineares e discursivos que tornou o homem confuso e desordenado.Esse mesmo D-us com Sua infinita soberania monitora os atos(individuais ou coletivos)da história humana de forma abrangente e eclética dando vislumbres de lucidez as Suas criaturas;mostra e revela acontecimentos os acontecimentos através de mitos,práticas,símbolos,metáfo­ras.Tentar trazer mixórdia e DISTRAÇÕES ABSURDAS faz parte do currículo nocivo das hostes espirituais da maldade e seu mentor-mor,no sentido de misturar o joio c/ o trigo,verdade c/ mentira,morte c/ vida.Esse é o seu objetivo final.
    hadassamazaltov@hotmail.com

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  7. Porque vcs pensam dessa forma? Pq Deus permite que possamos compreende-lo, em parte, e a natureza das coisas, isso nao diminui a importancia de Jesus Cristo e de seus apostolos.Concordo, da vinci dispos os signos associados as personalidades humanas e dai? Podemos usar nosso cerebro sim, mas isso nao quer dizer que nao tenhamos e possamos" usar" nosso coração.Se Deus se Mostrasse plenamente seríamos capaz de compreende-Lo?Eu não. Por isso a necessidade das religiôes. Nao as critiquemos, todas sao necessarias e nenhuma é dona da verdade.Deus possue a verdade, e a pessoa de Jesus é o modelo mais proximo da perfeição que conhecemos na conteporainedade.Não banalizem a fé. Ass: K.M.

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    1. Acho que você não entendeu bem o objetivo desse blog. Creio que as religiões desempenham um papel ainda importante, embora, obviamente, com o passar do tempo, estas irão tornar-se obsoletas Não há qualquer postagem nesse blog cujo o objetivo seja destruir qualquer religião que seja, inclusive o Cristianismo.

      Esse blog apresenta apenas os argumento pelos quais eu não creio que o Cristianismo seja uma verdade universal, uma vez que suas ideias são tão pagãs quanto a de outras formas de religião.

      Jesus é o modelo mais próximo da verdade? isso de acordo com quem? os cristãos? Por que não Buda? já que seus ensinos são tão similares? Que Jesus foi um grande homem, não há dúvidas, mas não vejo necessidade de dizer que ele foi melhor do que os muitos outros anteriores a ele, principalmente porque seus ensinos são baseados em muitas filosofias do antigo oriente médio.

      Prezamos a fé das pessoas e suas muitas religiões, acho esses fenômenos maravilhosos do ponto de vista sócio-antropológico, somos contra apenas o conceito cristão de que SOMENTE o Cristianismo é verdadeiro e que SOMENTE Jesus é a verdade.

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  8. a arma mais poderosa de satanás na sua guerra contra a Igreja seja exatamente o erro religioso (Efésios 6:10-20). Talvez não haja uma arma mais eficaz do que esta: difundir o erro de tal forma que as pessoas fiquem confusas e, assim, a verdade do Evangelho e o progresso da Igreja seja obstaculado.

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    1. Entendi. Os argumentos que temos contra o Cristianismo são tão fortes que o demônio os usa para confundir a cabeça dos cristão. Blz!!

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  9. Olá Eduardo como passa esta tudo? pergunto a si, em que tu acreditas no que diz respeito a fé e qual é o teu ponto de vista? Olhando não só o cristianismo mas todas as religiões.Se me deres resposta visto ser uma pergunta pessoal, tens meus argumentos e ATENÇÃO esta pergunta não é ofensiva até logo adeus.

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    1. Olá caro visitante,

      A resposta seria um pouco longa. Pretendo escrever um artigo falando sobre isso futuramente. Acompanhe nossos artigos.

      Abraço

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  10. DOZE DISCÍPULOS de Hórus = a Doze discípulos de Jesus, será?

