domingo, 2 de janeiro de 2011

MARIA, JOSÉ, JESUS
Quando José (conforme nos relata Mateus) e Maria (conforme nos relata Lucas) receberam as “boas novas” de salvação que incluía o filho deles. Os mesmos se sentiram privilegiados de desempenharem papeis tão importantes dentro do plano salvífico de Deus.

Apesar dessa analise devocionária, existe nisso um grande problema teológico. Em Mateus 1:20-25 nos mostra que José sabia exatamente quem haveria de ser o bebê que Maria carregava em seu ventre. Já em Lucas 1:32 nos mostra que Maria, principalmente, sabia exatamente que tipo de pessoa estava levando em seu ventre.

O problema surge quando lemos o relato em que Jesus de Nazaré, já aos 12 anos, está no templo enquanto seus pais estão desesperados à sua procura. Em Lucas 2:48-50 nos mostra que depois da afirmação de Jesus indireta de que ele era Filho de Deus, Maria e José “não compreenderam” o que Jesus queria dizer. O texto nos diz:

“. . .“Filho, por que nos tratas deste modo? Eis que teu pai e eu, em aflição mental, estivemos à tua procura.” Mas ele lhes disse: “Por que tivestes de ir à minha procura? Não sabíeis que eu tenho de estar na [casa] de meu Pai?” No entanto, não compreenderam a declaração que lhes fizera.” (Lu 2:48-50)
Hã?!!! Como assim? Eles não sabiam que Jesus era especial, obtendo a informação de maneira ainda milagrosa? Como eles poderia “não compreender” a declaração de Jesus de que Deus era seu Pai? Até porque o próprio Jesus fica surpreso, quando diz:

“Por que tivestes de ir à minha procura? Não sabíeis que eu tenho de estar na [casa] de meu Pai?”” (Lu 2:49)

Veja que o próprio Cristo lhes pergunta: “Não sabíeis...?” Sim, eles sabiam, mas devem ter esquecido subtamente, algum lapso de memória talvez, pois o relato continua dizendo que Maria e José não entenderam o que Jesus quis dizer.

Se nós que lêmos o relato entendemos logo de primeira o que Jesus quis dizer, porque será que Maria e José que souberam da notícia messiânica de primeira mão não entenderam as palavras de Cristo?

Alguns tentam explicar esse relato por dizer que Maria está falando como mãe, estando preocupada com seu filho, e, sendo mulher, sua mente não se detém ao assunto de que seu filho era o Messias, e por essa razão, o texto diz que ela não entendeu o que Jesus disse. Vemos rapidamente a falácia dessa argumento.

Primeiro: Em nenhum momento nego que a PREOCUPAÇÃO de Maria seja devido a seus sentimentos como de mãe, tanto que ela chega a dizer: “filho como fazes isso conosco”? Apesar de Maria ter conhecimento de Jesus, que ele seria o Messias e que ele seria sacrificado, mas mesmo assim ela deve ter sofrido muito quando viu seu filho sendo morto, assim como ela ficou aflita quando estava procurando seu filho que estava desaparecido. Mas esse não é o ponto em questão.

Segundo: O problema não é na PREOCUPAÇÃO de Maria do paradero de seu filho, mas mesmo falando como mãe, isso não justifica ela não entender as palavras de Jesus de que aquela era a casa do Pai dEle, uma vez que ela sabia muito bem que Ele era filho do Altíssimo.

Terceiro: Jesus como Filho de Deus também poderia interpretar dessa forma, do tipo: “ela está falando como minha genitora, não que ela não sabia que eu seja o Cristo, suas palavras estão apenas mostrando sua preocupação”. Mas note que isso não ocorreu, JESUS, assim como os historiadores e críticos do Novo Testamento, interpretou as palavras de Maria como realmente FALTA DE CONHECIMENTO de sua messianidade. Ao reler as palavras de Jesus, quando ele diz: “não sabíeis...” se percebe que seria algo lógico, como se Cristo dissesse: “Porque vocês estão preocupados? Vocês sabem que sou filho de Deus e que, por isso, eu tenho que está na casa dEle.” Se para Jesus essa conclusão era lógica, como pode alguém hoje alegar que não era que Maria e José não soubessem, eles apenas estão falando como pais preocupados. Bom, pelo menos essa não foi a interpretação do próprio Jesus. Para Jesus, Maria e José TINHAM QUE SABER DISSO.

Quarto: Isso de dizer que, “sendo a mulher, sendo mais emocional, Maria se desligou um pouco de seu conhecimento da messianidade de Jesus e pensou do caso da sua ausência” não faz sentido. O texto deixa explícito, ao usar o pronome “eles” que nesse diálogo, tanto José como Maria compartilhavam da preocupação, ASSIM COMO da não-compreensão das palavras de Jesus. Qualquer argumento dessa natureza não é argumento, é uma tentativa desesperada para fazer o relato soar correto.

Um comentário:

  1. Você diz: “Se tu postar eu vou apagar”. Mas antes dá uma lida!

    Você diz: “Mesmo falando como mãe, não justifica...”
    1° Desculpe-me, mas eram pais “em aflição mental”; e não, robôs! Daí eu acho que justifica!

    “não compreenderam”.
    2° Penso que eles sabiam, mas não compreendiam como hoje [100%]. Por causa disso eu acredito que houve um exagero em afirmar “entendo de 1° o que Jesus está falando”, já que vivemos D.C. e conhecemos toda a “fábula”.

    3° Penso que sua conclusão desprezou o conhecimento mínimo que eles tinham na época; além disso, você não sofre a influência da “aflição mental” dum pai.

    Clóvis, Cariacica, ES.

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