    Aparentemente esta semelhança parece exata até que chegamos a conclusão que os "discípulos" de Hórus (De acordo com a mitologia egípcia, acredita-se que Hórus originalmente era o filho de Rá e Hathor e o marido/irmão de Ísis. Posteriormente ele foi visto como o filho de Osíris e Ísis, uma vez que Hathor e Ísis foram unidos em um ser. Hórus era considerado o céu, o sol,o deus da lua, representado por um homem com a cabeça de falcão.) não eram bem discípulos - eles eram os doze signos do Zodíaco, que se tornaram associados à Hórus. Contudo os discípulos (não somente os 12, como outros) de Jesus eram homens reais, que viveram e morreram,como testemunhas oculares, cujos escritos existem até hoje (inclusive apócrifos onde as autorias pressupõem-se que sejam de alguns destes discípulos), e cujas vidas estão registradas por outras fontes fora do evangelho (ainda que tais fontes sejam para os adeptos da Teoria de Jesus como Mito, sejam textos produzidos por cristãos. Código da Vinci, será?) Muitos estudiosos envolvidos na pesquisa de um Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida através de documentos e outras evidências, embora concordem que muito do que sabemos sobre ele pelo NT, não deve ser tomado ao pé da letra, já que os autores não tinham a intenção de falar da história de Jesus e sim dos seus feitos. Pelo fato dos “discípulos" de Hórus terem sido apenas signos do zodíaco, eles nunca ensinaram sua filosofia ou difundiram seus ensinamentos, porque não existiam como pessoas reais de carne e osso. A realidade de que existem doze signos do Zodíaco (doze meses) em comparação com os doze apóstolos de Jesus é uma coincidência insignificante.

    O que isso prova? Que Jesus nada mais é do que um mito criado a partir de outros? Que seus 12 discípulos são os 12 discípulos de Hórus, Buda e tantos outros? Creio que não prova nem que sim e nem que não. Apenas demonstra ao leitor de mente aberta que podemos provar qualquer coisa impulsionados por nossa crença, então se quero crer que Jesus é um mito, assim provarei, se quero crer que Jesus é uma farsa, assim também farei. A motivação de um crente e um descrente, são as mesmas, todos querem ainda que não admitam, impor suas ideias a outros. Vale ressaltar que não sou adepto de nenhuma religião, portanto não sou crente e muito menos cristão, apenas sou alguém de mente aberta pra analisar tudo o que considero interessante!

    Fontes: "The Oxford Essential Guide to Egyptian Mythology", Editado por Donald B. Redford, artigo de Edmund S. Melzer, p. 167, 2003
    ↑ E.A Wallis Budge, "Egyptian Religion"
    ↑ "How to Read Egyptian Heiroglyphs", Mark Collier e Bill Manley, British Museum Press, p. 42, 1998
    ↑ David J. MacLeod. The Emmaus Journal. Volume 7 #2, Winter 1998, p. 169
    ↑ http://www.sacred-texts.com/egy/tut/tut05.htm
    ↑ http://www.pantheon.org/articles/h/hathor.html
    ↑ http://www.sacred-texts.com/egy/leg/leg22.htm
    ↑ http://www.sacred-texts.com/egy/leg/leg08.htm
    ↑ http://www.sacred-texts.com/egy/pyt/pyt54.htm
    ↑ http://www.pantheon.org/articles/o/osiris.html
    ↑ http://www.sacred-texts.com/egy/eml/eml05.htm

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    1. Obg pela visita e pela pesquisa. Irei tentar lhe responder organizadamente.

      “Aparentemente esta semelhança parece exata até que chegamos a conclusão que os “discípulos” de Hórus... não eram bem discípulos”.

      R.: Mencionei no primeiro artigo Hóros Tinha 12 Discípulos? Parte 1 que a ideia dos doze seguidores de Hórus não é como as pessoas imaginam e nem precisa ser. Para fazer algumas alegações sobre mitos exige-se muito mais do que saber que deus tal fez isso, era pai de fulano, etc. Existe um cognus coletivo-mitológico que vai muito além de decorar histórias lendárias em antigos textos.

      Para que um mito tenha influência de outro não é necessário, de forma alguma, que ele imite em todos os sentidos. A correlação é uma ideia arquetípica mitológica coletiva. Hórus era acompanhado por 12 deidades que simbolizavam os 12 signos dos zodíacos, assim como os 12 apóstolos são colocados em relação com as 12 tribos de Israel, (Mt 19.28; Lc 22. 30) e mesmo assim não há correlação? Mesmo os israelitas tendo passado séculos exilados do próprio Egito?

      “os discípulos (não somente os 12, como outros) de Jesus eram homens reais, que viveram e morreram, como testemunhas oculares, cujos escritos existem até hoje (inclusive apócrifos onde as autorias pressupõem-se que sejam de alguns destes discípulos), e cujas vidas estão registradas por outras fontes fora do evangelho”.

      R.: É mesmo? Será que os doze discípulos foram pessoas históricas que depois passaram a ser rebaixados à mitos, ou na verdade, eram mitos que foram elevados à historicidade? Na verdade, os evangelhos são anônimos, leia esses artigos:

      Evangelho de João - Quem Realmente Escreveu?
      Evangelho de Mateus - Quem Realmente Escreveu?

      Além disso, não existe qualquer evidência arqueológica da existência de um conjunto de doze apóstolos originais no primeiro século palestínico. Os textos apócrifos que usam os nomes dos apóstolos são falsificações posteriores.

      Não obstante, usando de muita imaginação e partido do pressuposto que o Cristianismo é a única verdade do mundo, da qual as quase 8 bilhões de pessoas devem se converter, vamos pensar, por um milionésimo de segundo, que os 12 seguidores míticos de Jesus sejam, de fato, pessoas históricas. Gostaria de ouvir uma resposta para isso:

      1) Se Jesus teve doze apóstolos, porque só temos evangelhos de supostamente dois deles? Pois nem Lucas, nem Marcos eram apóstolos. (BRUCE, 2009)

      2) Por que o número doze se repete em toda cultura e, de repente, vemos Israel com doze tribos e depois Jesus com doze apóstolos?

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    2. “Muitos estudiosos envolvidos na pesquisa de um Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida através de documentos e outras evidências, embora concordem que muito do que sabemos sobre ele pelo NT, não deve ser tomado ao pé da letra...”

      R.: Leia o restante dos meus artigos. Eu acredito que existiu um Jesus histórico, não acho que Jesus seja cem por cento mito, como Hórus, Attis, Adonis, etc.

      “Pelo fato dos “discípulos" de Hórus terem sido apenas signos do zodíaco, eles nunca ensinaram sua filosofia ou difundiram seus ensinamentos, porque não existiam como pessoas reais de carne e osso.”

      R.: Se os doze apóstolos, como conjunto, existiram de carne e osso, me mostre alguma prova arqueológica sobre André, por exemplo.

      Além disso, em canto algum na Antropologia Dinâmica, bem como no estudo das Religiões Comparadas, se diz que tem que ser cem por cento igual para que haja influência mítica. (DILLON, 2003)

      A realidade de que existem doze signos do Zodíaco (doze meses) em comparação com os doze apóstolos de Jesus é uma coincidência insignificante.

      R.: Em várias obras de teologia cristã se diz que o Cristianismo influenciou outras religiões. (GRIGGS, 2000) Dai te pergunto, por que o Cristianismo pode influenciar religiões, mas ele mesmo não por ter sido influenciado por nenhuma? Será mesmo coincidência? Então gostaria que respondesse ordeira e sistematicamente as questões levantadas no artigo:

      Cristianismo e os Mitos: Apenas Coincidência?

      “A motivação de um crente e um descrente, são as mesmas, todos querem ainda que não admitam, impor suas ideias a outros.”

      R.: Concordo em partes. Existe diferença e abordei isso no artigo:

      Teólogos Liberais e Conservadores

      Espero suas respostas e muito obg pelos comentários que nos ajuda a ampliar o debate. Seja muito bem-vindo.


      Referências

      GRIGGS, Wilfred. Early Egyptian Christianity from its Origins to 451 CE, Brill Academic Publishers. 2000.
      BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI Vida. 2009.
      DILLON, Michele. Handbook of the Sociology of Religion, Cambridge University Press, 2003.

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  11. Olá, Jordhan. Tenho uma dúvida. Você disse: "Se você for olhar na bíblia, não tem nada nela sustentando a ideia que satanás sabe de todas as coisas..."
    Minha pergunta é: De onde você tirou que falaram acima que Satanás sabe de todas as coisas? Eu li que disseram que Shaitan era astuto e conhecia a bíblia como ninguém, mas que ele sabia de todas as coisas.
    Leandro

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  12. Amigo, muito obrigado por compartilhar.

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